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O livro, Mural dos Orixás, registra a série de vinte e sete painéis representativos sobre os orixás, acervo do Museu Afro-Brasileiro de Salvador. O mural foi encomendado pelo Banco do Estado da Bahia, sendo concluído em 1968. Dezenove painéis medem três metros de altura por um metro de largura; e oito medem dois metros de altura por um de largura. Todos são entalhados em cedro com incrustações de objetos diversos ligados ao candomblé.

Tanto a edição de Mural dos Orixás, 1979, com fotos coloridas e edição bilíngue português-inglês, como a edição em preto e branco, 1971, com o título Mural do Banco da Bahia, abarcam os croquis de cada painel.

A análise foi feita sobre os croquis do painel de Ifá.

40 CARYBÉ. Ibid., 1962, p.35. 41 Id., Ibid., p.35.

Figura 145

Carybé, Exu, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 146

Carybé, Baba Abaolá, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 147

Carybé, Ogum, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 148

Carybé, Oxóssi, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 149

Carybé, Obaluaê, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 150

Carybé, Nanã, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 151

Carybé, Iyamí Oxorongá, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 152

Carybé, Ibualama, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 153

Carybé, Logun-Edé, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 154

Carybé, Ossanyn, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 155

Carybé, Rôko, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 156

Carybé, Xangô, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 157

Carybé, Bayánni, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 158

Carybé, Oxumaré, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 159

Carybé, Oxum, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 160

Carybé, Iansan, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 161

Carybé, Ewá, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 162

Carybé, Yemanjá, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 163

Carybé, Oxalá, 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 164 Carybé, Ifá 1968

Madeira (cedro) entalhada com incrustações 3 x 1 x 0,10 m

Figura 165

Carybé

Croquis para o painel de Ifá

1.2.1 IFÁ

Na técnica de bico de pena sobre papel, os croquis com o traço marcante de Carybé, retratam Ifá segurando na mão direita o opelê42 e, na mão esquerda, os

signos do Odu Ifá43 Ogundá, ao fundo traz a representação dos 16 signos de Odu

Ifá; na base do painel está representado, com incrustações de búzios e contas de miçangas, o Odu Ifá Oturopon, com quatorze búzios abertos e dois fechados, além de um galo.

Para RÊGO, o culto a Ifá, é fundamentalmente um dos aspectos mais importantes da religião do candomblé. Seu culto se orienta por meio dos ítans44, causando, nesse sentido, uma enorme diversidade mítica; por intermédio de Ifá,se faz a prática divinatória utilizando-se dois métodos: o Opelê e os Ikins45.

O sacerdote de Ifá, chamado babalaô46, munidos do opon Ifá47, da imagem de Exu, dentre outros objetos sagrados, procede sua prática, cujas respostas são interpretadas por meio dos odù.

O autor classifica os odù como divindades, do mesmo modo que Ifá e os demais orixás. De acordo com a narrativa mitológica:

Os odù desceram do céu para a terra, onde foi feito um grande trono, colocado num lugar aberto, para, nele, eji ogbe se sentar. eji ogbe é o mais velho, mais importante e o rei dos odù,por isso os outros 15 odù, sentaram em sua volta, formando um circulo. Os omó odù ou odù menores são também considerados divindades.48

Os odú são divididos em duas categorias: ojú odú, olho do odú; e omo odú, filho do Odú. A primeira categoria, é constituída dos dezesseis odú maiores e, a segunda, é formada pela combinação dos dezesseis odú maiores entre si, perfazendo um total de duzentos e quarenta odú menores. Somados aos dezesseis maiores, forma um total de duzentos e cinquenta e seis odú.

42 Opele: rosário com que Ifá, deus da adivinhação faz a prática divinatória. Mural dos Orixás, p. 81. 43 Odu Ifá: espécie de signo que rege a existência de uma pessoa durante a vida. As Nações Kêtu, p.

110

44 Itan(s): conto ou parábola que é utilizado para transmitir os conhecimentos do candomblé. Ibid, p.

109.

45 Ikins: dezesseis coquinhos de palmeira devidamente selecionados. Jogo de búzios, p. 19. 46 Babalaô: pai do segredo. Os Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, p. 188.

47 Opon Ifá: bandeja de madeira, de forma arredondada ou retangular, chamada OPÓN, onde é

colocado um pó amarelado – ÌYÈRÒSÙN. Jogo de búzios, p. 19.

Os orixás estão diretamente relacionados aos odù. Para cada um desses odù, respondem determinados orixás. Cada um possui, por sua vez, fundamentos, como folhas sagradas; ewo49; e cores, o que permite a distinção entre um e outro. A

reunião de todos os odù representa a fala de Ifá.

Após o texto de apresentação de AMADO, encontra-se uma nota explicativa:

O mural representando os Orixás, deuses africanos cultuados até hoje nos candomblés da Bahia, compõem-se de vinte e sete pranchas de madeira de cedro entalhadas, levando ainda incrustações de ouro, prata, búzios da costa, cobre latão, vidros e ferro conforme a simbologia do culto. [...] Foram consultados: Dona Menininha do Gantois, Dona Olga do Alaketo, Pierre Fatumbi Verger, Eduardo Ijexa, Agenor Miranda e Nézinho de Muritiba”50 Todas as pessoas citadas acima são de grande expressão e projeção no universo do candomblé baiano.

AMADO conclui:

Ifá ou Orumilá é o deus da adivinhação. Suas vestes são brancas e ele usa o opelê para responder as perguntas no jogo das adivinhas. Leva sempre consigo um saco contendo cocos de dendê. Seu dia da semana é quinta- feira.51

Os croquis registram ainda as anotações de Carybé, como em um diário de bordo, fazendo referência aos nomes de Pierre Fatumbi Verger e Olga do Alaketo, além de informações fundamentais para a confecção do painel.

Essa metodologia presente nos croquis do painel de Ifá se repete pelos outros vinte e sete painéis que compõem o mural.