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A qualidade dos projetos é um fator crítico para o sucesso de qualquer organização, que resulta na criação de produtos novos ou modificados, assim como, serviços, ambientes, processos e organizações. Além disso, os projetos podem consolidar as estratégias e disseminá-las pela organização, o que reduz a distância entre a visão da empresa e seus projetos.

A suposição assumida no início desta pesquisa de que seria possível comparar o grau de maturidade das empresas brasileiras e canadenses em relação à gestão de projetos de TI foi largamente confirmada pelas fortes correlações encontradas para a grande maioria dos fatores.

Foi observado neste estudo que as organizações, brasileiras e canadenses, estão preocupadas em relação à necessidade de gerenciar efetivamente seus processos, visando aprender tanto com os erros como com os acertos. Esse círculo virtuoso errar, refletir, refazer e acertar termina gerando um valioso aprendizado organizacional, criando as bases para a melhoria contínua, não só dos processos relacionados ao gerenciamento de projetos, como também às demais atividades de uma organização.

As correlações (todas positivas) mostraram fortes relações de interdependência entre todos os fatores explorados na pesquisa, mostrando a pertinência das questões escolhidas e das orientações do PMI, em relação à gestão de projetos.

A Correlação entre os problemas mais comuns foi muito forte, próxima de 0,99 indicando que as dificuldades são praticamente as mesmas, mas como predominância dos fatores relacionados aos processos de planejamento.

Na pesquisa, foi possível identificar os seguintes pontos fortes:

ƒ Esforço positivo no sentido de estabelecer padrões para multiplicar os casos de sucesso.

ƒ Esforços comuns para integrar melhores práticas de gerência de projetos aos processos internos da organização.

ƒ Prática de realização de estudos de viabilidade dos projetos para redução de riscos. ƒ Preocupação com padronização dos processos de gestão de projetos e também com

ƒ Preocupação em desenvolver planejamentos bem elaborados, com definição dos objetivos, assim como marcos de acompanhamento e controle de entregas de projetos.

ƒ Aprendizagem para o planejamento de novos projetos.

ƒ Preocupação com o ambiente de trabalho, com a gestão de relacionamento interpessoal e crescimento profissional dos colaboradores.

ƒ Consciência de aprendizagem com os erros e da necessidade da explicitação do conhecimento tácito na tentativa de reter conhecimentos;

Por outro lado, os pontos fracos encontrados no Brasil, em comparação com o Canadá, foram:

ƒ Pouca conscientização em relação à dimensão de gestão de programas e portfólio; ƒ Despreparo para gestão de riscos.

ƒ Carência de planos de carreira associados aos projetos, o que contradiz o ponto forte em relação à preocupação com o crescimento profissional dos colaboradores. ƒ Pouco incentivo na manutenção de escritórios especializados em gestão de

projetos; sem dúvida, esta divergência pode ser considerada como uma das mais fortes encontradas neste estudo.

ƒ Desatualização tecnológica “Falta de tecnologia e/ou ferramentas apropriadas”. ƒ Revisão da qualidade dos projetos tem sido tendenciosa e questionável, por ser

realizada pelas mesmas equipes

Como ameaças identificaram-se a perda de competitividade das empresas brasileiras em relação às canadenses, caso os pontos fracos identificados não sejam resolvidos.

No entanto, as mesmas ameaças identificadas podem ser consideradas oportunidades para superação dos pontos fracos, se as empresas brasileiras desejarem competir com projetos desenvolvidos no exterior.

Foi possível também identificar os problemas mais comuns em ambos os países, destacando, em ordem de importância os seguintes:

ƒ Prazos apertados, indicando que o tempo necessário para a realização do projeto não é respeitado. Isso obriga o gerente de projetos a reduzir o tempo das tarefas e entregar mais, em menor tempo e com os mesmos recursos.

ƒ Planejamento inadequado, apesar da preocupação em desenvolver planos bem elaborados. Isso indica que a importância já foi reconhecida e o trabalho de melhoria já está sendo realizado, porém, ainda assim é visto como um problema. ƒ Restrições orçamentárias, obrigando o gerente a realizar uma boa estimativa e

controle de custos.

ƒ A falta de alinhamento entre as áreas também foi indicada como problema comum nos dois países.

Com relação à adoção das melhores práticas no Brasil, apenas as Métricas para avaliação de projetos e as Ferramentas de apoio à gerência de projetos, figuram entre os itens parcialmente implantados, enquanto no Canadá, figuram entre os itens amplamente implantados. Além dessas também são considerados amplamente implantados: Ferramentas de apoio à implantação da Governança de TI, Gerenciamento de programas e Sarbanes- Oxley. Este último, curiosamente, embora apareça entre os itens amplamente implantados, 44% dos respondentes canadenses informaram que não sabiam informar se o framework Cobit, bastante utilizado nesse caso, estava presente em sua organização.

Neste contexto, a pesquisa conseguiu atingir seu objetivo principal ao desenvolver um estudo comparativo do nível de maturidade em gerenciamento de projetos de TI do Brasil em relação ao Canadá. Para isso, a escolha não só de um grupo de respondentes interessados no tema, como também de um modelo de maturidade robusto e bem difundido nos países estudados, foi fundamental para a realização deste trabalho.

Também foi possível identificar os pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades para as empresas brasileiras, cumprindo também, ao menos parcialmente com os objetivos específicos propostos.

Além disso, foi observado o real benefício da utilização de uma pesquisa de maturidade, com o propósito de melhorar os projetos de TI desenvolvidos pelas organizações, identificando as suas falhas e ameaças, assim como as suas forças e oportunidades. Também foram identificados os aspectos e fatores que requerem aperfeiçoamento na gestão de projetos de TI no Brasil quando comparado a um país economicamente desenvolvido.

Para estudos futuros, esta pesquisa poderá repetida em outro momento no sentido de avaliar a evolução do Brasil destacando a gestão de projetos de TI em organização baseadas em conhecimento, além de incluir outros fatores recomendados pelo COBIT e pela ITIL, e justificar melhor o uso de análise fatorial.