Na arquitectura residencial de Josef Frank, encontram-se, portanto, os princípios de desenho mencionados e analisados. Uma explicação exaustiva dos princípios de desenho dos seus espaços foi-nos deixada no seu texto Raum und Einrichtung (Compartimentos e mobiliário), escrito em 1934 durante o seu exílio na Suécia. Frank começa o texto interrogando-se: Quando é que um compartimento é agradável?159
Esta pergunta expõe, desde logo, o seu primeiro princípio: o desenho da habitação deve orientar-se segundo a percepção humana e a sua natureza morfológica, isto é, uma casa é agradável quando o habitante, psicologicamente e fisicamente, a sente como tal. Esta sensação, como Frank explica, é uma reacção inicialmente inconsciente que o Homem tem à habitação, como resultado da percepção da atmosfera e do ambiente do espaço. Nesse sentido, procura critérios de desenho que influenciam positivamente a qualidade dos interiores.
Tal como Loos, que considera que o tribunal deve parecer ameaçador ante o vício escondido e que o banco tem que dizer: aqui o teu dinheiro está bem guardado por pessoas sinceras,160 Frank descreve a relação entre a forma e o
significado do espaço, dizendo igualmente que se deve conseguir compreender o significado de um espaço a partir da sua forma.161
Desse modo, considera que uma antecâmara deve ser longa e ter as portas nos seus lados mais estreitos; a sala de estar deve ser constituída por duas áreas, uma de circulação e outra de estar; uma janela de grande dimensões transporta o espaço através da parede para o exterior. Dependendo da sua utilização, diferentes compartimentos devem ter diferente alturas e devem 159 Josef Frank, Raum und Einrichtung, in Josef Frank. Schriften - Band 2, Viena: Metroverlag,
2012, p.288.
160 Adolf Loos, Architektur, in Adolf Loos. Escritos 2, 1910/1932, Madrid: Biblioteca de
Arquitectura El Croquis Editorial, 2004, p.34.
161 Josef Frank, Raum und Einrichtung, in Josef Frank. Schriften - Band 2, Viena: Metroverlag,
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estar, alternadamente, em relação uns com os outros, de maneira a que se consiga encontrar os percursos pela casa, mesmo quando se entra nela pela primeira vez.162
Um espaço vazio parece sempre pequeno, porque num espaço assim falta um ponto de referência à percepção do Homem. A fim de conseguir um sentido de escala, propõe a subdivisão do chão em pequenas partes, devendo as dimensões de cada uma delas ter uma relação com o passo do Homem. Cada elemento é imediatamente entendido como uma unidade que é multiplicada inconscientemente.163 Assim sendo, propõe a colocação de tacos de madeira
no chão, que se devem alternar entre uma cor mais clara e outra mais escura - tal como acontece na sala de jantar da Casa Beer. Num piso monocromático, recomenda a utilização de tapetes com padrões e cores, devendo estes ser colocados nas zonas de repouso, onde podem ser contemplados com sossego, de modo que o trabalho demorado que levou à sua produção possa irradiar calma ao observador. Pelas mesmas razões de percepção da escala, torna-se uma opção de desenho, colocar uma estrutura ritmada no tecto. Contudo, esta opção de desenho é utilizada por Frank apenas até aos anos 20.
Sobre a utilização da cor no espaço doméstico Frank tem um posição clara: o espaço habitável moderno deve ter paredes brancas. Segundo ele, esta é a única opção que permite liberdade, porque só assim tudo poderá ser adicionado no objecto arquitectónico sem que surja desarmonia. Contudo, compreende que as cores podem melhorar as proporções de um espaço; explica que um compartimento com paredes pretas e um tecto branco parece mais alto e se o esquema de cores for invertido o efeito será igualmente inverso.
Nos espaços idealizados por ele reina a desordem que surge através do habitar. Por essa razão considera que a ordem dentro da casa deve ser mutável para que se consiga adaptar à vida quotidiana. Para conseguir esse efeito deve-se ter em consideração a interacção entre o espaço
arquitectónico e os objectos do mobiliário, não devendo ser feita arquitectura com mobiliário.164 Para evitar confusões, o espaço deve ser claramente
percebido, isto é, as 12 arestas que geralmente definem um espaço devem ser claramente visíveis ou pelo menos compreendidas. Nesse sentido, o mobiliário que repousa ao longo das paredes deve estar suportado por pernas altas. Cadeira com costas opacas destroem o espaço e quanto mais um objecto estiver próximo de uma fonte de luz, mais pequeno e transparente deve ser, 162 Josef Frank, Raum und Einrichtung, in Josef Frank. Schriften - Band 2, Viena: Metroverlag,
2012, p.290.
163 Ibidem, p.296. 164 Ibidem, p.290.
67 Josef Frank, 1934. Esquema do efeito de cor num compartimento.
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para que a luz o possa atravessar. Segundo Frank deve-se ter em conta que uma pessoa, geralmente, entra num espaço caminhando de uma zona mais escura para uma zona mais clara, do opaco para o translúcido e do grande para o mais pequeno. Mobiliário embutido pertence ao desenho da arquitectura e deve ser desenhado segundo princípios diferentes daqueles utilizados no desenho de mobiliário solto, pois este comporta-se como um organismo independente e deve distinguir-se tanto quanto possível do desenho do espaço.
O mobiliário que estiver em contacto próximo com o Homem, ou seja, naquele que ele toca ou no qual se senta, é involuntariamente medido com a escada humana pela pessoa que o utiliza.165 Quanto mais intenso for o contacto do
Homem com um objecto de mobiliário, tanto mais este deve ser orgânico e pouco geométrico para que se possa adaptar ao corpo do Homem. Mobiliário pequeno torna um espaço maior e mobiliário grande torna-o pequeno. Nesse sentido aconselha que o mobiliário deve ser tão pequeno quanto a sua função permitir.
Estes conselhos de Josef Frank podem ser complementados com outras regras como aquelas que explica, no texto Das Haus als Weg und Platz (A casa como lugar e percurso), sobre a forma como as portas devem abrir:
A importância da maneira como a porta se abre para um espaço é, a maior parte das vez, negligenciada, sendo da opinião que quase todas as portas são afixadas de forma errada. Ao abrir, estas encostam-se à parede e a pessoa de repente entra e fica ali, inquieta. Contudo, se a porta for rodada contra o quarto cria-se, ao entrar, uma antecâmara natural entre a porta e a parede permitindo que o espaço do quarto fique imperturbado. De igual importância é também saber se a porta deve rodar para ou contra a pessoa que a abre.166
Nas suas casa as portas não são, deste modo, entendidas como simples mecanismos de isolamento ou passagem; para ele, são um meio para atingir um fim. As portas que utiliza são, na maior parte dos casos, brancas como as paredes e situam-se na superfície da parede do compartimento mais importante. Com isto consegue que as portas não sejam um elemento arquitectónico mas um elemento da parede que se pode abrir ou fechar. Como resposta à sua pergunta inicial, também deixa claro que a forma é
medida e proporção.167 As boas medidas e proporções têm a ver com o tamanho
e o movimento do habitante. Frank procura harmonia espacial, uma boa relação 165 Josef Frank, Raum und Einrichtung, in Josef Frank. Schriften - Band 2, Viena: Metroverlag, 2012,
p.290.
166 Josef Frank, Das Haus als Weg und Platz, in Josef Frank. Schriften - Band 2, Viena: Metroverlag,
2012, p.206.
167 Josef Frank, Raum und einrichtung, in Josef Frank. Schriften - Band 2, Viena: Metroverlag, 2012,
p.288. 68 Josef Frank, 1934.
Esquema do efeito de mobiliário suportado por pernas estreitas, e de mobiliário
massiso, dentro de um compartimento.
111 das dimensões individuais entre si e com o todo. Como exemplo, menciona
que se poderá utilizar a simples relação entre altura, largura e comprimento de 1:2:4 ou, segundo o rectângulo de ouro, de 1:1,6, sendo que uma sala de estar, por causa da horizontalidade do movimento humano, não deve ser mais alta que comprida. O espaço deve ser harmonioso, isto é, as diferentes dimensões dos espaços devem estar na proporção certa na relação de umas com as outras.168 Estas regras sobre proporções, “concinnitas”, são o segredo
importante de toda a arquitectura e a exigência pela harmonia geral das partes com o todo é a nossa tradição, direciona as leis da arquitectura para as proporções do corpo humano. Esta harmonia pode ser resumida em regras.169
Estas regras, que se referem às proporções da Renascença definidas por Alberti, ajudam o arquitecto a alcançar um desenho com proporções harmoniosas e, para Frank, elas não significam uma restrição mas a liberdade de se decidir pelo fundamental: as boas proporções de um edifício.
A base do conceito de concinnitas encontra-se numa relação directa com o corpo humano. As proporções do Homem são postas em relação com a arquitectura. Esta deve ser concebida como uma estrutura com uma forma auto-consistente, tendo como referência as dimensões e proporções do Homem. Aspectos individuais, inadequadamente importantes, não podem influenciar ou destruir a coerência do todo.
Ainda nos dias de hoje, o objectivo da arquitectura é conseguir uma harmonia entre todas as partes e o seu todo. É completamente errado que qualquer restrição destrua esta harmonia ou possa ser utilizada como desculpa para tal. Qualquer um que não consiga colocar a forma e o seu conteúdo em total acordo falhou na sua tarefa como arquitecto e deveria, de preferência, exercer outra profissão.170
Todas as regras acima mencionadas, foram criadas por Frank para o desenho arquitectónico e traduzem a sua crença na relação fundamental do Homem com a arquitectura. Esta relação deve manifestar-se em todas as respostas formais tendo em consideração a perspectiva do habitante a que se destinam. Por outro lado esta arquitectura deve expressar e adaptar-se à vida e às necessidades do habitante.
Estes princípios, ou regras, oferecem conhecimentos gerais sobre a forma como o habitante interage com a arquitectura e as consequências de daí surgem. Contudo, a linha que separa aquilo que deve ser definido e aquilo 168 Josef Frank, Raum und einrichtung, in Josef Frank. Schriften - Band 2, Viena: Metroverlag,
2012, p.288.
169 Josef Frank, Architektur als Symbol, in Josef Frank. Schriften - Band 2, Viena: Metroverlag,
2012, p.90.
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que deve ser deixado em aberto, mesmo que formulada do ponto de vista do conteúdo com bastante precisão, é bastante ténue.
É claro, e esta é a importantíssima segunda parte deste modus operandi, que estas regras não são por si só soluções; elas representam apenas um caminho ou um abordagem na resolução dos problemas que o desenho de uma casa coloca. É como introdução à resolução destes problemas, relacionados com a vida quotidiana, que Josef Frank coloca as perguntas anteriormente referidas: Como se entra num jardim? Qual o aspecto do caminho que nos leva até à entrada? Como se abre a porta de entrada? Qual a forma do hall? Como se consegue ir do hall, através do bengaleiro, para a sala de estar? Qual a relação das portas com as janelas com as pessoas sentadas?171
Estas perguntas devem ser colocadas repetidamente para todos os novos contextos e problemas específicos, pelo que as regras para uma boa casa como ideal, em princípio, não mudam, devendo ser sempre entendidas de um novo ponto de vista.172
Josef Frank tenta equacionar o comportamento, a interacção e a percepção humana no desenho arquitectónico, tentando imaginar situações específicas dentro de um contexto espaço-temporal. Esta maneira de desenhar a
arquitectura tem por base o entendimento do habitar e do viver. Isto não significa que, necessariamente, o habitante, como indivíduo, deve sobressair. Pelo contrário, Frank exige que a arquitectura seja impessoal, isto é, que ela não se baseie formalmente no gosto e nas preferências de uma pessoa só, principalmente no gosto do arquitecto. É exactamente aqui que a linha que separa aquilo que deve ser definido e aquilo que deve ser deixado em aberto se torna visível; esta linha divisória orienta-se entre a arquitectura e a organização das coisas dentro do espaço. A tarefa do arquitecto é a criação de espaço e não a organização do mobiliário e dos quadros na parede, pois isto relaciona-se com o bom gosto e qualquer um o pode fazer. É um facto bastante bem conhecido que para que um espaço seja bom é bastante irrelevante o tipo de mobiliário utilizado, desde que este não seja tão grande que o torne num elemento arquitectónico. A personalidade do habitante pode desenvolver-se livremente. O compartimento irá enfatizar as posições nas quais se devem situar todos os espaços de estar e de circulação.173 Frank coloca a tarefa do
arquitecto apenas na criação de espaços, sendo que a importante tarefa do desenho arquitectónico é a criação de espaços bem proporcionados, com carácter e que se relacionam entre si e com o todo. Como Frank, também 171 Josef Frank, Das Haus als Weg und Platz, in Josef Frank. Schriften - Band 2, Viena: Metroverlag,
2012, p.208.
172 Ibidem. 173 Ibidem, p.206.
113 Adolf Loos gerou polémica, criticando arquitectos que realizavam o arranjo
interior de habitações - recordemos o texto Vom armen reichen Manne (Sobre um pobre homem rico) com o qual iniciamos o capítulo 2.1. Assim sendo, definindo e separando cada um dos aspectos da arquitectura, Frank afasta o seu trabalho como arquitecto para uma posição secundária, explicando que o arquitecto nada mais pode oferecer que uma estrutura ou uma moldura para um habitação.174
Se analisarmos, como exemplo, as fotografias e o texto Das Haus als Weg und Platz (A Casa como percurso e lugar) da publicação da Casa Beer na revista Der Baumeister, percebemos que alguns temas do texto são claramente lidos a partir das fotografias. Aquilo que mais nos surpreende, quando comparamos casa e texto, é o mobiliário disposto por toda a casa. Um olhar mais atento percebe que os espaços interiores contém elementos decorativos e mobiliário desenhado e escolhido por Frank: candeeiros, sofás, cadeiras, vitrinas, mesas, tapetes e muitas outras coisas. Repetidamente, Josef Frank contradiz- se, desenhando e escolhendo o mobiliário para os interiores das casas que desenha. Outro aspecto importante é o desenho dos compartimentos. As salas rectangulares, escreveu ele, são as menos apropriadas para se viver nelas; são muito úteis para arrumar mobiliário, mas para mais nada servem. Eu acredito que se se desenhar um polígono indiscriminadamente, seja com ângulos rectos ou obtusos, este, considerado como a planta de um compartimento, será muito mais apropriado para habitar do que um polígono regular rectangular.175
No contexto da Casa Beer isto surge como um absurdo, visto que a partir da planta entendemos que utiliza, sistematicamente, espaços ortogonais.
Será que mudou de ideias entre o período em que desenhou a Casa Beer e o período em que escreveu o texto Das Haus als Weg und Platz (A Casa como percurso e lugar)?
Devemos entender que, para Frank, os espaços ortogonais significam espaços sem carácter próprio que não estão em concordância, em tamanho e proporção, com o seu conteúdo. Eles são o produto sem carácter da racionalização da construção, desenhados apenas com a pretensão de servir tarefas funcionais rígidas, desconsiderando toda a complexidade das necessidades do seu habitante. O seu desenho não se desenvolve a partir do interior, do habitante e das suas necessidades, mas a partir de restrições exteriores. São espaços fechados sobre si mesmos, que não se relacionam entre si e com o todo. Neste sentido, a rejeição dos espaços rectangulares 174 Josef Frank, Die Einrichtung des Wohnzimmers, in Josef Frank. Schriften Band - 1,
Viena:Metroverlag, 2012, p.158.
175 Josef Frank, Das Haus als Weg und Platz, in Josef Frank. Schriften Band - 2, Viena: Metroverlag,
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precisa ser adequada a uma interpretação de conteúdo e simbologia. Dessa forma entendemos que Frank permaneceu fiel, mesmo na Casa Beer, aos seus princípios de desenho. Nos seus espaços, bem proporcionados e bem caracterizados, facilmente entendemos a função a que cada um corresponde. Eles não são rígidos e promovem variadas possibilidades de movimento e perspectivas. Os seus espaços, mesmo considerados pela sua forma são abertos e dentro deles parece não haver verdadeiros limites; as suas formas ortogonais diluem-se pois cada um deles se relaciona com os outros e abre-se para o exterior. Nestes espaços livres a vida do habitante pode desenvolver-se sem constrangimentos; aqui pode encontrar a sua base sólida a partir da qual se pode libertar dos preconceitos burgueses encontrando um pensamento moderno e correspondentemente organizar a sua casa. Era com este objectivo em mente que também organizava o interior das suas casas, utilizando
frequentemente mobiliário desenhado por si.
Por entre os arquitectos do seu tempo a realização de arranjos interiores era algo usual e visto que Frank tinha uma empresa de decoração e mobiliário, a Haus und Garten, é provável que muitos dos seus clientes lhe tenham pedido para organiza os interiores das suas casas. Consciente que a introdução de um estilo, que não fosse o estilo da família, poderia limitar o habitar e a liberdade do habitante, tentou mobilar os interiores por ele desenhados de tal forma que parecessem ter sido mobilados pelos habitantes. Neste dilema, organizou e mobilou os interiores de tal maneira que essa tarefa não parece ter sido consciente, mas sim como se o efeito final alcançado tivesse surgido por acaso. O que pretende é conseguir uma habitação organizada e mobilada segundo os seus princípios, com a intenção de proporcionar ao habitante uma atmosfera sem restrições, na qual ele pode estar à vontade e ser livre. De maneira aparentemente não planeada (fora de uma ordem rígida) os objectos de mobiliário ocupam lugares soltos e estão vagamente agrupados para que criem zonas mais calmas e protegidas e zonas de circulação. O mobiliário não é caracterizado pela sua uniformidade, mas pela variedade.
As nossas habitações necessitam de grande liberdade e vitalidade, de tal riqueza de cores e formas, nos seus objectos e materiais, que todas as novas coisas introduzidas na habitação se possam integrar neste ambiente sem que pareçam estranhas. O arquitecto não têm influência nenhuma sobre a natureza destes objectos, visto que as relações pessoais com muitos destes objectos são mais importantes que quaisquer restrições estéticas.176
Nesta atitude, tenta incluir objectos pelos quais os habitantes têm grande 176 Josef Frank, Die Einrichtung des Wohnzimmers, in Josef Frank. Schriften Band - 1, Viena:
Metroverlag, 2012, p.158. 69 Josef Frank, 1934.
Esquema de uma planta mal desenhada - os espaços têm todos o mesmo tipo de iluminação e desenho. Esquema de uma planta bem desenhada - os espaços têm características variadas, formas, posições e iluminações. 70 Josef Frank, 1934. Esquema de arranjo funcional versus arranjo orgânico.
115 afeição, como no exemplo da Casa Beer onde incluiu a colecção de objectos
do Leste asiático que a família juntará ao longo dos anos. Pelas fotografias da Casa Beer também podemos entender que aproveita o arranjo do interior para potenciar as possibilidades do espaço arquitectónico; um bom exemplo disso são as cortinas nos grandes rasgos do salão desta casa. Estes elementos, que possuem padrões desenvolvidos por Frank, desempenham um papel importante na aparência geral e na própria atmosfera do espaço habitacional. Ao contrário das portas, o objectivo das cortinas é mais permitir que os espaços se relacionem entre si ao invés de se desligarem uns dos outros. Encontrando-se na posição em que tinha de agir como decorador, Josef Frank tentou proporcionar aos seus habitantes espaços que fossem de encontro com às suas necessidades reais. Ele adaptou-se aos problemas que lhe haviam sido colocados, aproventando-se deles para proporcionar aos seus habitantes a atmosfera que ele achava necessária para que eles pudessem viver em conformidade com o seu tempo. As suas organizações interiores são a base sólida que Frank tenta proporcionar aos seus habitantes, para que estes se possam instalar e a partir daí se libertem dos seus preconceitos, organizando a sua casa em conformidade.
Como consequência lógica desta concepção adaptável do espaço habitável, Josef Frank, tal como Adolf Loos, defendia a utilização de móveis individuais. Na aplicação real das suas ideias de espaço, contudo, Frank diferencia-se de Loos. Ao contrário dos interiores de Frank, os interiores de Loos
suscitam uma impressão mais unitária. Isto deve-se à utilização de madeiras semelhantes em todas as peças de mobiliário e o uso frequente de mobiliário embutido que dificultam qualquer versatilidade no arranjo espacial. Apesar disso, Loos ainda permitia aos seus habitantes uma certa