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Russia in Northeast Asia

In document Russia’s foreign energy policy (sider 28-33)

Edward Lear (1812- 1888) foi escritor, ilustrador e pintor na Inglaterra, no início do século XIX; começou a trabalhar como desenhista em publicações de biologia e zoologia, ilustrando manuais científicos sobre plantas e animais. Muito cedo, teve problemas na vista que o dificultaram a continuar desenhando, com isso, muda-se da Inglaterra e passa boa parte de sua vida como estrangeiro em outros países.

A vivência de Lear no exterior afetou grandemente a sua produção artística: muitas das escolhas de ambientação – é casa de sua irmã, visitada pelo autor com frequência –, de personagens ou mesmo de julgamento acerca das figuras por ele representadas, gráfica e verbalmente, refletem seu olhar vitoriano, na medida em que as personagens representadas são estrangeiras, refletindo a ideologia inglesa de que a Inglaterra era superior e os outros países e as outras culturas, inferiores; outra questão eminentemente vitoriana é a produção industrial em larga escala, percebida principalmente na Botânica nonsense, e a revolução no ensino com a enciclopédia, vista nos nomes das plantas. A Inglaterra vivia um momento histórico de ápice do seu desenvolvimento industrial, tecnológico e social sendo considerada uma grande potência; como consequência, os ingleses viam os demais habitantes do mundo como seres inferiores que deviam seguir os princípios ingleses ou se manteriam como selvagens irredutíveis.

Parte significativa da produção de Lear está presente na coletânea lançada em 2011, pela editora Iluminuras, que leva o título Viagem numa peneira retirado do poema de Lear, intitulado The jumblies. O poema versa sobre a viagem inusitada de um grupo de pessoas, em uma peneira, em alto mar. Ao longo da narrativa, ambientes que habitam o imaginário do escritor se mesclam à localidades reais.

poema composto por uma estrofe de 4 versos que é caracterizado pelo ritmo, rima (AABBA), musicalidade, circularidade e conteúdo narrativo.

De acordo com Vivien Noakes (2002), editora, organizadora e autora da introdução e das notas do livro Edward Lear: the complete verse and other nonsense, Edward Lear nasceu em Highgate, região localizada ao norte de Londres, em 12 de maio de 1812. Lear teve 21 irmãos. Seu pai era um acionista da bolsa de valores e sua família era da classe média. Quando Lear tinha 5 anos os negócios de seu pai faliram e o mesmo foi preso por fraude e endividamento. A família de Lear mudou-se, e só depois de muitas décadas retornou à Highgate.

Lear foi criado por Ann, sua irmã mais velha que, com amor, o ajudou a diminuir a tensão de sua infância conturbada. Lear sempre foi doente: de criança já tinha asma, miopia e epilepsia. O autor chamava a epilepsia de “presença do demônio”, pelo fato de, à época, ter-se a ideia de que a doença teria alguma relação com a possessão demoníaca. O portador da doença era isolado da sociedade e tinha vergonha de sua condição (NOAKES, 2002) Lear começou a ter mudanças bruscas de humor e fases depressivas. As irmãs de Lear o ensinaram a ler, a escrever e a desenhar. Quando uma de suas irmãs se casou, o autor passou a visitá-la com frequência e durante estas visitas, desenhava as paisagens dos arredores da casa.

O autor começou a dar aulas de desenho para ganhar seu sustento. Posteriormente, em 1828, foi apresentado ao ilustrador Prideaux Selby. Depois de dois anos de estágio com Selby, começou a trabalhar em projeto independente sobre pássaros, que se tornaria, um dos melhores livros de ilustração ornitológica britânica. As ilustrações deste livro foram produzidas a partir da técnica de litografia. O autor teve como modelos pássaros que estavam soltos na natureza, o que era inovador para a época.

Com a sua habilidade para desenhar e pintar, foi chamado para fazer desenhos da coleção de animais de um lorde, que acabou deixando espaço para que ele desenvolvesse sua veia poética. As pessoas que viviam na casa apreciavam a sua companhia e ele foi convidado para entretê-los com seus poemas e desenhos (NOAKES, 2002).

Lear foi, neste momento, apresentado ao formato de poema chamado limerick. A palavra que dá nome a esse tipo de poema pode ter se originado

do nome da cidade de Limerick, na Irlanda, na qual havia uma escola importante de poesia, em meados do século XVIII. Os limericks nasceram na tradição oral e deram origem à sua obra.

Conforme o autor, “o nonsense era o ar de suas narinas”; uma modalidade literária considerada tanto um gênero quanto uma filosofia. Era “uma resposta à vida que faz sofrer e depois rir”. Na era vitoriana, espontaneidade e liberdade eram objeto de repressão; os pecados eram punidos, os excessos do corpo, proibidos, e a literatura mais uma forma de zelar pela moral e bons costumes.

Para Noakes, a presença de Lear no cânone literário deve-se, principalmente, ao fato de ter criado o nonsense e com ele a performance de interação palavra e imagem, acompanhada de ritmo musical. O autor chamava atenção para a ilusão presente nos padrões de comportamento que as crianças deveriam seguir, e mostrava que apesar de seus personagens serem distorcidos, o padrão ideal de comportamento não estava lá, no mundo do nonsense.

Noakes (2002) nos lembra o pensamento de Lecercle (1994), que acrescenta uma característica importante do nonsense, a de que ele quebra as regras da língua por segui-las rigidamente. Ou seja, ao entender literalmente uma metáfora, os personagens seguem de maneira exagerada as regras da comunicação e da linguagem e se veem no nonsense. No mundo de Lear, todos tinham lugar, independente de quão estranhos fossem, e é necessário escolher sair do mundo real para entrar no nonsense. Para as crianças que viviam na restrição comportamental vitoriana, passar um tempo no universo de Lear era um paraíso.

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