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The role of basic research

In document A Good Council? (sider 45-52)

Há que se destacar que além da contribuição para a diversificação da matriz elétrica brasileira, a energia elétrica proveniente da queima do bagaço de cana apresenta ainda a vantagem de aumentar a adaptação econômica do setor sucroalcooleiro em função da alta volatilidade dos preços do etanol e do açúcar. Contudo, apesar de suas vantagens econômicas e ambientais, o aproveitamento da geração de energia elétrica no setor ainda está muito aquém do seu potencial.

Nyko et al. (2011) fala da existência de um hiato entre o potencial energético da cana- de-açúcar e a energia elétrica gerada pelas usinas sucroalcooleiras. A respeito da cogeração de energia elétrica, tal hiato é reforçado pela opção histórica, feita por muitas usinas, por tecnologias de cogeração que visavam apenas a autoprodução de energia e ao consumo do bagaço gerado como insumo, devido à sua difícil estocagem e baixa relevância comercial.

Ao mencionar essa lacuna entre potencial gerador e potencial real aproveitado, o autor propõe uma avaliação do problema ligado à eficiência na queima do bagaço pelo setor sucroalcooleiro. De certo, historicamente, os primeiros projetos de cogeração do setor tinham como objetivo a produção do vapor necessário ao processo produtivo ao menor custo. Assim, investiu-se em geradores a vapor de baixa pressão, produzindo vapor saturado ou levemente superaquecido. Como os sistemas elétricos eram pouco desenvolvidos, ou simplesmente inexistentes nas regiões em que as usinas estavam localizadas, o acionamento dos equipamentos industriais era predominantemente mecânico, e a geração elétrica voltada quase que exclusivamente ao atendimento das necessidades de iluminação da própria usina e dos núcleos residenciais ao entorno (SUZOR; BOUVET, 1991).

Como justificativa de seu apontamento, Nyko et al. (2011) realizaram um estudo, em 2009, contemplando 65% das usinas e destilarias em operação no país com o objetivo de identificar quais os fatores que, segundo a ótica das usinas, mais contribuem para inibir o investimento na cogeração de energia elétrica. Os resultados apontaram como principal obstáculo aos investimentos em cogeração o custo dos investimentos em modernização da usina e as condições de financiamento ao investimento.

Conforme consta no PDE 2023, as iniciativas governamentais visam fomentar a renovação e modernização das instalações de cogeração, além de facilitar as conexões ao Sistema Interligado Nacional – SIN19. O PDE 2023 ainda apresenta uma análise do potencial

19 Sistema hidrotérmico de produção e transmissão de energia elétrica no Brasil, formado por empresas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte da região Norte. Apenas 1,7% da energia requerida pelo

47 técnico de exportação de energia elétrica da biomassa de cana-de-açúcar, que considerou a produção já estimada de cana-de-açúcar e as características técnicas das usinas sucroalcooleiras. Para o cálculo do potencial técnico de exportação de energia elétrica ao SIN considerou-se que todo o bagaço gerado pelo setor seria utilizado para geração de energia elétrica, quer seja para autoconsumo, quer seja para exportação. Assim, o fator médio de exportação de eletricidade previamente calculado (75,2 kWh/t de cana) foi aplicado ao total de cana processada nas usinas do parque sucroalcooleiro, a cada ano, resultando na obtenção do potencial técnico de energia elétrica advinda do bagaço da cana-de-açúcar que poderia ser adicionado ao SIN (MME, EPE, 2014).

De acordo com os dados divulgados pelo PDE 2023, há a previsão de contratação de cerca de 1,6 GW médios pelas usinas sucroalcooleiras até o final de 2018, podendo esse valor ser maior com a realização de futuros leilões de energia. Além disso, o potencial técnico de produção para o SIN de energia elétrica a partir da biomassa de cana-de-açúcar, considerando o aproveitamento ótimo do bagaço, permitiria ofertar 7,7 GW médios até 2023, dos quais 1,4 GW médio já foi contratado nos leilões e com início de suprimento até 2018. O potencial desta fonte está localizado principalmente nos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná, portanto próximo dos maiores centrosconsumidores de energia elétrica (MME, EPE, 2014).

Vale ressaltar que esses valores não estão englobando o aproveitamento das palhas e pontas. Os resultados indicam que o potencial energético dessas fontes seria de 7,0 GW médios e 11,8 GW médios, respectivamente, até 2023 (MME, EPE, 2014).

país encontram-se fora do SIN, nos chamados Sistemas Isolados, onde comunidades isoladas (quase todas localizadas na Amazônia) são abastecidas por geração térmica a óleo.

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3 – A ENERGIA ELÉTRICA PRODUZIDA A PARTIR DO BAGAÇO DE CANA-DE-

AÇÚCAR: IMPORTÂNCIA PARA A MATRIZ ELÉTRICA NACIONAL

Hoje em dia, inúmeras pesquisas envolvendo fontes alternativas de energia vêm sendo realizadas com o objetivo de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa e garantir o abastecimento da demanda futura. Nesse sentido, alguns subprodutos de processos dos setores industrial, agrícola e terciário têm sido aproveitados de forma bastante significativa em sistemas de cogeração, como por exemplo, as siderúrgicas, usinas sucroalcooleiras e de papel e celulose (SILVA, 2010).

Como visto anteriormente, a biomassa é uma fonte orgânica que pode ser utilizada para produzir energia e tem sido defendida como uma importante alternativa energética aos combustíveis fósseis. Historicamente, a lenha foi uma das principais fontes energéticas básicas na estrutura mundial até o surgimento da Revolução Industrial, quando passou a ser substituída em larga escala pelo carvão mineral, no século XVIII. Mesmo assim, resistiu ao longo dos anos, e hoje essa fonte de energia é empregada junto com outras fontes de biomassa na matriz energética de muitos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.

A biomassa pode ser usada como insumo para geração de energia elétrica, pois está entre as fontes de energia renováveis com maiores possibilidades em termos de natureza, origem, tecnologia de conversão e produtos energéticos, exigindo para a quantificação da oferta de energia elétrica, a quantificação dos resíduos das principais culturas e das atividades agroindustriais do país, bem como as formas de sua disponibilização.

Considerando o contexto em que se insere a avaliação do potencial da biomassa como recurso energético, as políticas de governo voltaram sua atenção para as fontes de biomassa de escala compatível com a integração ao sistema elétrico e para as culturas que apresentam condições atuais e perspectivas futuras de escala no país, considerando tanto as culturas alimentares e seus resíduos, as culturas energéticas e a produção silvicultural, bem como os resíduos agroindustriais produzidos, entre os quais está o bagaço da cana-de-açúcar. Como o setor sucroalcooleiro gera grande quantidade de resíduos, estes podem ser aproveitados na geração de eletricidade, em sistemas chamados de cogeração.

A cogeração é definida pela Resolução Normativa Nº 235, de 14 de novembro de 2006, da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, como sendo o “processo operado numa instalação específica para fins da produção combinada das utilidades calor e energia mecânica, esta geralmente convertida total ou parcialmente em energia elétrica, a partir da

49 energia disponibilizada por uma fonte primária, observando que a instalação específica denomina-se central termoelétrica cogeradora, cujo ambiente não se confude com o processo

ao qual está conectada”.

Daí a queima do bagaço de cana apresentar um papel de extrema importância ao setor sucroalcooleiro e, ao mesmo tempo, conferir uma destinação a esse resíduo, além de se aproveitar de seu potencial energético. Ressalta-se, contudo, que o processo de obtenção de energia a partir da queima do bagaço não se constitui em solução definitiva a esse resíduo, pois há que se considerar a geração de emissões atmosféricas e das cinzas.

É justamente o alto teor de fibras que confere ao bagaço de cana o potencial de ser empregado na produção de vapor e de energia elétrica, utilizadas como insumo para a fabricação de açúcar e etanol. Dessa forma, o bagaço pode garantir a autossuficiência energética das usinas sucroalcooleiras durante o período da safra da cana-de-açúcar.

Além de atender as necessidades de energia das usinas, desde a década de 1980, o bagaço tem permitido a geração de excedentes de energia elétrica que são fornecidos para o sistema elétrico brasileiro (SOUZA, 2012). A participação dessa fonte de biomassa na matriz elétrica é importante, porque a safra da cana-de-açúcar coincide com o período de estiagem na região Sudeste/Centro-Oeste, onde está concentrada a maior potência instalada em hidrelétricas do país. A eletricidade fornecida neste período auxilia, portanto, a preservação dos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas (ANEEL, 2008).

Sobre essa questão, Cortez (2010) afirma que “a cana-de-açúcar é olhada cada vez mais como uma fonte de energia, e não só como fonte de alimento. Porém, ela é hoje mal aproveitada sob esse aspecto, uma vez que menos de 30% de sua energia primária original são convertidos em energia secundária útil (álcool e energia elétrica)”. Tal fato traz à tona uma questão primordial quanto ao aproveitamento energético do bagaço de cana – a eficiência no aproveitamento de seu potencial energético.

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