Para avaliar o aspecto físico, foram considerados os itens:
– Presto atenção ao meu estado físico para entender meus sentimentos.
– Penso que a prática de atividades físicas influencia no bem- estar.
– Pratico esporte.
– Se sentir dor, sei o que fazer para sanar.
– Pratico ou já pratiquei atividades que desenvolvem o conhecimento corporal (yoga, danças, expressão corporal etc).
– Conheço bem meu corpo e suas necessidades.
Na Tabela 3, podem-se ver os valores de média e desvio-padrão, correspondentes ao aspecto físico. Verifica-se que, em geral, os grupos de líderes brasileiros e portugueses apresentam valores médios mais altos do que o grupo de não líderes.
Ao realizar as comparações estatísticas entre os participantes, através do Teste de Kruskal-Wallis, verificou-se que os grupos se diferem significativamente entre si, com relação aos itens referentes ao aspecto físico, conforme registrado na Tabela 3, com exceção do aspecto “Pratico ou já pratiquei atividades que desenvolvem o conhecimento corporal”, que mostrou ser estatisticamente semelhantes para os grupos de participantes.
Tabela 3 – Valores médios e desvios padrões referentes aos itens correspondentes ao aspecto físico
Itens de avaliação Brasileiros n = 20 Portugueses n = 11 Não líderes n = 27 Teste de diferença Estado - físico ±0,88 3,85 ±0,93 3,45 ±1,37 2,56 2(2)=11,68, p=,003 Bem-estar ±0,59 4,35 ±0,75 4,18 ±1,14 3,30 2(2)=12,45, p=,002 Praticar - esporte 3,60 ±1,47 3,18 ±1,54 2,37 ±1,45 2(2)=7,63, p=,022 Saber - sanar - dor ±0,55 3,75 ±0,52 3,55 ±1,08 2,38 2(2)=21,92, p<,001 Conhecimento corporal 3,65 ±1,42 3,09 ±1,37 2,52 ±1,76 2 (2)=5,71, p=,057. Conhecer - necessidades ±0,69 3,95 ±0,47 3,73 ±0,45 2,85 2(2)=18,52, p<,001 a n = número de participantes; Teste de Kruskal-Wallis, comparando os três grupos; valores significativos em negrito (p<,05).
Fonte: Elaborado pela autora.
Ao serem aplicados os testes post hoc, apurou-se que o grupo de líderes brasileiros respondeu ao item “Presto atenção ao meu estado
físico para entender meus sentimentos” com um valor médio de 3,85 (Tabela 3), que foi significativamente mais alto do que a média de 2,56, apresentada pelo grupo de não líderes (Z=-3,23, p=,001). O valor médio apresentado pelo grupo de líderes portugueses (3,45) não se diferenciou significativamente das médias apresentadas pelos demais grupos (p>,017).
Observando o item “Penso que a prática de atividades físicas influencia no bem-estar”, foi verificado que o grupo de líderes brasileiros teve pontuação média de 4,35 (Tabela 3), sendo significativamente maior do que aquela apresentada pelo grupo de não líderes (3,30) (Z=-3,22, p=,001). As demais comparações não mostraram diferenças significativas (p>,017).
Com respeito ao item “Pratico esporte”, as comparações indicaram que o grupo de líderes brasileiros apresentou valor médio (3,60) significativamente mais alto que o grupo de participantes não líderes (2,37) (Z=-2,67, p=,008). Não foram encontradas diferenças nas demais comparações (p>,017).
Quanto ao aspecto “Se sentir dor, sei o que fazer para sanar”, os participantes não líderes pontuaram esse item com valor médio de 2,38 (Tabela 3), sendo significativamente mais baixo do que os valores médios pontuados pelos grupos de líderes brasileiros (3,75) (Z=-4,23, p<,001) e de líderes portugueses (3,55) (Z=-3,19, p=,001). Os grupos de líderes portugueses e brasileiros não se diferenciaram significativamente.
As comparações intersujeitos, considerando o item “Conheço bem meu corpo e suas necessidades”, revelaram que o grupo de líderes brasileiros pontuou esse item com valor médio de 3,95, que foi significativamente mais alto do que a pontuação média de 2,85, apresentada pelo grupo de não líderes (Z=-3,88, p<,001). As demais comparações não mostraram diferenças significativas (p>,017).
Em resumo, as comparações dos itens associados ao aspecto físico mostram que, em geral, os participantes que exercem cargos de liderança representam os grupos com as maiores pontuações, uma vez que as comparações estatísticas não sugerem diferenças significativas entre líderes brasileiros e portugueses. Além disso, nota-se que os participantes não líderes apresentam suas pontuações localizadas em uma posição mais baixa na escala de valores. O Gráfico 6 ilustra os resultados encontrados para o aspecto físico.
Gráfico 6 – Médias referentes aos itens do aspecto físico, apresentadas pelos líderes brasileiros, líderes portugueses e participantes não líderes.
Fonte: Elaborado pela autora.
A Tabela 4 registra os resultados dos testes de correlação entre os itens correspondentes ao aspecto físico. Observou-se correlação significativamente positiva no cruzamento de todas as variáveis referentes ao aspecto físico. Os resultados indicam, dessa forma, que os itens analisados estão relacionados, de modo que na medida em que aumenta uma capacidade, crescem as demais capacidades manifestadas pelos indivíduos.
Tabela 4 – Coeficiente de correlação de Spearman (rs) entre itens correspondentes ao aspecto físico
Itens Estado físico Bem-estar Praticar esporte sanar dor Saber Conhecimento corporal Estado físico 1
Bem-estar (p<,001) 0,65 1
Praticar esporte (p=,003) 0,39 0,15 1
Saber sanar dor (p<,001) 0,65 (p<,001) 0,49 (p=,004) 0,37 1 Conhecimento corporal (p<,001) 0,51 (p=,004) 0,37 (p<,001) 0,59 (p<,001) 0,45 1 Conhecer necessidades 0,62 (p<,001) 0,50 (p<,001) 0,56 (p<,001) 0,58 (p<,001) 0,49 (p<,001) a Valores significativos em negrito (p<,05); análises 2-tailed.
Fonte: Elaborado pela autora. 4.1.2.3 Fator: Cognitivo
O aspecto cognitivo foi avaliado de acordo com os itens:
– Sempre busquei desenvolver minhas competências de acordo com as necessidades pessoais e profissionais.
– Busco na internet, livros ou com outras pessoas, respostas para questões que desconheço.
– Conheço minhas competências técnicas e as que ainda necessito desenvolver.
– Sempre penso antes de agir.
– Participo de cursos, seminários e/ou palestras.
Na Tabela 5, podem-se ver os valores de média e desvio-padrão, correspondentes ao aspecto cognitivo. Observa-se que, em geral, os grupos de líderes brasileiros e portugueses apresentam valores médios mais altos do que o grupo de não líderes. Ao realizar as comparações estatísticas entre os participantes, através do Teste de Kruskal-Wallis, verificou-se que os grupos se diferem significativamente entre si, com
relação a todos os itens referentes ao aspecto cognitivo, conforme registrado na Tabela 5.
Tabela 5 – Valores médios e desvios padrões referentes aos itens correspondentes ao aspecto cognitivo
Itens de avaliação Brasileiros n = 20 Portugueses n = 11 Não líderes n = 27 Teste de diferença Competências - pessoal/profis. ±0,66 4,30 ±0,67 4,36 ±1,17 3,15 2(2)=16,44, p<,001 Busca - respostas 4,60 ±0,82 4,00 ±0,78 3,19 ±1,39 2 (2)=15,89, p<,001 Competências - desenvolver ±0,61 4,45 ±0,75 4,18 ±1,23 3,15 2(2)=16,08, p<,001
Pensar - antes - agir ±0,75 3,85 ±0,51 3,64 ±0,96 2,37 2(2)=24,97, p<,001
Participar - cursos - palestras ±1,03 4,00 ±0,93 3,45 ±0,79 2,74 2(2)=7,99, p=,018 a
n = número de participantes; Teste de Kruskal-Wallis, comparando os três grupos; valores significativos em negrito (p<,05).
Fonte: Elaborado pela autora.
Considerando o item “Sempre busquei desenvolver minhas competências de acordo com as necessidades pessoais e profissionais”, verificou-se, através das análises post hoc com o Teste de Mann- Whitney, que o grupo de líderes brasileiros apresentou pontuação média de 4,30 (Tabela 5), sendo significativamente mais alta do que o grupo de não líderes, que apresentou média de 3,15 (Z=-3,53, p<,001). Igualmente, o grupo de líderes portugueses mostrou pontuação média (4,36) significativamente mais alta do que a apresentada pelos não líderes (Z=-3,02, p=,003). Os grupos de líderes brasileiros e portugueses não se diferenciaram significativamente (p>,017).
Com relação ao item “Busco na internet, livros ou com outras pessoas, respostas para questões que desconheço”, apurou-se que o grupo de líderes brasileiros, com pontuação média de 4,60 (Tabela 5), diferenciou-se significativamente do grupo de não líderes, que teve
média de 3,19 (Z=-3,82, p<,001). As comparações entre os demais grupos não revelaram diferenças significativas (p>,017).
As comparações entre os grupos considerando o item “Conheço minhas competências técnicas e as que ainda necessito desenvolver” indicaram que os líderes brasileiros mostram pontuação média (4,45) significativamente mais alta do que o grupo de participantes não líderes (3,15) (Z=-3,78, p<,001). Não houve diferenças significativas para as demais comparações (p>,017).
O item “Sempre penso antes de agir” mostrou ser significativamente mais alto para os líderes brasileiros, que tiveram valor médio de 3,85 (Tabela 5), em comparação com o grupo de não líderes (2,37) (Z=-4,45, p<,001). Os líderes portugueses também apresentaram valor médio (3,64) significativamente mais alto do que o apresentado pelos participantes não líderes (Z=-3,50, p<,001). Os grupos de líderes brasileiros e portugueses não se diferenciaram significativamente.
Olhando para o item “Participo de cursos, seminários e/ou palestras”, verificou-se que os líderes brasileiros tiveram pontuação média de 4,00 (Tabela 5), sendo significativamente mais alta do que a apresentada pelos participantes não líderes (2,74) (Z=-2,68, p=,007). As demais comparações entre pares de grupos não apontaram diferenças significativas.
Em resumo, os resultados explicitados anteriormente, com relação aos itens considerados de aspecto cognitivo, mostram que, em geral, os líderes brasileiros e portugueses marcam pontuações estatisticamente semelhantes, já que as comparações não sugerem diferenças significativas. Além disso, os participantes não líderes apresentam as menores pontuações, comparando os três grupos. O Gráfico 7 ilustra os resultados encontrados para o aspecto cognitivo. Gráfico 7 – Médias referentes aos itens do aspecto cognitivo, apresentadas pelos líderes brasileiros, líderes portugueses e participantes não líderes
A Tabela 6 registra os resultados dos testes de correlação entre os itens correspondentes ao aspecto cognitivo. Observou-se correlação significativamente positiva no cruzamento de todas as variáveis referentes ao aspecto cognitivo. Os resultados indicam, dessa forma, que os itens analisados estão relacionados, de modo que na medida em que aumenta uma capacidade, crescem as demais capacidades manifestadas pelos indivíduos.
Tabela 6 – Coeficiente de correlação de Spearman (rs) entre itens correspondentes ao aspecto cognitivo
Itens de avaliação pessoal/profissional Competências respostas Busca Competências desenvolver Pensar - agir Competências pessoal/profissional 1 Busca - respostas (p<,001) 0,48 1 Competências - desenvolver (p<,001) 0,68 (p<,001) 0,54 1 Pensar - agir 0,53 (p<,001) 0,50 (p<,001) 0,71 (p<,001) 1 Participar - cursos (p<,001) 0,52 (p<,001) 0,54 (p<,001) 0,64 (p<,001) 0,63
a Valores significativos em negrito (p<,05); análises 2-tailed. Fonte: Elaborado pela autora.
4.1.2.4 Fator: Emocional
O aspecto emocional foi analisado de acordo com os itens: – Quando estou triste, sei qual é o motivo.
– Sei como me portar em público, ou com pessoas que não conheço.
– Sei quando estou ficando irritado.
– Sou claro e verdadeiro a respeito dos meus pensamentos, sentimentos e desejos.
– Posso identificar meus sentimentos.
– Tenho facilidade de lidar com as emoções de outras pessoas. Na Tabela 7, podem-se ver os valores de média e desvio-padrão, correspondentes ao aspecto emocional. Em geral, ressalta-se que os líderes brasileiros e portugueses apresentam pontuações mais altas, em comparação com os participantes não líderes. As comparações estatísticas, realizadas através do Teste de Kruskal-Wallis (Tabela 7), indicaram que os grupos se diferem significativamente, com relação a todos os itens referentes ao aspecto emocional.
Tabela 7 – Valores médios e desvios padrões referentes aos itens correspondentes ao aspecto emocional
Itens de avaliação Brasileiros n = 20 Portugueses n = 11 líderes Não n = 27 Teste de diferença Saber - tristeza ±0,77 3,80 ±0,63 4,00 ±0,73 2,33 2(2)=31,73, p<,001 Comportamento - público ±0,51 4,45 ±0,51 4,36 ±1,07 3,70 2p=,018 (2)=8,00, Saber - irritação ±0,55 4,25 ±0,41 4,18 ±1,29 2,93 2(2)=16,79, p<,001 Claridade pens/sent ±0,67 4,15 ±0,54 4,09 ±1,05 2,89 2(2)=19,61, p<,001 Identificar - sentimentos 3,90 ±0,45 4,00 ±0,45 2,70 ±1,17 2 (2)=19,64, p<,001 Emoções pessoas ±0,79 4,10 ±0,63 4,00 ±1,16 2,52 2 (2)=22,33, p<,001 a n = número de participantes; Teste de Kruskal-Wallis, comparando os três grupos; valores significativos em negrito (p<,05).
Fonte: Elaborado pela autora.
Aplicando os testes post hoc (Mann-Whitney), foi apurado que, para o item “Quando estou triste, sei qual é o motivo”, o grupo de líderes brasileiros apresenta pontuação média de 3,80 (Tabela 7), que foi significativamente mais alta do que a média apresentada pelos
participantes não líderes (2,33) (Z=-4,83, p<,001). Da mesma forma, o grupo de líderes portugueses mostrou pontuação média de 4,00, sendo significativamente mais alta do que a apresentada pelos não líderes (Z=- 4,43, p<,001). Os grupos de líderes brasileiros e portugueses não se diferenciaram significativamente (p>,017).
Com respeito ao item “Sei como me portar em público, ou com pessoas que não conheço”, verificou-se que o grupo de líderes brasileiros, com pontuação média de 4,45 (Tabela 7), diferenciou-se significativamente do grupo de não líderes, que teve média de 3,70 (Z=- 2,59, p=,010). As comparações entre os demais grupos não revelaram diferenças significativas (p>,017).
Observando o item “Sei quando estou ficando irritado”, as comparações intersujeitos indicaram que os líderes brasileiros tiveram pontuação média (4,15) significativamente mais alta do que o grupo de participantes não líderes (2,93) (Z=-3,60, p<,001). Apurou-se, também, que os líderes portugueses tiveram pontuação significativamente mais alta (4,18) do que os participantes não líderes (Z=-2,87, p=,004). Os líderes brasileiros e portugueses apresentaram médias estatisticamente semelhantes (p>,017).
As comparações referentes ao item “Sou claro e verdadeiro a respeito dos meus pensamentos, sentimentos e desejos” revelaram que os líderes brasileiros tiveram valor médio de 4,15 (Tabela 7), sendo significativamente mais alto do que o valor médio mostrado pelos não líderes (2,89) (Z=-3,90, p<,001). Os líderes portugueses também apresentaram pontuação média (4,09) significativamente mais alta do que a mostrada pelos participantes não líderes (Z=-3,20, p=,001). Os líderes brasileiros e portugueses não se diferenciaram significativamente entre si.
Considerando o item “Posso identificar meus sentimentos”, foi apurado que os líderes brasileiros mostraram pontuação média de 3,90 (Tabela 7), indicada como significativamente mais alta, em comparação com a pontuação apresentada pelos participantes não líderes (2,70) (Z=- 3,79, p<,001). Do mesmo modo, os líderes portugueses mostraram pontuação média (4,00) significativamente mais alta do que a mostrada pelos participantes não líderes (Z=-3,23, p=,001). A comparação entre líderes brasileiros e portugueses não revelou diferenças significativas.
Olhando para o item “Tenho facilidade de lidar com as emoções de outras pessoas”, as comparações indicaram que os líderes brasileiros apresentaram pontuação média (4,10) significativamente mais alta do que a apresentada pelo grupo de não líderes (2,52) (Z=-4,22, p<,001). A diferença também foi encontrada ao comparar-se ao grupo de líderes
portugueses (4,00) e de não líderes (2,52), de modo que o valor médio do primeiro é significativamente mais alto (Z=-3,42, p=,001). Os líderes brasileiros e portugueses mostraram valores médios estatisticamente semelhantes.
Em resumo, os resultados referentes ao aspecto emocional mostram que os líderes brasileiros e portugueses marcam pontuações relativamente altas, não sendo indicadas diferenças significativas entre esses grupos. Já os participantes não líderes apresentam as pontuações mais baixas, quando comparadas com os grupos de líderes.
O Gráfico 8 ilustra os resultados encontrados para o aspecto emocional.
Gráfico 8 – Médias referentes aos itens do aspecto emocional, apresentadas pelos líderes brasileiros, líderes portugueses e participantes não líderes
Fonte: Elaborado pela autora.
A Tabela 8 registra os resultados dos testes de correlação entre os itens correspondentes ao aspecto emocional. Observou-se correlação significativamente positiva no cruzamento de todas as variáveis referentes ao aspecto emocional. Os resultados indicam, dessa forma, que os itens analisados estão relacionados, de modo que, na medida em que aumenta uma capacidade, crescem as demais capacidades manifestadas pelos indivíduos.
Tabela 8 – Coeficiente de correlação de Spearman (rs) entre itens correspondentes ao aspecto emocional
Itens de
avaliação Saber – tristeza Comportamento - público - irritação Saber Claridade pens/sent sentimentos Identificar - Saber - tristeza 1 Comportamento - público (p<,001) 0,44 1 Saber - irritação (p<,001) 0,45 (p=,003) 0,39 1 Claridade pens/sent 0,66 (p<,001) 0,39 (p=,003) 0,37 (p=,004) 1 Identificar - sentimentos 0,64 (p<,001) 0,52 (p<,001) 0,51 (p<,001) 0,65 (p<,001) 1 Emoções pessoas 0,59 (p<,001) 0,47 (p<,001) 0,49 (p<,001) 0,47 (p<,001) 0,66 (p<,001) a Valores significativos em negrito (p<,05); análises 2-tailed.
Fonte: Elaborado pela autora. 4.1.2.5 Fator: Espiritual
Para avaliar o aspecto espiritual, foram considerados os itens: – No desenvolvimento de minhas atividades procuro agir de
forma consciente e de acordo com os meus valores. – Minha moral orienta o que eu faço como um líder.
– Minhas ações condizem com as minhas crenças e convicções.
– Busco me desenvolver espiritualmente.
– Minha vida possui um sentido transcendental (acredito em um propósito para minha existência).
Na Tabela 9, podem-se ver os valores de média e desvio-padrão, correspondentes ao aspecto espiritual. Nota-se, em geral, que os líderes brasileiros e portugueses apresentam pontuações mais altas, em comparação com os participantes não líderes. As comparações estatísticas, realizadas através do Teste de Kruskal-Wallis (Tabela 9), indicaram que os grupos se diferem significativamente, com relação a todos os itens referentes ao aspecto espiritual.
Tabela 9 – Valores médios e desvios padrões referentes aos itens correspondentes ao aspecto espiritual
Itens de avaliação Brasileiros n = 20 Portugueses n = 11 líderes Não n = 27 Teste de diferença Ação - consciente ±0,47 4,70 ±0,47 4,73 ±0,67 3,63 2(2)=18,75, p<,001 Orientação - moral ±0,61 4,55 ±0,60 4,18 ±1,18 3,37 2(2)=15,42, p<,001 Ações - convicções ±0,61 4,50 ±0,70 4,09 ±0,85 3,11 2(2)=25,45, p<,001 Desenvolver - espiritualmente 4,45 ±0,76 ±1,29 3,64 ±1,14 3,00 2(2)=16,88, p<,001 Sentido - transcendental ±0,41 4,80 ±1,29 3,55 ±1,08 3,41 2(2)=20,90, p<,001 a n = número de participantes; Teste de Kruskal-Wallis, comparando os três grupos; valores significativos em negrito (p<,05).
Fonte: Elaborado pela autora.
Ao realizar as análises post hoc, através do Teste de Mann- Whitney, verificou-se que, para o item “No desenvolvimento de minhas atividades procuro agir de forma consciente e de acordo com os meus valores”, os líderes brasileiros apresentam pontuação média de 4,70 (Tabela 9), sendo significativamente mais alta do que a pontuação média apresentada pelos participantes não líderes (3,63) (Z=-3,77, p<,001). Houve diferença significativa, também, na comparação entre as pontuações médias apresentadas pelos líderes portugueses (4,73) e participantes não líderes (3,63), de modo que a primeira é significativamente mais alta (Z=-3,14, p=,002). Os grupos de líderes brasileiros e portugueses não se diferenciaram significativamente (p>,017).
Avaliando o item “Minha moral orienta o que eu faço como um líder”, verificou-se que os líderes brasileiros, que tiveram pontuação média de 4,55 (Tabela 9), diferenciaram-se significativamente do grupo de não líderes, que teve média mais baixa (3,37) (Z=-3,68, p<,001). As comparações entre os demais grupos não revelaram diferenças significativas (p>,017).
Com respeito ao item “Minhas ações condizem com as minhas crenças e convicções”, as comparações intersujeitos indicaram que os líderes brasileiros tiveram pontuação média (4,50) significativamente
mais alta do que o grupo de participantes não líderes (3,11) (Z=-4,69, p<,001). Verificou-se, igualmente, que os líderes portugueses tiveram pontuação significativamente mais alta (4,09) do que os participantes não líderes (Z=-3,23, p=,002). Os líderes brasileiros e portugueses apresentaram médias estatisticamente semelhantes (p>,017).
As comparações referentes ao item “Busco me desenvolver espiritualmente” indicaram que a pontuação média apresentada pelos líderes brasileiros, que foi de 4,55, conforme registra a Tabela 9, foi significativamente mais alta do que a pontuação mostrada pelos participantes não líderes (3,00) (Z=-4,07, p<,001). As comparações entre os demais grupos não revelaram diferenças significativas (p>,017). Ao olhar para o item “Minha vida possui um sentido transcendental (acredito em um propósito para minha existência)”, constatou-se que os líderes brasileiros apresentaram pontuação média (4,80) significativamente mais alta do que as apresentadas pelos grupos de líderes portugueses (3,55) (Z=-3,22, p=,004) e de participantes não líderes (3,41) (Z=-4,48, p<,001). Os líderes portugueses e os participantes não líderes mostraram valores médios estatisticamente semelhantes.
Em resumo, os resultados referentes ao aspecto espiritual indicam que, em geral, os líderes brasileiros e portugueses marcam pontuações relativamente altas, não sendo indicadas diferenças significativas entre esses grupos. Já os participantes não líderes apresentam as pontuações mais baixas, quando comparadas com os grupos de líderes. O Gráfico 9 ilustra os resultados encontrados para o aspecto espiritual.
Gráfico 9 – Médias referentes aos itens do aspecto espiritual, apresentadas pelos líderes brasileiros, líderes portugueses e participantes não líderes
A Tabela 10 registra os resultados dos testes de correlação entre os itens correspondentes ao aspecto espiritual. Observou-se correlação significativamente positiva no cruzamento de todas as variáveis referentes ao aspecto espiritual. Os resultados indicam, dessa forma, que os itens analisados estão relacionados, de modo que na medida em que aumenta uma capacidade, crescem as demais capacidades manifestadas pelos indivíduos.
Tabela 10 – Coeficiente de correlação de Spearman (rs) entre itens correspondentes ao aspecto espiritual
Itens de
avaliação Ação - consciente Orientação - moral convicções Ações - espiritualmente Desenvolver - Ação - consciente 1 Orientação - moral (p<,001) 0,56 1 Ações - convicções 0,63 (p<,001) 0,78 (p<,001) 1 Desenvolver - espiritualmente 0,42 (p<,001) 0,54 (p<,001) 0,66 (p<,001) 1 Sentido - transcendental 0,59 (p<,001) 0,53 (p<,001) 0,72 (p<,001) 0,79 (p<,001) a Valores significativos em negrito (p<,05); análises 2-tailed.
Fonte: Elaborado pela autora 4.2 DADOS QUALITATIVOS
A análise dos resultados das questões do questionário aberto, que compõem a parte qualitativa da pesquisa, foi feita utilizando-se o método de análise de conteúdo. Primeiramente, foi realizada a leitura flutuante. A Leitura flutuante consiste em tomar contato exaustivo com o material para conhecer seu conteúdo (MINAYO, 1993).
Em seguida, realizou-se a exploração do material do questionário. Com isso, identificou-se as categorias existentes no discurso dos indivíduos, atentando-se sempre para o referencial teórico. Conforme discutido neste último, desenvolver uma organização que atue como comunidade humana consciente exige condições profundas de
intervenção que ultrapassam as técnicas usadas: exige o indivíduo trabalhado em nível interno. Os líderes que buscam o autoconhecimento percebem que o que está fora e o que está dentro se refletem, assim, vê- se qualidade em uma organização somente quando esta é fruto de qualidades individuais.
4.2.1 Análise de conteúdo
Este trabalho tem como objetivo criar estratégias para o processo de autoconhecimento em líderes, fundamentadas nos aspectos físico, emocional, cognitivo e espiritual, utilizando como base a Teoria Geral de Sistemas, unindo todos os aspectos e constatando a influência que um exerce no outro. A ideia é exercitar as quatro dimensões do ser humano, embasado na Teoria Geral de Sistemas, em uma prática integral, exercitando o corpo, a mente, a emoção e o espírito. Assim, estabeleceu- se para esta etapa da pesquisa as seguintes categorias:
Autoconhecimento Físico; Autoconhecimento Cognitivo; Autoconhecimento Emocional; Autoconhecimento Espiritual;
Exemplos de práticas para o autoconhecimento.
Estabelecidas as categorias, o próximo passo foi identificar a frequência das mesmas e como ocorrem.
Cabe ressaltar que em cada quadro relativo a determinada categoria, são apresentadas respostas com o aspecto específico daquela categoria e respostas que abordaram além desse, outros aspectos. Portanto, a mesma resposta pode aparecer em mais de um quadro, pois contempla várias categorias.
Em relação ao Autoconhecimento Físico a maioria dos participantes citou a prática de atividades físicas, conforme Quadro 4. Quadro 4 – Aspectos físicos apontados pelos participantes
CATEGORIA: AUTOCONHECIMENTO FÍSICO
1 Já fiz aula de dança, vários tipos, mas sempre por 1 ano no máximo. No momento frequento a academia do prédio, sem orientação, para alongar, aproximadamente 2 vezes por semana.
2 Pratico atividade física, tudo o que é possível fazer num ginásio. 3 Dos 6 aos 17 anos judô.
4 Sempre pratiquei atividade física. Pilates e caminhadas há muitos anos. 5 Neste momento dedico grande parte da minha vida a andar de skate,