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Para a delimitação geográfica das Unidades Geoambientais da bacia de drenagem do açude Paulo Sarasate, utilizou-se a definição das unidades naturais homogêneas (SOUZA et al., 2002), considerando-se os parâmetros morfológicos e litoestruturais, sendo estes fundamentais para identificação e delimitação mais coerente. Resultaram da junção de áreas favorecidas de condições específicas quanto às relações mútuas entre os fatores do potencial ecológico e os da exploração biológica; morfologicamente foram compartimentadas quatro unidades sendo as áreas de deposição recentes representadas pelas planícies fluviais, embasamento cristalino representado pela depressão sertaneja e os maciços residuais e parte representada por rebordo da bacia sedimentar do Maranhão/Piauí (Ver quadro 03).

Para melhor compreensão foi elaborado um mapa das Unidades Geoambientais da área da pesquisa com seus respectivos Geofácies (Ver mapa 03).

Quadro 3 – Unidades Geoambientais da Bacia de Drenagem do Açude Paulo Sarasate

Fonte: Elaborado pelo autor.

Planícies Fluviais

As planícies fluviais da área da bacia de drenagem do açude Paulo Sarasate representam 160,09km² e são constituídas de sedimentos aluviais areno-argilosos do Cenozóico (Quaternário). Trata-se de áreas planas resultantes de acumulação fluvial sujeitas a inundações. Como representante mais significativada área em estudo, a planície fluvial do rio Acaraú (rio principal) subdivide-se em dois setores. O primeiro refere-se ao alto curso do rio Acaraú, apresentando córregos em drenagem dendrítica e subdendrítica e declividade forte,

vale bastante escavado em forma de “V” de ângulo agudo correspondendo às vertentes UNIDADES GEOAMBIENTAIS ÁREA km² % relação ao total Planícies Fluviais 160,09 18,52 Dep. Sertaneja 2.896,64 40,74 Maciço Residual 151,63 17,55 Planalto da Ibiapaba 200,39 23,19 Total 3.408,75 100

íngrimes da Serra das Matas. O segundo trecho corresponde ao setor leste da chapada da Ibiapaba, voltado para a depressão sertaneja com vários afluentes provenientes do topo e encostas. A cobertura vegetal varia desde floresta tropical plúvio nebular (perenifólia úmida), existentes nos topos da Serra da Ibiapaba, como também na Serra das Matas e Floresta Subcaducifólia nas vertentes dos mesmos, até chegar à floresta de caatinga nas áreas mais rebaixadas das planícies.

As planícies são áreas alternativas em épocas de estiagem utilizadas na fabricação de tijolos e telhas, como também plantio de pastagens, batatas, arroz em quantidade pouco expressiva.

Quanto às matas ciliares, estas encontram-se parcialmente preservadas em alguns trechos com indivíduos como oiticica, ingazeira, pageú, canafístula, no mais espécies arbustivas secundárias. A cultura de subsistência conta com expressivas áreas desde o fundo dos vales à mata de terra firme. É comum a pecuária extensiva próxima aos leitos dos rios e riachos secos.

Depressão Sertaneja

Em termos quantitativos, a Depressão Sertaneja é a unidade geoambiental que apresenta maior representatividade na bacia de captação do açude Paulo Sarasate, com 2.896,64km² (ver mapa 03).

Trata-se de áreas de superfícies de aplainamento encaixadas entre o Maciço Residual da Serra das Matas a sudeste da área da bacia, parte do setor leste do Planalto da Ibiapaba, e níveis altimétricos elevados, mais precisamente divisores de águas, a sul, e a oeste. O direcionamento da bacia se dá no sentido sul – norte, montante – jusante até o barramento do rio Acaraú na cidade de Varjota.

Conforme Sousa (1979), na depressão sertaneja, o caimento topográfico se orienta no sentido dos fundos dos vales com declive a partir da base dos níveis elevados dos Planaltos Sedimentares, ou dos Maciços Residuais, ou mesmo das cristas e inselbergs.

Vale ressaltar que a dinâmica morfogenética da Depressão Sertaneja está estreitamente correlacionada com os condicionantes climáticos e com o caráter caducifólio do revestimento florístico.

Com topografia ondulada e suavemente ondulada, drenada por cursos d’água pertencentes à bacia hidrográfica do rio Acaraú e seus tributários, sugere-se que a suavização do relevo dificulta um aprofundamento mais efetivo dos vales.

Vale ressaltar que a duração do fluxo d’água dos rios e riachos que integram a

bacia de drenagem do açude Paulo Sarasate equivale a quatro ou cinco meses do ano, havendo uma diminuição significativa desse fluxo logo que as precipitações escasseiam, tendo início um longo período de estiagem com cerca de sete a oito meses.

Maciços Residuais

Apresentam-se como blocos elevados, com altitudes variando entre 550 e 600 m, compostos por litologias do complexo migmatítico-granítico. Segundo a classificação de Sousa (1988), estes pertencem ao Domínio dos Escudos e Maciços Antigos.

Na área da bacia de drenagem do açude Paulo Sarasate situam-se a sudeste, apresentando altitudes superiores a 800 m com feições morfológicas diversificadas como: topos, vertentes íngremes, fundos de vales e planícies alveolares em níveis suspensos de pedimentação, com uma área aproximada de 151,63 km², correspondendo a 17,55%, da área da pesquisa.

A altitude favorece maior umidade em vertentes direcionadas para barlavento. Já para sotavento, as vertentes apresentam uma redução significativa das precipitações, fazendo com que estas assemelhem-se às áreas de superfícies aplainadas, onde prevalece o intemperismo mecânico. Apesar dos níveis altimétricos elevados provocarem as chuvas de relevo, os índices pluviométricos anuais não chegam a extrapolarem os 800 mm, sendo marcados pela irregularidade, mesmo no período de chuvas, que geralmente tem início no mês de fevereiro indo até meados de maio. No restante dos meses, predomina a deficiência hídrica. Nos setores mais elevados, a temperatura é mais atenuada, já em áreas mais rebaixadas, estas se elevam mais com variações insignificantes durante o ano com diferença de aproximadamente dois graus.

Apesar do regime das precipitações pluviométricas apresentarem irregularidades tanto no tempo como no espaço condicionando os rios e riachos, o tipo de drenagem é dendrítica e sub-dendrítica e regime intermitente destacando-se o rio Acarau como principal.

Os solos apresentam-se do tipo argissolos em setores mais elevados com condições de umidade mais expressivas, no entanto em setores mais rebaixados com menor umidade há a ocorrência de neossolos litólicos respectivamente.

A cobertura vegetal encontra-se condicionada por condições climáticas em ares úmidos têm-se a vegetação de Mata Seca e em áreas mais rebaixadas de menor umidade predomina a vegetação de caatinga arbustiva secundária.

Planalto Sedimentar

Trata-se do rebordo leste da bacia sedimentar do Maranhão-Piauí, constituindo

um “front” com declive superior a 30% e desnível altimétrico da ordem de 700 m, com

terrenos rebaixados da depressão sertaneja.

Na área da bacia de drenagem do açude Paulo Sarasate, parte do setor leste deste planalto apresenta significativa presença por apresentar diversas nascentes que contribuem diretamente alimentando rios e riachos que integram as sub-bacias do rio principal Acaraú.

Vale ressaltar que esse setor da área do planalto sedimentar é uma área com grande dimensão espacial representando 200,39 km² da área da pesquisa, refletindo numa vazão de água substancial principalmente em anos de inverno, que mantêm o regime pluviométrico acima de 1000 mm anuais, tendo parte dessa água transportada para a bacia de drenagem do açude Paulo Sarasate.

Na superfície de topo e encostas íngremes encontra-se uma cobertura vegetal de floresta tropical pluvio-nebular ainda preservada mantida por solos do tipo latossolos vermelho-amarelo em bom estado de conservação por conta de escarpas verticais de difícil acesso a práticas de agricultura. Já em direção à bacia de drenagem há o contato do material sedimentar com o cristalino, onde tem-se a depressão periférica. Aqui os processos da semiaridez são mais expressivos, as temperaturas são mais elevadas, o intemperismo é mecânico e a vegetação é a caatinga arbustiva, aparecendo algumas manchas isoladas de caatinga arbórea.

– Unidades Geoambientais da Bacia de Drenagem do Açude Paulo Sarasate

5.3. Níveis Taxonômicos do Relevo no Contexto da Bacia de Drenagem do Açude Paulo