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Os egressos entrevistados viveram em épocas distintas, por isso é fundamental diferenciar as gerações apresentadas. Neste momento do estudo tive como objetivo resgatar a trajetória de alunos egressos, formados na década de 1980. Esta década por sua vez, é marcada por mudanças significativas no contexto político e social brasileiro. Entre essas mudanças destaca-se a consolidação do multipartidarismo com a formação de novos partidos políticos, a abertura política e a redemocratização do país, com atuação maciça de estudantes secundaristas e universitários em movimentos como a campanha das “Diretas já”. É nesse período que a ditadura chegara ao fim, a Constituinte fora convocada e estava em andamento, confirmando que o processo de redemocratização do país teria continuidade, ao findar da influência do regime autoritário. O fato de termos entrevistados, basicamente duas décadas diferentes nos favorece a percepção de momentos historicamente variados e de influências distintas no que diz respeito à concepção de educação e formação humana, de mundo, de sociedade, valores, posturas sociais e necessidades de formação para o trabalho.

Trata-se de egressos da mesma escola que, com o passar do tempo, modificou seu corpo docente (pela aposentadoria e também exigência de mais formação acadêmica e não apenas técnica) e o seu projeto educativo a fim de ampliar atendimento para além do curso

91

Palma e Vieira, Ângela Pereira T. Victoria e Thiago Hrysyk. Finalidades e Objetivos da Educação Física na Escola: A Visão Epistemologica de Professores e Alunos, artigo, Rev. Teoria e Prática da Educação, v.11, n.3, p.268-283, set./dez. 2008. Em http://www.dtp.uem.br/rtpe/volumes/v11n3/003_angela-268-283.pdf. Acesso em 18/02/2013.

- 115 - técnico. Enquanto que nas décadas de 1960 e 1970 os egressos apresentaram uma escola que valorizava essencialmente a formação técnica, temos na década de 1980 uma escola disposta a ampliar seu público-alvo para os jovens interessados em formação superior.

Diferente do que foi relatado sobre os egressos de 1960 e início de 1970, os egressos de 1980 não reagiram com a mesma receptividade no retorno dos e-mails para obtenção de relatos. Enquanto que dos egressos de 1960 retornou um total de dezessete e-mails com informações pertinentes que muito me auxiliaram no trabalho, dos quinze e-mails (obtidos em redes sociais) enviados para alunos da década de 1980 apenas dois retornaram com informações e com interesse em participar da pesquisa. Através de um colega da disciplina cursada no próprio Cefet-RJ, consegui contato com outros três ex-alunos de 1980. O sexto entrevistado foi alcançado por um contato realizado por uma colega de trabalho. Com o grupo de seis egressos iniciei o processo de entrevistas.

Quadro de Apresentação dos Entrevistados: Egressos da década de 1980:

Nome Período de

formação técnica na ETF/CSF

Curso

escolhido Residência Local de no período em que era estudante da ETF/CSF Atividade Profissional Atual

Rui 1984-1986 Eletrotécnica Zona Norte Engenheiro da Transpetro

Marcos 1979-1981 Mecânica Tijuca Funcionário público da UFRJ

com cargo de Engenheiro

Ricardo 1984-1986 Edificações Engenho de

Dentro Professor na Escola Técnica Graham Bell funcionário público UFRJ com cargo de

técnica de eletrônica

Ocione 1986-1988 Eletrotécnica Pavuna Funcionário publico da UFRJ

com cargo de Técnico

Guilherme 1983-1986 Eletrônica Zona Norte Técnico especializado em

sonorização e músico profissional

Rejane 1985-1987 Mecânica Zona Norte Professora na Escola Técnica

Graham Bell funcionária publica UFRJ com cargo de

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5.2.1- Outro momento da Escola- Cefet-RJ nos anos de 1980.

Percebi que este é um grupo pouco inteirado sobre a escola técnica nos dias de hoje. Ao serem perguntados sobre a relação atual com a escola e se acompanham as mudanças ocorridas, muitos dizem que desconhecem as mudanças da instituição e apenas dois dos seis entrevistados dos anos 1980 conhecia a Associação de ex-alunos Cefet-RJ. Disseram também que não tinham pretensão de participar deste grupo de egressos por entenderem que as redes sociais como o Orkut e Facebook substituíram a presença em um espaço físico com este objetivo e que esse contato já é feito por eles através da internet.

Alguns acreditam que após uma aposentadoria talvez seja possível participar da Associação, mas por se tratar de um grupo ainda muito atuante no mercado de trabalho, o tempo não permite esta interação com encontros mensais, visto que ainda são pressionados por uma rotina de trabalho e pela atenção à família, o que lhes exige muito tempo.

Diferentes épocas deveriam indicar variadas metodologias de ação educativa e, também, apontar posturas distintas na relação professor-aluno, mas quando chamados a depor sobre suas lembranças escolares, os egressos dos anos 1980 parecem ter vivenciado experiências muito semelhantes aos das décadas de 1960 e 1970, no que diz respeito às marcas que a escola lhes infundiu à memória, o que leva a supor que, talvez, a reconhecida evolução das práticas pedagógicas por que passaram o ideário e a estrutura desta escola de formação técnica nesses anos não tenha sofrido importante alteração, permanecendo sua tradição de formação tecnicista.

Este marco temporal foi escolhido propositalmente para essa investigação porque temos nos anos de 1980 um novo período nesta instituição carioca. O curso técnico vivia sob a égide da Lei n.5.692/71 feita sob a coordenação dos representantes da USAID (Agency for International Development) que instaurou a “profissionalização compulsória” e alterou a denominação do curso de Colegial para 2º grau. Contudo, alterações realizadas pelo Decreto nº 87.310/82 retirando o trecho “profissionalização compulsória”, buscando assim amenizar os “danos já causados”.

Além disso, o Decreto nº 87.310/82 definiu, de forma mais precisa, suas características básicas dos Cefets, que são: a) ministrar ensino em grau superior de graduação e de pós- graduação para formação de engenheiros industriais e tecnólogos; de licenciatura plena e curta para formação de professores nos cursos de formação de técnicos e tecnólogos; b) ministrar ensino em grau de ensino médio para formar auxiliares e técnicos industriais;

- 117 - c) promover cursos de extensão, aperfeiçoamento e especialização para atualização na área técnico-industrial; d) realizar pesquisas na área técnico-industrial e oferecer cursos e serviços à comunidade (cf. MEC/Cefets, 1992).

O modelo de produção adotado garantia os postos de trabalho na área técnica a partir da lógica da gestão taylorista-fordista92. A informatização ainda era incipiente e a reserva de mercado imposta pelos governantes brasileiros impedia uma transformação rápida dos processos produtivos em função de novas tecnologias. Além disso, existia forte presença do Estado na economia, através de sólidas empresas estatais nas áreas de telefonia, energia, mineração, petrolífera, etc. Soma-se a isso a necessidade de respostas à crescente demanda das classes populares por acesso a níveis mais elevados de escolarização, o que acarretava uma forte pressão pelo aumento de vagas no ensino superior.

Para dar conta das mudanças o governo brasileiro desenvolveu seu projeto de desenvolvimento calcado no endividamento externo voltado para financiar uma nova fase de industrialização, o que ficou conhecido como o milagre brasileiro. Esse “milagre” demandava mão de obra qualificada (principalmente técnicos de nível médio).

5.2.2- Formação profissional ou “boa formação geral”?

92 Caracterizam-se por dois sistemas que visavam à racionalização extrema da produção e, consequentemente, à

maximização da produção e do lucro.

Imagem 39: Matéria especial do jornal Folha Dirigida do ano de 1983 apresentando a escola técnica federal que já há cinco anos fora transformada em Cefet-RJ. Fonte: Arquivo da associação de ex-alunos CEFETN.

- 118 - As políticas desenvolvimentistas da década de 1970 se voltaram para a diminuição da pobreza nos chamados países periféricos e para isso, os mesmos lançam mão de empréstimos e financiamentos negociados junto às agências internacionais para participação de projetos e programas. O Banco Mundial foi a agência que financiou uma série de mudanças ocorridas de 1971 a 1978 e as escolas técnicas federais do país recebem verbas para ampliação e construção de novas unidades, além de incentivar a implantação de escolas industriais para formação, por exemplo de engenheiros de operação. Segundo o pesquisador e professor Claudio de Moura e Castro não só no nível superior, mas também no nível técnico a influência do Banco Mundial no modelo educacional brasileiro na década de 1970 maximizou efeitos que já eram vistos no início desta mesma década,

alguns de meus alunos de pós graduação do início de 1970, realizaram uma pesquisa solicitada por mim onde deveriam escrever em seus trabalhos finais com o olhar voltado para o que estava se passando nas escolas técnicas federais em cada um dos estados de onde vinham. Os números encontrados anteciparam o que o Banco Mundial encontrou dez anos mais tarde. De fato, as escolas não estavam produzindo os resultados esperados, ou seja, técnicos que viessem a trabalhar como técnicos. Num país com baixíssimo número de matrículas e com uma qualidade precária nas escolas públicas, as escolas técnicas estavam oferecendo aos alunos a fórmula da vitória: ensino secundário gratuito de alta qualidade. Considerando que a única alternativa de ensino de qualidade eram as escolas particulares caras, os alunos não precisaram de muito tempo para se dar conta de que praticamente as únicas escolas gratuitas que ofereciam uma formação acadêmica de elevada qualidade eram as escolas técnicas (a maioria federais). (Castro, 2007:151)

Castro expõe de maneira categórica uma realidade presente nas escolas técnicas na década de 1980 no que se refere à busca por escolas públicas de excelência que objetivavam não a formação técnica que ofereciam, mas principalmente a qualidade encontrada nas disciplinas que compunham o currículo básico e que era exigido nos vestibulares das universidades públicas. Os relatos a seguir marcam esta realidade:

Mas na minha época era chamada a melhor escola técnica da América latina, se ainda é a melhor eu não sei. Porém para quem estudou naquela época que tinha o

status lá em cima este permanece (Guilherme- Egresso do período de 1983-1986)

Muitos iam para o Cefet porque via que não tinha como pagar uma faculdade, iam buscando boa base. Queriam uma boa base para fazer vestibular. Muitos nem engenharia fizeram. (Rui- Egresso do período de 1984-1986)

Na minha turma eu posso te dizer que muitos fariam vestibular, mas o comportamento era de pessoas que não sabiam nem porque estava fazendo o curso técnico, que é uma coisa que eu vejo hoje. Naquele momento da década de 1980 o aluno tinha mais garra termina o curso e tinha interesse de fazer estágio, fazia o estágio. Mas eu acho que era o mesmo princípio que o meu: Trabalhar para

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sustentar a faculdade. Mas é claro que também tinha o cara que queria o curso para fazer trampolim para o vestibular de Universidade pública. (Rejane-Egressa de 1985-1987)

Saiamos com um diploma de técnico em eletrônica. Não tinha a opção sair com a formação geral. Você era “cuspido” pra fora técnico em eletrônica. O que você iria fazer com isso, era problema seu. Eles (governo) estavam detectando que muita gente estava indo direto pra universidade. Então, o que adianta você gastar um dinheiro numa formação técnica se a pessoa não vai usar isso como técnico? Então, isso acabou virando uma barreira a mais para quem quisesse seguir o nível superior. Porque você tinha que pagar uma penalidade (referindo-se ao estágio), porque você tinha que fazer mais um ano de estágio depois. Depois dos três anos, você tinha que fazer mais um ano de estágio. Isso era uma penalidade que eles

colocaram que você pagava para ter o seu diploma de técnico. (Marcos, Egresso de

1979-1981)

A reportagem abaixo foi retirada do mesmo caderno do Jornal Folha Dirigida de 1983. Esta reportagem nos revela parte da visão dos professores do Cefet nos anos de 1980, no que tange à formação oferecida na instituição. Apesar dessa aparente não aceitação por parte dos professores, a escola estava atingindo um patamar de valorização da formação de ensino superior que naquele momento oferecia.

De acordo com o já citado professor Claudio de Moura e Castro,

Em meados de 1980, o ministro da Educação designou uma força-tarefa para discutir as escolas técnicas, e eu fui um dos membros desse grupo, que pouco durou. A maioria dos integrantes, de uma forma ou de outra, era conectada ao Ministério da Educação. È interessante observar que esse grupo não estava nem um pouco preocupado com a distorção em relação ao papel principal das escolas técnicas, a

Imagem 40: Reportagem: “professores não querem mudanças”. Retirada do Jornal Folha Dirigida do ano de 1983. Fonte: Arquivos da Associação de ex-alunos CEFETN.

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saber, preparar quadros técnicos para a indústria, os serviços ou a agricultura. O que faziam seus integrantes era refletir o estado de espírito geral do corpo docente das escolas técnicas. Tinham orgulho da excelência acadêmica de seu corpo discente. (Castro, 2007, p. 152).

O texto jornalístico supracitado confirma perfeitamente a preocupação em priorizar uma formação geral de qualidade que levasse o indivíduo ao curso superior. Como bem expõe Castro (2007) aquele era o momento em que a formação técnica “perdia” seu foco da especialização para o trabalho e voltava-se para o vestibular

Uma pesquisa realizada em fins da década de 1980 indicou que, entre as dez escolas que haviam colocado o maior número de aprovados nos cursos mais concorridos de São Paulo, a maioria eram escolas técnicas federais de artes industriais. (Castro, 2007: 151).

Percebemos que a presença de desinteresse pelo curso técnico era grande e muito presente. Muitos estavam na escola na década de 1980 com interesse na chamada “boa base” das disciplinas de formação geral, com vistas a um acesso mais fácil ao vestibular de universidades públicas.

Quando em 1978, o governo militar brasileiro criou os três primeiros Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), tínhamos a partir daquele momento uma gradativa substituição das escolas técnicas federais. O diferencial das antigas escolas técnicas para os Cefets está no acréscimo do direito que estas últimas possuem de ministrarem ensino superior. Com esta nova responsabilidade esses centros alcançaram um papel importante no sistema de formação profissional, para a aprendizagem técnica e também como alternativa ao ensino universitário.

Os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) foram utilizados para por em prática a modalidade mais tecnológica e menos academicista de educação superior, concretizando assim, uma formação especializada para o trabalho, não propriamente para a formação de um acadêmico pesquisador, mas principalmente para um profissional com vistas ao mercado de trabalho.

Com relação ao ensino superior oferecido pelos Cefets, cabe salientar que a reforma universitária de 1968 já indicava uma nova opção de educação superior não universitária com a flexibilidade curricular que permitia ofertas de cursos adaptáveis às demandas do mercado. A promulgação da Lei nº 6.545, de 30 de junho de 1978, que institui a formação dos Centros Federais de Educação Tecnológica também já previa a oferta de cursos de graduação e pós- graduação, em atividades de extensão e na realização de pesquisas na área tecnológica.

- 121 - Ao serem indagados sobre esta proposta de curso superior na escola, obtive um relato interessante do egresso Marcos. Este ex-aluno iniciou seu curso de eletrônica no Cefet-RJ em 1979 e concluiu em 1981. Esse período está alocado imediatamente após a promulgação da lei de 1978. Veja a seguir sua resposta sobre a introdução dos cursos de formação superior no Cefet-RJ:

Eu via isso (cursos superiores no Cefet) como um limitador, porque na mesma época

que eu estava cursando, estavam construindo o tal do bloco E... O famigerado bloco E. Por que “famigerado”? Porque lá iria ser a engenharia. Aquilo ali era assombroso. O bloco E era enorme em relação ao restante do Cefet. Grande, aquele quadrado enorme. E eles formavam na época só engenheiros operacionais. Eu achava aquilo estranho: o que é um engenheiro operacional? Engenheiro operacional é um engenheiro, mas não é um engenheiro, tem nível superior, mas que trabalha no chão da fábrica. É quase um engenheiro, eu tive essa visão, o termo

era engenheiro operacional. Você cursava o Cefet e virava engenheiro operacional.

(Marcos- Egresso de 1979-1981).

Para Marcos a possibilidade de tornar-se um engenheiro operacional não era boa opção, pois imperava naquele momento a ideia de que este era um curso de menos valor. O egresso Ricardo que entra na instituição para formação técnica em 1984 explica como via a formação superior do Cefet naquela época:

Existia o curso de nível superior aqui no bloco E, eu lembro que a gente ia visitar muito o pessoal do centro acadêmico. Eu nem tinha muita clareza na época, mas eu sabia que existia Engenharia aqui no bloco E, mas era muito separado, era muito, acredito que quase todos os meus professores fossem professores apenas do técnico, não fossem professores do nível superior. A filosofia era do curso técnico. Isso era uma coisa que ... Como é que se diz... Era um grupo bem fechadinho, aquela coisa bem local. Mas a questão dos cursos de nível superior, com certeza já existia, e eu acho que já não eram mais Engenharias Operacionais, eu acho que já eram cursos de Engenharia plena. O que eu sei dessa história é que a Engenharia Operacional durou pouco. Não durou muito porque todo mundo que fez Engenharia Operacional

fez uma complementação para outra Engenharia. (Ricardo- Egresso de 1984-1986).

Com este relato de Ricardo percebemos que o curso de Engenharia do Cefet-RJ não parece ser o foco dos alunos da primeira metade da década de 1980. Este fato talvez seja influenciado pela fama de ser um curso de curta duração e que apresentava a necessidade de complementação para ser considerado valorizado naquele momento pela sociedade, pelo empresariado e outras instituições que ofereciam o curso de Engenharia de forma plena. Apesar de esta opção de complementação ser apenas para o aluno que tivesse interesse em nível acadêmico e não apenas tecnológico, o curso perdeu a sua força e a partir de 1977 foi

- 122 - aos poucos sendo substituído, abrindo caminho para outro curso, agora de formação plena: O de Engenharia Industrial93.

Nos relatos acima, Marcos e Ricardo deixam claro que ignoravam completamente a mudança ocorrida na escola acerca do curso de formação superior ofertado, pois desde 1979 a Engenharia de Operação já havia sido extinguida dando espaço para a Engenharia Industrial de formação plena que segundo Vieira, deveria ser:

Predominantemente prática, necessária à condução dos processos industriais, à gerência ou supervisão das indústrias, à direção da aplicação da mão de obra, às técnicas de utilização e manutenção de equipamentos, enfim, às atividades normais de rotina das indústrias. (Vieira94 apud Soares: 291).

Entretanto, a imagem preconceituosa que ambos tinham do curso de Engenharia de Operação vinha de longa data. Segundo estudos de Marisa Brandão sobre o Curso de Engenharia de Operação e sua relação histórica com os Cefets, podemos perceber que desde sua criação em 1965, esta carreira esteve ameaça por ideias e opiniões diversificadas que colocavam à prova sua credibilidade e formação.

Brandão (2009)95 expõe em sua pesquisa que mesmo com os decretos do governo militar, tanto o curso como os engenheiros de operação continuaram sendo objeto de polêmica, tendo dificuldades em se consolidar. Segundo a autora, em 1975 foram concluídos os trabalhos de uma Comissão nomeada pelo MEC para estudar a transferência da engenharia de operação das Escolas Técnicas Federais para as universidades. O relatório desta Comissão abrangia informações sobre todas as ETFs que ofereciam o curso como era o caso de Minas Gerais, do Paraná e Rio de Janeiro e de outras que aguardavam autorização para funcionar (São Paulo, Bahia e Pernambuco).

Uma das citações da autora nos apresenta a forma como esta Comissão se posicionava acerca do curso de Engenharia de Operação quando em seu relatório, afirmara que:

não seria boa solução escolher entre alternativas a de transferir os referidos cursos para universidades e faculdades. Com efeito, faculdades e universidades são instituições de ensino com características que devem marcar uma boa escola de

93

Em 1977, o Conselho Federal de Educação (CFE), através de resoluções, caracterizou a habilitação de engenharia industrial, revogou a criação dos cursos de engenharia de operação e estabeleceu as normas para conversão destes últimos em engenharia industrial. Respectivamente, Resoluções CFE 04/77, 5/77, e 5A/77.

94 Ruy Camargo Vieira. A conceituação do ensino de Engenharia no Brasil. RJ, VII Congresso Panamericano de

Ensino de Engenharia, 3-10 out. 1976.

95 Brandão, Marisa. O Curso de Engenharia de Operação (anos 1960/ 1970) e sua relação histórica com a criação

dos CEFETs, Revista brasileira da educação profissional e tecnológica, artigo, 2009. Fonte: http://noticias.cefet- rj.br/wp-content/uploads/2010/03/20100323-revista_mec.pdf. Acesso em 10/02/2013.

- 123 - engenharia. Assim, a comissão conclui pela conveniência de sugerir que as escolas de engenharia de operação, existentes ou futuras, quando diretamente subordinadas ao MEC e vinculadas ao DAU, constituíssem entidades isoladas. (Nascimento96,

apud Brandão, 2009)

Quando apresenta as escolas “subordinadas ao MEC”, a Comissão refere-se