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As novas gerações apresentam grande facilidade no domínio e na inserção dessas tecnologias nos seus processos diários, pois vivem cercadas de novidades tecnológicas desde seus primeiros dias. Nesse aspecto, concordamos com Kenski quando, ao tratar das transformações nas formas de ensinar a aprender, diz:

Essas transformações ecoam com maior força no comportamento das novas gerações (principalmente entre crianças e jovens que nasceram a partir dos anos 90 e que convivem naturalmente com computadores e redes) e suas relações com a educação. Como diz Don Tapscott, há um “generational lap” na atualidade que coloca a hierarquia do saber de pernas para o ar. As crianças são, pela primeira vez, autoridades especialistas em algo central. (KENSKI, 2007, p. 49).

Para acompanhar essas transformações, o profissional do magistério precisa estar atento a esse "boom" tecnológico e preparado para enfrentar as novidades com as quais se depara constantemente.

Essa ruptura nas hierarquias de poder em relação ao acesso e processamento das informações é característica da internet e atinge diretamente as maneiras formais de treinamento e aquisição de conhecimentos. Cada vez mais, é preciso que haja uma nova escola, que possa aceitar o desafio da mudança e atender às necessidades de formação e treinamento em novas bases. (KENSKI, 2007, p. 51).

A maioria das ciências tem gradativamente aumentado a utilização dos recursos e descobertas da tecnologia como ferramenta útil e fundamental em suas atividades. Impressiona como a utilização de novas tecnologias possibilitou o avanço da Medicina, da Engenharia, da Física e

da Robótica, entre outras áreas de conhecimento. Os conhecimentos básicos de muitas dessas profissões podem ser conseguidos através de interações, possíveis graças às novas realidades virtuais, por exemplo. Nas salas de aula, entretanto, percebe-se que essas tecnologias nem sempre são bem-vindas. Em muitas escolas brasileiras, seja pela falta de conhecimento ou de domínio, a efetiva incorporação das novas tecnologias pelos processos educacionais ainda sofre, em contraposição ao que citamos anteriormente, pelo vagar com que os professores, de forma geral, as estão utilizando.

E, ainda, mais importante, um professor que queira adquirir alguma competência para o uso das novas tecnologias na Educação precisa abrir-se para uma nova visão do papel do docente, reencontrar o educador dentro de si e se fazer um mediador, reconhecendo os novos recursos como instrumentos de comunicação e representação do conhecimento, que devem servir para facilitar a aprendizagem. Nossas orientações e exemplos podem servir como um ponto de partida para entender tal mudança de papel.

A internet proporciona o acesso a dados e comunicação para milhões de pessoas em todo o mundo. O desafio que se impõe a nós, educadores, é integrar o uso da internet na Educação como instrumento de construção do conhecimento, ampliando as possibilidades de experimentação. (ABAR e BARBOSA, 2008, p. 12).

A maioria dos professores apresenta um grau de envolvimento muito pequeno com a tecnologia nas suas atividades escolares e, em muitos casos, ela ainda é vista com muita relutância ou desconhecimento. Isso gera uma utilização substancialmente menor do que aquela demandada pela velocidade de integração da tecnologia ao cotidiano do homem e da sociedade.

Os educadores precisam compreender as especificidades desses equipamentos e suas melhores formas de utilização em projetos educacionais. O uso inadequado dessas tecnologias compromete o ensino e cria um sentimento aversivo em relação à sua utilização em outras atividades educacionais, difícil de ser superado. Saber utilizar adequadamente essas tecnologias para fins educacionais é uma nova exigência da sociedade atual em relação ao desempenho dos educadores. (KENSKI, 2003, p. 5).

É fundamental que, além de se apropriar da tecnologia, o professor saiba como direcionar o seu uso, bem como o dos seus recursos. Entendê- los e dominá-los é o primeiro passo para utilizá-los com sucesso. A subutilização, ou a utilização equivocada pode ser mais prejudicial do que não incorporá-la ao processo educacional. Conhecer a ferramenta permite ao professor explorar todas as suas potencialidades. Utilizar os recursos tecnológicos é mais do que fazer pesquisas on-line ou resolver exercícios tradicionais, utilizando computadores e calculadoras (BORBA e PENTEADO, 2001).

Uma das principais características dos recursos tecnológicos é a de que eles favorecem a experimentação de algumas atividades, o que permite tirar conclusões, fazer análises, conjecturar e, assim, produzir o conhecimento.

O lápis e o papel moldam a maneira como uma demonstração em Matemática é feita; a oralidade realiza processo análogo quando uma ideia é amadurecida; e um software gráfico, ou uma planilha eletrônica qualquer que gera tabelas e gráficos, pode transformar o modo como determinado assunto, ou como um tópico específico, no contexto a Matemática, por exemplo, é abordado.

A título de ilustração, podemos destacar o trabalho de Benedetti (2003), que, ao utilizar um software gráfico, permitiu que estudantes elaborassem conjecturas sobre funções de um modo que não é usual na 8ª série. ... Em comum nesses estudos, e em um grande universo de outros trabalhos, é o fato de o aluno não só ouvir o professor, ou escrever a resolução de um exercício ou demonstrar um resultado. Ele faz isso também, mas essas atividades são precedidas de experimentação, com auxílio das tecnologias, quase no mesmo sentido que um aluno faria um experimento em uma aula de Ciências Naturais. Em alguns dos casos, as atividades são também seguidas de verificações ou elaborações de novos problemas em que as mídias informáticas participam ativamente. (BORBA, MALHEIROS e ZULATTO, 2007, p. 87).

Nesse sentido, as novas tecnologias podem se constituir em excelentes instrumentos, uma vez que permitem a realização de atividades educacionais para todos que com elas interagem como usuários, desde que estejam convictos de que é a qualidade das interações que definirá as possibilidades e os limites desses instrumentos no processo educativo (SILVA FILHO, 2000).

Ao utilizarmos atividades para interagir com os fazeres e dizeres dos usuários, ouvindo o que eles têm a dizer, colocando a diversidade de referências existentes, vivendo com elas sua extensão e validade, explicitando limites e contradições da convivência com os outros, crescem as possibilidades oferecidas pelo computador. Entretanto, para que nos beneficiemos dessas possibilidades é necessário que os aspectos pedagógicos a elas relacionados sejam observados.

Além disso, como dispositivo material, o computador impõe um conjunto de exigências que vão exigir transformações apropriadas, e que facilitem a implementação da representação escolhida. Balacheff (1994) falou de transposição informática para designar o trabalho sobre o conhecimento, que permite sua representação simbólica e o desenvolvimento dessa representação num dispositivo informático. No contexto das Tecnologias de Informação e Comunicação Aplicadas à Educação, essa transposição é importantíssima e significa de fato uma contextualização do conhecimento, contextualização essa que pode ter consequências importantes sobre os resultados das aprendizagens. (ALMOULOUD, 2007, p. 5).

Levando esses e outros aspectos em consideração, vários trabalhos têm sido desenvolvidos e apontam no sentido de que a utilização de computadores em processos educacionais pode ser de grande valia, auxiliando o desenvolvimento de novas estratégias pedagógicas e novas abordagens educacionais.