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O conceito de projecto percorreu diversos caminhos, ao longo da história, ligando-se às diversas áreas do conhecimento.

Ainda na antiguidade, autores como Sócrates e Platão relacionaram-no com a aprendizagem das crianças. Mais tarde, Jean-Jacques Rousseau aplicou-o ao desempenho dos professores, para que procurassem descobrir as verdadeiras

necessidades das crianças, instaurando uma metodologia centrada no aluno e no seu sentido de observação, tornando-o mais responsável.

É com o mesmo intuito de revolucionar e modernizar as metodologias sem acção e desligadas da realidade que surge o movimento da “Escola Nova”. Com origem nos Estados-Unidos, no século XX, este movimento propõe-se contrariar a designada pedagogia tradicional.

John Dewey, que foi um dos seus principais mentores, defendia a ideia de que o ensino se deveria desenvolver pela acção, e não pela instrução: “c‟est… par l‟action qu‟on apprend le mieux” (Proulx, 2004:14).

O principal objectivo do fundador da metodologia do projecto era ir de encontro às necessidades do aluno, utilizando um processo aberto e centrado na sua pessoa, que designou por “learning by doing”. Rompendo com a pedagogia tradicional, Dewey considera que o aluno deveria “aprender fazendo”, procurando superar-se constantemente, desenvolvendo as suas capacidades e realizando-se como pessoa. Assim, a criança seria capaz de construir projectos, seguindo uma aprendizagem dentro e para a acção. No seu modo de ver, “l‟enfant doit agir, construire des projets, les mener à leur terme, faire des expériences, apprendre à les interpréter: c‟est l‟apprentissage par l‟action” (Hubert, 2005:23).

Segundo Dewey, o ser humano sente, desde o início da sua vida, a necessidade de aprender e desenvolver as suas capacidades cognitivas: “desde o nascimento, as crianças desenvolvem, face ao real, uma verdadeira actividade de investigação; elas formulam hipóteses, tacteiam e experimentam para as testar, depois reajustam as suas acções; cada descoberta confrontam-nas com as novas interrogações”, elaborando, assim, progressivamente o conhecimento, reconstruindo incessantemente cada aquisição (Leite, et al., 2004).

Na designada escola tradicional, o aluno não decidia, não detinha capacidade interventiva, limitando-se a ouvir proclamar o saber do professor sobre matérias, puramente académicas, que lhe diziam muito pouco. Na dita Escola Nova, toda a experiência humana é factor predominante na aprendizagem do aluno, procurando-se que ele aja, e não se comporte de modo meramente passivo, produza “saber pelo fazer do dia-a-dia”, socializando-se e tomando “consciência de si e do mundo em que vive” (Cysne, 1993:75).

Na dimensão educativa, Dewey considera a educação como um “processo de reconstrução, de reorganização da experiência”, via pela qual “lhe percebemos mais

agudamente o sentido e… nos habilitamos a melhor dirigir o curso de nossas experiências futuras” (Dewey, 1959:8).

Dewey defende que a escola não é apenas “preparação para a vida”, mas “a própria vida”. Por isso são grandes as suas responsabilidades, devendo preparar o aluno para o futuro, como cidadão, proporcionando-lhe “uma vida tão real… como a que vive em sua casa, na vizinhança ou no campo de jogo” (Dewey, 2005:19).

Consequentemente, a pedagogia denominada “pedagogia do projecto” tenta modificar o trinómio professor-aluno-saber. Na pedagogia do projecto, o professor não é mais o detentor do saber, tornando-se o aluno centro da sua própria aprendizagem.

A função da pedagogia do projecto é procurar seleccionar e organizar meios para dinamizar a aprendizagem.

Ao contrário da escola tradicional, que não respondia aos desejos e ambições do aluno, a Escola Nova assume como principal objectivo dotá-lo de sentido crítico, a fim de estar preparado para a sua vida futura.

Com Dewey, a acção tornou-se num meio pedagógico para se construir sucesso na escola, o que vai contra o „modelo‟ de escola anterior, no qual a mensagem transmitida ao aluno era imposta e destituída de contexto. A pedagogia do projecto permite ao discente atingir saberes próximos da realidade, fazendo dele actor da sua própria aprendizagem.

Outros autores seguiram a proposta da pedagogia do projecto. Dois nomes se impõem: Decroly e Freinet. Estes autores defendem que todas as actividades que envolvem as crianças são fundamentais para a sua aprendizagem. No entanto, Freinet destacava a função do professor, colocando-o numa posição privilegiada, já que para ele “c‟est l‟enseignant qui organise le contexte d‟apprentissage, qui guide l‟apprenant dans sa démarche d‟essais-erreurs”(Proulx, 2004:15).

Actualmente, reconhece-se que os conhecimentos facultados directamente pela escola não são suficientes perante o que é exigido aos cidadãos no desenvolvimento das suas capacidades e competências. Por isso, o recurso ao projecto é primordial, para a finalidade de complementar as necessidades em falta.

A pedagogia recorre ao projecto a fim de lutar contra uma atitude de passividade por parte da escola. A “nova educação” procurou uma filosofia educacional mais activa, estruturada, repleta de experiências inovadoras.

Analisando os resultados actualmente obtidos através da escola, verifica-se que a realidade educativa está ainda longe de corresponder àquilo que, efectivamente, se pretende.

Deste modo, será importante insistir, na escola, numa pedagogia centrada no aluno, em que os professores, integrando-se na dinâmica do projecto, não sejam meros transmissores de conhecimentos, mas sejam capazes de recorrer a recursos didácticos adequados ao desenvolvimento dos alunos, permitindo dar sentido ao processo de ensino e aprendizagem.

Deste modo, a pedagogia do projecto será, sem dúvida, solução para muitos dos problemas que afectam o nosso sistema educativo: insucesso escolar, desmotivação, massificação do ensino.

Para produzir o melhor sucesso, a escola não poderá, ainda, dispensar a colaboração com o meio.

No seu modo de actuar, não podemos conceber a escola como uma instituição isolada no seu espaço, desligada da sua envolvente. Sendo ela formada por alunos e professores, auxiliares de acção educativa e funcionários, encarregados de educação e famílias, instituições e organismos do meio, todos eles participando, directa ou indirectamente, nos objectivos do sistema educativo, todos eles deverão interagir, visando os fins educativos desejados.

Só fazendo interagir os interventores que nela participam, e consigo visam esses fins educativos desejados, a escola pode encontrar resposta para os problemas com que se depara, capacitando-se a capaz de forma eficaz perante a realidade.

Tal colaboração da escola com os agentes educativos (comunidade educativa) permitirá optimizar o recurso aos meios postos ao serviço da escola, garantindo a sua adequação às necessidades da sociedade. Recorrendo a eles, a escola tornar-se-á capaz de desempenhar, cada vez melhor, a sua função formativa.

A escola dos nossos dias, como macroestrutura que é, envolvendo actores de vários universos e meios socioeconómicos distintos, necessita de recorrer a uma pedagogia aberta e diversificada. Do léxico educativo da escola que temos, já faz parte o termo “projecto”, assumido em várias acepções: Projecto Pedagógico, Projecto Educativo de Escola, Projecto de Formação, Projecto Curricular de Escola. Projecto Curricular de Turma… Torna-se, agora, necessário dar mais consistência ao projecto propriamente dito e aplicá-lo verdadeiramente à dimensão educativa.

Por força de factores negativos que a afectam, como o insucesso escolar, a falta de motivação, o abandono escolar… a escola necessita de aplicar, em colaboração com toda a comunidade educativa, uma pedagogia dinâmica, coordenada com actividades, metodologias e materiais diversificados.

E aí tem lugar a dinamização educativa de projectos.

5.4. A BIBLIOTECA ESCOLAR COMO CENTRO DE PROJECTOS

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