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4. Analysis

4.1 Data sample

4.3.10 ROFR and tag along

O descritor “Área de Conhecimento/Área Curricular” estabelece quais disciplinas do ensino básico ou quais áreas de conhecimento estavam envolvidas na tese ou dissertação. Nesse tópico serão apresentadas as disciplinas do ensino básico as quais as práticas pedagógicas de EA estiveram associadas.

Foram identificados 15 trabalhos com a classificação GERAL, 7 envolvendo a área de Artes, 3 com Ciências Biológicas, 15 com Ciências Naturais, 3 com Educação Física, 3 com Física, 14 com Geografia, 7 com História, 3 com Língua Estrangeira, 8 com Língua Portuguesa, 8 com Matemática e 2 com Química. A Figura 6 apresenta as áreas de conhecimento relacionadas com as teses e dissertações.

0 2 4 6 8 10 12 14 16 Geral Artes Ciências Biológicas Ciências Naturais Educação Física Física Geografia História Língua Estrangeira Língua Portuguesa Matemática Química

Figura 6: Quantidade de trabalhos cujo foco de investigação são práticas pedagógicas desenvolvidas por instituições públicas do ensino superior, no Estado de São Paulo, analisados por Área Curricular.

Esses resultados mostram que quinze das 31 pesquisas obtiveram a classificação “GERAL” em relação à área curricular. Esse resultado representa que praticamente metade do corpus documental não está vinculado a uma área curricular específica. Os outros 16 trabalhos estiveram associados a onze áreas de conhecimento. As áreas que mais se destacaram foram Ciências Naturais (15), Geografia (14), Matemática (8), Língua Portuguesa (8), História (7) e Artes (7).

As disciplinas Ciências Naturais e Geografia estiveram muito presentes no trabalho com EA na escola básica, no entanto, é interessante o resultado envolvendo as áreas de Matemática, Língua Portuguesa, História e Artes, pois mostra que outras áreas curriculares além de Ciências Naturais e Geografia estão buscando trabalhar com a temática ambiental. As demais áreas parecem não estar se integrando, o que indica que um esforço maior deve ser feito para que a EA no contexto da escola básica seja trabalhado de maneira conjunta entre as diferentes disciplinas.

Dos 14 trabalhos que envolveram a disciplina Geografia, seis também tiveram a disciplina de Matemática, sete a de Língua Portuguesa, cinco a de História e seis a de Artes. Do total de 15 pesquisas que envolveram Ciências Naturais, seis tiveram a disciplina de

Matemática, seis a de Língua Portuguesa, seis a de História e cinco a de Artes. As disciplinas de Geografia e Ciências Naturais ocorreram paralelamente em 12 pesquisas.

Uma das práticas pedagógicas relatadas no trabalho de Santos (2006) envolveu o esforço em conjunto de professores de Geografia, Ciências Naturais e Artes em um mapeamento socioambiental de uma microbacia:

“A busca de possibilidades para o desenvolvimento de novas atividades com mapas, por exemplo, levou a integração dos trabalhos dos professores Claudionor (Geografia), Zélia (Ciências) e Roberto (Artes), da escola Recreio São Jorge. Para a realização do mapeamento socioambiental da região de estudo com os alunos, o professor de Geografia trabalhou com os dados coletados nos trabalhos de campo, organizados pela professora de Ciências. Por sua vez, o mapeamento socioambiental elaborado serviu de base para a construção de uma maquete da microbacia do Recreio São Jorge, orientada pelo professor de Artes. Neste exemplo, três disciplinas se integraram a partir do desenvolvimento de três atividades complementares em si (trabalhos de campo, mapeamento socioambiental da microbacia e maquete da microbacia), todas voltadas ao estudo local. O lugar, a nosso ver, se colocou aqui como objeto de estudo e ao mesmo tempo, como síntese do processo de ensino e aprendizagem” (p. 206).

O trabalho em conjunto entre as disciplinas de Ciências Naturais e Geografia pôde ser verificado na pesquisa de Nishikawa (2005). Os professores dessas disciplinas organizaram uma atividade de campo cujo trajeto iniciava na escola e o destino final era a cidade de São Vicente, passando pela Serra do Mar. Todos os envolvidos percorriam de trem esse percurso e ao longo da excursão esses professores iam trabalhando a questão da ocupação urbana e a devastação da Mata Atlântica. No relato a seguir, o professor de Geografia Yuri fala desse trabalho realizado em conjunto com a professora de Ciências Ângela:

“O projeto era Mata Atlântica, Serra do Mar e Litoral. Eles tinham que fazer esse percurso. Você está percebendo como a coisa sai da escola, pega Parelheiros e vai para o Litoral. Era uma coisa que, até então, surgiu às margens do Guarapiranga, ali perto da escola e que foi ampliando. Você viu o leque... a amplitude do projeto, que parecia pequeno, depois era um projeto grande... Era assim, os alunos tinham que chegar até a Serra, iam de trem, tinha um trenzinho... eles iam presenciando a Serra do Mar, eles iam vendo ... no caso da Geografia, a topografia, as formas de relevo, as serras, depois as escarpas... eles iam observando tudo isso e olhando a formação da mata, a questão da mata,... A Ângela já trabalhava a questão dos tipos de folhas, raízes e troncos, ... do orvalho. Ela fez um trabalho sobre a questão do orvalho com os alunos, lá no canto do trem, falava sobre o orvalho... aquelas gotinhas que tinha, os cristais... E aí, quando chegavam no litoral, eles tinham que colher água do mar para ver a salinidade, eles tinham que colher amostra da areia. Na verdade era uma excursão, mas eles tinham que fazer todo o trabalho, vamos dizer assim, garimpeiros... Eles garimpavam tudo, e traziam conchinhas, traziam... aqueles bichinhos... era muito legal E depois, tudo isso era trabalhado na sala de aula. A Ângela levava para o laboratório (não tinha, era precário) e via, separava lá, fazia a decantação... Enfim, todo mundo participava, de certa forma” (p. 221-222).

Esses dois exemplos retirados da tese de Nishikawa (2005) e da dissertação de Santos (2006) foram os únicos em que ocorreu integração de duas ou mais áreas de conhecimento no desenvolvimento das práticas pedagógicas. Nos demais trabalhos os pesquisadores identificaram que os professores realizaram práticas de EA dentro de suas próprias disciplinas.