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Søppel som en rituell uren substans

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Ao longo do tempo, o papel da criança no ambiente familiar conflituoso, tem sofrido algumas alterações nomeadamente na relevância que estas têm quando expostas a actos de violência, passando de um estatuto de “esquecidas”, “ignoradas” para “expostas” e “vítimas” de violência (Eisikovits & Winstok, 2002).

Vários foram os estudos onde Bowlby e Ainsworth, ressalvaram a importância da qualidade das relações entre progenitores e filhos, nomeadamente o sentimento de segurança das crianças face às suas relações com os pais, demonstrando como isso pode influenciar o seu desenvolvimento no futuro (Golombok, 2000).

As crianças que testemunham a violência doméstica, constituem um grupo de alto risco, uma vez que a probabilidade de se envolverem em relações violentas com o grupo de pares e com adultos é muito elevada (Jaffe, Wolfe & Wilson, 1990).

“A violência no contexto familiar é unanimemente reconhecida como um problema social grave. Porém, as crianças nas famílias em que tal violência ocorre são muitas vezes vítimas invisíveis, sofrendo em silêncio um problema que pode ter repercussões sérias ao nível do seu desenvolvimento” (Sani, 1999 citado por Sani, 2004, p.109).

Estudos com crianças que presenciaram violência familiar apontam para que estas apresentem não só problemas de internalização, mas também de externalização (Gonçalves & Sani, 2006).

Assim, várias são as consequências que tais actos acarretam nestas crianças, uma vez que tendem a replicar o que experienciam nos seus lares, revelando condutas anti-sociais, agressividade, problemas cognitivos, queixas somáticas, isolamento social, assim como depressão, ansiedade e stress pós-traumático (Calheiros & Monteiro, 2007; Jouriles, McDonald, Norwood & Ezell, 2002; McCloskey, Figueredo & Koss, 1995; Astor, 1994), ou seja, a exposição à violência entre os pais pode afectar os padrões gerais de funcionamento da criança aos níveis emocional, cognitivo e comportamental, não apenas em termos dos conflitos conjugais mas também em relação a outras situações de conflito intra e extrafamiliar.

No estudo de Silva (1995), constata-se que 13% de crianças assistem a situações de agressão física interconjugal no casal parental. Estas situações de violência interconjugal são, em 90% dos casos, situações de agressão do marido à esposa e neste tipo de famílias, onde prevalece a violência física entre os pais, a punição física ás próprias crianças aparece mais frequentemente do que nas restantes famílias.

Neste mesmo estudo, a maioria dos indivíduos admite recorrer à agressão física para castigar os filhos (as), 86% das mulheres e 62% dos homens; a agressão física é, em parte considerável dos casos, realizada com recurso a um objecto (54% das mulheres e 26% dos homens; a maioria dos indivíduos recebeu agressões físicas dos pais durante a infância (64% dos homens e 68% das mulheres) (Silva, 1995).

Rosemberg (1984) através dos seus estudos observou que 80% dos inquiridos já haviam visto e/ou ouvido episódios de violência conjugal nas suas casas (McCloskey, Figueredo & Koss, 1995).

Mullender, Hague, Imam, Kelly e Regan (2002) realizaram um estudo com 662 crianças do sexo feminino e 691 crianças do sexo masculino do ensino primário a fim de verificarem a forma como as crianças compreendem a violência doméstica. Assim, a maioria da amostra afirmou que violência doméstica envolve “bater”, “lutar”, “discutir” envolvendo os progenitores, chegando à conclusão que a grande maioria da amostra já havia assistido ou experimentado algum tipo de violência no seu seio familiar.

Sani (2004) afirma que a experiência da criança face à exposição ao conflito parental, revela ser um acontecimento marcante, com um significado pessoal, perturbando emocionalmente uma criança em qualquer idade.

Fantuzzo e Lindquist (1989), através da revisão da literatura relativamente aos efeitos que a violência parental pode causar nas crianças, chegaram à conclusão que existe uma evidência de que essas crianças se encontram em risco de exibir uma variedade de comportamentos externalizados, incluindo o aumento da agressão em casa, na escola e na comunidade.

Forsstrom-Cohen & Rosebaum (1985) concluíram que estudantes que observam violência parental, apresentam-se mais ansiosos do que estudantes provenientes de lares sem episódios de violência.

Jaffe, Wolfe e Wilson (1990), afirmam que crianças que testemunham violência contra a progenitora, revelam maior risco de exibir défices psicossociais.

A forma como as crianças interpretam a violência por elas testemunhada, leva à compreensão da forma como esses episódios de violência as afectam, uma vez que cada criança possui uma maneira muito própria para lidar com os problemas (Astor, 1994).

Algumas crianças apresentam alguns problemas de comportamento internalizados, tais como ansiedade, insónias (Hughes, 2002) e externalizados, tais como agressividade, fugas de casa e problemas de ordem social (Carlson, 1990).

Wolfe, Wilson, Zak & Jaffe (1985), afirma que as crianças testemunhas de violência e que foram vítimas de abuso, exibem um maior numero de défices comportamentais e emocionais, comparados com as crianças que apenas foram testemunhas. Mais afirmam que homens que agridem as suas companheiras, na sua grande maioria, vivenciaram tal acontecimento nas suas famílias de origem.

Para além destas conclusões, Wolfe et al. (1985) afirmam que os rapazes, onde os seus lares são violentos, apresentam problemas a nível de externalização, tais como problemas comportamentais e baixas competências sociais, ao invés das raparigas, que apresentam problemas de internalização.

Hughes (1988), revela que as crianças que observam violência, possuem mais baixos níveis em avaliações do auto-conceito em comparação com as outras crianças.

Mais se afirma, segundo Rossman (2002) que em muitos estudos verifica-se que quanto mais tempo a criança experienciar situações de violência de forma directa ou indirecta, tenderá a replicar esses mesmos comportamentos violentos mais tarde.

Desta forma, quanto mais violência a criança observar e experimentar, mais nocivas as consequências vão ser a curto, médio e longo prazo a nível do equilíbrio mental, físico e social (Calheiros & Monteiro, 2007; Rossman, 2002).

9. CARACTERÍSTICAS FAMILIARES RELACIONADAS COM A INSTITUCIONALIZAÇÃO DE

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