6. EMPIRI
6.4 S ETT TILBAKE – HVA VAR UTFORDRINGENE ?
Para Yin (2005), a análise de dados consiste em examinar, categorizar, classificar e combinar as evidências para tratar as proposições iniciais de uma pesquisa. Os dados recolhidos em campo são peças como de um quebra-cabeça, as quais deverão ser encaixadas pelo pesquisador, sendo estas compreendidas em seus significados, procurando obter
resultados e conclusões do objeto em estudo através de evidências da realidade pesquisada (GÓMES, FLORES e JIMÉNES, 1996 apud MACHADO, 2005).
Neste projeto, definiu-se que a estratégia analítica inicial de análise dos dados seria a descrição de casos para ambas as fases. Esta estratégia caracteriza-se pela descrição fiel dos casos estudados, com objetivo de organizar o estudo de caso múltiplo, desenvolvendo uma estrutura descritiva do mesmo. Posterior a esta etapa da descrição, elaborou-se uma análise cruzada de todas as evidências coletadas, sem a necessidade de adotar outra estratégia analítica para aumentar a qualidade do estudo.
Como método de examinação, classificação, categorização e interpretação dos dados coletados foi utilizada a análise de conteúdo, que segundo Bardin (1977, p.42), consiste em:
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.
Em consonância com a questão-problema deste estudo, Weber (1990 apud FALLER, 2004), define a análise de conteúdo como um método que pode ser utilizado para vários propósitos, pois permite observar motivos de satisfação, insatisfação ou opiniões subentendidas, e ainda a natureza dos problemas e das relações, estudando as várias formas de comunicação.
Existem três (3) técnicas diferentes na análise de conteúdo: a análise sintáxica – analisa a estrutura do discurso, pelo tempo e modos verbais, comum na análise dos discursos de políticos; a análise lexical – analisa a natureza e riqueza do vocabulário, quantificando as palavras de uma entrevista; e a análise temática – que é um recorte por tema e respectivas freqüências, formando categorias e subcategorias de análise (BARDIN, 1977). O presente estudo utilizou a técnica temática para análise de todas as evidências.
A análise de conteúdo é dividida em três (3) fases, que são a pré-análise, a exploração do material e o tratamento, inferência e interpretação dos dados (BARDIN, 1977).
A pré-análise é a fase de organização e preparação propriamente dita. Aqui se define os documentos a serem submetidos à análise, os objetivos da análise e o referencial teórico que sustentará toda análise. Faz-se uma leitura flutuante (inicial) dos documentos selecionados e a
elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final. A análise desta pesquisa foi assim organizada:
• Ordem de análise dos casos – definida anteriormente a intenção de trabalhar com a
lógica de replicação literal, os casos/respondentes foram examinados, analisados e interpretados individualmente. Iniciando-se pelo caso piloto e seguido pelos casos/respondentes restantes. Finalmente foram feitas as análises e as interpretações cruzadas em busca das respostas à investigação de cada fase;
• Ordem de análise das evidências – em cada caso estudado, os documentos e o
relatório de observações foram as primeiras evidências a serem exploradas, analisadas e interpretadas (somente Fase Final), seguidas posteriormente pela exploração, análise e interpretação das narrativas das entrevistas (ambas as fases). Segundo Yin (2005), os registros literais ou documentais são, provavelmente, apenas partes do estudo de caso completo, como alternativa, eles podem ser a fase inicial de um estudo de caso, cujo objetivo é trazer à tona conceitos ou tópicos importantes.
A exploração do material é a fase de administração sistemática das decisões tomadas na fase anterior. Realizam-se as operações de codificação, desconto ou enumeração das evidências, em função das regras previamente formuladas. Nesta fase ocorre uma das atividades mais importantes da análise de conteúdo, que é a definição de categorias.
Para fins de codificação e enumeração de evidências, os textos das transcrições das entrevistas, das observações-diretas e dos documentos coletados foram analisados e decompostos segundo o critério semântico2 de categorização para ambas as fases, com base na fundamentação teórica. Alguns novos significados emergiram durante esse processo, constituindo-se, assim, em categorias emergentes no protocolo de pesquisa (APÊNDICE A). Quanto ao desconto das evidências ou redução dos textos da análise, foi utilizada a técnica de abreviação da análise de conteúdo (FLICK, 2004), na qual o material é parafraseado, o que significa que trechos e paráfrases menos relevantes que possuam significados iguais são omitidos (primeira redução), e paráfrases semelhantes são condensados e resumidos (segunda redução).
2 “Categorias temáticas: por exemplo, todos os temas que significam a ansiedade ficam agrupados na categoria
ansiedade, enquanto que os que significam a descontração ficam agrupados sob o título conceitual descontração” (BARDIN, 1977, p. 111).
Na busca de uma maior sustentação dos dados levantados em relação aos objetivos deste estudo, procurou-se abordar as categorias de pesquisa a partir dos casos relatados na fundamentação teórica e, através de uma interpretação holística, identificar provas convergentes com respeito ao fenômeno, sempre se utilizando da triangulação de fontes quando disponíveis (Fase Final) – documentos, entrevistas e observações. Portanto, as categorias, previamente definidas, foram construídas a partir da fundamentação teórica que sustentou esta pesquisa. A validação destas categorias, bem como das que eventualmente surgiram das evidências coletadas, pelos mesmos especialistas que avaliaram o roteiro semi- estruturado, serviram para uma condução do estudo de caso mais coerente possível entre objetivo, método e resultados.
O tratamento, inferência e interpretação é a fase de tratar os resultados brutos de maneira a se tornarem significativos e válidos, onde se resume e se interpretam os resultados, verificando-se a confiabilidade da interpretação. Relativo à confiabilidade da interpretação dos resultados o presente estudo se utilizou da técnica de estabilidade, que consiste na repetição do processo de interpretação pela mesma pessoa (neste caso o próprio pesquisador) em momentos distintos. Respeitou-se um intervalo de duas (2) semanas, entre os processos distintos de interpretação.