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The Role of Economic Thought in the Globalised Economic System

2. THEORY

2.4. The Role of Economic Thought in the Globalised Economic System

Essa perspectiva confere aos alunos um papel fundamental. Dentro disso, como elemento essencial na proposta de Bazerman, destaca-se a questão da agência. O trabalho com a escrita, a partir dessa visão, leva a conceber o gênero como uma ferramenta de agência. Resgatando a perspectiva dos atos de fala, tendo em vista as condições de felicidade, é preciso que, diante da tarefa, o aluno/produtor reconheça o gênero em suas características textuais e a situação retórica em que se insere.

O conceito de agência, para Bazerman (2006), está diretamente vinculado ao engajamento que os sujeitos têm diante do ato de escrever e, de modo particular, refere-se às práticas de escrita que ocorrem dentro da sala de aula. Ao entender que o gênero dá forma a nossas ações e intenções (p.10), o autor o vê como um meio de agência, uma forma de expressar propósitos, de dar sentido ao estar-no-mundo. Desse modo, o estudante deve ser visto como um agente, como alguém que é capaz de usar criativamente a escrita e os gêneros que, por meio dela, corporificam-se. Para Bazeman (2006:13), a agência deveria ser parte inerente da aprendizagem da escrita.

Capítulo 3 – Gêneros e Práticas Sociais 96

Assim, gênero e agência são dois elementos indissociáveis. Mas é preciso que se crie um contexto para que se atribua agência aos alunos. No momento atual, vemos que à escola compete, como nunca antes, trazer a vida à sala de aula. Ver, desse modo, os gêneros como formas sociais de ação, em certa medida, pode responder a essa demanda social e propiciar que os alunos encontrem o seu caminho no ambiente simbólico que se constrói por meio dos livros, da mídia, de todos os processos de letramento que se instauram na sociedade. (v. Bazerman, 2007:43)

Porém, encontrar o caminho significa assumir uma postura retórica que possibilite o agir no mundo. De fato, o caráter dinâmico dos gêneros requer de nós, professores, uma atitude agentiva de nossa parte. Também as situações de escrita que são propostas em sala de aula deveriam propiciar que os alunos assumissem a sua agência nesse processo. Contudo, muitas vezes não conseguimos reconhecer nos alunos sua capacidade e, por isso, não lhes damos espaço para que se apropriem de seu papel nesses processos.

Isso descaracteriza o trabalho com gêneros, não possibilitando que sejam vistos como formas de ação. Mas, como assevera Bazerman (2005:11), a escrita por si só é imbuída de agência. A história da escrita, como apontei em capítulo anterior, decorre justamente dessa capacidade inventiva e criadora dos seres humanos.

Ao desconsiderar a agência dos alunos, corre-se o risco de tirar do trabalho com a escrita aquilo que lhe é essencial. Esse é um elemento que pode ser considerado como ponto de partida para o trabalho com os gêneros sob essa perspectiva, caso contrário, os alunos aprenderão apenas a “seguir o modelo”, a, de forma acrítica, reproduzir enunciados. De outra parte, os professores podem ter a ideia errônea de que, com essas práticas, contribuem para a inserção dos alunos em uma sociedade letrada. Historicamente prevalece uma visão de ensino e aprendizagem da escrita centrada na reprodução e numa simples avaliação de habilidades.

Se permanecer essa visão reducionista, continuará a haver um trabalho de leitura e escrita assentado em moldes anteriores, calcado numa metodologia que contempla apenas a reprodução de textos considerados de “bons escritores”, com a repetição, na sala de aula, do mesmo contexto de autoritarismo

com que nós, professores, fomos formados em épocas anteriores. Bazerman (2006) alerta também para o fato de que, ao longo de anos anteriores, a perspectiva de se trabalhar com textos exemplares, de considerados “bons” escritores, acabou por inibir, muitas vezes, os alunos para o ato de escrever. Essa distância, como afirma, pode obscurecer a agência dos alunos (p.18).

Atribuir agência significa, portanto, dar voz aos alunos e, mais ainda, dar peso a seus anseios, motivações, fazendo-os penetrar no sistema dinâmico de gêneros que permeiam as relações sociais, e que não estão presentes apenas naqueles textos literários consagrados (sem, contudo, desconsiderar sua importância nem tirá-los da vida de escrita da escola). O contato com o texto escrito não se pode dar de forma autoritária, mas paulatinamente o aluno deve ser desafiado a assumir a sua agência e a partilhar com os outros o seu trabalho escrito. A agência chama a atenção para o que não deve ser feito, mas, sobretudo, aponta caminhos para outras possibilidades. Bazerman propõe uma reflexão acerca disso e indica que:

Uma visão interacional de gênero pode nos ajudar a expandir nossa pedagogia para fazer com que mais tipos de escrita se tornem mais significativos para os nossos alunos, proporcionando mais motivação na escolarização e abrindo a porta para uma vida de escrita. (Cf. Bazerman, 2005:16)

Conforme aponta Bazerman (2006:14), a escrita da vida não pode se dissociar da escrita da escola. A agência cria condições para se garantir uma escrita com finalidades precisas, uma voz que tenha algo a dizer, e, sobretudo, que suscite ao seu redor uma audiência, que ganha força à medida que a agência cresce dentro da sala de aula. O sucesso ou não no mundo da escrita na vida adulta desses alunos depende, em grande parte, de suas práticas letradas na escola.

Ao se conferir aos alunos a agência, eles assumem o papel de escritores e passam a ver, também eles, os gêneros como formas de ação no mundo, ou seja, atribuem ao que produzem na escola uma relevância e pertinência com o seu estar-no-mundo. Assim, gêneros se tornam efetivamente uma ferramenta para que eles possam desempenhar o seu papel de escritores nas mais variadas situações de comunicação com as quais se deparam.

Capítulo 3 – Gêneros e Práticas Sociais 98

Com isso, vem em relevo o percurso de letramento dos alunos como algo singular, que refuta uma pedagogia de escrita baseada em repetições de modelos já consagrados, ou em práticas que comportam ritualisticamente exercícios formais, sem levar em conta a história de escrita dos alunos. Os gêneros, ao contrário disso, podem ser um caminho de descoberta de suas potencialidades.

A atribuição da agência também passa por essa visão, pelas escolhas que o professor faz, da sua formação, pelo modo como ele se relaciona com seus alunos e, pedagogicamente, dá espaço para que os estudantes possam se comunicar. A escolha de gêneros precisa ser orientada também segundo o momento de escrita no qual eles se encontram, ampliando os critérios de escolha que comportam a diversidade de gêneros existente na sociedade e presentes na vida desses sujeitos, para que façam uso deles como ferramentas. Assim, há que se levar em conta aspectos presentes em diversas áreas, além da linguística, retórica, incluindo aí a psicologia e sociologia.

Para isso, Bazerman (2006:26) retoma Bakhtin que, numa perspectiva dialógica da linguagem,

Vê nos gêneros discursivos uma establização situacional que influencia a referenciação, a expressividade e o direcionamento; a configuração genérica da ação comunicativa, desse modo, regulariza nossos objetos de discurso, nossa postura emocional em relação a esses objetos e nossa relação com o mundo.

A perspectiva sócio-retórica de Bazerman e de Carolyn Miller ajuda a compreender de que forma o trabalho com os textos na sala de aula pode se tornar uma atividade que leva em conta não só a produção em si mesma, mas os efeitos sociais que dela decorrem nos ambientes simbólicos que se constroem, relacionados ao modo como os alunos se engajam no trabalho de produção de textos e quanto àquilo que decorre da circulação desses textos entre eles.