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Esta litologia destaca-se no relevo como morros arredondados, comumente com vegetação escassa ou lajedos descampados. Seu contorno é bem visível em imagens aéreas, apresentando drenagens dendríticas menos espaçadas que a dos xistos que o contornam e possuindo cotas mais elevadas (Figuras 3.14 e 3.15 e 3.16-a). O solo gerado por esta rocha é rosa claro e argilo-arenoso. O contato com as rochas encaixantes é intrusivo (Figura 3.16-b).

Figura 3.14. Imagem aérea destacando relevo diferenciado do biotita granito foliado Santa Rosa, indicado pela seta, Imagem Google Earth 6.1.0.5001 Beta.

E

F

1 mm 1 mm Xisto Rocha calcissilicática Grt Vênula Qtz Qtz + Pl Bt Qtz + Pl Bt + Ms Hbl Pl

37

Figura 3.15. Diferença entre relevo do granito foliado Santa Rosa, que é circundado por unidades metassedimentares xistosas.

Trata-se de um metagranito cujo centro do corpo é bem homogêneo, possuindo como características uma foliação pervasiva e bem marcada, dada pela orientação da biotita, e textura granolepidoblástica equigranular (Figura 3.16-c E 3.16-d). Os contatos entre os cristais variam entre irregular e reto, sendo este predominante. Possui composição sieno-granítica e é composto por quartzo (36-47%), feldspato potássico (43-45%), plagioclásio (5-15%), biotita (3-10%). Granada é rara, predominando nas bordas (<5%) (Figuras 3.17-a e 3.17-b). Tem como mineralogia acessória zircão e sericita/muscovita como mineralogia secundária, proveniente da alteração dos feldspatos.

Feldspato potássico (microclina) é o mineral predominante, ocorre em cristais subédricos, com maclas localmente deformadas e possuem até 3 mm de maior alongamento. Quartzo está em cristais anédricos a subédricos, de contatos poligonais (Figura 3.17-c), menos comumente irregulares, frequentemente com extinção ondulante, alcançando 2 mm. Quando estirados, podem, entretanto, alcançar até 6 mm de comprimento. Plagioclásio ocorre como cristais subédricos de até 1 mm de comprimento. Localmente estão sericitizados, principalmente nos núcleos, e mais raramente ocorre mimerquita. Biotita ocorre esparsa pela amostra, de forma orientada, em cristais subédricos a euédricos, de até 0,7 mm de comprimento. Granada está em cristais subédricos, arredondados, com até 0,4 mm de diâmetro (Figuras 3.17-d e 3.17-e).

Já as bordas do granito são menos homogêneas. Possuem lentes decimétricas a métricas de corpos de anfibolito estirados e orientados, muito semelhantes aos encontrados no embasamento. São rochas de textura nematoblástica, granulação média, com forte estiramentodos cristais, refletindo em uma lineação proeminente (Figuras 3.16-e e 3.16-f). Hornblenda (75-80%) é o mineral principal, ocorre como cristais prismáticos alongados, subédricos com até 3,5 mm de comprimento. Plagioclásio ocorre entre os cristais de hornblenda, raramente maclado ou com maclas deformadas e em cristais subédricos. Quartzo é raro, ocorre anédrico e com contatos poligonais. Titanita (2%) ocorre como cristais menores que 0,5 mm, esparsos pela rocha, subédricos a euédricos, com o típico hábito em cunha. Apatita (<1%) também é um mineral acessório comum e está presente em cristais subédricos a euédricos com até 1,4 mm de maior alongamento. Biotita é

Granitofoliado Santa Rosa Xisto

38 um mineral secundário e está crescida nas bordas de anfibólios, em relação de epitaxia. Em variações locais da rocha ocorrem boudins milimétricos de diopsídio, envoltos por cristais de anfibólio e plagioclásio fortemente estirados. Nesta porção, em especial, clinozoisita e epidoto são abundantes, principalmente resultante de saussuritização, formando cristais anédricos, granulares, de até 1 mm de comprimento.

Figura 3.16. A) Relevo característico do biotita granito foliado, formando lajedos descampados. B) Carácter intrusivo do granito foliado Santa Rosa nos xistos da Unidade D. C) Foliação marcada pela biotita.B) Xenólitos anfibolíticos estirados na borda do granito. D) Detalhe macroscópico do granito, mostrando sua característica leucocrática e composição de cerca de 10% de biotita. E) Detalhe de xonólito de anfibolito, intensamente estirado, cortado por apófises milimétricas do granito. F) Foto da borda do granito, com xenólitos anfibolíticos.

A

B

E

F

Apófise Xisto Xenólito

C

Sn

D

39

Figura 3.17. A) Fotomicrografia do granito foliado Santa Rosa, mostrando a foliação marcada por finos cristais de biotita orientados. B) Fotomicrografia em nicóis cruzados, evidenciando a composição predominantemente de microclina e quartzo, com plagioclásio em menor proporção. As maclaspolissintéticas da microclina comumente deformadas. C) Contato predominantemente poligonal entre os cristais. D) Foto de porção mais granatífera. E) Granada em fotomicrografia, representando a fração menor da rocha.

Bt Micr Bt Qtz + Micr

B

A

C

D

E

250 µm 250 µm 1 mm 1 mm Micr Qtz Qtz Micr Grt Grt

40

3.4. Tonalito G1

A porção mais a leste é formada por granitoides de composições variáveis. O relevo é marcadamente diferente: os morros são arredondados e atingem altitudes mais elevadas em relação à faixa de xistos. O solo formado sobre estas rochas é rosa claro e argiloso.

O granitoide predominante e que se encontra diretamente no contato com os xistos da Unidade D é um epidoto-hornblenda-biotita metatonalito, comumente com autólitos máficos estirados (Figura 3.18-a). A rocha possui granulação média a grossa, textura lepidogranoblástica, com cristais de plagioclásio maiores que o restante. Possui foliação marcada pela orientação de biotita e hornblenda, localmente anostomosada circundando cristais de plagioclásio e quartzo (Figuras 3.18-b e 3.18-c).

Figura 3.18. A) Metatonalito foliado com autólitos máficos orientados na foliação. B) e C) Detalhe do metatonalitomáfico, com cristais de biotita e anfibólio anastomosando quartzo e feldspato e marcando a foliação.

Os cristais de biotita (32%) são subédricos a euédricos, variando comumente entre 1 e 3 mm de comprimento. Possuem coloração amarronzada bem evidente, indicando uma composição possivelmente magnesiana (Figura 3.19-a). Estão orientados, marcando foliação. Plagioclásio (45-

C

A

B

Autólito Autólito

41 50%) está presente em cristais subédricos, com até 7 mm de comprimento e maclas polissintéticas bem visíveis. As bordas e contatos do mineral são comumente irregulares. Alguns cristais mostram- se sericitizados, principalmente nos núcleos. Raramente apresentam mimerquitização. Quartzo (12- 25%) está em cristais comumente anédricos, com até 4 mm de comprimento. Alguns grãos possuem extinção ondulante forte e localmente estão em contatos poligolizados, predominando o irregular. Epidoto (2-7%) costuma ser mais abundante que clinozoisita (1-3%), mas ambos possuem características semelhantes (Figuras 3.19-a a 3.19c). Estão como cristais anédricos a subédricos, com forma granular e com até 0,4 mm de diâmetro, ou como cristais prismáticos, orientados segundo foliação (Figura 3.19-d). Cristais de alanita (até 1%), de até 1 mm de diâmetro aproximadamente, com bordas de epidoto também ocorrem (Figuras 3.19-a e 3.19-b). Os cristais são anédricos, granulares e causam intenso fraturamento nos cristais circunvizinhos. Hornblenda (2- 10%) está em cristais anédricos a subédricos, com até aproximadamente 3 mm de comprimento, orientado segundo foliação.

Os minerais acessórios são titanita, zircão, apatita e turmalina. Titanita é rara e ocorre esparsa pela amostra, como cristais de granulação muito fina a fina, anédricos a subédricos. Zircão ocorre predominantemente incluso em biotita, formando halos pleocróicos. Os cristais são subédricos a euédricos e alcançam 0,1 mm de maior alongamento. Apatita é rara, está em cristais euédricos de até 0,3 mm de comprimento. Turmalina ocorre como diminutos cristais de granulação muito fina e hábito prismático subédrico a euédrico.

Figura 3.19. A) e B) Fotos em nicóis descruzados e cruzados de metatonalito com cristal de allanita circundado por clinozoisita, orientados aproximadamente na foliação da rocha, dada pela biotita.

1 mm 1 mm

A

B

Bt Aln Czo Hbl Czo Pl Qtz

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Figura 3.19 (continuação). C) Detalhe de cristais de epidoto e clinozoisita orientados segundo a foliação da rocha. D) Foliação da rocha marcada principalmente por biotita. E) Ocorrência de contatos poligonalizados entre cristais de quartzo. F) Foto geral da amostra, com foliação anastomosada, circundados cristais de plagioclásio e quartzo, e cristais de epidoto nela orientados.