3. METODIKK OG DATAGRUNNLAG
3.3. S ELSKAPSUTVALGET
A interpretação de ‘natureza’ foi desenvolvida com base em Tamaio (2002), pela pertinência deste autor ao tema:
A natureza é um conceito categorizado por seres humanos, portanto, fundamentalmente político. As suas concepções são variadas e estão intimamente relacionadas com o período histórico e a correlação de forças políticas das classes sociais determinadas historicamente (TAMAIO, 2002, p. 37).
Adotando, portanto, as categorias de Natureza de Tamaio (2002), desenvolvemos um trabalho de identificação destas, ao longo das falas dos sujeitos, confirmando-as, como podemos observar no Quadro II – Diagnose Inicial.
A categoria naturalista, mais evidente nas falas dos sujeitos da pesquisa se refere a tudo que não sofreu ação de transformação pelo homem, como as matas e os animais. Percebemos nitidamente durante nossa pesquisa a tendência dos seres humanos em segmentar
os ‘continuuns’ da natureza, como nos aponta Tuan, (2012, p. 33). Em concordância com o
autor, o termo natureza foi o que mais perdeu significado no uso popular. Na medida em que o termo adquiriu o significado de physis dos gregos pré-socráticos, designava a totalidade ou o todo. Já na Idade Média, a natureza dos eruditos e poetas sofreu uma constrição para não mais significar o todo, mas simplesmente a mutabilidade das regiões sublunares. Nos últimos séculos, o termo natureza tem perdido mais terreno. Hoje em dia, falar da natureza é falar do campo e do selvagem. (TUAN, 2012, p. 187).
Com menor frequência que a anterior, emergiu das falas dos sujeitos, a categoria
socioambiental. Essa por sua vez desenvolve uma abordagem histórico-cultural, reintegrando
o homem à natureza e, muitas vezes, o homem surgindo como responsável pela degradação ambiental (TAMAIO 2002). Já a categoria romântica, que para Tamaio (2002, p. 43) corresponde a uma visão ‘dualística’ (homem x natureza), enfim, sempre harmônica, enaltecida, maravilhosa, com equilíbrio e beleza estética, algo belo e ético. Como podemos perceber, o sentimento é romântico no sentido de que nada tem a ver com qualquer compreensão real da natureza, como nos aponta Tuan (2012). Uma quarta categoria que emergiu é a
utilitarista, que também é considerada para a o autor como ‘dualística’, interpretada como fornecedora de vida e de recursos ao homem, (TAMAIO, 2002, p. 44) configura-se numa leitura antropocêntrica. Por fim, a categoria generalizante também se fez presente em nossa
pesquisa. Segundo Tamaio (2002) essa categoria se apresenta de forma muito ampla, evasiva, vaga e abstrata, pois tudo é natureza.
Depois das intervenções pedagógicas por meio das ecovivências e dos jogos de areia reaplicamos o questionário objetivando na diagnose final avaliar se havia mudanças. Para tal, adotamos as mesmas categorias da fase de diagnose inicial para Natureza, ou seja, com base em TAMAIO (2002) desenvolvemos um trabalho de identificação destas, ao longo das falas dos sujeitos, confirmando-as como pode ser observado no Quadro II – Diagnose Final.
A categoria naturalista permaneceu como a mais evidente nas falas dos sujeitos da pesquisa, se referindo a tudo que não sofreu ação de transformação pelo homem, como as matas e os bichos. Com menor frequência que a anterior, a categoria romântica de Tamaio (2002, p. 43) se manteve como na diagnose inicial e a categoria utilitarista de Tamaio (2002) não se fez presente nos sinalizaram como indicativos de crescimento no caráter conceitual dos sujeitos. A categoria socioambiental era a mais esperada em nossa pesquisa por seu caráter emancipatório. Vem ao encontro dos saberes freireanos quando aponta que a educabilidade humana se alicerça
na finitude de que nos tornemos conscientes e para que a finitude, que implica ‘processo’, reclame ‘educação’, é preciso que o ser nela envolvido se torne dela consciente (FREIRE, P.,
2012a, p. 124). Essa visão de natureza emergiu apenas na fala do sujeito Palma. É possível que essa percepção de homem dissociado do ambiente natural seja fruto de uma concepção
‘assistencialista’ da educação que ‘anestesia’ os educandos e os deixa, por isso mesmo, a- críticos e ingênuos diante do mundo, como critica (FREIRE,P., 2013, p. 111).
Quadro II: Diagnose Inicial e Diagnose Final da percepção dos sujeitos com relação ao tema Natureza.
Diagnose Inicial Diagnose Final
-Naturalista:
Ipê-amarelo – é o ar, a terra, a água;
Macambira – é o habitat natural dos seres vivos;
Mandacaru 1 – é a biodiverisidade, plantas, animais, mananciais;
Mandacarú 2 – é o ecossistema rico com fauna, flora;
Juazeiro – é a junção de rios, árvores, animais selvagens e livres do cativeiro;
Jurema – é o local dos recursos naturais;
Xique-xique 2 – são as árvores, mananciais, rios;
Girassol – é todo ser vivo;
- Socioambiental:
Cacto - tudo que nos cerca, flora, fauna, “eu”, integralizados no universo; Ipê-amarelo, quando afirma que é o meio ambiente onde vivemos;
- Romântica:
Coroa de Frade - meio harmônico onde todos os ciclos tem valor, onde todos se completam, local de harmonia;
- Utilitarista:
Jurema: é o meio que podemos preservar, local onde estão os animais, local dos recursos naturais;
- Generalizante:
Xique-xique1 - são os elementos
- Naturalista:
Ipê-amarelo: É tudo que tem vida, do maior ao menor;
Macambira: É o mundo natural, onde vive a diversidade de seres vivos;
Jurema: É o ambiente onde se tem a fauna, a flora; é todo contexto de vivência;
Mandacaru1: É um espaço vegetal ou animal, onde habitam os seres vivos;
Juazeiro: É todo conjunto onde estão as árvores, rios, animais, solo;
Xique-xique1: É o conjunto de elementos disponíveis no meio ambiente, animais, plantas, solo;
Coroa-de-frade: É tudo que nos rodeia, tais como animais, florestas;
Cacto: É todo esse universo de riquezas naturais/físicas que nos envolvem, inclusive a nossa vida num sentido mais amplo;
Girassol: É tudo em nossa volta: plantas, terra, água, animais racionais e irracionais;
Mandacarú 2: É um ecossistema natural, onde estão situados plantas, animais, elementos essenciais que compõem a natureza;
- Socioambiental:
Palma: ambiente pelo qual está sendo degradado pelo homem, porém é algo belo, que por sua vez, faz bem ao mundo e sem ela não vivemos bem. - Romântica:
Mandacarú1: É um lugar belo, puro e natural;
Xique-xique2: É o lugar de paz que eu me sinto bem;