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Answering questions about program crashes

10.3 RQ3: How should crashes be fixed?

Mendelsohn (1968) defende que a comunicação de massa pretende persuadir as pessoas e não apenas educar, já que a educação não tem a intenção de alterar comportamentos. E conclui que para se ter êxito nos esforços de comunicação na área da saúde pública é necessário recorrer a educação e persuasão.

Rothschild (1999) considera que a gestão do comportamento público na área da saúde assenta fortemente em educação e legislação negligenciando a filosofia do marketing e da troca. E defende que influenciar os estilos de vida pode ser mais frutífero para melhorar a saúde e reduzir os custos com cuidados de saúde do que o tratamento da doença. Demonstra ainda a relevância do marketing em conjunto com educação e legislação, reconhecendo que cada ferramenta tem os seus pontos fortes, fracos e oportunidades para aplicação nesta área, defendendo que cada abordagem apresenta vantagens e desvantagens e que deve ser aplicada com a intenção de desempenhar papel relevante na intervenção.

Snyder e Hamilton (2002) concluíram da sua metanálise que as campanhas que apelavam a consequências legais eram mais de 3 vezes mais eficazes do que as campanhas que se basearam apenas em mensagens persuasivas. E determinam ainda que apenas a legislação, na ausência de campanha de media, era menos eficaz do que a combinação da lei com a campanha.

Mulgan (2010) advoga que informação e educação são ferramentas ineficazes para persuadir os indivíduos a mudarem os seus comportamentos e que a persuasão racional tem pouco impacto sobre hábitos arraigados, especialmente se eles envolvem forte pressão dos pares ou um vício. E defende que os comportamentos podem mudar de formas

fundamentais, mas geralmente através da interação de incentivos, informação, pressão de pares e alterações no ambiente.

Em conclusão, a literatura evidencia que cada problema terá uma abordagem mais adequada à sua resolução, mas deve sempre considerar-se que a combinação de esforços, com recurso a mais do que uma abordagem, cada uma desempenhando o seu papel, é, frequentemente a via mais eficaz na promoção de comportamentos de saúde positivos. No entanto, deve recordar-se que a metanálise de Snyder e Hamilton (2002) conclui que as intervenções de comunicação que incluem mensagens de coação (legislação) têm um efeito maior sobre o comportamento. Na verdade, campanhas que incluem mensagens de obrigação legal têm mais sucesso do que as que não têm, uma vez que conseguem despoletar mudança em 17% do grupo-alvo (Snyder, 2001).

A prática de persuasão tornou-se mais profissional, com mais conhecimentos teóricos sofisticados, e tecnologias aplicadas empiricamente testadas. Existe claramente uma responsabilidade social substancial que acompanha a posse de poder para persuadir (Pollay, 1989).

No entanto, não deve ser excluída a hipótese de, no futuro, os estados poderem recorrer a legislação com a intenção de beneficiar o consumo de determinados alimentos e penalizar outros (Snyder, 2007).

Esta situação é já evidente em Portugal, que tem já vindo a implementar algumas medidas legislativas com a intenção de melhorar o ambiente em que se realizam as escolhas de produtos alimentares, designadamente, estabelecendo limites máximos do teor de sal no pão5, tributando as bebidas adicionadas de açúcar6, criando o Programa Nacional de Educação para a Saúde, Literacia e Autocuidados7, cuja intenção reside na promoção da

capacitação dos cidadãos para tomar decisões informadas sobre a saúde, bem como a Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável. No dia 29 de Dezembro de

5 Fonte: Diário da República Eletrónico, Lei nº 75/2009, de 12 de Agosto.

6 Fonte: Diário da República Eletrónico, Lei n.º 42/2016, de 28 de Dezembro, que aprovou o

Orçamento do Estado para 2017.

7 Fonte: Diário da República Eletrónico, Despacho n.º 3618-A/2016, publicado no Diário da República,

2017, foi publicada em Despacho (nº11418/2017)8 a Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável (EIPAS)9, pela DGS, resultado de um trabalho interministerial (Finanças, Administração Interna, Educação, Saúde, Economia, Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e Mar) que teve por base documentos estratégicos da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Comissão Europeia (CE) na área da promoção da alimentação saudável, os dados mais recentes produzidos pelo Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, bem como outros estudos recentes na área. A estratégia define propostas de intervenção e propõe metas em quatro áreas: (1) modificar o meio ambiente onde as pessoas escolhem e compram alimentos, através da modificação da disponibilidade de alimentos em certos espaços físicos e promoção da reformulação de determinadas categorias de alimentos; (2) melhorar a qualidade e acessibilidade da informação disponível ao consumidor, de modo a informar e capacitar os cidadãos para escolhas alimentares saudáveis; (3) promover e desenvolver a literacia e autonomia para o exercício de escolhas saudáveis pelo consumidor; (4) promover a inovação e o empreendedorismo direcionado à área da promoção da alimentação saudável. Pedro Graça10 considera que a EIPAS é um dos mais importantes documentos na área da saúde pública em Portugal. No dia 10 de Abril de 2018, este documento constava do blog Nutrimento mas não do site alimentação saudável da DGS. Portugal já implementou várias ações, nas quais se incluem: (1) definição de parâmetros sobre disponibilidade de produtos alimentares em instituições públicas de cuidados de saúde; (2) implementação de taxa de açúcar em bebidas açucaradas; (3) implementação de acordo com o sector da indústria alimentar para reformulação dos produtos (em desenvolvimento); (4) desenho de proposta de modelo interpretativo dos rótulos alimentares; (5) melhoria da qualidade nutricional dos programas de solidariedade para grupos de baixo rendimento e (6) regulamentação do marketing de produtos não saudáveis dirigidos a crianças (Graça et.al, 2018).

8 Disponível em https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/114424591/details/normal?q=EIPAS 9 Disponível em https://www.sns.gov.pt/wp-content/uploads/2017/07/Estratégia-integrada-para-a-

Promoção-da-Alimentação-Saudável.pdf

10 Bolsa de Especialistas, Visão online, 3 de Fevereiro de 2018. Disponível em

http://visao.sapo.pt/opiniao/bolsa-de-especialistas/2018-02-03-Uma-estrategia-alimentar-para- Portugal