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KAPITTEL 4: JURIDISKE VERKEMIDDEL

4.2 S KOGBRUKSLOVA § 12

A entrada dos jovens da Geração Y pode assemelhar-se à entrada da Geração X nos anos de 1960-1970 em que surgiu um movimento de ruptura comportamental, novos costumes culturais surgiram em uma rápida velocidade, trazendo maior adaptação dado que os avanços tecnológicos tornaram-se uma necessidade básica (OLIVEIRA, 2011).

O gap entre as atitudes, comportamentos e valores que os Milênios têm de diferente das gerações anteriores mostra-se em diversas áreas e formas dentro da empresa, incluindo formas diferentes de se comunicar, profissionalismo, pontualidade e atendimento ao cliente (DORSEY, 2010).

Já é uma realidade nas organizações encontrar várias gerações diferentes, não apenas na faixa etária, mas em comportamentos, atitudes, pensamentos e valores. Segundo Oliveira (2009, p. 11): “entender as novas gerações sempre foi um desafio para qualquer outra geração. O que torna este momento especial é o fato de termos mais gerações influenciando- se mutuamente”. Além da Geração Y citada acima, as outras gerações, podem ser descritas conforme segue.

Belle Époque

Também conhecida como “geração tradicionalista”, essa geração compreende as pessoas nascidas entre 1920 e 1940. Viveram em uma fase grande de depressão econômica, provocada pela 1.ª Guerra Mundial, época em que muitas famílias migravam para outros lugares em busca de trabalho ou simplesmente fugindo das políticas existentes por conta da guerra (OLIVEIRA, 2009). Membros dessa geração podem ser caracterizados como fiéis dedicados e que têm aversão a riscos (TOLBIZE, 2008).

Quanto ao seu comportamento no ambiente de trabalho, faz parte de seus valores como geração, respeito à autoridade e disciplina. O trabalho para essa geração era visto como sacrifícios, em que a obrigação vinha primeiro que a diversão, sem contar que seguiam

sempre todas as regras, e havia uma fidelidade ao empregador, sem contar que era guardada (em poupança) grande parte do dinheiro recebido (BLAIN, 2008; HAMMIL, 2005).

Baby Boomers

Compreendem-se as pessoas nascidas entre 1945 e 1960. Com o fim da 2.ª Guerra Mundial, iniciou-se um cenário bastante positivo no período pós-guerra, houve um grande nascimento de crianças (o famoso boom, que caracterizou essa geração). Foram consideradas crianças mais privilegiadas, com mais tempo para usufruir a vida do que seus pais, e educadas em um conceito de disciplina rígida (OLIVEIRA, 2010).

Caracterizam-se como indivíduos que acreditam que trabalho duro e sacrifício é o preço a se pagar pelo sucesso (TOLBIZE, 2008). Ainda segundo Chiuzi, Peixoto e Fusari (2011), são moralistas, não aceitam autoritarismo ou princípios institucionais sobre moral ou ética, e não sacrificam prazeres pessoais pelo grupo. De forma geral, ainda segundo os autores, eles podem ser caracterizados como individualistas. O grande número de Boomers no mercado de trabalho (já competitivo), em que havia muitos candidatos para poucas vagas, fez com que essa geração fosse workaholics (BLAIN, 2008).

Geração X

Nascidos entre 1960 e 1980, cresceram e se desenvolveram em um clima pouco favorável, como o golpe militar, e com limitações de expressão e acessos limitados para formações profissionais (MATTOS et al., 2011).

Oliveira (2010) complementa dizendo que o momento no Brasil era de grandes revoluções políticas, extremamente agressivas, com perseguições a líderes políticos, jornalistas, professores, religiosos e qualquer pessoa que se opusesse ao governo. Ainda segundo Mattos et al. (2011, p. 3): “São profissionais que dão ênfase a segurança do emprego e, muitas vezes, para garanti-lo, acabaram deixando de lado a qualidade de vida e a convivência no grupo familiar”.

Os jovens da Geração Y mudaram completamente as bases de comunicação tanto pessoal quanto profissionalmente, não só em relação a eles mesmos, mas também quando comparados com as demais gerações. Lipkin e Perrymore (2010) destacam essas mudanças

comparando o que cada geração utilizava ou tinha como disponível para se comunicar com seus pares:

Veteranos [Tradicionalistas]: Telefone de disco, conversas e reuniões presenciais;

Boomers: Telefone de teclado, uso de memorandos; Geração X: Telefone celular, teleconferências, e-mails;

Geração Y: Smartphones, redes sociais na Internet, webcams, mensagem de texto, Instant Messages etc. (LIPKIN; PERRYMORE, 2010, p. 96).

De forma geral, as autoras comparam os relacionamentos existentes na Geração Y com as outras conforme se apresenta no Quadro 2:

Quadro 2 – Relacionamento entre a Geração Y e as gerações anteriores

Geração Y Gerações anteriores

Começou a ter contato social antes mesmo de aprender a falar

Ênfase na amizade fora da família não ocorre até a pré-escola

Ênfase em atividades extracurriculares Menos ênfase em atividades extracurriculares. As únicas atividades extracurriculares que existiam estavam relacionadas com a escola ou a

formação. Atividades extracurriculares

individuais (aulas de piano) tinham a mesma importância de atividades em grupo

Aprender que é bom falar abertamente em contextos sociais

Em contextos sociais, aprenderam que existem coisas que se falam e coisas que não

Idade adulta: casamento tarde, filhos tarde, mais tempo com amigos e cônjuge antes de ter filhos

Idade adulta: obrigações de família eram/são prioridade

Os relacionamentos podem começar a dar certo sem contato pessoal, via meios digitais

Os relacionamentos começavam por contato pessoal e esses mesmos relacionamentos podem ser mantidos em conversas ao telefone e por e- mails. No entanto, raramente uma nova amizade nasce por meio de um relacionamento virtual Deixará o trabalho se suas necessidades de

contato social não forem atendidas

Dificilmente deixarão o trabalho por

necessidades de contato pessoal.

Fonte: Lipkin e Perrymore (2010, p. 153).

Nota-se, que a Geração Y difere de muitas maneiras quando relacionadas com as gerações anteriores. No que se refere à criação de amizades, percebe-se que, nas gerações anteriores, os laços de amizade só se formavam quando já se tinha relação entre famílias ou quando ingressasse na pré-escola, fato que para os Ys, as amizades surgem antes mesmo de eles aprenderem a falar, o que ocorre geralmente em creches, berçários, pois essa geração cresceu com ambos os pais trabalhando.

Quanto às atividades extracurriculares, a Geração Y pode ser considerada, até então, uma das gerações que os pais mais incentivaram nas atividades fora da escola, um dos motivos de essa geração ser considerada multitasking; fazem várias coisas ao mesmo tempo, pois fez parte da rotina de crescimento desses jovens ir à escola, aula de línguas, de dança, futebol etc.; nas gerações anteriores, essa ênfase a atividades extracurriculares era bem menor; quando havia, estava apenas interligada aos estudos ou formação profissional, existindo, às vezes, alguma aula de instrumento considerado clássico (ex.: piano).

Por terem sido estimulados pelos pais a falar tudo que viesse à sua mente, a Geração Y aprendeu que é importante não ter medo de falar abertamente em contextos sociais, fator que pode ser notado até no interior das organizações, pois essa geração tem em mente uma hierarquia horizontalizada, visualizando seu chefe como colega de trabalho, comportamento esse que não era visto em gerações anteriores; afinal, eles aprenderam que há coisas que se deve falar e coisas que não; no contexto organizacional, a hierarquia era completamente vertical, e o chefe era autoridade importante.

Nas gerações anteriores, a idade adulta, a prioridade era obrigação familiar, muitos já estavam prontos para sair de casa e construir uma família (em muitos casos eram os próprios pais que os “mandavam” sair de casa), característica totalmente mudada pela Geração Y, que está cada vez mais casando tarde (em torno dos 30 anos), tendo filhos mais tarde e saindo mais tarde de casa; isso ocorre porque eles querem passar mais tempo com os amigos e até com o próprio cônjuge antes de ter filhos.

No quesito relacionamento, ocorria nas gerações anteriores por meio de contato pessoal e era mantido via telefone e e-mail, o que, para a Geração Y, é completamente “ultrapassado”, pois considerados “nativos digitais”, seus relacionamentos na maioria das vezes se iniciam digitalmente e sem contato pessoal. Por fim, quanto à importância dada ao trabalho, as gerações anteriores dificilmente deixariam seu trabalho por alguma necessidade pessoal, característica totalmente oposta à Geração Y, que, quando suas necessidades não forem ligadas e atendidas no trabalho, eles deixam a empresa e vão à procura de outra.

Quando voltado ao ambiente de trabalho e à ética profissional, Lipkin e Perrymore (2010) mostram algumas diferenças entre a considerada ética profissional tradicional e a ética profissional da Geração Y. Essas diferenças podem ser vistas no Quadro 3.

Quadro 3 – Ética tradicional x ética Y

Ética profissional tradicional Ética profissional Y

Trabalho em primeiro lugar Vida em primeiro lugar

Distinção entre horário de trabalho e horário de lazer

Integração da vida pessoal com a vida profissional

Regras acima de tudo Seguem só as regras que funcionam e

estabelecem regras próprias

Respeito ao chefe Respeito para quem merece

Tempo de empresa = promoção Talento = promoção

Expediente de 8 h, com horário extra Horário de trabalho indefinido

Trabalho baseado em horas Ir embora quando terminar o trabalho, mesmo

que seja antes das 18h

Contato pessoal Contato virtual

Veste sempre a camisa da empresa Veste a camisa da empresa quando necessário

Mudança só de for necessidade da empresa Espera mudança da empresa para adequar suas necessidades.

Fonte: Lipkin e Perrymore (2010, p. 127).

Branco (2013) explica que, com a educação flexível que receberam em casa e na escola, além da diversidade dos bairros e dos avanços tecnológicos nos últimos anos, os Ys desenvolveram suas éticas e valores próprios, de forma que influenciassem no relacionamento com as outras pessoas e sua forma de ver o mundo.

A ética profissional do Y, que pôde ser vista no Quadro 3, mostra que para eles suas vontades e necessidades vêm em primeiro lugar. O jovem tende a priorizar mais a qualidade de vida do que sacrifícios nos fins de semana pela empresa; só vai seguir as regras que eles consideram que funcionam, ou seja, horário de chegada e de saída não se encaixam nessas regras.

Ao contrário das gerações anteriores que respeitavam seu chefe por questões de hierarquia, o jovem Y tende a respeitar quem o respeita, e a tratar bem quem o trata bem. Para os Milênios, não existem hierarquias ou cargos; ser talentoso significa ganhar uma promoção independentemente do tempo de empresa; horário de trabalho flexível. Se tudo o que tinha para ser feito no dia já foi feito, o jovem não vai pensar duas vezes para ir embora mais cedo.

Reuniões face to face para os jovens só Facebook, eles são extremamente virtuais em tudo que envolve informações, comunicações ou reuniões (via Skype). Nem sempre vão vestir a

camisa da empresa, apenas quando eles acharem que podem crescer e se desenvolver bem, e esperam que as empresas mudem para “atender” às suas necessidades.

Dessa forma, pode-se notar que a Geração Y vem trazendo mudanças para o mundo corporativo, que serão discutidas na seção seguinte.