Conforme visto, a grande problemática deste milênio está voltada para o meio ambiente. Estamos vivendo uma crise ambiental, na qual sofremos a escassez dos recursos naturais em função do crescimento demográfico, das atividades industriais e agropecuárias e da limitação dos recursos do planeta. As mudanças ambientais surgem das complexas relações estabelecidas com o crescimento econômico, padrões tecnológicos e a extração e transformação dos recursos.
A premissa de produzir sem degradar o meio ambiente e utilizando o mínimo de recursos naturais não renováveis estabelece os parâmetros para o consumo e para a densidade populacional. Assim, o desenvolvimento sustentável surge para a economia ambiental como paradigma capaz d dar conta de vida da população, sem comprometimento ambiental. (MONTIBELLER, 2004, p.125)
A degradação ambiental então aparece com o crescimento e com a globalização da economia. Porém, a escassez não vem só da degradação ecológica, mas do sistema social, de seus valores e de seus modos de produção que conseqüentemente ameaçam a natureza. Assim, a educação tem um papel fundamental na construção de um cidadão crítico e pensante, que irá enfrentar e agir diante de desafios que ocorrem dentro e fora da escola. Portanto, a escola tem de colaborar para a transformação social da realidade em que está inserida. Existe, então, uma relação entre educação, escola e sociedade, as quais passam por transformações contínuas, sendo que o desenvolvimento da escola interfere na sociedade, e a sociedade também interfere na escola.
fim de produzir e difundir novos saberes e conhecimentos que permitirão a construção de uma sociedade que respeite a natureza.
Por sua vez, a Educação Ambiental deve propiciar o desenvolvimento de atitudes concretas nos diversos setores sociais. Por exemplo, no estudo realizado com educandos do Ensino Médio, cada aluno deveria ser capaz de, após sua realização, reconhecer a importância da preservação da água dentro de sua casa, por ser esta advinda de fontes que ainda podem oferecê-la mesmo com tanta poluição. O educando deveria reconhecer, ainda, a importância dessa preservação em relação aos bens naturais, visto que não são inesgotáveis.
Esse tipo de relação serve também para uma postura adequada quanto ao consumo de energia. Outro exemplo está na questão da reciclagem de materiais. Não basta que o aluno ouça falar que ela é possível, mas o professor deve instigá-lo a separar os materiais para a coleta em sua própria casa ou em outro ambiente que freqüente. A informação trabalhada de maneira criativa pode influenciar atitudes muito relevantes para o ambiente e, assim, para a sociedade.
Podemos dizer que a Educação Ambiental não deve consistir em transmissão de verdades, informações, demonstrações e modelos, mas sim, em processos de ação- reflexão que levem o aluno a aprender por si só, a conquistar essas verdades e, assim, desenvolver novas estratégias para compreender a realidade.
Para tanto, há que se considerar no tratamento das questões ambientais os conhecimentos construídos ao longo do tempo e que hoje chamamos de Ciências, bem como a necessidade da abordagem interdisciplinar e transdisciplinar da Educação Ambiental.
A abordagem desse tema reflete sobre uma educação voltada para a formação de um ser humano com espírito critico e construtivo, no qual se desenvolva uma consciência ecológica, a fim de promover a preservação do meio ambiente, por meio de ações transformadoras e construir uma sociedade integradora, justa e ambientavelmente sustentável. Ou a sociedade capitalista e seu modo de produção e sua racionalidade econômica, em longo prazo, aprofundarão a crise sócio-ambiental, enquanto exclusão e degradação, acirrando a luta social pelo acesso aos recursos naturais, ou mudanças sociais romperão com a lógica do capital, possibilitando pela sua desestruturação a sustentabilidade do desenvolvimento humano.
Considera-se que os indicadores sócio-ambientais de sustentabilidade das sociedades capitalistas apontariam para o sucesso da aplicação das soluções propostas pelo atual
modo de regular a questão ambiental, quando lucrativas. Ou, como assevera Montibeller (2004), quando aborda o tema da mais-valia natural: a preservação ambiental torna-se a mais valia relativa, revelando-se por intermédio de eco-tecnologia, certificações e forte regulamentação do acesso à natureza. À educação cabe realizar um processo de conscientização, a fim de que os alunos participem como cidadãos críticos, com uma visão integradora do homem com a natureza.
Desse modo, importa oferecer aos docentes, oportunidade de renovar-se, rever seus conceitos, reavaliar seus métodos, refletir sobre suas concepções, em busca de uma prática docente crítica-reflexiva, de forma a tornar os alunos, não um depósito de conhecimentos estanques, mas sujeitos da própria aprendizagem, capazes de intervir no mundo, pois segundo Freire (1996, p.43), a prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer.
O saber que a prática docente espontânea ou quase espontânea, desarmada, indiscutivelmente produz é um saber ingênuo, um saber de experiência feito, a que falta a rigorosidade metódica que caracteriza a curiosidade epistemológica do sujeito.
Fica claro, neste estudo, que o esforço para a construção de uma percepção de sustentabilidade, que busque o fortalecimento dos processos negociados de tomadas de decisão, está intimamente vinculado ao processo pedagógico e requer vigorosa defesa de uma adequada formação de professores em todos os níveis e modalidades de educação. E que esta formação, associada à idéia de uma educação crítica e transformadora do sentir, pensar e agir, deve visar à criação de condições que permitam ampliar o poder social dos cidadãos mediante a construção de consciência crítica, aproximando a educação das condições reais de existência de seus atores.
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES
Este capítulo abrange três seções. Na primeira, trata-se da necessidade da mudança de paradigmas por parte da escola e de seus membros, com o propósito de atingir-se a meta de uma educação que ajude na transformação social e na sustentabilidade do planeta. Na segunda, são apresentadas algumas sugestões para trabalhos futuros que poderão ajudar na construção do modelo educacional pretendido. Por fim, têm-se as conclusões dessa pesquisa, de acordo com os objetivos específicos que a nortearam.