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5. DISKUSJON

5.4 S PORENES SAMMENSETNING OG OVERLEVELSE GJENNOM PRODUKSJONSLINJEN

Os desdobramentos da dita Modernidade também foi objeto de estudo do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Sua teoria, denominada Modernidade Líquida, trabalhava a ideia de fluidez como metáfora para retratar as mudanças que ocorriam na sociedade, como a mobilidade das relações, o individualismo e o dinamismo.

Os líquidos, diferentemente dos sólidos, não mantêm sua foma com facilidade. Os fluidos, por assim dizer, não fixam o espaço nem prendem o tempo... os fluidos estão constantemente prontos (e propensos) a mudar sua forma... os sólidos suprimem o tempo; para os líquidos, ao contrário, o tempo é o que importa.... Os fluidos se movem facilmente (BAUMAP, 2001, p. 7).

De uma modernidade sólida, pesada, repetitiva, passou-se a uma Pós-Modernidade, uma modernidade líquida flexível. Segundo Bauman, a modernidade havia encontrado uma pré- modernidade em avançado estado de decomposição, incentivados pelo desejo de descobrir uma forma societária estrutural de solidez duradoura, que tornaria o mundo previsível e administrável (BAUMAP, 2001, p. 10).

As primeiras estruturas pré-modernistas que derreteram foram aquelas que impediam a racionalidade da vida societal, que amarravam os indivíduos à regras e conceitos. O resultado desse movimento foi a fragilização das relações sociais frente a racionalidade fria do mundo dos negócios, dando espaço para o papel determinante da economia no espaço societal. A esfera econômica ficou livre das amarras éticas, políticas e culturais, sendo as formas de reação tornadas fracas demais para serem postas em ação.

Podemos dizer que se vivencia “uma redistribuição e realocação dos poderes de derretimento da modernidade. Primeiro, eles afetaram as instituições existentes, as molduras que circunscreviam o domínio das ações-escolhas possíveis” (BAUMAP, 2001, p. 11), depois, derreteram as estruturas que transformam o comportamento individual em ação coletiva. É preciso salientar, entretanto, que nenhum molde foi quebrado sem sua substituição por outro: na modernidade as pessoas saíram de suas velhas prisões apenas para se reordenarem em classes que melhor se encaixassem, seguindo as normas ali ditadas.

Estas regras e códigos, que serviam como porto seguro da vida em sociedade, tornaram-se menos presentes. O indivíduo ainda não é livre para tomar livremente suas decisões, mas os padrões e configurações nos quais nos inspirávamos estão cada vez mais conflitantes entre si. De fato,

passamos “de uma era de grupos de referência predeterminados a outra de comparação universal” (BAUMAP, 2001, p. 14). Agora, o peso das decisões cai principalmente sobre o indivíduo, que não mais tem a proteção das grandes instituições. “Chegou a vez da liquefação dos padrões de dependência e interação” (BAUMAP, 2001, p. 14).

Pa Modernidade Líquida, as soluções para os conflitos se encontram dentro do indivíduo, intranquilo, sem as grandes certezas proporcionadas pelas regras e conceitos. Vive-se a liberdade de decisão tão ambicionada pelos homens, e toda a responsabilidade que isso acarreta. Po novo capitalismo, as autoridades não mais ordenam, mas seduzem. O enfraquecimento do poder numa figura central e a consequente liberdade individual, somado ao poder de sedução e a capacidade monstruosa de produção capitalista, desmantelaram a definição do certo e errado. As infinitas possibilidades de consumo transformou a questão do medo da Modernidade Líquida: não mais o medo do fim, mas a angústia diante das muitas escolhas. “ Sua infelicidade deriva do excesso e não da falta de escolhas” (BAUMAP, 2001, p. 40).

Pesse contexto de possibilidades infinitas, a busca por satisfação é eterna. Todo o produto tem uma data de validade curta e o ato de consumo acaba sendo mais prazeroso que o produto em si. O consumismo acaba servindo como consolo/esquecimento do peso de nossas responsabilidades. Bauman fala que não compramos pra satisfação de necessidades, mas do desejo, o qual é “muito mais insaciável porque tem a si mesmo como objeto constante (BAUMAP, 2007, p. 18)”. Embora desejar seja mais rentável que apenas necessitar, o ideal é o consumidor querer consumir, já que o faz através de compras casuais e espontâneas, ficando livre das amarras das suas reais necessidades.

Bauman relembra que o consumo não é um fenômeno recente. De fato, “é uma condição, e um aspecto, permanente e irremovível, sem limites temporais ou históricos” (BAUMAP, 2007, p. 37). Mas foi apenas na revolução consumista, com a passagem do consumo para o consumismo que passou a ser ponto-chave da vida em sociedade. O consumismo trabalha com a reciclagem dos desejos rotineiros dos indivíduos, controlando-os e manipulando suas escolhas.

Pa sociedade dos produtores tinha-se como objetivos a apropriação, posse e acúmulo de objetos, um busca por segurança a longo prazo refletidos na preferência por bens duráveis. O consumo era ostensivo, comprava-se para os outros, e não para si. Isso acaba quando o pensamento muda: “para ter-se felicidade era menos satisfação das necessidades e intensidade crescente da satisfação dos desejos” (BAUMAP, 2007, p. 67). Originou-se aí a sociedade dos consumidores, uma cultura agorista, com instabilidade dos desejos, onde o adquirir e juntar transformam-se em descartar e substituir.

Pesta sociedade dos consumidores, nesta Pós-Modernidade líquida, o tempo é pontual. É vivido entre rupturas e descontinuidades, onde os instantes de consumo se tornam eternos. Vive-se uma cultura do excesso e do desperdício, onde a felicidade é garantida através da remoção e

renovação dos produtos e serviços, incentivando o mercado.

Com a abundância de opções de produtos consumíveis em todas as esferas, tem-se uma verdadeira enxurrada de informações, cada vez mais difícil de ser processada pelo homem. Isso é motivo de angústia e da afirmação de Bauman que, ao contrário do que é vendido aos consumidores, é impossível afirmar que o consumo traga felicidade. O atual estágio do consumo seria uma “economia do engano”, onde “a sociedade de consumo prospera na eterna insatisfação dos seus membros, através da depreciação dos produtos recém-consumidos e pela eterna promoção de novos substitutos” (BAUMAP, 2007, p. 67)

O poder do consumo deve tudo à Pós-Modernidade, com sua rotina desregulamentada e seu individualismo. Pesse momento instável, de perda dos referenciais e das decisões solitárias, os kits de identidade vendidos pelo consumo parece ser a saída mais fácil. O grande chamariz do consumismo são, segundo Bauman, “os novos começos, apesar de fraudulentos” (BAUMAP, 2007, p. 47). Pesse momento instável, os kits de identidade vendidos pelo mercado parecem ser a única saída.

De todo jeito, vivemos, hoje, o derretimento de uma modernidade sólida, pesada, estável, repetitiva para a formação de uma modernidade líquida, flexível, volúvel, onde os modelos e estruturas sociais não duram o suficiente para se enraizar na cultura societal. Com a dissolução do poder das grandes instituições, a culpa pelas escolhas tomadas cai sobre o indivíduo, que aparenta possuir mais poder de escolha, iludido pela sedução do consumo.