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P ROCESSING WORKFLOW

4. DATA PROCESSING

4.2. P ROCESSING WORKFLOW

A cognição pode ser descrita em função de um conjunto de tipos específicos de processos que incluem a atenção; a percepção; o reconhecimento; a memória; a aprendizagem; a leitura, fala e o ouvir; resolução de problemas; o planeamento; o raciocínio e a tomada de decisão (Norman, 1993). Num contexto mais complexo, interessa em especial, no âmbito deste trabalho, a aprendizagem. A aprendizagem é entendida como um tipo de capacidade cognitiva, humana e individual (Norman, 1993).

Segundo Johnson-Laird (1989), a aprendizagem é normalmente uma mudança permanente que ocorre quando, em resultado da experiência, alguém se torna capaz de realizar algo que não conseguia anteriormente ou que o consegue realizar agora de uma melhor forma. Segundo o mesmo autor, a aprendizagem pode ser vista como uma construção de associações (Johnson-Laird, 1989).

Quando se planeia qualquer processo educativo ou de aprendizagem, é importante ter consciência da teoria que lhe está subjacente.

Driscoll, referenciado por (Siemens, 2008), refere que associadas ao ensino existem 3 epistemologias:

• Objectivismo: Refere que a realidade é externa e objectiva e que o conhecimento é adquirido através da experiência;

• Pragmatismo: Refere que a realidade é interpretada e que o conhecimento é adquirido através da experiência e do pensamento;

• Interpretativismo: Refere que a realidade é interna e que o conhecimento se vai construindo.

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Associadas a estas epistemologias estão as seguintes teorias de aprendizagem (Siemens, 2008):

Behaviorismo

Afirma que a aprendizagem é uma "caixa preta", na medida em que não sabemos o que ocorre no interior do aluno. Concentra os seus esforços na observação de comportamentos e encontra grande parte da sua existência no objectivismo (Siemens, 2008).

No Behaviorismo, o comportamento é uma resposta a um determinado estímulo (Wikipedia, 2008).

Num ambiente behaviorista, a aprendizagem é facilitada através do reforço de uma associação entre o estimulo e a respectiva resposta. Num ambiente educacional assistido por computador, a apresentação do problema (estímulo) é feita por um computador, seguido da resposta do aluno ao problema (resposta) (Naismith, et al., 2004).

Cognitivismo

Esta teoria tem em conta o processamento de informação de um computador. A aprendizagem é encarada como um processo de inputs, gerido em memória de curta duração, que depois é codificada numa memória de longa duração (Siemens, 2004).

Relativamente a implicações para o processo de ensino e aprendizagem, Wertheimer (1945) distinguiu duas modalidades de solução de problemas (Wertheimer, 1945):

• as soluções resultam duma aplicação estereotipada de regras ou fórmulas anteriormente memorizadas;

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A primeira modalidade caracteriza-se por um pensamento meramente reprodutivo, que coincide com as práticas usuais dos professores ao centrarem o ensino sobre a memorização mecânica. A segunda modalidade traduz um pensamento produtivo, de onde emerge a criatividade (Wertheimer, 1945) .

Esta teoria de aprendizagem encontra grande parte da sua identidade no pragmatismo (Siemens, 2008).

Construtivismo

De um modo geral, entende-se por construtivismo o conhecimento como construção. Neste plano, cada sujeito participa activamente na construção dos seus conhecimentos, sendo este o principal responsável pela sua aprendizagem.

Piaget (1998) deu um forte contributo para a investigação neste domínio, ao defender que a aquisição de conhecimentos é um processo dinâmico e auto-regulador, que assenta essencialmente na adaptação do sujeito e das suas estruturas cognitivas ao meio. Deste modo, o construtivismo assenta no pressuposto de que a aprendizagem resulta de uma construção pessoal da realidade que o sujeito concretiza. É, por isso, um processo activo, que se encontra em permanente construção. Cada sujeito organiza e estrutura os seus conhecimentos segundo uma perspectiva muito própria. Quando o sujeito se depara com algo novo, que ainda não se encontra integrado nos esquemas que desenvolveu, surge o desequilíbrio. Contudo, esse desequilíbrio é algo positivo, pois facilita o processo da aprendizagem, desenvolvendo os esquemas do conhecimento. Para tal é necessário que estes se adaptem de modo a integrar novos conhecimentos. Neste sentido, a aprendizagem é um processo activo e interpretativo que o sujeito constrói em interacção com o mundo físico e social (Piaget, 1998).

Estas teorias, no entanto, foram desenvolvidas numa época em que não se utilizavam as Tecnologias da Informação e Comunicação na aprendizagem. Nos últimos vinte anos, as TIC reorganizaram o modo como vivemos, como nós nos comunicamos e como aprendemos (Siemens, 2004).

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59 Conectivismo

Com a introdução das Tecnologias de Informação e Comunicação, a criação de comunidades e a criação de redes sociais, as actividades de aprendizagem começam a centrar-se em teorias de aprendizagem numa era digital. Não se pode limitar o adquirir conhecimentos na medida em que precisamos. Nos tempos de hoje, as competências são adquiridas através da criação de comunidades e da criação de redes sociais (Siemens, 2004).

O conhecimento que agora adquirimos mede-se em meses e anos e já não em décadas, como nas épocas passadas (Siemens, 2004).

Devido a esta mudança em termos de aquisição de conhecimento, existe uma nova epistemologia que se pode considerar numa nova era digital, ou seja, a visão de conhecimento como sendo composta por conexões e entidades ligados numa rede – conhecimento distribuído (Downes, 2006).

Este conhecimento distribuído por um conjunto de nós deu origem à teoria de aprendizagem que se designa por conectivismo (Siemens, 2008).

Na Figura 12, pode-se ver a associação entre as epistemologias e as respectivas teorias de aprendizagem, onde podemos encontrar as teorias de aprendizagem tradicionais e também o conectivismo, que é uma teoria de aprendizagem que está associada com o novo conceito da era digital.

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Figura 12 – Alinhamento entre epistemologias e teorias de aprendizagem, adaptado de

(Kop, 2008)

O conectivismo é um referencial teórico para a compreensão da aprendizagem actual.

No conectivismo, o ponto de partida para a aprendizagem ocorre quando o aprendiz se liga a uma rede, tanto para aceder à informação como para fornecer informação, numa comunidade de aprendizagem (Kop, 2008).

No modelo conectivista, uma comunidade de aprendizagem é descrita como um nó, que é sempre parte de uma rede maior. A rede é composta por dois ou mais nós ligados, de modo a partilhar os recursos (Siemens, 2004).

Os princípios do conectivismo são (Siemens, 2004):

• A aprendizagem e o conhecimento existem numa diversidade de opiniões;

• A aprendizagem é um processo de conectar nós especializados ou fontes de informação;

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• A capacidade de saber mais é mais importante do que aquilo que sabemos num determinado momento;

• Promover e manter conexões é fundamental para facilitar a aprendizagem contínua. A capacidade de ver conexões entre ideias, conceitos e áreas de saber é uma competência crucial;

• A manutenção de um conhecimento actualizado e rigoroso é o objectivo de todas as actividades de aprendizagem conectivistas.

O conectivismo, como já referido, surgiu através da introdução das TIC e do digital na educação.

Na utilização das TIC, que implicam uma mudança, no processo de ensino e aprendizagem, deve-se ter em conta a curva de aprendizagem através destas novas tecnologias (Figura 13). Esta curva de aprendizagem apresenta três fases distintas, ao longo do tempo de introdução e utilização das tecnologias (Gouveia, 2006):

Na primeira fase, entra-se em contacto, pela primeira vez, com a tecnologia e efectua- se, a aprendizagem inicial com esta mesma tecnologia. Verifica-se, nesta primeira fase, uma curva de esforço elevada, pois é necessário um grande empenho por parte dos utilizadores para que possam aprender a tecnologia em causa, podendo este esforço ser minimizado através de formação e de treino.

A segunda fase refere-se à adaptação do utilizador à nova tecnologia, ou seja, é o indivíduo que tem de se adaptar às funcionalidades e ao uso da nova tecnologia.

A terceira e última fase da curva de aprendizagem é quando o indivíduo já aprendeu e já se adapta à tecnologia; é nesta fase que o indivíduo começa a utilizar a tecnologia, explorando-a. Podemos verificar, nesta fase, que existe uma diminuição de esforço associada a um aumento do valor resultante do seu uso.

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Figura 13 – Curva de aprendizagem (Gouveia, 2006)

A aprendizagem das novas tecnologias apresenta uma curva diferente, quando comparada com o esforço de aprendizagem das tecnologias antigas, Figura 14. Só no período de utilização é que se poderá realizar uma comparação objectiva entre a tecnologia nova e a substituir.

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Figura 14 – Curva de aprendizagem (Tec. nova vs. Tec. antiga) (Gouveia, 2006)

Comparando a curva de aprendizagem da nova tecnologia com a tecnologia antiga, pode-se verificar que, no início do período de aprendizagem, a tecnologia antiga apresenta um esforço superior à tecnologia nova, até um certo e determinado tempo na aprendizagem, apresentando a posteriori, para o caso da nova tecnologia, um esforço superior. Nas restantes fases, o esforço para a nova tecnologia vai diminuindo, até chegar ao ponto de deste esforço ser inferior ao esforço da tecnologia antiga. Com isto pode-se dizer que existe um esforço superior para o caso das novas tecnologias no período de aprendizagem e no período de adaptação, mas este esforço vai diminuindo ao longo do tempo, até o esforço das novas tecnologias ser inferior ao das tecnologias antigas, ou seja, no período de utilização, que deverá ser um tempo superior aos períodos de aprendizagem e de adaptação, é necessário um esforço menor, comparativamente com as tecnologias antigas.