Todos os testes que envolvem o uso da cor se baseiam no fato de que as cores demonstram as reações sobre a afetividade. Tradicionalmente a cor é considerada um estímulo emocional e responder à cor reflete a capacidade para reagir emocionalmente ao meio. Quando um indivíduo dá uma resposta de cor, revela o reconhecimento de pressões emocionais sobre ele e sua habilidade costumeira em reagir a elas.A resposta de cor quando aparece denota uma interação emocional entre o indivíduo e o meio.
Halpern (1953), estudiosa do Rorschach infantil, nos oferece valiosa contribuição ao fazer um relato do estilo de resposta da criança ao estímulo da cor, de acordo com seu estágio de desenvolvimento. Ela diz que quanto mais tenra a idade da criança, mais as emoções serão intensas, pouco socializadas e controladas.
Até os quatro anos de idade as respostas mais comuns nos protocolos serão C (cor pura) ou CF (cor-forma secundária). A resposta C (cor pura) indica que as emoções são pouco socializadas, pouco contidas. A resposta CF, a qual pressupõe uma demanda de forma, indicará que alguma modulação dos afetos já começa a existir. Entre quatro e cinco anos, as respostas de cor pura (C) tornam-se mais raras, enquanto que as CF (cor-forma) são mais
comuns. Assim, notamos que as reações emocionais da criança são essencialmente egocêntricas, tanto quanto impulsivas. Somente com a idade de 8 a 12 anos, quando a criança está voltada completamente para o social e apresenta maior controle emocional, há uma mudança no padrão de resposta. Nesta etapa as respostas FC (forma-cor) ganham mais expressão.
É importante notar que embora o processo educacional prepare a criança para um padrão de reações emocionais socialmente aceitas, este processo pode não ser atingido e a criança não alcançar a predominância das respostas FC sobre as CF e C, antes dos 11 anos, possivelmente nem mais tarde. Considera-se também que a criança que tenha desenvolvido esse forte controle dos afetos antes dos nove anos, sofreu formas repressivas de treinamento pelo meio ou sua insegurança a tenha submetido a controles exagerados dos afetos. Em tais casos é preciso considerar se a maturidade e o controle expressos na resposta FC é uma maturidade verdadeira, resultante de uma resolução harmoniosa de conflitos, os quais levam a uma integração suave ou paulatina dos sentimentos e capacidade de compreensão. A diferenciação pode ser feita em termos dos outros escores, assim como dos conteúdos das respostas.
Se a produção das respostas FC é o resultado de uma real maturidade, a repressão e a inibição exageradas não estarão presentes em outras áreas da personalidade. Não haverá necessidade de reprimir a fantasia ou restringir sua produtividade. O número de respostas globais (as que utilizam toda área da mancha) será adequado para idade e as respostas de movimento animal (FM) devem ser devidamente interpretadas. Além disso, as respostas FC devem refletir uma real integração do controle e da emoção. É preciso a análise adequada para verificar o que é uma tentativa pouco eficiente de adaptação e basicamente afeto primitivo, que são as respostas nas quais a cor é usada de modo impróprio, como por exemplo, na prancha VIII, urso cor-de-rosa. Neste caso o uso impróprio da cor expressa o pensamento literal e concreto da criança e que pode sugerir uma tentativa forçada de controle dos afetos que fogem à maturidade genuína esperada. Quando FC aparece com qualidade formal pobre, há indícios de esforços exagerados na adaptação devido às inseguranças frente às pressões do meio, mas a criança esforça-se para responder adequadamente. Por outro lado, caso nenhuma resposta FC seja dada após os sete anos, pode-se inferir que o processo educacional, educativo, não está sendo sentido, e a capacidade para maturidade emocional não está sendo atingida. Quando as respostas de C pura (C) são numericamente predominantes nesta etapa, há evidências de uma imaturidade no desenvolvimento afetivo.
decorrer do desenvolvimento. As diversas posições existenciais refletem não apenas as transformações e os conflitos internos que o indivíduo enfrenta ao longo da vida, mas a forma que consegue encontrar para adaptar-se ao ambiente no qual se encontra inserido. A porcentagem de respostas das ultimas três pranchas em relação ao total de respostas do protocolo, nos dá o estilo de vivência e mostra a intensidade que as crianças respondem aos estímulos emocionais. Quando a cor presente nas ultimas pranchas não tem força estimuladora, a porcentagem é baixa e caracteriza o estilo vivencial introversivo. Do contrário, determinará o estilo extratensivo.
Silveira (1985) mostrou a importância da proporção de respostas de cor em relação às demais respostas, para compreensão da afetividade. Mediante esta relação é possível desvendar a expressão do afeto e seus processos dinâmicos, pois a reação afetiva se expressa nas associações com a cor. A análise da porcentagem de respostas das três ultimas pranchas possibilita uma melhor compreensão do estilo de vivência (Erlebnistypus ou EB) mostra a abertura que a criança tem aos estímulos ambientais.
Embora estes estudos não serem recentes, desenvolvidos há muito mais de dez anos, são pioneiros ao oferecerem sua contribuição e servem como ponto de partida ou de base para as inferências sobre a importância das respostas de cor e sua relação com a afetividade. Lembramos que a porcentagem de respostas de cor das três ultimas pranchas sobre as demais é mantida até hoje na computação dos dados do Rorschach como variável preponderante para a caracterização da afetividade e das emoções nos mais diversos sistemas de classificação, além do Sistema Compreensivo de Exner. Os nossos resultados foram analisados seguindo estas considerações sobre a cor e o afeto, sua relação com o ambiente, considerando a etapa de desenvolvimento à qual pertencem os nossos participantes, visto que estes autores chamam à atenção para tal fato e discriminar o que podemos esperar de cada fase favorece o melhor entendimento do modo de funcionamento das crianças de nosso estudo.
Todos estes dados analisados em conjunto nos permitem uma avaliação detalhada das características emocionais. O nosso propósito é examinar como a criança com TDAH lida com situações emocionais, como vivencia e expressa os afetos. Partimos do princípio que toda sua organização psicossomática reage de modo específico de acordo com um estilo ou traço que a diferencia das demais crianças. A fim de que possamos compreender tais traços ou estilo de personalidade, necessitamos de parâmetros que norteiam o desenvolvimento afetivo- emocional e fundamentem nossas observações, pois estabeleceremos comparações com crianças que não apresentam o transtorno.