As leituras prévias realizadas sempre alimentaram a pertinência deste trabalho, demonstrando que ainda existe um longo caminho a percorrer até se conseguirem implementar, nos clubes desportivos, práticas de AD dos colaboradores idênticas àquelas que fazem parte dos procedimentos de gestão da maioria das organizações com fins- lucrativos. Esta e outras constatações levaram-nos a levantar a seguinte hipótese geral: a ADT é uma prática pouco estruturada e informal que tem como principal critério de avaliação os resultados desportivos alcançados pelos atletas/equipa num determinado contexto. Missão Objetivos Avaliação de desempenho Frequência Instrumentos Avaliadores Critérios de avaliação (Resultados Desportivos) Resultados e feedback Relacionamento Pessoal Competências do treinador Nível Competitivo
Escalão Etário Atletas
Vínculo Contratual Experiência Profissional Formação Treinadores (avaliados) Dirigentes (avaliadores)
Variáveis Dependentes Variáveis Independentes
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De forma mais particular e específica levantaram-se as seguintes hipóteses de relações entre variáveis:
H1: Os objetivos definidos para treinadores que trabalham com atletas de diferentes escalões etários diferem na sua natureza.
Esta hipótese é sustentada pela literatura, que é vasta em descrições acerca da intervenção dos treinadores de escalões de formação. É então referido que os jovens atletas necessitam desenvolver competências gerais nos domínios psíquico, emocional, social, físico e técnico-tático, enquanto os atletas mais velhos já as deverão ter consolidadas. Com efeito, Araújo (1994), Bento (1999), Gomes e Cruz (2006) e Smoll (2000) advogam que os objetivos para o trabalho do treinador de jovens atletas deverão ser pautados por princípios educativos e formativos, devendo ultrapassar a formação desportiva e contemplar, igualmente, a formação moral, social e cultural. Centrando-se nas diferenças entre o jovem e o adulto, Adelino (2007) considera que o treino dos jovens terá forçosamente de se diferenciar do treino dos adultos, justificando-se assim que haja uma clara distinção entre os objetivos definidos para treinadores de atletas em formação e para treinadores de atletas seniores.
H2: Os treinadores de atletas/equipas que atuam em níveis competitivos mais elevados têm objetivos mais direcionados para o rendimento desportivo dos seus atletas.
Esta hipótese foi formulada tendo por base o apoio que é concedido aos atletas/ equipas de alta-competição. As subvenções públicas são direcionadas para o desporto de competição, principalmente para atletas/equipas que conseguem obter bons resultados desportivos. Assim, perante esta dependência financeira, por parte dos atletas/equipas que competem ao mais alto nível, perspetiva-se que os treinadores definam objetivos que privilegiem a performance e os resultados desportivos.
H3: O escalão etário dos atletas está relacionado com o facto de os treinadores serem ou não avaliados.
Na entrevista aos avaliadores, realizada na primeira fase deste estudo, apurou-se que os atletas ou equipas seniores eram mais enaltecidos no discurso dos avaliadores, quando estes se pronunciavam relativamente ao processo de AD (Soares, Antunes, Rodrigues,
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2011). Por conseguinte, procurámos confirmar ou refutar que os treinadores seniores estarão mais comprometidos com a avaliação de desempenho do que os treinadores de formação.
H4: O nível competitivo em que o treinador atua estabelece uma relação com o facto de o treinador ser ou não avaliado.
Os atletas/equipas que competem ao mais alto nível são merecedores de maior atenção por parte dos stakeholders. Nessa medida, considera-se provável que exista um interesse diferenciado pela avaliação de treinadores, cujos atletas/equipas competem a um nível mais baixo (regional) e de treinadores com atletas/equipas que participam em competições de nível nacional/internacional.
H5: O facto de um treinador ser ou não avaliado está relacionado com o vínculo contratual que o liga ao clube desportivo: contratado, contratado a recibo verde, voluntário ou destacado.
Os dados emanados da entrevista aos avaliadores dos clubes (Soares, Antunes & Rodrigues, 2011) revelaram diferenças nos procedimentos de avaliação de desempenho. Porém, sabendo que de acordo com o regulamento de destacamento de docentes para o movimento associativo desportivo (DRJD, 2014), estes treinadores terão obrigatoriamente de ser avaliados pelo seu desempenho ao longo da época desportiva, procurou-se confirmar a existência de diferenças significativas entre treinadores com diferentes graus de comprometimento/ligação aos clubes.
H6: Os critérios de AD diferem significativamente entre treinadores de atletas/equipas seniores e de atletas/equipas de formação desportiva.
H7: Os critérios de ADT de diferentes níveis competitivos são significativamente diferentes.
As hipóteses 6 e 7 surgem, porquanto os modelos de avaliação de desempenho (Grote, 2002; Taylor & McGraw, 2006) preconizam que os critérios de avaliação deverão estar relacionados com os objetivos e funções das organizações e seus colaboradores. Nessa medida, se existe uma distinção entre o papel de treinadores em função do grupo alvo
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com que trabalham, isto é, atletas de diferentes escalões etários e diferentes níveis competitivos (Adelino, 2007; IDP, 2010), deverá consequentemente haver uma diferenciação ao nível dos critérios com que esses treinadores são avaliados.
H8: Os resultados desportivos são mais valorizados na ADT de escalões seniores.
Os resultados desportivos são fundamentais para que os clubes desportivos e os seus atletas possam ser subvencionados pelos mais diversos stackeholders (patrocinadores privados, federações desportivas, governo, etc…). Uma vez que é ao nível dos escalões seniores que há maior dependência dos apoios externos, é também neste escalão que os resultados desportivos são mais representativos, influenciando por isso a ADT.
H9: Os resultados desportivos são mais valorizados na ADT de atletas/equipas de nível nacional/internacional do que de treinadores que competem a nível local ou regional. A investigação na área da avaliação do desempenho do treinadores identifica os resultados desportivos como o critério mais valorizado na ADT ( (Mallet & Côté, 2006), mas sabe-se que esse critério é tanto mais valorizado, quanto maior o nível competitivo em que o treinador se encontre. Na realidade e conforme lembra Allen (2009), a sociedade foca-se muito no sucesso imediato e os treinadores são pressionados para identificarem talentos e obterem resultados imediatos.
H10: Os treinadores mais experientes tendem a valorizar de forma superior as competências necessárias para o desempenho do cargo.
H11: Os treinadores com habilitações académicas mais elevadas tendem a valorizar mais as competências necessárias para o desempenho do cargo.
As duas últimas hipóteses (H10 e H11) estão sustentadas pela literatura que versa a valorização das competências profissionais dos treinadores de desporto (Santos & Mesquita, 2010; Santos, Mesquita & Graça, 2010).