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8 SÅRBARHETSREDUSERENDE TILTAK

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A proximidade é uma dimensão interessante, pelo fato de ser reconhecida como um aspecto importante por muitos moradores. Não se trata propriamente de amizades (veremos que a amizade envolve escolha e uma confiança maior), mas do simples fato de que estar perto é ter com quem contar. Para L., só de perto podemos saber o que o outro está precisando. L. veio do interior do Pará, e não se adaptou a Campinas nem ao estado de São Paulo; um dos motivos, é a distância que percebe entre as pessoas:

“ (...) isso é comportamento da cidade... te faz você ser assim, você não querer saber quem seu vizinho é. Porque do meu ponto de vista eu penso assim, ajudar meu vizinho com alguma coisa (...), é muito bom, e ser ajudado pra mim seria muito bom também (...). Já tem vizinho que não quer saber da vida do vizinho, ele não quer saber se o vizinho mata, se o vizinho rouba, se o vizinho fuma droga, ele não quer saber, ele quer saber dele. É isso que faz a pessoa ficar longe do vizinho, de ter aquela união. Porque às vezes o vizinho usa droga e você não quer se envolver com ele. Então você ficava aqui dentro, você acha que aquilo ali vai atrapalhar a sua amizade com ele, porque ele fuma droga e você não fuma. Mas não é, você tem que ficar é do lado dele, pra ver se ele sai daquele vício que ele tem. Só que ele tem que ter uma ajuda de alguém. Aí que tem que se aproximar dele. (...) Olha esse meu vizinho aqui. Ele é um bom vizinho, mas ele é viciado com bebida. Você viu quando ele veio me chamar? Eu tenho ele como um filho, a partir que eu tenho minha idade, 49 anos, ele eu não sei quanto tem, mas eu falo pra ele: pára de beber, rapaz! Você fica bebendo aí, não come, não se alimenta (...) então o que faz mais o povo ficar afastado um do outro é (...), o vizinho não quer saber quem o vizinho é. Não quer se envolver com o vizinho, devido o jeito do lugar. Às vezes o vizinho tem o defeito dele e o outro não quer se envolver com ele.”

Desta forma, a proximidade com a vizinhança significa se importar com as dificuldades do outro e poder oferecer alguma ajuda. Esta fala de L. expressa bem a importância da proximidade e da solidariedade que dela advém, referindo-se principalmente às situações de diálogo, conselho e escuta. Numa outra situação, relativa a outra pessoa, L. conta que já conhecia os problemas que ela enfrentava, mas não tinha tido ainda uma oportunidade de se aproximar. Na oportunidade que teve (através de um pedido de ajuda), pôde amenizar um pouco o sofrimento da pessoa:

“A vizinha aqui do lado, ela não se dá bem com o esposo, né, vive brigando, brigando, brigando... agora se separaram. Aí a luz caiu, acabou a força, ela pediu se eu

podia mexer. (...) Eu digo: ‘tu tem escada aí?’ ‘Tenho.’ Eu digo: ‘eu tenho também uma ali, vou emendar e vou mexer na tua luz. E o vizinho fulano?’ ‘Separou, não deu certo, ele é agressivo, já tentei viver com ele uma par de dias mas não dá certo.’ Então ela me falou isso aí, da vida dela um pouquinho (...)”

D.N. demonstra a mesma preocupação de L., ao ser questionada sobre a convivência com os outros moradores no bairro:

“Às vezes, a pessoa tá carente, ou tá triste ou tá com algum problema, você pode sentar e conversar, né? Falar uma palavra amiga pra pessoa (...)”

Num dia em que estávamos no quintal da casa de A., conversando sobre o bairro, a vizinha o chamou pelo muro com uma garrafa de café fresco na mão, dizendo que era para ele oferecer à sua visita. Agradecido, ele a convidou para entrar e se sentar com a gente. Ela estava deprimida, passando por dificuldades muito sérias (falta de dinheiro e problemas de saúde na família), mas nem por isso deixou de vir oferecer uma garrafa de café fresco, coisa que nos impressionou.

As pessoas que possuem cargos na Associação procuram conhecer os moradores e se aproximar mais deles. Não fazem isso só por causa das cobranças (de pagamento, de limpeza e cuidado com o terreno) que também fazem parte da função. Fazem porque acreditam que a união é fundamental para o bairro progredir. E também porque, conhecendo as pessoas, podem descobrir as necessidades do bairro e dirigir seus esforços para saná-las. Segundo E., esta prática existe desde o início do bairro, quando estavam tentando melhorá-lo para ganhar a causa na Justiça.

Nas vezes em que percorremos o bairro com A., observamos como ele trata as pessoas. Não passa por uma só pessoa (seja criança, adolescente, adulto, homem, mulher...) sem cumprimentá-la. Está sempre batendo nas portas das casas das pessoas para trocar uma palavra, estreitar os laços e tomar um café. Vimos que este é um comportamento de várias pessoas que são ou já foram líderes do bairro.

V., por exemplo, é uma liderança do tipo que faz questão de estabelecer contato com as pessoas:

“(...) eu forço a amizade. Tem pessoas que passa com uma cara feia; eu falo: ‘oi, tudo bom com você?’ (...)O J. (marido dela) quer morrer. Ele fala que eu sou cara-de-pau. Eu já saio zoando de manhã já, eu saio ando esse bairro inteirinho, inteirinho... eu acho que já tomei café na casa de meio mundo aqui dentro...”

Embora seja evangélica, V. comenta que o contato que faz com as pessoas lhe permite aceitar e respeitar a opinião de cada uma delas. Lembra-se de duas vizinhas que são da Umbanda:

“Tanto ela quanto a mãe dela são duas pessoas maravilhosas, só que como ela sabe assim, que eu não curto muito (a religião delas)... lógico que quando eu tô bem danadinha, eu vou lá e falo: ai, vó, pelo amor de Deus, me benze! Porque ó, como eu ando muito aqui, tem pessoas que conversam comigo, algumas, a minoria, conversa comigo obrigada. Tem pessoas que fogem. Porque sabe que eu tenho uma lista que ela tá devendo, eu sei que ela tá devendo.”

Este relacionamento no interior do bairro foi gerado pela proximidade que eles se dispõem a vivenciar. Dificilmente se pode observar tal união entre praticantes de religiões tão diferentes.

A proximidade da vizinhança é também uma fonte de informações sobre o bairro: “Dentro de casa eu falo com ela pela janela (...) É, bater papo, conversar. Contar mesmo história do bairro, porque às vezes ela vai trabalhar, ela chega à noite, o que aconteceu ela quer saber, e eu falo.”

No início da ocupação, momento de bastante insegurança para todos, o apoio dos vizinhos que acreditavam no bairro foi muito importante para P.:

“Eles apoiaram, os vizinho...(...) Teve uns que apoiou, então foi legal, achei legal da parte deles...(...) Assim, ó, ajudando, né, ficava falando que bairro, começo, era aquele jeito, mas ia melhorar mais pra frente, tal, não desanimar, né, ficar firme no bairro. E a gente foi ficando, ficando...até que deu, né, que deu agora, já tá bem organizado, já a área já tá paga, né. Tá legal agora.”

Em alguns casos, principalmente quando envolvem um compartilhamento de recursos e amizade, a proximidade com os vizinhos é estabelecida de uma maneira bem visível. Observamos nas primeiras idas à casa de D. que havia uma espécie de passagem no muro (feito de madeira) que separava o seu terreno do de S.M. Quando precisavam de alguma coisa, ou queriam falar uma com a outra, não era preciso chamar: bastava passar pelo muro e entrar direto na casa da outra, sem precisar dar a volta. Mas claro que não era sempre. A intimidade em alguns momentos era preservada, e o sinal visível disso era o fato da porta estar aberta ou fechada. Vale dizer que, depois de mais de três anos deste contato, elas tiveram problemas e a amizade acabou. Percebemos isso num dia em que estivemos lá e reparamos que a passagem estava fechada. Aí D. nos contou o que tinha acontecido. Mesmo assim, elas

continuam compartilhando recursos sempre que é necessário, porque, como dissemos anteriormente, isso existe independentemente das relações serem boas ou não.

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