5 Applicable International Law
5.2 IHL
5.2.2 Rules of Targeting in a NIAC
Os sujeitos entrevistados foram: a) dois deles estilistas donos da própria marca e que trabalham em ambiente de ateliê; b) dois estilistas funcionários de ambiente fabril. Este parâmetro foi delimitado de acordo com o consenso geral dos membros da banca de
qualificação. A apresentação dos entrevistados, de uma forma clara para a visualização e comparação, é conteúdo do quadro comparativo a seguir:
Quadro comparativo: apresentação dos sujeitos participantes da pesquisa
Entrevistado 1 Graduado na UNIFACS, Universidade Salvador. Trabalha com moda há 10 anos. Durante um ano foi assistente de estilo em uma grande empresa de vestuário de São Paulo. Microempresário, é proprietário da própria marca.
Entrevistado 2 Graduado em Design de Moda na Anhembi Morumbi, em São Paulo. Trabalhou em ateliê de alfaiataria em São Paulo. Microempresário, é proprietário da própria marca.
Entrevistado 3 Técnico em vestuário pelo SENAI desde 2003 e graduando em Design de Moda na Anhembi
Morumbi, em São Paulo. Atuante há 10 anos no mercado, possui experiência no
desenvolvimento de produtos para marcas próprias. Trabalha em empresas de grande porte.
Entrevistado 4 Graduado na Santa Marcelina em 2002 e pós-graduado em nível de especialização em Semiótica Psicanalítica pela PUC. Iniciou sua carreira trabalhando em ateliê e durante 10 anos foi estilista de duas grandes marcas brasileiras simultaneamente. É professor no IED São Paulo e coordenador de estilo de uma empresa de grande porte.
Júlia Nunes Cordeiro, 2015
A sequência dos entrevistados de 1 a 4 foi estabelecida de acordo com a ordem cronológica com que as entrevistas ocorreram, a fim de facilitar a discussão dos resultados. Observa-se que, como parâmetro de seleção, todos os entrevistados possuem formação acadêmica na área de moda. Acreditamos que a formação acadêmica fornece um grande diferencial no desenvolvimento profissional dos entrevistados e, também, tal formação reflete na discussão dos temas e na valorização desta pesquisa, contribuindo assim, para o estudo de moda e criatividade.
Apesar dos entrevistados 1 e 2 serem microempresários e donos de marca própria, nota- se um diferencial entre eles: o entrevistado 1 possui uma ampla experiência em indústrias de moda - dez anos - como afirmado no quadro comparativo 1 e posteriormente desenvolveu sua marca própria. Já o entrevistado 2 não possui esta experiência como estilista em indústria de grande porte e é recém formado. Para complementar os ensinamentos de modelagem da graduação, buscou experiência em um ateliê com a finalidade de se especializar em modelagem de alfaiataria e aprimorar sua marca própria. O diferencial entre estas duas trajetórias fica claro e é apontado nas próximas análises.
Tendo em vista o desenvolvimento do trabalho, as primeiras questões feitas aos entrevistados oram excluídas ou mescladas de acordo com sua necessidade ou relevância. Respostas de certas questões que são referentes a outro item, foram inseridas nos quadros comparativos do tema discutido. Para uma melhor compreensão e localização das respostas em
sua íntegra nos apêndices, as questões feitas a seguir são numeradas sequencialmente nos quadros comparativos e apontadas em qual ordem se encontram nos apêndices.
Questão 1 (número 6 dos apêndices) - Qual a quantidade e a variabilidade de materiais na qual a empresa trabalha?
Quadro comparativo relacionado à questão 1: quantidade e variabilidade de materiais
Entrevistado 1 Malha (...) e tecidos planos, basicamente viscose e algodão (...). Os apliques são em couro, swed (...), pedrarias, sianinhas, armarinhos em geral. Todos tipos de fita... sempre procurando muita cor para dar este contraste e sair do basicão.
Entrevistado 2 Como eu ofereci muita estampa, cerca de 50 variedades, as pessoas tinham muita dificuldade de escolha justamente devido a esta variedade e de uma certa forma, isso atrapalhou. Percebi que eu não precisava costurar 100 peças e que poderia trabalhar com pedidos.
Entrevistado 3 Já trabalhei com jeans, sarja, malharia, alfaiataria e em praticamente todos os segmentos de produto de desenvolvimento tanto nacional quanto importado (...) mas o que eu mais gosto de desenvolver é malharia.
Entrevistado 4 Dentre a equipe de 30 funcionários, eu coordeno 3 estilistas-chefes (um cuida do jeans, outro faz o especial: polo, camisaria, alfaiataria e moletom, e o terceiro faz camisetas). Trabalhamos com todas as variações de malha (fio 30, 40, tricô, acabamento índigo,
PT...) e como o grupo é muito próximo à Malharia Menegotti, acabamos usufruindo de
desenvolvimentos exclusivos que duram cerca de duas estações. Atualmente desenvolvemos uma malha que é fio 40, peletizada, de toque agradável, aspecto de lavado mas com cor firma que nos oferece um preço mais baixo para o aspecto que o produto oferece e tem agradado o cliente. Essas ações tecnológicas são um diferencial da Triton. No inverno vamos trabalhar com uma série de jacquard que estamos desenvolvendo agora para lançamento daqui um mês, que é um item que trabalhamos em especial na malha. Além das malhas trabalhamos também com moletons, nylon,
jeans, algodões, sarjas... um mix enorme de materiais.
Fonte: Júlia Nunes Cordeiro, 2015
Dos entrevistados, três trabalham e têm preferência em desenvolver produtos em malharia, mas buscam outras formas de fugir da normalidade da matéria-prima tão utilizada. O entrevistado 1, por produzir em pequena quantidade, investe na busca de aviamentos para fugir do básico. Já o entrevistado 4, que trabalha em indústria de grande porte, possui a vantagem da parceria da empresa na qual trabalha com uma indústria de malha que desenvolve tecnologias exclusivas. O entrevistado 4 aponta que estas ações tecnológicas são o diferencial da marca. Este tipo de investimento em experimentação de tecnologias é característico de empresas de grande porte, que devido ao ritmo de produção não priorizam a customização de seus produtos e sim a valorização da matéria-prima.
Questão 2 (número 7 dos apêndices) - Quantas pessoas participam do departamento criativo da empresa e como ele é composto?
Quadro comparativo relacionado à questão 2: departamento criativo
Entrevistado 1 Eu e uma coaching que me direciona. Fazemos juntas a pesquisa de mercado. Ela me dá uma orientação tanto na parte de moda como mercadológica e me orienta bastante. Basicamente parte de mim.
Entrevistado 2 Trabalho sozinha.
Entrevistado 3 Eu coordenava a equipe de estilo e éramos em quatro pessoas: eu como coordenadora e estilista, uma assistente que atuava como estilista também sob minha orientação, uma assistente de estilo e uma designer que cuidava das estampas e da programação visual da empresa.
Entrevistado 4 A minha equipe (criativa) é composta por 30 profissionais que engloba os assistentes, estilistas chefes da marca, do plano, da alfaiataria, do jeanswear, programadores visuais, desenvolvimento de acessórios e o pessoal da engenharia (que levam os desenhos dos estilistas para a modelagem e indicam os melhores fornecedores). Existem dois líderes, eu e a Karen, que cuidamos do masculino e do feminino, respectivamente.
Fonte: Júlia Nunes Cordeiro, 2015
Os dois profissionais entrevistados que estão inseridos em indústria do vestuário, já trabalharam muitos anos como estilistas e hoje ocupam também o cargo de líderes da equipe de criação. Acreditamos que esta é uma grande vantagem para os líderes de equipes de criação de moda: que tenham formação na área e conhecimento da importância da sincronia da equipe e da valorização dos estilistas como desenvolvedores de produtos mercadologicamente competitivos.
Não é novidade que os estilistas de ateliê trabalhem de uma forma mais solitária. Realmente, o entrevistado 2 relatou que trabalha sozinho. Entretanto, o entrevistado 1, talvez por sua experiência em indústria, afirma que por ser importante o apoio de uma consultoria orientada, sua marca conta com um direcionamento criativo e mercadológico no desenvolvimento da coleção.
O trabalho em equipe é valioso para um bom desempenho do produto. Reiter-Palmon & Illies (2004) apontam a interação do grupo como uma grande ferramenta de geração de ideias. Por mais que a equipe seja composta por duas pessoas, a busca pela resolução de problemas
torna-se mais eficiente devido a maior possibilidade de geração de alternativas para a solução de problemas. Apoiamos a opinião do entrevistado 1 pois acreditamos no caso do estilista trabalhar sem equipe, um direcionamento profissional para fins mercadológicos e criativos é essencial.
Questão 3 (número 8 dos apêndices) - No caso da equipe criativa ser composta por mais de uma pessoa, existe um líder nas decisões? Como você define a posição e o papel do líder em relação à equipe criativa?
Quadro comparativo relacionado à questão 3: posição e papel do líder
Entrevistado 3 Eu era a líder em comum acordo com o diretor da empresa e estávamos sempre muito conectados com os ideais da empresa e no objetivo do desenvolvimento. (...) Dentro do departamento de estilo e criação eu tinha total autonomia de decisões. (...) Como coordenadora eu buscava não podar as meninas com o processo criativo delas. (...) Cada uma tinha seu jeito de trabalhar e suas necessidades e eu entendo que o papel de coordenação é identificar as características de cada profissional e saber equilibrar esses perfis que são sempre bem diferentes, (...) trazer quem está mais deslocado para o rumo certo. / O papel da coordenação de criação é mais de você passar as ideias que você tem para aquela pessoa captar, aperfeiçoar, melhorar e fazer mais opções em cima dessa ideia inicial. Eu definia o tema, as padronagens de estampa, fazia um briefing e passava para as meninas, mas com total liberdade de criação baseadas na proposta da marca. / O processo criativo rendia muito devido à nossa relação, que era muito boa, e aos diálogos. Tudo isso em grande parte devido à minha autonomia de escolher os profissionais com quem iria trabalhar. (...) A união entre o potencial profissional e o perfil pessoal são essenciais. (...) Em dias que a equipe estava inteiramente desanimada, eu tinha liberdade de colocar uma música, sair com elas para ver algumas lojas no shopping (...), sempre relacionado à marca, o fato em si de sair da rotina já é um grande evento... benéfico. Ter esta possibilidade já ajudava muito. Na Siberian apesar, ou devido, ser uma empresa de porte grande, não tínhamos tanta liberdade. A disposição era em baias, com a estilista, compradora e assistentes separadas por segmento. O contato com as outras baias ficava um pouco restrito por essa disposição. As conversas eram raras e sempre bem baixinho, até mesmo pelo ambiente ser mais formal. O processo de desenvolvimento era visivelmente burocrático, o que por vezes limita a liberdade de criação. Claro que a burocracia se faz necessária no processo produtivo em que vivemos hoje, mas geralmente, quanto maior a empresa, menos flexibilidade iremos ter em relação ao processo de criação, se comparado a um ambiente como um atelier por exemplo.
Entrevistado 4 O meu trabalho na coordenação é observar se a coleção está cumprindo tudo o que pedi. (...) O meu papel é olhar por onde os estilistas estão andando e entender se eles não estão deixando buracos ali, o que muitas vezes é a hora de podar. Meu trabalho é gerenciar o trabalho deles. Na medida em que as peças vão chegando, sendo liberadas, vou analisando se está coordenado, se está conversando com o feminino se contam uma mesma história. O trabalho é um meio de campo para que a coleção funcione num todo. Fonte: Júlia Nunes Cordeiro, 2015
A questão, por se tratar de equipes de criação, foi direcionada para os estilistas inseridos em ambiente de trabalho industrial. Ambos os entrevistados dividiam a função de líder com mais uma pessoa. O entrevistado 3 dividia esta responsabilidade com o proprietário da marca. Já o entrevistado 4, devido ao grande porte da empresa, mencionou no quadro comparativo 3 (anterior) que divide esta função com outra líder, que coordena metade da equipe de criação, responsável pelo desenvolvimento do setor de vestuário feminino, enquanto o entrevistado 4 coordena a outra metade, responsável pela linha masculina da empresa. Trabalham juntos principalmente na coordenação do desenvolvimento da coleção para que haja uma maior interação entre as linhas.
O entrevistado 3 adiciona a importância da autonomia de decisões, inclusive a respeito da contratação de sua equipe, para que os perfis profissionais e pessoais estejam em sincronia com as características do restante do grupo. Saber direcionar os estilistas da equipe foi uma questão que foi levantada por ambos os entrevistados em relação ao papel do líder. Esta importância é ratificada nas palavras de Reiter-Palmon & Illies (2004), que afirmam que é papel do líder instruir sua equipe sobre a forma de se construir um problema a ser solucionado e de apresentar claramente as metas a serem atingidas e expectativa esperada do produto.
O entrevistado 3 mencionou sobre a flexibilidade de horário e local de trabalho como um importante estímulo para a equipe e apoio para estreitar os laços pessoais e, consequentemente, profissionais. Discorre, ainda, a respeito da maior empresa na qual trabalhou e como era burocrática a forma de desenvolver os produtos relacionando o tamanho da empresa com a flexibilidade de criação. Este fato foi apontado pelo estilista 4 na questão 8, que trata dos pontos positivos e negativos do ambiente de trabalho, no caso, indústria, no qual aponta que o principal ponto negativo de criar em indústria é justamente o tamanho da empresa.
Questão 4 (número 9 dos apêndices) - Em relação ao processo criativo, descreva como você o executa individualmente.
Quadro comparativo relacionado à questão 4: processo criativo individual
Entrevistado 1 Meu processo criativo sempre parte de alguma música ou alguma vivência (...). A música é só o início, depois a história vai se desenrolando. Busco os materiais que podem compor essa imagem ao redor.
Entrevistado 2 Normalmente tenho insights à noite e então eu desenho. Mas aí vou procurar as estampas e elas não são o que eu desenhei. Certas modelagem vêm a partir da estampa e não ao contrário. (...) As estampas decidem muito o que querem ser.
Entrevistado 3 (...) quando se está em início de carreira, não se tem muita ideia de como trabalhar o processo criativo e quando se nasce com algo seu, se acredita que é normal... que todo mundo tem. (...) Nem toda empresa proporciona a possibilidade de exteriorizar sua criação. Empresas que trabalhei que praticamente não existia criação, só cópia, devido ao ritmo frenético de trabalho. Coleções de uma semana tornam impossível criar 40 modelos em um dia. Modelos novos exigem testes e adaptações até ele se tornar ideal para um produto final. A cópia pula todas essas etapas de teste, o próprio tecido copiado já assegura um ganho de tempo por economizar nas pesquisas de padronagens. (...) Até marcas próprias copiam por também precisarem de tempo e diminuir o tempo de desenvolvimento. Enquanto os fastfashions da loja já vão direto para o consumidor, o atacado ainda precisa passar pelo representante antes da loja e do consumidor final. O desenvolvimento precisa ser de um tempo muito menor do que o próprio fastfashion. Hoje quem mais corre atrás de economia de tempo, mais mesmo que os próprios
fastfashions são as marcas. O formato como as marcas trabalham, com representantes,
envio de pedidos, solicitação de produção, exige cerca de 6 meses, quando não um ano! Neste tempo, a peça já está na Zara, em todas vitrines de fastfashions. O mercado da moda está vivendo esta grande crise, de competitividade de tempo, inclusive tempo de desenvolvimento e prazos de entrega. Neste contexto, o processo criativo tenta sobreviver. (...) O meu processo criativo como estilista sempre foi limitado ao que a empresa pudesse me oferecer, mas é claro que quando a gente nasce com esse dom, as ideias brotam, mesmo que com maior dificuldade. Em empresa que não é permitida nem uma viagem de pesquisa, a estilista conta mais com sua vontade de criar do que com ferramentas disponibilizadas pela empresa. (...) Nós estilistas somos abastecidos com informações que nada tem a ver com moda, são muito mais artísticas, como um filme, documentário, entrevistas, insights que ocorrem na rua. (...) Quando comecei a trabalhar vi que o normal seria a empresa ter o incentivo à pesquisa, viagens, sites pagos. (...) O mercado brasileiro de moda mudou muito nos últimos anos, em grande parte, devido ao surgimento das redes de fastfashion. Antes desta globalização e competição por preços, existia uma grande divisão entre marcas famosas como Levi’s, Zoomp e etc. com preços altos e muitas vezes inacessíveis ao grande público e marcas
menos conhecidas. Existia uma supervalorização do produto, e o público, leigo, associava o preço à qualidade. Alguns empresários notaram isso e criaram suas próprias marcas, por isso a maioria das confecções brasileiras é de origem familiar, com esposa, marido, nora, filho... Foi mais uma visão da oportunidade em se construir um patrimônio, do que a construção de uma marca baseada em estudos de moda e processos criativos. Estas empresas ganharam força ao produzir e vender produtos copiados de revistas, pois estamos falando de uma época em que a internet ainda nem era uma realidade presente no nosso dia-a-dia. Assim, a indústria de moda à que temos acesso atualmente foi sendo construída em sua grande maioria por estas empresas, onde a cópia era a principal ferramenta utilizada no desenvolvimento de produto.
Entrevistado 4 Primeiramente, eu acho que um criador está em um eterno processo de criação. Tudo que você está vendo e acontecendo são registros e eles apontam no seu exercício de trabalho. (...) No trabalho, eu trago algum insight, alguma ideia inicial e converso com a Karen. (...) Os estilistas estão lá colorindo, finalizando, aviamentando e nós estamos começando a falar de primavera (tema, cor, vontades), um primeiro minuto mais entre nós (eu, Karen e Luciana) onde buscamos pensar em como passar isto para o time que aí então eles começam a nos trazer coisas.
Três dos entrevistados mencionaram que as ideias surgem de insights, termo considerado sinônimo de intuição. Os entrevistados 1 e 2 relacionaram o primeiro desenvolvimento criativo com a busca por materiais, algo curioso provindo destes dois entrevistados, já que eles são os profissionais que trabalham em ateliê e vão a campo em lojas para buscarem inspirações. Esta flexibilidade de trabalho é característica dos profissionais autônomos proprietários do próprio negócio, aspecto comum entre eles.
O entrevistado 3 menciona a dificuldade de aplicar a criatividade em processos criativos industriais para estilistas recém chegados no mercado de trabalho. Esta foi a questão que culminou no desenvolvimento desta pesquisa, justamente a dificuldade da pesquisadora de desenvolver produtos em ambiente de manufatura de vestuário. Esta não é uma dificuldade única, é particular, segundo o entrevistado, de muitos novo estilistas inseridos na indústria.
O entrevistado esclarece que, como forma de otimizar o tempo do desenvolvimento de produtos, muitos estilistas e empresas optam pela cópia, solução a curto prazo em resposta à necessidade das marcas de acompanharem a velocidade de produção e de desenvolvimento de coleção das empresas de fast fashion, modelo de produção resultante da globalização. Devido à necessidade desta temática, os assuntos relacionados foram abordados nos subitens 2.1.3 e 2.1.4 desta pesquisa.
A função do líder da equipe em escolher o tema da coleção por meio de seu processo criativo individual e apresentá-lo da melhor forma possível para a equipe, conforme o entrevistado 4 explica, foi mencionado pelo entrevistado 3 no quadro comparativo 4. Estudiosos do tema liderança como Reiter-Palmon & Illies (2004) e Maximiano (2006), acreditam que os líderes podem trabalhar como facilitadores de uma produção criativa por meio de diversos mecanismos motivadores para seus empregados. O entrevistado 4 confirma esta afirmação ao relatar que, em reunião com a outra líder, buscam a melhor forma de apresentar o tema para a equipe. Por esta relevância do posicionamento do líder como motivador da equipe, o assunto foi discutido no subitem 3.3.1 desta pesquisa.
Questão 5 (número 10 dos apêndices) - No caso do departamento criativo ser composto por mais de uma pessoa, descreva o processo criativo executado em equipe.
Quadro comparativo relacionado à questão 5: processo criativo em equipe
Entrevistado 3 Eu dava a liberdade para cada uma criar, fazer sua própria pesquisa, processo criativo, justamente por eu ter sido muito podada eu busco sempre dar muita liberdade. (...) Eu captava os principais temas e tendências da estação e buscava uma veia diferenciada
do que provavelmente as outras marcas iriam seguir, tentava fazer algo diferente dentro da nossa identidade. (...) É importante a coordenação conversar tanto com estilistas quanto com designers antes de definir as diretrizes da coleção, para que eles também sejam um canal de criação desde o início. A troca de ideias é sempre muito boa, rende frutos e nisso vamos melhorando e chegando a um produto ideal, que agrada todo mundo, tornando ainda mais certa a porcentagem de venda da coleção. (...) O processo criativo é muito moldado de acordo com a empresa na qual eu trabalho.
Entrevistado 4 Em muitas vezes um tema vira uma coisa completamente diferente. O tema do inverno passado, nós começamos a falar de bruxaria e começamos a falar de doces também (João e Maria) para o tema não ficar tão denso devido a questões comerciais e de