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Ruspoliklinikken Ullevål Universitetssykehus

5. Status etter avsluttet prosjektperiode

5.3 Ruspoliklinikken Ullevål Universitetssykehus

1.3.1 - Nascimento e fim de Redes de Cooperação

Corrêa e Casarotto Filho (cit. in Pires & Neto, 2012 e cit. in Olave & Neto, 2001) consideram que o nascimento e a sobrevivência das redes de cooperação depende da discussão e equacionamento de três visões: a cultura da confiança, a cultura da competência e a cultura da tecnologia da informação. Em relação à cultura de confiança, esta diz respeito aos aspetos ligados à cooperação entre as organizações, envolvendo aspetos culturais e de interesse dos membros. Ora, para vários autores a construção da confiança mútua é uma peça chave para a cooperação (Pires & Neto, 2012). No entanto, advinha-se uma tarefa complexa. A existência de confiança entre os membros de uma rede traz, com certeza, inúmeras vantagens para a rede. Em relação à cultura de competência, esta diz respeito às competências de cada membro de uma rede. Assim, poderão ser considerados quer recursos materiais, quer recursos imateriais (know how). Por último, a cultura de tecnologia de informação diz respeito a todos os aspetos ligados aos recursos computacionais que as organizações possuem, uma vez que a facilidade de fluxo informacional é fundamental para implementar uma rede.

Por seu lado, Balestrin e Verschoore (2008c) apresentam outra abordagem dos elementos necessários para o estabelecimento das redes de cooperação. Para os autores, são necessárias três condições essenciais: os objetivos comuns, a interação e a gestão, sendo que o cumprimento destas condições levará as redes aos ganhos coletivos almejados. Veja-se: dificilmente uma rede sobreviverá no tempo se os seus participantes tiverem objetivos diferentes. Assim, determinar os objetivos comuns da rede é um processo basilar, sendo certo que esses objetivos podem ser os mais diversos, desde reduzir custos, até à busca de estabilidade. Pelo que, essa diversidade contribui para explicar a multiplicidade de redes existentes. Para formar e manter uma rede, segundo os autores, é igualmente essencial existir interação entre os membros. A minha atenção recai com particular veemência nesta condição, pois a capacidade de interligar e mediar as ligações entre os participantes remete para o âmbito da comunicação, em particular para o da comunicação estratégica. “Nas redes de cooperação, ela [a interação] se realiza por meio de recursos tecnológicos (…) e da comunicação face-a-face” (Balestrin & Verschoore, 2008c: 156), daí que a tecnologia seja um importante veículo de interação.

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Acontece que a importância das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) se torna evidente, uma vez que é através delas que se criam e suportam novas formas de comunicação, de interação. Portanto, as TIC facilitam o fluxo de informação quer interna, como externamente. Contudo, o mais indicado será olhar para estas novas tecnologias com prudência, na medida em que nem todas as redes estão preparadas para utilizar tais recursos. Algumas obras referem que o poder das redes reside, precisamente, na interação e nos relacionamentos entre os seus membros. Aliás, a sociologia e as ciências da comunicação procuram, sobretudo, entender as redes a partir das interações sociais entre participantes. Voltando às condições para a formação das redes, lembra-se a última: a gestão, que será abordada mais à frente, num tópico dedicado e esta condição.

Como se vê, Corrêa e Casarotto Filho e Balestrin e Verschoore apresentam abordagens diferentes sobre os elementos essenciais para a formação de redes, os primeiros falam da cultura da confiança, a cultura da competência e a cultura da tecnologia de informação, os segundos consideram os objetivos comuns, a interação e a gestão, para atingir os ganhos coletivos. Apesar de diferentes, pensa-se que as abordagens não se contradizem. Revendo-me mais na segunda perspetiva, considera-se que na interação se pode inserir a cultura de confiança e a cultura da tecnologia de informação (porque a confiança desenvolve-se com a interação; e porque é, muitas vezes, através de recursos tecnológicos que a interação se dá) e nos objetivos comuns se pode inserir a cultura de competências (uma vez que no momento de definição dos objetivos comuns, os membros da rede devem estar conscientes das competências de cada um, para determinarem os objetivos).

De todo o modo, além de possuírem estes elementos, as organizações antes de integrarem acordos de colaboração devem estar conscientes das eventuais dificuldades e riscos inerentes a qualquer forma de cooperação (Brito, S/D). Neste seguimento, Killing (cit. in Brito, S/D: 21) nomeia “a perda relativa de autonomia, a necessidade de implementar um eficiente sistema de comunicação e de tomada de decisões, a possibilidade de algumas aptidões e recursos específicos serem “apropriados” por outras organizações envolvidas no acordo e, por último, o eventual risco de conflito entre as partes”. A desconsideração das dificuldades e riscos inerentes ao processo pode levar ao término da colaboração em rede, ou mesmo ao fim da própria rede. Desta forma, acha-se necessário apresentar os principais motivos, descritos na bibliografia, que levam a este resultado: problemas relacionados com a confiança, reputação e comprometimento

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entre os membros da rede; a predominância do paradigma da competição entre os membros; risco de oportunismo; retornos assimétricos para os membros; a presença de culturas diferentes dentro da mesma rede; dificuldades de adaptação; complexidade gerencial e a dificuldade de coordenação; a não obtenção de benefícios económicos (ainda que seja importante ter presente que nem todas as redes ambicionem retornos económicos); a falta de metas comuns e rigidez organizacional (Barcellos et al., 2012).

1.3.2 - Ganhos/ Vantagens das redes

A lógica por de traz da formação de redes “é estabelecer relações de cooperação que resultem efectivamente em ganhos [vantagens] para todos os envolvidos, já que, do contrário, não haveria colaboração entre eles” (Balestrin & Verschoore, 2008c: 120). Desta forma, são vários os trabalhos que concentram as suas atenções nas vantagens decorrentes das redes, pelo que abordá-las na totalidade seria inexequível e de utilidade duvidosa. Antes de mais, expõe-se que as diferentes abordagens do tema refletem-se na identificação dessas vantagens, isto é, obras que focam a sua atenção em redes formadas por pequenas e médias empresas revelam os ganhos para este tipo de redes, obras que se foquem em redes formadas por instituições públicas salientam outras vantagens, etc. Tendo presente este aspeto e porque estou focada no conceito de rede em geral e não num tipo particular opta-se por apresentar as vantagens que considera-se de maior relevância. A literatura aborda (em particular, para redes constituídas por uma grande empresa e pequenas e médias, como o caso das redes de fornecimento): o aumento da flexibilidade e a adaptação às mudanças da economia, ou seja, perante as mudanças enunciadas no início desta fundamentação teórica as grandes empresas foram “obrigadas” a alterar o seu modo rígido e hierárquico de operar, por exemplo, subcontratando grupos de pequenas e médias empresas, numa lógica de cooperação, é o caso da Toyota. No geral, o aumento da competitividade é também uma vantagem muito referida. Uma outra vantagem relatada é o facto de que juntas as organizações podem aceder a serviços que isoladamente seria muito difícil como, por exemplo, serviços de gestão, comunicação/marketing, etc. De acordo com Balestrin e Verschoore (2008a, 2008b, 2008c), o termo “ganhos competitivos” ilustra melhor as vantagens decorrentes da colaboração em rede, sendo que agrupam os diferentes ganhos em seis grupos: maior escala e poder de mercado; redução de custos e riscos; acumulação de capital social; conhecimento e aprendizagem coletiva e inovação

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por meio de redes de cooperação. Em relação à maior escala e poder de mercado, as organizações ao unirem esforços, têm maior legitimação para negociar no mercado, por exemplo, prazos e formas de pagamento. Juntas as organizações têm maior capacidade para atrair parcerias e novos parceiros de negócio. No que toca à redução de custos e riscos, assinala-se que o atual contínuo e acelerado crescimento torna muito mais arriscado investimentos em atividades produtivas. Unidas, as organizações podem dividir quer os custos, quer os riscos de investimentos. Outra maneira de ganhos acontece através da complementaridade (de competências) entre as organizações. Relativamente à acumulação de capital social, esta está ligada aos laços de relacionamento que tendem a criar capital social, que se reflete na eficiência das atividades desempenhadas. O crescimento do sentimento de pertença ao grupo contribui para limitar o oportunismo. Em relação à aprendizagem coletiva, os autores referem-se ao facto de que juntas, através da interação, as organizações partilham conhecimentos que fortalecem o processo de aprendizagem coletiva. Por último, no que diz respeito ao ganho de inovação coletiva, Ahuja (cit. in Balestrin & Verschoore, 2008c: 141) refere que “as relações directas entre os actores de uma rede afectam positivamente o resultado da inovação, por fornecer três benefícios substantivos: conhecimento compartilhado, complementaridade de competências e escala nos projectos de P&D”. Desta forma, a organização que integra uma rede tem mais condições para inovar do que aquela que age isoladamente. Balestrin e Verschoore (2008c) alertam para a importância da capacidade de socialização e utilização do conhecimento para a inovação. Além das vantagens para as organizações, as redes de cooperação trazem ainda vantagens para o território, como o desenvolvimento local, “por consequência, contribui para o desenvolvimento económico da região” (Pires & Neto, 2012: 3).