Uma plataforma pode ser definida, conforma apresentado por Rozenfeld et al. (2005), como um conjunto de elementos de um produto (subconjuntos, componentes, etc.) que forma o núcleo de uma família de produtos com suas diversas combinações. O ponto fundamental de uma plataforma de produtos é o de que elas passem a formar uma estrutura comum, a partir da qual, diferentes produtos possam ser projetados e produzidos de forma mais eficiente.
Um dos mais importantes conceitos relacionado ao projeto de plataformas é o de arquitetura de produto. A arquitetura dos produtos que passa a ter o aspecto modular, em que cada módulo corresponde à uma ou poucas funções não existindo o compartilhamento de funções entre dois ou mais módulos; em detrimento de uma arquitetura integral, na qual as funções do produto são distribuídas em vários conjuntos de componentes com alto grau de integração.
A estratégia de manufatura, e os aspectos relacionados aos conceitos de
postponement e a escolha da tipologia de produção, é enormemente influenciada pela
estratégia de produto (ou serviço) em seu estágio de desenvolvimento.
Cenários atuais demandam uma maior variedade de produtos, com ciclos de vida cada vez mais curtos, o que tem um profundo impacto na estratégia de manufatura e logística da cadeia de suprimentos em termos de SKUs (Stock Keeping Unit) necessários para o atendimento dos desejos dos consumidores. A tabela a seguir demonstra alguns tipos de relacionamentos entre a quantidade (diversidade) de matérias-primas e de produtos acabados, cada tipo comumente relacionado com uma letra:
Tipo de produto Matérias-primas Produtos Acabados
“T” Poucas Muitos
“A” Muitas Poucos (ou um)
“V” Poucas Muitos
“X” Muitas Muitos
Tabela 1: Tipos de produtos e diversidade de matérias-primas e produtos acabados
A relevância da estratégia de produto é o fato de que o processo de transformação é direcionado pelo tipo (“letra”) do produto. Por exemplo, a indústria automobilística segue, normalmente, o tipo de produto “X”, no qual temos uma grande quantidade de matérias-primas, uma pequena variedade de conjuntos montados, que podem
então serem configurados (permutados) em uma grande variedade de produtos finais diferentes entre si.
Técnicas relacionadas ao adiamento da diferenciação do produto (postponement), modularização, e escolha da tipologia de produção, que serão apresentadas posteriormente, em última instância, são direcionadas pela escolha estratégica do produto (desde seu estágio conceitual).
Tomemos como exemplo um produto do tipo “T”, conforme mostrado na Figura 37 a seguir:
Figura 37: Algumas variações estratégicas de um modelo do tipo “T”
Podemos perceber que na estrutura 1 os produtos são feitos a partir de poucas matérias-primas comuns e, em um ponto único do processo, são convertidas em um número maior de produtos acabados. Na estrutura 2, uma única matéria-prima passa por processos iniciais que aumentam a variedade de itens semi-acabados que seguem por um conjunto de processos comuns que aumentam a variedade de produtos finais.
Na estrutura 3, um único processo posicionado em um ponto intermediário do fluxo produtivo direciona os itens semi-acabados para um (ou mais) tipos diferentes de famílias de produtos.
A estrutura 4 apresenta maior quantidade de estágios produtivos e a estrutura 5 apresenta apenas alguns poucos e curtos estágios produtivos e na estrutura 6 a variedade de itens é muito superior, em relação às demais estruturas em “T” apresentadas anteriormente.
De acordo com Ernest e Kanrad (2000), Star (1965) iniciou o conceito de modularização na literatura, a qual consiste em uma abordagem de desenvolvimento de produtos em que o produto deverá ser formado por meio da montagem de um conjunto de partes padronizadas. A modularização reduz a quantidade total de itens com os quais uma empresa precisará lidar durante seu ciclo produtivo e traz diversos benefícios em diversas ocasiões do ciclo de planejamento (XU, 2004).
O desafio da modularização é projetar mecanismos de montagem eficientes e desenvolver produtos que possam ter as suas partes padronizadas mas, ao mesmo tempo, a modularização no projeto do produto aumenta a velocidade do processo de desenvolvimento
de novos produtos que utilizem componentes destas famílias compostas por modelos padronizados (SOARES e PEREIRA, 2006).
Além de diminuir sensivelmente os erros associados às previsões de vendas, a modularização leva a um melhor aproveitamento do conceito de economia de escala (por meio da possibilidade de aumento do tamanho da ordem), possibilita uma melhor estratégia de racionalização de estoques (no caso da adoção de sistemas ATO, por exemplo), diminuição da incerteza quanto ao lead-time de produção, e simplifica tremendamente o sistema de planejamento de controle.
O planejamento de plataformas visa o melhor equilíbrio entre a distinção e a variedade de produtos almejada, com um maior índice possível de partes (itens) comuns entre os diferentes modelos.
Os clientes almejam diferenciação, mas os custos são guiados na proporção inversa do índice de comunalidade entre as peças, ou seja, clientes querem produtos diferentes, mas o custo de produção entre eles é fator inversamente proporcional à quantidade de peças comuns entre os diferentes produtos. A arquitetura e estrutura do produto ditam a natureza do equilíbrio possível entre a distinção e a comunalidade.
Essa realidade traz sentido ao conceito de Atributos de Diferenciação, que são as características que os clientes consideram importantes para diferenciação entre os produtos, e o correto projeto e distribuição destes Atributos de Diferenciação torna possível ter-se uma gama variada de produtos, mas com grande parte das peças, componentes-chaves e subconjuntos iguais entre eles.
O objetivo é garantir a adequação entre as limitações de recursos da empresa e os requisitos dos clientes por meio de um planejamento eficiente de plataformas, combinações de soluções e compartilhamento de módulos entre os produtos.
Sem dúvida, o emprego de Plataformas no Processo de Desenvolvimento do Produto, reduz o tempo e o custo de desenvolvimentos subseqüentes derivados de uma mesma plataforma, diminuindo riscos e incertezas e trazendo a retenção do conhecimento ao longo dos diferentes projetos.
Entendemos que o emprego de plataformas de produtos endereça completamente o problema de se ter produtos muito distintos, com pouco compartilhamento de itens. Além disso, o emprego do conceito de plataforma tem o potencial de diminuir problemas com altos tempos de troca, que geram pouca flexibilidade de mix, pela próprio índice superior de peças comuns (plataformas) entre os diversos modelos.
De forma semelhante, mesmo que a capacidade seja expressa somente em quantidade, sem consideração quanto ao mix, este problema será parcialmente minimizado, pelo menos nos processos produtivos responsáveis pela fabricação dos módulos comuns aos diferentes modelos não considerados quanto ao mix.