• No results found

There’s a Doctor! The “official” event in Royal Albert Hall

A avaliação do perfil em ortodontia, ganhou uma importância especial com o aparecimento da teleradiografia lateral e a possibilidade de se fazerem medições objetivas de ângulos e distâncias, para a análise dos tecidos dento-esqueléticos e dos tecidos moles. Reconhece-se atualmente que o tratamento ortodôntico centrado em normas cefalométricas, exemplificado pela obsessão em colocar os dentes anteriores em determinada posição em relação ao osso basal, poderia levar a efeitos negativos na estética facial (Czarnecki, Nanda e col. 1993). Os objetivos ortodônticos atuais focam-se mais na estética e por isso trata-se a dentição em relação à face – com ortodontia apenas ou, quando o limite da base óssea está aquém da exigência estética, com cirurgia ortognática.

Os ortodontistas valorizam bastante o perfil na sua prática diária, existindo por isso uma vasta investigação nesta área, que inclui estudos que recorrem essencialmente a três formas de representar o perfil – uma linha de contorno do perfil, silhuetas preenchidas a negro ou fotografias (Hall, Taylor e col. 2000). Enquanto estas últimas representam imagens realistas de pessoas tratadas ortodonticamente, as silhuetas e os contornos têm a vantagem de eliminar viéses relacionados com o género e raça do indivíduo observado, bem como outros fatores que podem confundir a avaliação do perfil, como o cabelo, maquilhagem, o tom de pele, a textura e pequenas imperfeições que possam existir como cicatrizes, sinais, manchas ou borbulhas. Hockley e colaboradores compararam o uso de fotografias e de silhuetas para a avaliação do perfil, em indivíduos afro-americanos, com o objetivo de determinar qual dos métodos é o mais apropriado (Hockley, Weinstein e col. 2012). Para tal, modificaram fotografias de 10 homens e 10 mulheres afro- americanos, de modo a produzir diversas projeções dos lábios em relação à linha estética de Ricketts. As silhuetas foram criadas a partir das fotografias, através da alteração do brilho e do contraste das mesmas. As imagens foram avaliadas por ortodontistas e a avaliação estética foi comparada com normas cefalométricas para

100

indivíduos de raça negra. Os autores verificaram que as preferências dos avaliadores, com as fotografias, aproximaram-se mais das normas estéticas. Foi mais frequente os avaliadores preferirem um perfil mais retrusivo que a norma quando avaliavam silhuetas pelo que, pelas diferenças nos resultados obtidos causada pelos dois estímulos visuais, o estudo veio apoiar o uso de fotografias na determinação da atratividade do perfil.

De Smit e Dermaut avaliaram os efeitos de alterações sagitais maxilo- mandibulares, alterações na altura facial inferior e na forma do dorso nasal (reto, côncavo ou convexo) realizadas em silhuetas (De Smit e Dermaut 1984). Um nariz com o dorso convexo induziu alterações significativas apenas na classe II com altura facial normal. O perfil normal de classe I foi o favorito, avaliado por jovens adultos, seguido pela classe I com altura facial diminuída. A altura da face aumentada provocou os piores perfis.

A análise de silhuetas alteradas para diferentes posições sagitais do nariz, lábios e mento e para diferentes ângulos faciais e de convexidade, foi realizada por 545 profissionais da área da medicina dentária, com o objetivo de encontrar o perfil mais harmonioso, através da ordenação das imagens da mais para a menos atrativa (Czarnecki, Nanda e col. 1993). Foi demonstrado que, nos homens, é preferido um perfil mais reto comparativamente a um perfil ligeiramente convexo, nas mulheres. As piores combinações consistiam num mento demasiado retrusivo e num perfil demasiado convexo. Quando o mento ou o nariz eram maiores, permitiam aceitar lábios mais protrusivos, tanto em homens como em mulheres.

Johnston e colaboradores avaliaram a influência de alterações sagitais e verticais na mandíbula em dois estudos diferentes, um para cada dimensão, usando silhuetas (Johnston, Hunt e col. 2005a; Johnston, Hunt e col. 2005b). O ângulo SNB foi alterado para avaliar a relação ântero-posterior e a proporção entre a altura facial ântero-inferior e a altura facial total foi alterada para a relação vertical. Os avaliadores consistiram num grupo de estudantes de ciências sociais, que preferiram um ângulo SNB normal, de 78 graus, com uma altura vertical ântero-inferior normal. Valores de SNB aumentados cinco graus em relação à norma foram mais atrativos que valores diminuídos os mesmos graus. Setenta e quatro por cento dos indivíduos considerou que se submetia a tratamento com um ângulo SNB mais de 10 graus abaixo da norma e 78% dos indivíduos considerou o mesmo, para um ângulo 10 graus acima da norma. Em termos verticais, as silhuetas com uma altura facial

101 diminuída conseguiram maior atratividade e menor necessidade de tratamento relativamente às silhuetas com altura facial aumentada. Num outro estudo, a análise de silhuetas vistas de frente e manipuladas para diferentes alturas faciais, concluiu que 75% dos leigos inquiridos pensavam ser necessário tratamento para uma altura facial desviada mais ou menos quatro milímetros da ideal (Varlik, Demirbas e col. 2010).

Em indivíduos sujeitos a cirurgia ortognática de avanço mandibular, verificou-se uma melhoria consistente na estética do perfil, avaliada através do contorno da teleradiografia de perfil antes e depois da cirurgia, em indivíduos com um ângulo ANB igual ou superior a seis graus (Shelly, Southard e col. 2000).

A análise da literatura revela ainda alguns estudos semelhantes aos das silhuetas anteriormente referidos, que usaram no entanto fotografias manipuladas para produzir alterações no perfil (Abu Arqoub e Al-Khateeb 2011; Almeida, Farias e col. 2010; Mantzikos 1998; Romani, Agahi e col. 1993; Shelly, Southard e col. 2000; Soh, Chew e col. 2005). O perfil ortognata foi o preferido por um grupo de 400 leigos no estudo de Turkkahraman e Gokalp, que demostrou ser o perfil convexo, com uma mandíbula retrognata e uma maxila prognata o menos atrativo (Turkkahraman e Gokalp 2004).

Romani e colaboradores, analisaram o efeito de alterações no perfil semelhantes às que ocorrem com avanço ou recuo maxilar ou mandibular e ainda reposicionamento superior do maxilar, estudando a sensibilidade de ortodontistas e leigos a estas simulações, em fotografias (Romani, Agahi e col. 1993). Houve maior preferência para uma convexidade dos tecidos moles entre nove e onze graus, tanto para faces femininas como masculinas. Ortodontistas e leigos foram sensíveis a pequenas alterações horizontais no perfil, principalmente a partir dos três milímetros, mas não tanto em relação a alterações verticais. Mantzikos avaliou as preferências de 2651 leigos japoneses a viver nos Estados Unidos há menos de cinco anos, para combinações do perfil alteradas a partir do ideal (Mantzikos 1998). O perfil ortognata foi o preferido, seguindo-se o retrusivo bimaxilar, o protrusivo bimaxilar, o retrognata e o prognata por último. Um estudo semelhante ao anterior, alterando também fotografias na dimensão sagital, substituindo os avaliadores leigos por ortodontistas e cirurgiões maxilo-faciais, demonstrou que os perfis normal e retrusivo bimaxilar foram os preferidos por profissionais asiáticos, tendo o perfil prognata sido considerado como o menos atrativo, para faces masculinas e femininas (Soh, Chew e

102

col. 2005). Almeida e colaboradores verificaram através de fotografias que, para faces masculinas, o perfil reto ou ligeiramente côncavo era o mais atrativo, enquanto que as faces femininas mais atrativas possuíam um perfil reto (Almeida, Farias e col. 2010).

Duas investigadoras da Universidade da Jordânia avaliaram a perceção da atratividade em fotografias de perfil, perante alterações verticais e sagitais combinadas, com recurso a 353 leigos e 101 médico dentistas da região (Abu Arqoub e Al-Khateeb 2011). Para o sexo masculino, o perfil preferido foi o de classe I com dimensão vertical normal; para o sexo feminino, o preferido foi a classe I com dimensão vertical reduzida. O perfil de classe II com dimensão vertical aumentada foi o menos atrativo, para ambos os géneros.