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IIL RULES AND DISTRIBUTIVE JUSTICE?

Um Hospital é um edifício com caraterísticas próprias para internamento e tratamento de utentes doentes ou feridos. Os primeiros hospitais a surgir eram locais onde as pessoas, com doenças graves, iam para terminar a sua vida. Atualmente, os hospitais são conhecidos como edifícios complexos, com diversas especialidades médicas, sendo o seu principal objetivo o tratamento de pessoas doentes (Oliveira, 2010).

O estudo dos hospitais no que respeita à avaliação ao impacte ambiental é de extrema importância, visto que estes edifícios, são grandes consumidores de recursos e energia, bem como grandes produtores de resíduos. Tal facto deve-se às funções que estes edifícios desempenham, pois estes necessitam de grande quantidade de energia para aquecimento e arrefecimento e para operações dos seus equipamentos. Além do uso excessivo de energia, é necessário focar outros aspetos, tais como, a utilização de recursos renováveis e não renováveis, substâncias tóxicas, produtos descartáveis e, como consequência, a produção de vastas quantidades de resíduos (Castro, Mateus, Bragança, 2012). Estes edifícios são empreendimentos que implicam grandes investimentos na sua construção, compra de equipamentos adequados e na sua manutenção (Martins, 2004).

A sustentabilidade nos edifícios de saúde está a ganhar maior atenção nos últimos anos. Em contrapartida, os hospitais ainda não apresentam condições para que os seus

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pacientes se sintam confortáveis, não apresentando ainda uma alta qualidade de desempenho e um menor consumo de energia. Assim, com o aparecimento do termo da sustentabilidade ligada à saúde, surge a necessidade de melhorar os serviços de saúde existentes, tais como minimização da produção de resíduos, o consumo de energia, o impacte ambiental, entre outos. (Sheth, Price e Glass, 2012).

Os edifícios hospitalares são únicos quando comparados com outros edifícios. Tal demonstra-se facilmente, uma vez que um hospital corresponde à junção de muitos tipos de usos. Estes incorporam escritórios, laboratórios, restauração, transporte, depósitos, alojamento, entre outros. Deste modo, conclui-se que este tipo de edifício é altamente complexo pela incorporação de todos estes tipos de construção (Grant, Mohammed, 2012).

Estudos efetuados revelam que os edifícios hospitalares consomem, por metro quadrado, cerca de dez vezes mais que um edifício de escritórios com laboratórios de investigação. Além disto consomem mais eletricidade, por ano, que qualquer edificação em Portugal (Castro, Mateus e Bragança, 2012).

Em Portugal, observa-se um consumo de água e energia bastante elevado por parte destes edifícios, sendo que este consumo é ainda mais gravoso quanto mais antigo o hospital. O aumento da dimensão dos hospitais e consequente aumento de camas traduz- -se num aumento do consumo da água e de energia por cama e por dia (Figura 4) (Fernandes, 2008).

Figura 4 – Consumo de água e eletricidade por cama e por dia nos hospitais (adaptado de Fernandes, 2008)

< 300 camas 300-600 camas > 600 camas

Consumo de água (l/(cama.dia)) 312 335 367

Consumo de Eletricidade (kWh/(cama.dia)) 228 241 261

0 50 100 150 200 250 300 350 400

13 O consumo excessivo deste recurso explica-se com as pressões económicas, as quais conduzem à necessidade de hospitais com maior capacidade e com maior eficiência para atendimento dos pacientes (Ferreira, 2009).

Na Figura 5 apresenta-se o consumo de água, obtido a partir da análise de sete hospitais aleatórios, dos diferentes setores que constituem estes edifícios.

Figura 5 – Consumos de água dos diferentes setores dos edifícios hospitalares (Ferreira, 2009)

Como se pode observar o maior consumo de água verifica-se nos dispositivos sanitários e nos sistemas AVAC.

Atendendo a estes factos, países como o Reino Unido, estão a estudar medidas de minimização do impacte ambiental dos serviços de saúde. Assim, o Ministério da Saúde do Reino Unido desenvolveu um conjunto de metas com o objetivo de minimizar os impactes ambientais deste tipo de edifícios, tais como (Domingo, Osmani e Price, 2010):

 Redução do consumo de energia primária de cerca de 15%;

 Redução de cerca de 60% das emissões de dióxido de carbono (CO2) até 2050

(com inicio no ano de 1990);

 Reduzir o consumo de energia em cerca de 20% até 2020, utilizando 26 a 32% de energias renoveis;

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 Minimização dos resíduos e reciclagem.

Assim, a Figura 6, relaciona a saúde humana e a poluição do ambiente, sendo este o fator que afeta mais diretamente a saúde humana (Castro, Mateus e Bragança, 2012).

Figura 6 – Relação entre a poluição ambiental e a saúde (Robert, Guenther, 2006) Deste modo, a ASHE (American Society of Healthcare Engineering) sugere um desenvolvimento arquitetónico e construtivo com o incentivo de melhorar as preocupações com a saúde em três dimensões (ASHE, 2002):

1. Proteger a saúde dos ocupantes dos edifícios, tal proteção é efetuada repensando a qualidade do ambiente interior dos edifícios, através da adequada escolha da ventilação, iluminação, materiais de construção, entre outros;

2. Proteger a saúde da população circundante, tendo em atenção a qualidade do ar e da água local, a qual pode ser afetada pela construção, pois os materiais, equipamentos e sistemas AVAC produzem compostos orgânicos voláteis, partículas e outro tipo de substâncias que podem provocar problemas de saúde;

15 3. Proteger a saúde da população global e os recursos naturais, pois a produção dos materiais de construção pode libertar compostos tóxicos, cancerígenos, entre outros, os quais se estendem para os locais para onde os materiais são produzidos.

A ASHE propõe ainda a utilização de algumas práticas a aplicar no processo de projeto de edifícios sustentáveis (ASHE, 2002):

 Projetos integrados de conceção, com o objetivo de alcançar um projeto eficiente e sustentável. Para tal é necessário a comunicação entre as entidades intervenientes, otimizando assim todo projeto do edifício;

 Local do Projeto, a implantação de um projeto em determinado local provoca perturbações, as quais consequentemente afetam a saúde do ecossistema local. A boa localização do edifício promove a integridade ecológica;

 Água, com o objetivo da utilização eficiente da água, desenho de estratégias de qualidade e quantidade de água;

 Energia, redução significativa da energia, que se traduz numa redução do custo de energia, avaliando a possibilidade da utilização de energias renováveis e de melhorar a qualidade do ambiente interior;

 Qualidade do ambiente interior, proporcionando ambientes mais confortáveis, eficientes e não tóxicos aos pacientes, resultando simultaneamente numa melhor produtividade para os trabalhadores;

 Materiais e produtos, utilização de materiais mais sustentáveis, verificando as suas especificações técnicas, melhorando deste modo, o desempenho ambiental do edifício e o conforto dos pacientes;

 Práticas de construção, desenvolvimento do projeto sustentável, tendo em atenção os materiais, a qualidade do ambiente interior, a minimização de resíduos, entre outros;

 Comissionamento, a formação de comissões garante a todos os utilizadores e proprietários que todos os equipamentos estão a funcionar corretamente;

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 Operação e Manutenção, garantia e eficiência que se traduz no aumento do ciclo de vida dos edifícios;

 Inovação, incentivo à utilização de novas práticas e tecnologias de construção. Segundo alguns autores os objetivos a acalçar com as políticas de construção de edifícios hospitalares sustentáveis são, entre outras (Castro, Mateus e Bragança, 2012):

 Melhorar a eficiência do atendimento e tratamento dos pacientes;  Minimizar o tempo de recuperação do doente;

 Aumentar a produtividade e operacionalidade das funções;

 Proporcionar qualidade de trabalho aos funcionários, com o objetivo da sua fixação no local de trabalho, aumentando assim a confiança dos pacientes;  Implantar sistemas que proporcionem boa qualidade do ar interior e exterior;  Aumentar o ciclo de vida do edifício;

 Aplicar medidas eficientes para a redução de custos de manutenção, operação e construção.