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Rolf Nesch og gården Ragnhildrud i Liagardane

In document ALLE TIDERS (sider 50-55)

Nos momentos de formação continuada promovida pela 6ª CREDE tanto existiam professores que iam apenas para elogiar as políticas adotadas como, por exemplo, a intervenção curricular – Primeiro Aprender – tão criticada desde o início da sua adoção em 2008 por todos os professores da escola pesquisada como também docentes que eram convidados para exporem suas metodologias e atividades pedagógicas que davam certo. Eram esses professores que motivavam os sujeitos da pesquisa de continuarem a freqüentar tais reuniões. Por quase unanimidade, os sujeitos destacavam que o que mais detestavam eram as “babações”- professores tentando “aparecer”, ser bem visto para quem sabe ser convidado para fazer parte da equipe da 6a CREDE. Quase sempre as aberturas das reuniões se constituíam nas cobranças por melhores resultados a partir da análise de gráficos referentes a determinada avaliação que acaba de ser aplicada.

Numa das formações – 06/10/2009 – um professor de Língua Portuguesa no afã de sempre trazer alguma coisa “pra mostrar serviço” e “não perder o status frente à Crede”, sugeriu uma atividade “tão boba” e já deveras utilizada que suscitou reações contrárias em cadeia pelos participantes: “Meu deus, ele pensa que a gente é um burro, ou um acadêmico de letras ou sei lá o quê?; “hoje é só isso.preferia estar na escola fazendo meus planos de aula”(diário de campo). Vale ressaltar que os que freqüentam as formações devem entregar seus planos até o fim de semana. Assim se não for satisfatória, eles terão perdido tempo e deverão fazer seus planos na “calada da noite”, pois a superintendência cobra a pontualidade dos planos toda semana.

Muitos professores defendem que o único aspecto positivo destas formações e que poderia ser ampliado é o momento de contato, discussão e troca de experiências. Infelizmente só pode ir um representante de cada área causando o sentimento de exclusão pelos que anseiam ir. Alguns já até não desejam tanto por causa dos relatos ouvidos – “só cobrança e babação”.

Nesse mesmo dia, um professor-formador depois de descrever suas experiências claramente defendendo que são possíveis de serem adotadas em qualquer sala de aula – infalíveis, enfatiza uma realidade discutível: “Faça uma aula diferente, pra chamar atenção dos alunos, se não souber tocar, leve alguém ou peça para um aluno tocar” (diário de campo). O assunto era canção. Discretamente surgiram alguns comentários que expressavam como aquilo era recebido pelos docentes: “agora tenho que ser tudo, psicólogo, pai, padre, professor e agora até cantor”; “E o tempo... Cadê o tempo pra planejar essa aula diferente, ir atrás de cantor, pesquisar na internet, ir atrás de aluno, violão, onde é que ele arranjou esse tempo, pois o meu... Acho que ele não tem vida,... Não tem mulher, filhos ou sei lá, não tem lazer nenhum” (diário de campo).

Curioso que este último depoimento enfatiza a marca da profissão – falta de tempo – como um dos empecilhos da melhoria da ação pedagógica. Onde conseguir tempo para pesquisar sobre assuntos a serem abordados e elaborar planos e estratégias para promover a inclusão de todos em cada turma- solicitação da gestão no alinhamento? Cadê o tempo também para as tarefas burocráticas e a vida pessoal – lazer, diversão e família? É preciso enfatizar que o professor não necessita da divisão de seu tempo, pois ele é um ser vocacionado e, portanto o seu “negócio” – ensino – deve lhe ocupar sem descanso. Essa mistura de vocação e sacerdócio com os princípios empresariais constitui uma das melhores formas de dominação e estruturação da educação feita pelo neoliberalismo.

Muitos sujeitos da pesquisa concordam que assumir realmente o compromisso de fazer uma aula diferente e ser um professor “diferente” e responsável por uma aprendizagem significativa nas reais condições de trabalho só é possível quando o docente coloca para escanteio algumas ou até várias atividades pessoais a fim de se dedicar a sua profissão.

No dia 07/10/09, um formador considera a figura do professor-pesquisador: “o professor deve se tornar um pesquisador, produzir seus próprios textos a partir de estudos feitos pelos próprios professores” (diário de campo). Além da falta de tempo, a concretização deste personagem identitário depende de dois grandes obstáculos. Primeiro a subjetividade docente, será que o professor realmente quer presentificar esse novo personagem? O que lhe motivaria para tal empreitada? E o que lhe impediria, caso quisesse? Talvez o próprio fogo cruzado impossibilite esta presentificação. Ou mais precisamente as marcas que atualmente constituem a sua identidade citadas no decorrer deste trabalho. Entretanto, pode ser que o professor não se identifique com este personagem e apenas objetive presentificar o personagem de instrutor assalariado por simples escolha identitária ou porque já se encontra desiludido pelas experiências da vida profissional que o fizeram acreditar que a estrutura

contratante é impossível de ser modificada.

Em segundo lugar vem a questão da formação. Os cursos de licenciatura do país formam professores-pesquisadores? Os docentes em exercício estão tendo oportunidades para apreender este tipo de personagem bem como as suas predicações? Os professores de professores são suficientemente preparados para fomentar o aparecimento do professor- pesquisador? Os professores que terminam suas licenciaturas realmente sabem fazer pesquisa? Seria necessária, diante destas interrogações, uma séria investigação a fim de contribuir nas possíveis respostas.

O palestrante finaliza da seguinte maneira: “transforme sua sala numa comunidade de investigadores”. Mesmo depois do “boom” da pedagogia construtivista, a educação brasileira continua tradicionalista cujo foco é no saber enciclopédico docente como necessário à aprendizagem discente. É mais válido um professor-enciclopédia do que um professor fomentador de pesquisas. Não é a toa que mais da metade dos temas das formações são metodologia e didática no magistério, como se o “como ensinar” melhorado resolveria o problema da educação e dos baixos índices nas estatísticas de aprendizagem. Em suma, o “o que ensinar” e o “para que ensinar” tão debatidos pela teorização crítica educacional, não passassem de perca de tempo ou tentativas de “enrolar a aula”.

O professor deve ser considerado um mediador do conhecimento, um companheiro. Assim, tiraria uma carga muito pesada colocada nas costas deste profissional pelas políticas educacionais e pela sociedade de certa forma influenciada pelos discursos ideológicos. É legítimo que ele pode e deve atuar na motivação discente e excitação para a aprendizagem. Uma das maneiras é incitando os alunos a investigarem, buscarem respostas, soluções e conclusões para suas inquietações e as que se referem às disciplinas especificamente.

O foco da sonhada educação construtivista- construção do saber discente- está presente apenas nos discursos e em documentos oficiais como também raramente em algumas salas de aula do país.

No geral, a educação brasileira, ou melhor, falando, a instrução deveras enciclopédica, positivista e mercantil tenta disseminar a idéia do sucesso escolar dependente apenas de mudanças no fazer docente e conferir status de dogma a questão do currículo, finalidade educacional, estrutura e gestão da escola. O que é mais perigoso é que muitos professores já foram ideologizados e engrossam a campanha do neoliberalismo de que é perda de tempo discutir esses assuntos, pois já se achou onde está a falha: o método de ensino docente.

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