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5.2 Hvilke dimensjoner av kvalitet er viktig for pasientene og hvorfor?

5.2.4 Søker hvile

Após 24 h de tratamento com FI, as formas epimastigotas foram analisadas por microscopia eletrônica de varredura. Foram observadas alterações ultraestruturais nos grupos tratados com FI, como alterações no formato típico e degradação da membrana celular com poros (Figura 57 B e C).

Figura 57 – Alterações ultraestruturais induzidas por FI de G. americana em formas epimastigotas de T. cruzi.

Legenda:

(A) controle negativo; (B) epimastigotas tratados com FI de G. americana (CI50/2 - 290 μg/mL); (C)

(CI50 – 580 μg/mL).

7. DISCUSSÃO

O presente estudo avaliou o efeito tripanocida in vitro de cinco extratos polissacarídicos obtidos de plantas do Semiárido-Nordestino.

Após mais de um século da descoberta da DC ainda não existe uma alternativa terapêutica totalmente eficiente para este problema. Os tratamentos atualmente disponíveis só conferem cura apenas na fase aguda da doença. No Brasil, o fámaco utilizado é o BZ (LAFEPE, Brasil) recomendado para todos os casos agudos e crônicos da doença (DA SILVA et al., 2011). Sua eficácia limitada, aliado a muitos efeitos adversos levam à interrupção do tratamento (BAHIA et al., 2012; URBINA, 2009). Levando-se em consideração o número de pessoas infectadas, o número de pessoas com risco de contaminação e a terapêutica atual limitada, é imprescindível a busca por novos compostos e/ou estratégias terapêuticas para um melhor tratamento da DC.

Os vegetais são fontes de compostos que podem ser potencialmente ativos contra protozoários (CROFT et al., 2005; SALEM; WERBOVETZ, 2006). Mesquita et al. (2005) demonstraram atividade antileishmanicida e antitripanosomal de extratos etanólicos das folhas de plantas medicinais do Cerrado brasileiro. Estudos prévios demonstraram que extratos metanólicos de plantas utilizadas na medicina popular do México exibiram elevada atividade tripanocida (MOLINA-GARZA et al., 2014).

Os polissacarídeos possuem comprovada atividade biológica, podendo ser obtidos de diferentes fontes como bactérias, fungos e plantas (KWOK et al., 2001; KITAJMA, 2000; SAIMA et al., 2000). Polissacarídeos isolados de plantas superiores são largamente explorados quanto ao seu efeito imunoestimulante (STIMPEL et al., 1984; YAMADA et al., 1985). Além desta propriedade, há estudos demonstrando atividades antiviral (TALARICO et al., 2004), antibacteriana (XIE et al., 2002), antiparasitária (NATHAN, 1985), leishmanicida (NOLETO et al., 2002; BARROSO et al., 2007), entre outras.

No presente estudo, inicialmente realizamos uma triagem de cinco extratos polissacarídicos de vegetais do Semiárido Nordestino sobre as formas epimastigotas e tripomastigotas de T. cruzi e seus possíveis efeitos citotóxicos sobre células de mamíferos (LLC-MK2). A escolha das espécies vegetais foi baseada no uso popular e na literatura relatando seus efeitos antimicrobiano e antiparasitário. Das cinco espécies avaliadas, todas foram capazes de reduzir a viabilidade celular das formas epimastigotas

e tripomastigotas em todos os tempos testados, no entanto, os polissacarídeos das folhas de G. americana foram selecionados por apresentarem resultados promissores frente aos ensaios tripanocidas, além de citotoxidade relativamente baixa.

Adicionalmente, estudos experimentais realizados com os extratos das folhas demonstraram atividade antimalárica in vitro frente à Plasmodium falciparum e in vivo em relação à Plasmodium berghei (DEHARO et al., 2001), além de outros efeitos antiparasitário e antimicrobiano (OLIVEIRA et al., 2012; NOGUEIRA et al., 2014; TALLENT, 1964).

Nesse sentido, a determinação dos principais compostos nos PLT e frações polissacarídicas podem ajudar a responder algumas perguntas sobre a atividade biológica da espécie. A presença de polissacarídeos e/ou iridoides e sua correlação com a atividade tripanocida, o tipo de família a qual G. americana pertence, somados aos dados da literatura quanto ao uso popular das folhas; todas estas evidencias podem estar relacionadas à atividade antiparasitária obtida neste estudo.

Para a avaliação inicial dos extratos polissacarídicos, foram realizados ensaios in vitro sobre as formas epimastigotas. Nossos dados evidenciaram que todos os extratos foram capazes de inibir a proliferação de formas epimastigotas nos três tempos de tratamento, no entanto, os polissacarídeos da folha de G. americana foram mais efetivos, pois reduziram a viabilidade celular em concentrações inferiores a 1000 µg/mL.

Outros extratos vegetais também demostraram atividade tripanocida frente às formas epimastigotas. O extrato aquoso das folhas de Neurolaena lobata demonstrou efeito em formas epimastigotas de T. cruzi após 48 h de incubação na concentração de 550 µg/mL (BERGER et al., 1998). Quarenta e três extratos brutos metanólicos demostraram atividade tripanocida em relação às formas epimastigotas, destes, dezoito foram capazes de reduzir a viabilidade apenas na concentração de 2000 µg/mL após 2 h de incubação, enquanto que treze mostraram atividade tripanocida até a concentração de 1000 µg/mL após 48 h de incubação (ABE et al., 2002). O extrato etanólico das folhas de Guazuma ulmifolia inibiu em 63,86% o crescimento de formas epimastigotas na concentração de 1000 µg/mL após 72 h de incubação (CALIXTO JÚNIOR et al., 2016). Após o fracionamento dos PLT de G. americana por cromatografia de troca iônica, a f-PL (FI) aumentou a atividade sobre as formas epimastigotas em relação ao extrato bruto. FI reduziu a viabilidade nos três tempos testados em concentrações inferiores ao extrato. Após 72 h de tratamento, FI na concentração de 500 µg/mL foi

capaz de reduzir em até 50 % a viabilidade celular. Com relação a FII, não foi possível observar uma curva concentração-efeito, impossibilitando desta forma a obtenção da CI50.

Diferentemente outros extratos de plantas quando fracionados não apresentaram efeito sobre formas epimastigotas, como no caso das oito frações obtidas do extrato etanólico das folhas de Byrsonima crassifolia e oito frações das cascas de Gliricidia sepium (BERGER, et al., 1998). O fracionamento do extrato etanólico das folhas de Lygodium venustum resultou em três frações (diclorometano, acetato de etila e metanol). A fração diclorometano na concentração de 100 µg/mL não demonstrou atividade antiparasitária em epimastigotas de T. cruzi e em promastigotas de Leishmania braziliensis. Do mesmo modo a fração acetato de etila nas concetrações de 500 e 100 µg/mL também não foram capazes de inibir as formas promastigotas (MORAIS- BRAGA et al., 2013).

Neste estudo, demonstramos que os polissacarídeos das folhas de G. americana inibiram significativamente o crescimento de epimastigotas (24, 48 e 72 h) em concentrações inferiores a 1000 µg/mL para o extrato, enquanto que a fração polissacarídica (FI) melhorou a atividade tripanocida sobre as formas epimastigotas causando inibição em uma concentração menor que a do extrato.

Alguns trabalhos vêm estabelecendo uma correlação entre a presença de iridoides e atividade biológica, tais como antimicrobiana, antifúngica e antiparasitária (SALEM; WERBOVETZ, 2006; TALLENT, 1964). Amarogentina é um secoiridoide glicósido isolado da planta medicinal indiana Swertia chirata (Gentianaceae), seu efeito antileishmanicida foi observado in vivo em um modelo de Leishmaniose visceral, sendo capaz de reduzir a carga parasitária em até 90%, não exibindo toxicidade para os animais (MEDDA; MUKHOPADHYAY; BASU, 1999). Outro iridoide glicósido, brunneogaleatoside, isolado de Phlomis brunneogaleata (Lamiaceae), apresentou atividade contra amastigotas axênicos de Leishmania donovani (CI50 4,7 µg/mL) enquanto que não apresentou toxicidade para as células na concentração de até 90 µg/mL (KIRMIZIBEKMEZ et al., 2004).

Iridoides não são amplamente distribuídos no reino vegetal, sendo identificados em algumas famílias como por exemplo, Rubiaceae, Apocynaceae, Loganiaceae, Lamiaceae, Scrophulariaceae e Verbenaceae (ALVES et al., 2017). Recentemente uma revisão sistemática sobre a aplicabilidade de produtos oriundos de

plantas no tratamento de T. cruzi e Trypanosoma brucei, identificou 44 famílias de plantas, destas, sete pertenciam à família Rubiaceae (PEREIRA et al., 2017).

Estudos fitoquímicos dos extratos das folhas de G. americana (família Rubiaceae) revelaram a presença de iridoides, mono e sesquiterpenos, triterpenos, esteróides, taninos hidrolisáveis, proantocianidinas, derivados cinâmicos, fenilpropanoglicósidos, ácido geniposidico, genipatriol e flavonóides (GUARNACCIA et al., 1972; HOSSAIN et al., 2003; ALVES et al., 2017; VASCONCELOS et al., 2017).

A análise quantitativa da composição monossacarídica das frações FI e FII, realizada por cromatografia gasosa, demonstrou que estas são constituídas predominantemente por arabinose, galactose, glicose, fucose, xilose, ramnose e manose (MADEIRA, 2012). De acordo com Turnock e Ferguson (2007), a superfície celular dos parasitos tripanosomatídeos apresentam glicoconjugados que estão envolvidos no reconhecimento, virulência e infecção de parasitos em seus vetores e hospedeiros de mamíferos.

Todos os PLT avaliados apresentaram efeito sobre as formas tripomastigotas após 24 h de tratamento, no entanto os PLT de G. americana apresentaram uma menor LC50 que foi de 480 µg/mL. Além disso, todas as concentrações dos PLT de G. americana demonstraram efeito de maneira dose-dependente. Já as frações FI e FII reduziram a viabilidade celular sobre as formas tripomastigotas de forma mais potente que o extrato. FI apresentou uma LC50 4,8 vezes menor, enquanto que FII demonstrou uma elevada atividade contra os tripomastigotas com uma LC50 20 vezes menor que a do extrato.

Efeito semelhante foi demonstrado para os extratos brutos de Ampelozizyphus amazonicus que causou a lise sobre formas tripomastigotas na concentração de 500 µ g/mL (ROSAS et al., 2006). Contrariamente, os extratos das folhas e ramos de Baccharis dracunculifolia inibiram 100% formas tripomastigotas na concentração de 3000 µg/mL, enquanto que o extrato da raiz foi pouco ativo, demostrando uma inibição de apenas 37,3% (DA SILVA FILHO et al., 2004). Ambrozin et al. (2004) avaliou vinte e dois extratos de plantas das famílias Meliaceae e Rutaceae. Destes, somente os extratos das folhas de Conchocarphus heterophllus e dos ramos de Trichilia ramalhoi foram mais ativos, inibindo em 99% e 84% as formas tripomastigotas, respectivamente, porém foi necessário utilizar uma concentração de 4000 µg/mL. Assim, nossos dados demonstraram que os PLT de G. americana foram

muito mais ativos contra as formas tripomastigotas quando comparados a esses extratos. Similarmente, três frações obtidas por cromatografia em Sephadex do extrato etanólico das folhas da espécie B. crassifolia inibiu o crescimento do parasito com uma CI90 de 98,7, 89,3 e 94,3 µ g/mL. Das doze frações obtidas do extrato etanólico de Neurolaena lobata, somente a fração 2 (fração butanol) demonstrou uma inibição de 90% na concentração de 25,6 µg/mL, enquanto que as demais só foram capazes de inibir na concentração acima de 200 µg/mL (BERGER, et al., 1998). Mafezoli et al. (2000) avaliou a atividade de nove espécies de plantas da família Rutaceae contra a forma tripomastigota de T. cruzi. Trinta e dois extratos brutos foram testados, desses, somente oito mostraram significativa atividade. O mais ativo foi obtido do caule de Pilocarpus spicatus que lisou o parasito em 97,3% (CI50 – 650 µg/mL). Neste mesmo estudo também avaliaram as frações, das vinte e cinco isoladas, apenas duas mostraram ser mais ativas, as das folhas de Almeidea coerulea (fração butanol) e Conchocarpus inopinatus (fração diclorometano) que causaram inibição de 100% do parasito, com uma CI50 de 940 e 1290 µg/mL, respectivamente. Quarenta e três frações de plantas das famílias Meliaceae e Rutaceae foram avaliadas. As frações de C. heterophyllus e de Galipea carinata foram mais ativas, lisando em 100% o parasito na concentração de 2000 µg/mL (IMUZI et al., 2011).

A literatura é escassa em demonstrar os efeitos de polissacarídeos sobre as formas evolutivas de T. cruzi. Previamente foi demonstrado o efeito de polissacarídeos contra Leishmania sp. Vale destacar que existem diferenças entre os protozoários parasitários, como Trypanosoma sp., Leishmania sp., Plasmodium sp., e Trichomonas vaginalis que são bem conhecidas, porém os parasitos que causam leishmaniose e tripanossomíase estão relacionados e compartilham certas características bioquímicas e celulares (DAVIS; KEDZIERSKI, 2005). Sendo assim, provavelmente esta similaridade pode estar relacionada a alvos semelhantes, podendo os parasitos serem suscetiveis as mesmas substâncias.

Polissacarídeos podem atuar como imunomoduladores não apenas em suas formas nativas, mas também complexados com metais. Estudos da complexação de polissacarídeos com metais, em especial o vanádio colocaram estas moléculas como promissoras no desenvolvimento de fármacos com atividade leishmanicida (NOLETO, 2002). A xiloglucana obtida de sementes de Hymenaea courbaril (jatobá - XGJ) e seu complexo (XGJ:VO) exibiram atividade leishmanicida. XGJ (25 μg/mL) reduziu o crescimento da forma promastigota de L. amazonensis em 59%, enquanto que sua forma

complexada, XGJ:VO nas concentrações de 5 μg/mL e 10 μg/mL reduziu o crescimento em 63% e 58% , respectivamente, em relação ao controle após 48 h de tratamento. Efeito semelhante também foi observado após 48 h de tratamento em duas preparações de galactomananas (GALMAN-A e GALMAN-B) de sementes de Mimosa scabrella (bracatinga). A GALMAN-A (100 μg/mL) reduziu o crescimento do protozoário em 60%. O complexo GALMAN-A:VO na concentração de 25 μg/mL reduziu o crescimento da forma promastigota de L. amazonensis em aproximadamente 68%. GALMAN-B na concentração de 100 μg/mL reduziu o crescimento da forma promastigota de L. amazonensis em aproximadamente 67%, enquanto que o complexo GALMAN-B:VO reduziu em 65% o crescimento do protozoário na concentração de 10

μg/mL (AMARAL, 2011). No entanto, o possível efeito destes compostos foram

atribuidos a presença do metal em sua estrutura sendo necessário realizar uma complexação química para potencializar o efeito sobre o protozoário, diferente dos PLT e f-PL de G. americana.

Os testes de citotoxicidade in vitro são fundametais pois fornecem informações que norteiam o delineamento experimental, como a definição das concentrações do composto estudado e o tempo de tratamento.

Produtos naturais de plantas são uma fonte alternativa de drogas para o combate de infecções por T. cruzi, alguns dos quais exibem atividade tripanocida e baixa toxicidade (LUIZE et al., 2005; SÜLSEN et al., 2006; ROJAS; SOLÍS; PALACIOS, 2010). No presente estudo, foi observado que o extrato da espécie G. americana apresentou efeito citotóxico apenas nas duas maiores concentrações (1500 e 3000 μg/mL), sendo obtido uma CC50 de 2250 μg/mL, no qual foram capazes de matar o parasito sem causar danos as células hospedeiras LLC-MK2. Além disso, as f-PL (FI e FII), no período de 24 h de exposição, não apresentou nenhuma citotoxicidade nas concentrações testadas (2,92 a 1500 µg/mL).

Semelhantemente, duas neolignanas obtidas de plantas do nordeste brasileiro foram efetivas contra tripomastigotas e não causaram morte significativa sobre macrófagos peritoneais (CABRAL et al., 2010). Contrariamente, a fração acetato de etila das folhas de Lygodium venustum nas concentrações de 500 e 100 µg/mL apresentaram toxicidade em fibroblastos de 67% e 30%, respectivamente, e a fração metanólica (500 µg/mL) causou uma toxicidade de 53% (MORAIS-BRAGA et al., 2013). Extrato metanólico das folhas de Quercus borealis e da raíz de Zingiber officinale apresentaram elevada citotoxidade para células VERO, inibindo em até 100%

a viabilidade nas concentrações de 25, 50 e 100 µ g/mL (SHABA et al., 2001).

Uma galactomanana do líquen Ramalina celastri (GMPOLY) não afetou a viabilidade de macrófagos peritoneais, em concentrações 0,5 a 2 mg/mL durante 2 h de incubação. Enquanto que nos períodos de 24 e 48 h, GMPOLY nas concentrações de 0,25 a 0,75 mg/mL e 2 mg/mL respectivamente, afetou a viabilidade destas células em aproximadamente 20% para ambos os tempos de incubação (NOLETO, 2002). Arabinogalactana (ARAGAL) não sulfatada mostrou ser tóxico em concentrações até 300 µg/mL em até 5 h de incubação para macrófagos (MORETÃO et al., 2003, 2004). Como podemos observar, a citotoxidade pode variar conforme o tipo celular, o tempo de incubação das substâncias em estudo, a natureza da substância e o método utilizado. Consequentemente, as informações referentes aos estudos de citotoxicidade devem ser cuidadosamente interpretadas, levando em consideração principalmente a aplicação destinada àquela substância ou método (CAVALIERI et al., 2011).

Determinadas as concentrações não tóxicas, avaliou-se o SeI dos PLT das folhas de G. americana sobre T. cruzi em relação as células hospedeiras LLC-MK2. Essa avaliação é considerada importante, visto que uma substância é considerada promissora como fármaco citotóxico se ela apresentar seletividade sobre as células-alvo, sem lesar expressivamente a célula hospedeira (PEÑA; SCARONE; SERRA, 2015).

Os PLT apresentaram toxicidade em 24 h sobre as células LLC-MK2 apenas nas duas maiores concentrações, sendo mais tóxica para os protozoários do que para as células de mamíferos. Considerando as concentrações de LC50 contra as formas tripomastigotas, o SeI foi de 4,8, demonstrando ser 2,08 vezes maior do que ao BZ, a droga usada atualmente para tratar a DC. Desta forma, os PLT demonstraram boa seletividade contra a cepa Y de T. cruzi. Esse indíce foi semelhante ao de extratos metanólicos de plantas medicinais da Arábia Saudita e do Iêmen e de óleos essenciais das folhas de Lippia origanoides, Justicia pectorales e Vitex agnus-castus que exibiram atividade tripanocida com um SeI <4 (MOTHANA et al., 2014; BORGES et al., 2012).

Como as f-PL não apresentaram citotoxicidade frente às células hospedeiras, sugerimos através da estimativa matemática que o SeI de FI foi superior a 15 e de FII superior a 65, demonstrando desta forma um resultado bem promissor para o desenvolvimento de novas drogas contra T. cruzi. Quando o SeI é > 50, significa dizer que satisfaz os critérios exigidos pelo WHO/TDR para T. cruzi sendo considerado um critério de sucesso para atividade contra protozoários (NWAKA; HUDSON, 2006). Além disso, subsequentes ensaios in vivo são recomendados apenas para compostos que

atinjam um SeI ≥ 50 (NWAKA; HUDSON, 2006).

Estudos anteriores demonstraram atividade citotóxica de extratos brutos de várias espécies de plantas contra formas epimastigotas, tripomastigotas e amastigotas de T. cruzi (MAFEZOLI et al., 2000; PIZOLATTI et al., 2002; MOLINA-GARZA et al., 2014; MEIRA et al., 2015). No entanto, não foi encontrado na literatura nenhum dado referente à atividade de polissacarídeos de plantas sobre o parasito T. cruzi.

Neste estudo, também avaliamos o efeito antiamastigota dos PLT e f-PL das folhas de G. americana em 24 e 48 h. PLT e f-PL foram testados sobre essa forma em duas concentrações, CI50 e CI50/2, selecionadas a partir dos ensaios sobre as formas tripomastigotas.

A atividade antiamastigota dos PLT em estudo evidenciaram que a CI50 e CI50/2 tanto em 24 como em 48 h, reduziram o percentual de células infectadas, o número de amastigotas/100 células e o índice de sobrevivência. Em FI, somente a CI50 inibiu o percentual de células infectadas e o número de amastigotas/100 células. Enquanto que em 48 h, ambas as concentrações reduziram todos os parâmetros avaliados. Já FII, a CI50 e CI50/2 em ambos os tempos analisados, reduziram o percentual de células infectadas, o número de amastigotas/100 células e o índice de sobrevivência. Além disso, as concentrações utilizadas não causaram efeito citotóxico sobre as células LLC-MK2, indicando que os polissacarídeos reduziram a proliferação de formas amastigotas sem lesar as células hospedeiras. Como visto, FII foi mais potente que FI, corroborando o efeito desta fração sobre as formas tripomastigotas.

Formas amastigotas correspondem ao estágio evolutivo multiplicativo intracelular encontrado no hospedeiro vertebrado e intrinsicamente ligado ao desenvolvimento do parasitismo tissular, sendo de grande importância para o desenvolvimento da forma crônica da doença e na prospecção de um novo quimioterápico (CLAYTON, 2010). De todas as formas do parasito, a mais difícil de ser afetada é a forma amastigota, pois seu habitat natural está dentro das células hospedeiras, que possuem vários mecanismos para proteger a célula contra agentes citotóxicos. Os compostos devem ter a capacidade de atravessar a membrana plasmática do hospedeiro e, portanto, substâncias que aumentam sua permeabilidade ou atuam sobre bombas de efluxo devem ser consideradas.

Compostos ativos contra formas amastigotas foram obtidos de plantas e foram capazes de reduzir a proliferação do parasito (UCHIYAMA et al., 2002). O fracionamento do extrato metanólico das folhas de Alchornea glandulosa resultou na

obtenção de um alcalóide de guanidina chamado de alchornedina. Este composto exibiu atividade antiprotozoária contra formas amastigotas de T. cruzi (cepa Y), apresentando uma CI50 de 27 μg/mL (BARROSA et al., 2014). Compostos isolados de Pseudocedrela kotschyi (Meliacea) exibiram atividade contra formas amastigotas apresentando uma CI50 > 30 μg/mL (IZUMI et al., 2011).

Marcolino (2010) avaliou in vitro a atividade leishmanicida sobre as formas amastigotas de L. amazonensis de polissacarídeos sulfatados obtidos de macroalgas marinhas. O polissacarídeo Go3 apresentou atividade a partir da concentração de 5

μg/mL chegando a 55% de inibição em 10 μg/mL. Iota-Gy iniciou sua atividade já em

2,5 μg/mL e atingiu 50% de inibição em 10 μg/mL. EHW-I exibiu o efeito leishmanicida mais intenso em todas as concentrações, atingindo 98% de inibição com 10 μg/mL. Amaral (2011) avaliou a atividade leishmanicida de diferentes polissacarídeos de fontes vegetais e complexados com metal. Os resultados obtidos neste estudo indicaram que os polissacarídeos complexados potencializaram a atividade leishmanicida contra as formas amastigostas de L. amazonensis. No presente estudo, os polissacarídeos de G. americana não apresentam grupos sulfato em sua estrutura química e não sofreram nenhum tipo de alteração química, desta forma, apresentaram uma promissora atividade frente às formas amastigotas de T. cruzi.

A partir dos dados obtidos, avaliamos o mecanismo de ação antiparasitário utilizando formas epimastigotas. Para identificar o mecanismo de morte celular induzido pelos PLT e f-PL das folhas de G. americana, inicialmente foram analisados os processos clássicos de necrose/apoptose utilizando os corantes fluorescentes 7-AAD e anexina V/PE (KUMAR et al., 2015). Essa metodologia permite a divisão de células suspensas em diferentes populações: células viáveis, que não estão marcadas por nenhum dos fluorocromos; células necróticas, marcadas unicamente com 7-AAD; e células apoptóticas, marcadas unicamente com Ax/PE. As células duplamente marcadas são consideradas em apoptose tardia ou em necrose secundária (MELLO et al., 2014).

Após 24 h de incubação foi observado que tanto os PLT quanto as f-PL exibiram um aumento significativo na fluorescência de células duplamente marcadas e, principalmente, aquelas marcadas com 7-AAD após 24 h de tratamento em comparação com os parasitos não tratados, indicando alteração da integridade da membrana celular, sugerindo morte celular por necrose. As principais características deste tipo de morte celular envolvem alterações dramáticas na mitocôndria incluindo a despolarização mitocondrial, a depleção de ATP, geração de EROs, a vacuolização citosólica, perda da

homeostase de cálcio e principalmente ruptura da membrana plasmática (MENNA- BARRETO; CASTRO 2015; MENNA-BARRETO et al., 2007).

Dentre as organelas encontradas no T. cruzi, a mitocôndria é classificada como uma das principais estruturas alvos para potenciais quimioterápicos, devido a suas características distintas em relação às encontradas em mamíferos superiores, além de se