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Por mais significativa que seja a contribuição da literatura especializada, no que se refere à definição de planos, programas, projetos e modelos de avaliação, a elaboração de um projeto específico não pode deixar de responder a, pelo menos, três questões fundamentais, vinculadas ao segundo estádio avaliativo preconizado: o que avaliar, para que avaliar e como avaliar. A resposta a essas questões poderia ser razoavelmente simples se o objeto dessa

ação avaliativa também o fosse. Na verdade, um Programa de Avaliação do Ensino Médio no Ceará, na perspectiva institucional, deve ser incrementado mediante a avaliação de programas e embasado na missão institucional. O Programa constitui um conjunto complexo de intenções (missão, objetivos gerais e específicos, matriz curricular, procedimentos pedagógicos, dentre outros), consubstanciado em metas, que, por sua vez, são operacionalizadas em alvos quantitativos e qualitativos para os quais se direcionam as políticas, diretrizes, competências e habilidades necessárias ao perfil da instituição e do educando a ser aí formado na instituição.

Ante a riqueza e a complexidade desse objeto de estudo, é indispensável a utilização de uma abordagem avaliativa metodologicamente consistente e capaz de apreender, no seu dinamismo, as condições concretas de cada segmento institucional, de modo a contribuir para o desenvolvimento das atividades de ensino e aprendizagem, mediante práticas educativas interdisciplinares. Torna-se relevante, também, averiguar se as atividades relativas à gestão escolar e gerencial nos aspectos que facilitam ou dificultam a execução da missão da unidade educativa, como na perspectiva da manutenção e terminalidade da formação do jovem. Essa abordagem, por outro lado, deverá permitir a ultrapassagem do primeiro nível de análise e chegar à compreensão e interpretação dos efeitos qualitativos e quantitativos do Programa de Avaliação Institucional do Ensino Médio no Estado do Ceará, bem como detectar opções ou tendências para a sua manutenção ou redimensionamento, se necessário.

5.2.1 O foco da avaliação: ensino médio no Ceará – 2000 a 2008

O Programa de Avaliação do Ensino Médio no Ceará, concebido como um dos programas de efetivação da educação básica brasileira, tem por finalidade promover a visão institucional às suas ações de ensino-aprendizagem nas diversas modalidades de seus cursos, no caso, o ensino propedêutico, profissionalizante, tanto no que diz respeito ao ensino como na gestão institucional, com vistas a melhor ajustá-las às exigências preconizadas pelas políticas e diretrizes para o ensino médio emanadas da Secretaria da Educação Básica do MEC, as ações inovadoras da SEDUC com vistas a atender as idiossincrasias, peculiaridades, necessidades e expectativas da comunidade docente, discente e dos gestores do mercado de trabalho, em síntese, da sociedade brasileira.

5.2.2 Contextualização e definição da problemática da avaliação: o que avaliar

Delinear, portanto, um plano de avaliação que se ajuste aos programas dos cursos do ensino médio em face das práticas educativas de ensino e da gestão exige uma aproximação maior do objeto de avaliação, uma vez que cada um dos segmentos privilegia políticas e diretrizes relativas ao perfil do profissional que se tenciona formar, e dentro de cada unidade educativa existem componentes com variadas ações com especificidades próprias e peculiares às trajetórias da execução do plano de desenvolvimento da escola (PDE). Logo, nada mais prudente do que seja elaborado o projeto específico de avaliação de cada modalidade de ensino na perspectiva dos informantes, considerando as peculiaridades inerentes ao projeto pedagógico de cada unidade educativa do Estado do Ceará.

5.2.3 Finalidade e objetivos da avaliação: para que avaliar

O programa de avaliação institucional delineado à luz do PDE da SEDUC e dos projetos pedagógicos curriculares das unidades escolares deve expressar diferentes estádios em que se encontra o desenvolvimento com seus projetos pedagógicos em diferentes fases de execução. Há, porém, a necessidade de adequações das ações avaliativas que, descrevendo e analisando o processo, seja capaz de explicitar e interpretar os seus resultados com a finalidade de evidenciar os acertos e sucessos das ações incrementadas e, ao mesmo tempo, identificar os obstáculos apresentados na implantação das ações educativas e da gestão com vistas a redimensioná-las, para facilitar a tomada de decisão e, se necessário, redirecionar o percurso da missão institucional.

Segundo Strauss e Corbin (2008, p. 18), na adoção da pesquisa qualitativa, os pesquisadores

[...] que usam esta metodologia tendem a ser flexíveis, uma tendência enfatizada em seminários de treinamento e em projetos de pesquisa em grupo, nos quais os membros estão abertos a críticas úteis, podem aproveitar a troca de idéias e podem apreciar o intercâmbio que ocorre nas discussões em grupo.

Os métodos desenvolvidos na pesquisa qualitativa em face da práxis do ato de fazer e refazer emergiu à luz do tripé paradigmático: conhecimento, ação e

reflexão. Esta premissa, exposta no relato dos pesquisadores nos eventos de pesquisa, foi delineada em face dos seguintes fatos:

a) a necessidade de sair a campo para descobrir o que está realmente acontecendo;

b) a relevância da teoria, baseada em dados, para o desenvolvimento de uma disciplina e como base para a ação social;

c) a complexidade e variabilidade dos fenômenos , e das ações humanas; d) a crença de que as pessoas são atores que assumem um papel ativo

para responder a situações problemáticas;

e) a percepção de que as pessoas agem com base em significados; f) o entendimento de que o significado é definido e redefinido através da

interação;

g) sensibilidade para a natureza evolutiva e relevância dos fatos (processos), e,

h) consciência das inter-relações entre condições (processos) e conseqüências. (STRAUSS; CORBIN, 2008. p. 22).

Isto posto, têm-se de ressaltar que a personalidade do pesquisador constitui um dos elementos primordiais para a efetivação da pesquisa qualitativa, por se considerar que parte dos dados pode ser quantificados, como no caso do censo e das informações da série histórica, mas deve-se ter a consciência de que a essência da análise é interpretativa.

Para tanto, torna-se necessário descrever as ações que estão explicitadas na trajetória avaliativa.

5.2.4 Trajetória avaliativa: como avaliar

Considerando que a avaliação institucional se caracteriza pelo devir e pelo constante vir-a-ser, em conseqüência, devem ser incrementadas as seguintes ações:

− sensibilização da comunidade educativa;

− delineamento dos procedimentos de avaliação para cada unidade escolar e de gestão do ensino médio com os respectivos critérios de avaliação elaborados pelos gestores educacionais e colegiados escolares;

− reelaboração, se necessário, dos procedimentos de avaliação para cada segmento da gestão escolar a ser avaliado, entre os quais o Conselho de

Educação do Ceará (CEC) e a Secretaria da Educação Básica do Ceará (SEDUC);

− estabelecimento dos parâmetros (critérios) de análise do padrão de excelência que nortearão a análise dos dados coletados no instrumento da avaliação elaborado conforme quadro 1;

− elaboração do Relatório da Avaliação, de acordo com os critérios delineados e os dados coletados;

− análise dos dados cadastrais à luz dos critérios de avaliação estabelecidos pelo pesquisador e integrantes da gestão escolar;

− relatório da avaliação;

− cotejamento dos resultados da avaliação, com a abordagem teórica;

− a meta-avaliação da Avaliação do ensino médio no Ceará; e

publicização dos resultados à comunidade acadêmica, aos setores competentes do CEC, da SEDUC, CREDE, Unidades escolares de ensino médio e sociedade.