5 RUSPROBLEMATIKK OG RUSKOMPETANSE I
5.2 Rusmiddelmisbrukeres behandlingsbehov i spesialisthelsetjenesten
A consciência humana não é inata no ser humano. Ela é resultado do produto da sua relação com a natureza e o social: o trabalho humano. Para que haja o desenvolvimento da consciência humana, porém, ela precisa da formação de um requisito fundamental, sem o qual não existiria, que é a formação fisiológica do cérebro. O cérebro é a base fundamental para que se dê o desenvolvimento da própria consciência humana. Isto significa que sem esta base biológica não haveria consciência. Mas, o fundamental agora é que a consciência existe porque ela é resultado dessa evolução histórica da própria consciência humana. Quando se dá o processo de hominização – pela sua atividade objetiva quando o ser humano começa a criar instrumentos e a modificar a natureza que, em forma dialética, começa a modificar as suas estruturas biológicas – tem lugar tal processo de desenvolvimento da consciência humana.
Rubinstein (1967) nos mostra como acontece o processo de evolução da espécie animal, desta forma:
La ley fundamental del desarrollo biológico de los organismos que determina el desarrollo de la psique en los animales es la unidad de estructura y función. Debido al cambio de género de vida que se produce en el curso de la evolución se desarrolla el organismo; este desarrollo se produce al funcionar el organismo; su psique se va formando en el curso de su actividad vital. (RUBINSTEIN, 1967, p.174).
Os organismos dos animais se desenvolvem, segundo uma lei de desenvolvimento biológico, no processo evolutivo, entre uma unidade de estrutura e função. Cada espécie animal tem uma estrutura de vida que se identifica com a sua função. Assim, a estrutura do macaco se identifica com a função biológica que ele consegue fazer na natureza. Logo, estrutura e função estão determinadas e unidas biologicamente porque proporcionam ao macaco sua adaptação e sobrevivência na natureza. A estrutura e função da aranha estão determinadas e unidas para realizar a mesma atividade que lhe é inerente, motivo pelo que sempre fará a mesma teia. Não modificará a sua atividade porque lhe é inata, está na sua estrutura biológica essa função de adaptação biológica na natureza.
As estruturas e funções no ser humano estão unidas, porém, o que vai diferencia-lo dos animais é o seu desenvolvimento de forma revolucionária. Ou seja,
estruturas biológicas e suas funções são humanizadas pela função vital que ele realiza: a sua própria atividade na natureza e em relação total com outros seres humanos, ou seja, atividade social.
Assim, Rubinstein (1967) afirma:
La ley de la evolución histórica de la psique o de la conciencia del hombre postula que el hombre se desarrolla en cuanto ser que trabaja. Al cambiar la naturaleza, el hombre se transforma a si mismo. Al crear con su actividad – tanto práctica como teórica – el ser objetivado de la naturaleza humanizada – la cultura – crea, modifica, forma y desarrolla su propia naturaleza psíquica. El principio fundamental de desarrollo – la unidad de estructura y función – se manifiesta en la clásica forma de la evolución histórica de la psique, es decir, según uno de los principios básicos del marxismo: el trabajo creó al hombre y formó también su conciencia. (RUBINSTEIN, 1967, p 176).
A formação biológica do ser humano acontece na sua filogênese, como espécie humana. Assim, o determinante no ser humano é que ele já tem prontas as estruturas e funções biológicas, porém, o que vai determinar que o aspecto biológico seja humanizado é o desenvolvimento das Funções Psíquicas Superiores quando trabalhadas por meio das atividades mediadoras da Zona de Desenvolvimento Proximal. Assim, por exemplo, as estruturas biológicas das mãos serão humanizadas pela função da atividade que ele vai desenvolver dentro de um contexto social. O desenvolvimento ontológico do ser humano é resultado da sua atividade, realizada na natureza e em relação direta e objetiva com outros seres humanos dentro de um contexto social.
A consciência humana tem o cérebro formado biologicamente, como sua estrutura e como sua função, ou seja, tem a massa encefálica, sistema nervoso central bem desenvolvido e a plataforma para desenvolver a sua consciência. A consciência humana não está formada nem desenvolvida biologicamente, senão, a consciência humana será resultado de um largo processo de desenvolvimento que se objetivará e revolucionará por meio da sua própria atividade. A consciência humana nasce com a sua atividade; diríamos que o desenvolvimento da consciência humana não aconteceu por influência do surgimento do fogo, mas quando o ser humano começou a criar seu próprio instrumento para uma finalidade. Quando criou um instrumento, uma colher, por exemplo, foi um salto qualitativo gigante para o desenvolvimento de sua consciência e personalidade. Hoje, diríamos que esse instrumento que o ser humano primitivo criou nos parece insignificante e relativo, no entanto não é assim. Talvez para ele tenha sido só um passo para o seu desenvolvimento, hoje, contudo, é um salto para a
humanidade, pois quando uma criança consegue dominar uma colher e começar a entender a sua função social, algo que aos adultos parece muito insignificante, para a criança significa um salto qualitativo em seu desenvolvimento psíquico, potencializador de seu próprio desenvolvimento.
As funções inferiores no ser humano correspondem às funções biológicas e já estão desenvolvidas e constituídas pela herança genética, sendo igualmente importantes para o desenvolvimento humano. As funções inferiores também correspondem e formam parte dos animais. Por isso, no desenvolvimento ontológico, estas funções biológicas não são descartadas senão incorporadas, por um processo dialético, no desenvolvimento humano, na formação da sua consciência.
Em contrapartida, as funções superiores não são biológicas e sim criadas e formadas pela cultura humana. Assim, se manifesta Rubinstein (1967):
Las formas superiores de la conciencia humana que son necesarias para la creación de la cultura humana – tanto material como intelectual - también se desplegaron en el curso del proceso de su formación25
: laconciencia, como
premisa de las formas humanas específicas de la actividad laboral, también es su producto. (RUBINSTEIN, 1967, p.174).
Como indicado, as funções superiores do ser humano são resultados do processo de desenvolvimento da consciência humana. Essas funções superiores são: a atenção voluntária, a memória lógica, a formação e desenvolvimento do pensamento, a imaginação, a linguagem humana, a formação de conceitos etc. Elas se desenvolveram e se constituíram como partes integrantes do ser humano pelo processo dialético de produção e reprodução da experiência acumulada ao longo do processo de humanização. As funções superiores, únicas no ser humano, são imprescindíveis para a formação e o desenvolvimento da cultura humana. Por isso, a consciência se constituiu na primigenia da origem ontológica do próprio ser humano e do desenvolvimento da cultura humana, entendida como resultado da ação objetiva e racional da atividade humana. A cultura é produto da própria ação da atividade humana, como a consciência é também o produto dessa atividade. Desta forma, a cultura se especifica como material e espiritual, não no sentido religioso, senão como experiência acumulada e objetos e/ou fenômenos da realidade como, por exemplo: a arte e suas diversas manifestações, a
tecnologia e seus contínuos avanços, a linguagem humana e suas diversas manifestações.
Por isso, Rubinstein (1967) destaca a importância das funções superiores como resultado do desenvolvimento da consciência humana, sobretudo para o surgimento das diversas formas culturais humanas, desta forma:
El surgimiento de los distintos dominios culturales – la técnica, la ciencia y el arte, por una parte, y las facultades y los intereses técnicos del hombre, de los
sentimientos estéticos y el pensamiento científico, por otra – dentro de la
evolución histórica en la práctica social representan dos facetas de un mismo
proceso. Con ello se aplica el principio de la unidad psicofísica26 a la
evolución de la conciencia humana, más concretado y desarrollado. (RUBINSTEIN, 1967, p.174).
A cultura material e espiritual são, portanto, duas formas de um mesmo processo que se interrelacionam de forma dialética ao longo da formação e do desenvolvimento da consciência humana.
As faculdades e os interesses técnicos, os sentimentos estéticos e o desenvolvimento do pensamento no ser humano são resultados ou produtos do próprio desenvolvimento psíquico. Observamos que as faculdades humanas, os seus interesses técnicos, seus sentimentos estéticos e o seu pensamento estão fundamentados exclusivamente na cultura humana, são produtos sociais e são potencializados e formados no processo de desenvolvimento da consciência humana, sempre por meio da mediação da natureza e da mediação humana.
A formação e o desenvolvimento da consciência humana são resultado da própria atividade que o ser humano realiza num contexto histórico e social, ou seja, a atividade como pressuposto e resultado do desenvolvimento da consciência humana. Assim, a passagem da forma biológica à forma social, cultural do ser humano se dá exclusivamente a partir do trabalho que realiza na natureza e na sociedade humana.
Petrovski (1995) mostra como se dá a formação e o desenvolvimento da consciência humana, desta forma:
En el trabajo se desarrolló también la conciencia humana, que en la escala evolutiva es la forma superior de reflejar la realidad y de la cual es característico la abstracción de las condiciones objetivas y permanentes de la
actividad material y de la realización sobre esta base de la transformación de la realidad circundante. (PETROVSKI, 1995, p.84).
A consciência humana é histórica e cultural, resultado da sua própria atividade que realiza dentro de um contexto cultural. Assim, por meio da sua consciência, o ser humano consegue abstrair a essência dos objetos e fenômenos da realidade, com o objetivo de apropriar-se das significações sociais e culturais.
O salto ontogenético significa câmbios qualitativos e estruturais no próprio ser humano, que se dá num processo dialético, porque esse salto não pode ser uma simples continuação dos fatores biológicos. Claro, não haveria esse salto se o ser humano não tivesse essa constituição biológica. Por isso, o salto dialético se caracteriza por ser uma ruptura com a continuidade da forma biológica do ser humano e, de forma dialética, começa o processo de desenvolvimento humano, da formação ontogenética do próprio ser humano, como resultado e produto da sua própria atividade. Assim, a categoria trabalho adquire um valor ontológico e não só econômico no materialismo histórico- dialético de Marx. Agora nos ocuparemos da categoria trabalho.
1.4 Trabalho humano como processo de desenvolvimento filogenético e