3 Motregning
3.2 Utvidet motregningsrett i entrepriseforhold
3.2.3 Særlig om diskusjonen rundt (utvidet) motregningsrett i direktekravsforhold 29
A presente pesquisa objetivou ilustrar que, por detrás da “batalha” que envolve neopentecostais e umbandistas, encontramos uma série de questões desenvolvidas historicamente dentro de cada religião, que fazem com que tal relação tenha um caráter ambíguo: como duas correntes religiosas, vistas como dois pólos opostos, possuem, ao mesmo tempo, objetivos e elementos ritualísticos tão próximos. A religião evangélica, aqui na pesquisa, representada pelo movimento neopentecostal, instalou-se no Brasil em um momento em que país passava por uma transição no seu sistema político-econômico, saía de cena a aristocracia latifundiária com seu sistema de produção agrícola, para dar lugar a uma emergente burguesia industrial, que vinha se consolidando nos centros urbanos em franco processo de crescimento. Este foi o mesmo cenário encontrado pela umbanda durante seu surgimento. As perseguições exercidas pela Igreja Católica (aos pentecostais) e pelo Estado (aos umbandistas) não possibilitaram a essas religiões uma aceitação social imediata e legítima, isso fez com que os estratos mais pobres da sociedade, desiludidos com o catolicismo, se tornassem a base humana que essas religiões tiveram para se estruturarem.
É notório que ambas religiões possuem doutrinas sacerdotais distintas, então fica evidente que as condições histórico-sociais impostas a elas fizeram-nas caminhar em um mesmo sentido, ou seja, atender as necessidades de um mesmo segmento social, com os mesmos tipos aflições e problemas espirituais. Embrenhadas numa verdadeira disputa “mercadológica”, essas religiões colocam seus “produtos” de forma bem acessível, procurando, ao mesmo tempo, desqualificar a “concorrência”. Se a disputa no mercado material é regida por normas e procedimentos legais, no mercado espiritual não há regras que atribuam à disputa um caráter moral e ético, pois o marketing de cada religião estará ligado ao combate do inimigo.
Buscar uma dessas duas religiões tornou-se uma procura de socorro mágico e religiosos, visto que, o fato de ambas terem a estrita ligação de magia e religião, foram se agregando a elas crenças (como, por exemplo, sobre o poder da cura) e práticas não
68 racionais de todo tipo; foram constituindo-se vários métodos espirituais de intervenção na vida terrena, de solução para todas as aflições, pelos quais todas as pessoas têm direito ao acesso livre mediante a compra do serviço específico (oferendas e participação em campanhas de libertação) ou pela adesão religiosa. Umbanda e neopentecostalismo são religiões em que se paga, o que parece ser um contra-senso é que elas ainda se desenvolvem entre os setores mais pobres da sociedade, que não possuem nada, que enfrentam as maiores dificuldades de sobrevivência e que pouco têm para seu sustento vai para o pagamento de uma coisa que se pode ter de graça (ou não, dentro do que foi analisado), ou seja, a religião.
A pesquisa mostrou que, em Uberlândia, essa semelhança entre ritos e símbolos se esboça de forma bem explicita. Da mesma forma que o individuo é benzido (ou banhado) com arruda num terreiro umbandista, ele será também numa igreja neopentecostal. Porém, no caso que envolve a “guerra santa” entre elas, vemos os neopentecostais numa dianteira, pois suas declarações obtém impacto muito maior na sociedade, do que as desencadeadas por um umbandista. O fato de os neopentecostais contarem, na cidade, com canais de rádio e televisão exclusivos e periódicos, que são distribuídos gratuitamente por toda cidade, os coloca em uma posição privilegiada em relação aos umbandistas, que contam apenas com o “boca-a-boca” de seus membros. Nessa batalha, eles invadem com muita facilidade os lares da cidade e difundem seus ideais e críticas a outras religiões; os umbandistas, até o momento, tentam apenas reprimir, desorganizada e isoladamente, e conter as declarações neopentecostais que ferem seus princípios.
Todo esse conflito que circunscreve a relação desses segmentos é o reflexo da disputa por mais espaço no mercado mágico espiritual que se tornou a realidade religiosa, não só de Uberlândia, mas também brasileira. E uma das formas que elas encontraram em expor suas virtudes foi difamando as práticas da outra. No mercado material, é possível convencer um cliente pelas qualidades que o produto oferece, nesse mercado mágico- espiritual, o convencimento se dá na diabolização do que o concorrente oferece. Neste sentido, podemos perceber como Antonio F. Pierucci e Reginaldo Prandi determinam as religiões como “serviço que se consome ou não”, elas são levadas agora a concorrerem com uma quantidade crescente de novos serviços, ilustrando agora que não representam mais algo único, gratuito, nem coercitivo posto que em razão de a pessoa ter que pagar por
69 tudo isso, a “desobriga” de manter vínculos eternos com a religião. Mesmo que a denominação religiosa faça de tudo para ser a única convertendo todas as pessoas, já que cada uma acredita ser a detentora das verdades únicas, parece-nos que uma depende da existência da outra.
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