Funksjonell gruppe: Aminosyrer, deres salter og analoger
EC 3.1.3.8 (ROVABIO PHY
Antes de iniciar o diagnóstico desta situação cabe explicitar que, conforme Santos (2012) “o diagnóstico é um procedimento que visa recolher, tratar, analisar e dar a conhecer informação pertinente” (p.05), devendo ser “completo”, “claro”, “preciso” e “oportuno” (Ander-Egg & Aguilar, 2007, p.28).
Não se fazem diagnósticos por fazer, mas sim porque “é necessário conhecer para agir com eficácia” (p.16), compreendendo “os problemas com vista à acção” (Ander-Egg & Aguilar, 2007, p.17).
Portanto, o diagnóstico a seguir apresentado foi elaborado com base nas técnicas de
World Café9 e Focus Group10.
Como já foi indicado anteriormente, os participantes evidenciaram várias vezes a necessidade e o desejo que sentem de colaborar com os outros. Mencionaram também a questão da não-aceitação completa do indivíduo pelo outro, como por exemplo a forma de vestir, em que “muitas pessoas ainda não respeitam as escolhas/diferenças dos
outros”. Porém é de extrema importância “respeitar as escolhas dos outros, respeitar as diferentes raças”, visto que “as diferenças encaram-se respeitando todos”.
9
Consultar Anexo 2.1 - Regras/Normas World Café EPGE Queluz, p.305
Anexo 2.2 - Questões Várias Mesas, p.308 Anexo 2.3 - Fotografias da Sessão, p.312
Anexo 2.4 – Análise de Conteúdo dos dados recolhidos WC, p.314
10
Consultar Anexo 3.1 – Guião Focus Group 1, p.323
Anexo 7.3 – Transcrição do 1ºFocus Group; Recorte e Codificação, p.378 Anexo 3.2 - Análise de Conteúdo dos dados recolhidos FG1, p.327
Para estes jovens uma das formas de melhorar estas questões passa por “saber ouvir e
respeitar as opiniões dos outros” e isso dá a oportunidade de as pessoas conhecerem as
“variadas personalidades”, em que “as pessoas vão-se conhecendo ao longo do tempo”. Quando se falou sobre a comunidade, caracterizaram-na como “impulsiva, cheia de
ideias, com vários tipos de pensamento e maneiras de ser”, onde “existem vários tipos de pessoas, desde bebés até à geração idosa”. Uma “comunidade onde existem várias personalidades, várias opiniões e várias raças” e em que “existem pessoas com mais necessidades que outras”.
Quando lhes foi proposto, no Focus Group, identificarem na comunidade aquilo que consideravam ser potencialidades; interesses e desejos; necessidades e problemas; instituições/ locais de intervenção, apresentaram as seguintes características:
Potencialidades:
-“rotina”, uma vez que as “pessoas todas criam uma rotina” e isso “por vezes é
bom”;
-“pessoas”, dado que “uma comunidade é feita por pessoas” que “são pessoas
muito parecidas, que tem a mentalidade muito parecida” e isso pode ser positivo;
-“bloqueadas”, porque “as pessoas são bloqueadas, todos nós somos
bloqueados, mas de certa maneira… há uma vantagem nisso. Se nós não fôssemos dessa maneira bloqueados não evoluíamos tanto, não tínhamos tanta evolução em termos de arte, e por aí fora… Por isso acho que é uma potencialidade”.
Interesses e desejos:
-“unida”, pois esta comunidade “é unida através dos mesmos pensamentos, ou
seja, vai à escola, trabalha, arranja um emprego, cria família, casa, não sei quê… Nós fomos…espécie de...moldados e temos todos o mesmo pensamento. Ou seja a nossa mente está toda unida, é sempre a mesma coisa. Vais à escola, tens que casar, arranjar família, trabalhar, morrer e pronto”.
Necessidades e problemas:
-“mais espaços de convívio”, dado que “os velhotes estão habituados é café,
banco de jardim, café, casa. E basicamente isso não traz nada para eles”, daí ser uma
-“animação na rua”, criando “actividades com os idosos, com as idosas, porque
muita gente quando aproveita assim uma aula ao ar livre, se formos ver, é só idosas que lá estão, porque elas gostam de se mexer, gostam…gostam de ter o seu espaço, como era antes” e isso permitiria os idosos realizassem outras actividades;
-“mais solidariedade” (existir mais), “porque muita gente vê uma idosa, por
exemplo, precisa de ajuda, deixa cair um saco e tipo, o que faz simplesmente é virar a cara, em vez de ir lá ajudar”;
-“desemprego”, visto que “há muita gente desempregada, e portanto eu acho
que é um problema”;
-“trabalhadora, empenhada”, “só pelo simples facto de as pessoas terem de
trabalhar para poder sobreviver”, uma vez que trabalhar não é prazer, a não ser que se
faça aquilo que se gosta;
-“falta de respeito”, pois “esta comunidade tem muita…”, “as pessoas
desrespeitam-se umas às outras”. “Aquilo que vejo, aquilo que vi não é bom, não gostei e por mim não volta a acontecer… Porque simplesmente é uma falta de respeito. Uma pessoa ou várias serem menos capacitadas que eu, isso dá o direito a desrespeitar? Não…não dá!”;
-“preconceito” “porque as pessoas não se respeitam. As pessoas julgam as
outras… Também há muito racismo. Eu acho que isto é um problema”;
-“idosos”, dado que “há mais idosos que crianças, acaba por ser um problema”; -“diversidade”, uma vez que “na comunidade, é preciso ter…acho que é bom ter
pessoas diferentes, se fôssemos todos iguais não metia piada… raças diferentes, costumes diferentes, acho que isso numa comunidade é uma necessidade”, no sentido
de que isso tem de continuar a ser trabalhado para que continue a existir.
Instituições/ locais de intervenção:
Os jovens identificaram instituições e/ou locais de intervenção com alguns públicos- alvo apresentados abaixo:
-Crianças: “Jardim de Infância não é mau pensado”; “Hospital Amadora-
Sintra”; “Lar de acolhimento” (Casa de Acolhimento de Tercena); “Jardim de Queluz, Jardim de Infância do Pendão, o do Centro Social de Queluz”;
-Idosos - “Centro Social de Queluz”; -Sem-abrigos - “Terreiro do Paço”;
-Saúde - “acho que essa das unidades de saúde (…) não é mau pensado”.
Ao abordar-se propostas de projectos/actividades concretas foram identificadas propostas para a comunidade escolar e para a comunidade exterior à escola.
Relativamente à comunidade escolar referiram:
-“viagens de finalistas”, “campanha contra o bullying, a discriminação e o
preconceito” e o “dia da alimentação intercultural” com o objectivo de “aprofundar o conhecimento dos alunos”.
-“fazer uma palestra sobre as diferenças” com objectivo de deixar “as pessoas a
reflectir sobre isso”.
Todas estas actividades que poderiam constituir “um projecto, divulgando pelas
turmas/escola/professores para que chegue ao director”.
No que diz respeito à comunidade exterior à escola mencionaram o “voluntariado”, a “recolha de bens necessários” e a “distribuição de alimentos” bem como “ajudar no
banco alimentar” e “peça de teatro”.
Essas acções seriam para e com os “bombeiros de Queluz”, os “canis”, os “idosos” e os “sem abrigos”, com o objectivo principal de “ajudá-los a ter uma vida mais completa” e a peça de teatro seria para “ajudar uma instituição” a definir.
Foi mencionado que se podia fazer “actividades ao ar livre” e “exercitar dinâmicas” para e com “idosos”, “órfãos/sem abrigos” e “pessoas de deficiência motora” para “poderem sair de casa”, principalmente os idosos.
Também referiram que era importante “mostrar as várias culturas que existem na
escola, podendo assim demonstrar à comunidade que a diferença nem sempre é uma coisa negativa como julgam”.
Fizeram alusão a outras actividades como “realização de uma exposição de ginástica”, “exposição de arte” e “fazer dinâmicas” com objectivos de promover “uma auto-
confiança às pessoas que tem medo de tentar” e “exprimir alegria e decorar”, porém
não foi especificado se seria para comunidade escolar ou exterior.
Assim, “através de projectos” (…) poder-se-ia “mostrar que a diferença não é uma
Deste modo, este projecto surgiu da necessidade de sensibilizar e consciencializar os indivíduos para o acolhimento do outro, tal como ele o é, numa perspectiva de aprendizagem mútua e benefícios para ambos. Porém, questionámo-nos sobre quem deveriam ser os primeiros sensibilizados e consciencializados para esta problemática. As crianças? Os adultos, que por sua vez educam as crianças? Os idosos, que com a sua sabedoria transmitem muito dos valores aos seus descendentes? Os jovens?
Inicialmente pensámos nas crianças, uma vez que estão em fase de crescimento e estão disponíveis/ mais receptivos a aprender. No entanto, como não foi possível viabilizar essa ideia, começámos a pensar em trabalhar com os jovens da comunidade escolar que também necessitavam de ter mais experiências relacionadas com a diversidade, numa perspectiva de aprendizagem.
É relevante referir que estes jovens estão numa fase em que a identidade está em construção, pois como afirma Maalouf (2009) “a identidade não é algo que nos seja entregue na sua forma inteira e definitiva, ela constrói-se e transforma-se ao longo da nossa existência” (p. 33), e assim seria uma forma de contribuir para a identidade destes jovens.
Este projecto pretendeu seguir duas vertentes:
-uma primeira em que se trabalharia em conjunto com estes jovens participantes, na preparação de um plano de acção a realizar com a comunidade escolar, onde estes também seriam receptores de todas as aprendizagens;
-uma segunda em que se poria em prática o plano de acção com a comunidade escolar.
É relevante mencionar uma questão bastante salientada pelos jovens participantes, a da importância de realizar pequenas acções concretas, mas interligadas, com objectivos específicos, que farão a comunidade escolar pensar e reflectir sobre esta problemática. Desta maneira, que num futuro próximo aconteça uma mudança de pensamentos e certezas que estas pessoas possam ter. E assim, as encaminhe à alteração de atitudes e comportamentos.
A primeira acção do projecto foi também uma acção de diagnóstico, de forma a aprofundar este diagnóstico inicial e também como forma de compreender como é que a
comunidade escolar lidava com a problemática referida e assim planear o que se poderia fazer de modo a ir ao encontro do que foi espelhado pelas pessoas.
Ao longo do processo foram discutidas as melhores maneiras de actuação, tentando definir qual o melhor rumo a tomar, podendo (o plano de acção) ser alvo de alterações a qualquer momento que se considerasse pertinente, não sendo forçosamente obrigatório seguir o caminho inicialmente traçado.
Quis-se que todo o processo fosse participado por todos, tanto pelo grupo de jovens participantes e organizadores, como pela restante comunidade escolar, visto que as pessoas foram uma potencialidade identificada.