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Robustness to additional covariates

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4. Results

4.2 Robustness to additional covariates

A pesquisa foi desenvolvida tendo como objeto de estudo a área verde do Campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), localizada no município de Manaus, Amazonas. A área abriga grande biodiversidade e tem sido alvo de pressão, cada vez mais crescente, pelas comunidades do entorno. A área verde do Campus Universitário da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) é considerada uma das maiores áreas verdes urbanas tropicais do mundo, a qual representa aproximadamente 25% do total das áreas verdes públicas institucionais existentes na cidade de Manaus-AM, sendo um dos poucos fragmentos florestais com grande dimensão (593,86 ha) localizado no perímetro urbano da cidade (Tello et al., 2008).

A área possui diferentes tipologias de solo, grande quantidade de igarapés e diversos representantes da fauna e flora amazônica. Porém, a biodiversidade da área do Campus está seriamente comprometida. A pressão à floresta pelas comunidades do entorno é constante. Atividades como retirada de madeira, caça de animais silvestres, e invasão de terras, são realizadas pelas comunidades do entorno do Campus. Na Figura 1 podem ser visualizadas a área do Campus da UFAM.

Figura 1 – Vista aérea Campus UFAM (Fonte: Duarte, 2009)

A área do Campus da UFAM está localizada a 3º08’ de latitude sul e 60º01’ de longitude W. Grenwich, com altitude em torno de 92,9 metros acima do nível do mar

e tem uma área de aproximadamente 14.337 Km2 (SEPLAN, 1996 apud Barros 1998).

Limita-se com os bairros do Coroado, Aquariquara, Zumbi dos Palmares, Armando Mendes, Conj. Nova República, Conj. Atílio Andreaza e Japiinlândia (Costa et al., 1994; Barros, 1998). Na Figura 2 pode ser visualizado a área do Campus e os bairros limítrofes.

Figura 2 – Área verde do Campus da UFAM (Fonte: Google Earth, 2009)

2.2. Métodos

Além de pesquisa bibliográfica, foi desenvolvida atividade em campo com o objetivo de registrar as áreas de ocorrência de mudanças (Lakatos; Marconi, 2009), degradação e os principais fatores de ação antrópica na área verde do Campus, como áreas de depósito de lixo, desmatamento, invasões e outros. Tanto a área do entorno, como áreas no interior do Campus foram percorridos e nos pontos identificados como áreas de degradação, foram fotografados e adquiridos pontos com um GPS, que foram utilizados para a elaboração de um mapa constando os pontos de degradação identificados.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

O clima da região é do tipo Afi -, a temperatura média anual oscila em torno dos 26º C e precipitação anual é sempre superior a 2000 mm por ano (Tello; Nascimento, 1996).

Duarte (2000, apud Costa; Buring, 2006), descreve os tipos de florestas encontradas na área do Campus: a) Floresta Ombrófila Densa Submontana: fisionomicamente apresenta uma paisagem homogênea, com árvores com alturas médias entre 20 e 30 metros. O dossel da floresta é denso, ocorrendo baixa intensidade luminosa nos estratos inferiores. É constituída ainda por lianas e epífitas em abundancia diferenciando-se de outras classes de formações. Nesta comunidade vegetal desenvolve-se sobre latossolo vermelho álico, de textura muito argilosa e com escassez de nutrientes. b) Floresta Ombrófila Densa Aluvial: trata-se de uma formação que ocorre ao longo dos cursos d’água, não é fisionomicamente uniforme. As espécies vegetais desta formação possuem raízes expostas, raízes superficiais e raízes respiratórias. Ocorre em uma grande variedade de habitats. Os solos são hidromórficos arenosos. c) Floresta Ombrófila Aberta: é constituído por indivíduos arbóreos bem espaçados de uma altura variável, cuja fisionomia distingue-se por freqüentes agrupamentos de palmeiras. d) Campinarana: também chamada campina alta, apresenta altura de 10 a 20 metros, é relativamente continua, embora permitindo a chegada da radiação solar direta ao solo, não ocorrem espaços abertos, a biomassa é moderada. As árvores e arbustos apresentam galhos tortuosos, folhas coriáceas e esclerofilas. São ricas em epífitas. Os solos associados a esta comunidade são podzólicos de textura arenosa com areia lavada (areia quartzosa), com baixa retenção de cátions. Quanto a fitosociologia, constata-se fortemente a presença de dez famílias: Lecythidaceae, Arecaceae, Burseraceae, Sapotaceae, Lauraceae,

Mimosaceae, Sapindaceae, Melastomataceae, Humiriaceae e Myristicaceae. (Tello et al, 2008).

De acordo com trabalhos realizados por Barros (1998 apud Costa; Buhring, 2006), na área do Campus da UFAM, são encontrados três tipos de solos, sendo: Latossolo amarelo, Podzólico amarelo e areias quartzosas. Costa e Buhring (2006), utilizando- se de processo de digitalização, observaram que aproximadamente 95% da área possui solos do tipo Latossolo amarelo e Podzólico amarelo e os 5% restantes apresentam solo do tipo areia quartzosa que se concentram, principalmente, nas extremidades da área de estudo.

Apesar da forte pressão exercida pelas comunidades do entorno, a floresta do Campus da UFAM abriga uma fauna com grande diversidade de espécies. Dentre as espécies existentes na área verde do Campus, pode-se citar: aves: japiim (Cacicus

cela), o suiriri (Tyrannus melancholicus), a pomba juriti (Leptotila verreaux) e os

sanhaçus (Thraupispalmarum e T. episcopus). Em locais de vegetação primária, há ocorrência de espécies como os arapaçus (Dendrocincla fuliginosa e Xyphrynchus pardalotus) e puripídeo (Tyranneutes virescens). (Barreira; Cavicchioli, 1997 apud Rebouças, 1999).

Com relação aos primatas, Barreira e Cavicchioli (1997, apud Rebouças, 1999), encontraram várias espécies, sendo destacados Sauim de coleira (Saguinus bicolor), que se destaca por ser uma espécie endêmica do município de Manaus; Parauacu

(Pithecia pithecia), Macaco prego (Cebus apella) e Macaco de cheiro (Saimiri sp.). Observa-se frequentemente a ocorrência de outros grupos de animais como roedores, répteis, insetos, etc., entretanto, estudos sistemáticos sobre a caracterização destes grupos de animais não foram encontrados (Costa; Buhring, 2006).

Costa e Buhring (2006), através de levantamentos de campo constataram que apesar da forte ação antrópica nos arredores da área de estudo, a maioria dos igarapés apresentam-se limpos e preservados servindo inclusive como habitat para algumas espécies de peixes encontradas no local. Os mesmos autores observaram que existem algumas nascentes na área de estudo sem nenhum sinal de ação antrópica o que torna até possível o consumo desta água, sendo essas áreas aquelas localizadas mais ao centro da floresta, porém constataram que alguns igarapés localizados nas extremidades da floresta encontram-se fortemente poluídos com poucas chances de recuperação.

Segundo Barros (1998, apud Costa; Buhring, 2006), geomorfologicamente, o relevo varia de suave ondulado a forte ondulado e a maioria do topo das ondulações comporta comunidades vegetais de platô, com até 25% de declividade.

Dentro dos limites da floresta do Campus, além das características naturais, estão as edificações de infra-estrutura da Universidade Federal do Amazonas, distribuídas em duas áreas construídas (Mini-campus e Campus) que contam com prédios destinados a administração e as atividades acadêmicas da Instituição e área urbanizada composta pelas calçadas, estacionamentos e etc. (Costa; Buhring, 2006). Os autores acima citados, afirmam também que o Campus possui estradas pavimentadas que dão acesso ao Mini-campus e ao Campus, circundando toda a área construída num total de 5 km, além dos 11 km de trilhas que possibilitam até a circulação de veículos e o deslocamento de pedestres pela floresta do Campus.

Conforme Silva Junior (2003), um dos principais fatores que geram degradação as áreas verdes urbanas, é o aumento da densidade populacional. E o caso da cidade de Manaus não é diferente. O crescimento populacional de Manaus tem seu auge durante períodos como o da extração da borracha e instalação da Zona Franca. Brasileiros de todos os estados e até mesmo de municípios do interior do Amazonas migraram para Manaus com perspectiva de melhorar sua condição de vida. A partir disso, muitas pessoas, por falta de moradia, emprego e outros fatores, iniciaram a ocupação irregular de diversas áreas pela cidade, dentre elas parte da área da UFAM. Crescimento populacional e ocupações irregulares que acarretaram na criação de novos bairros, fizeram com que muitas áreas verdes presentes na região urbana da cidade de Manaus cedessem lugar a construção de moradias. Dados do IBGE indicam esse crescimento populacional e fazem uma projeção para o ano de 2030. De acordo com os números da projeção, no ano de 2030, a população de Manaus terá quadriplicado. Isso significa que terão que ocupar mais áreas para construção de moradias, e caso, não houver planejamento para as áreas verdes existentes na área urbana do município, as mesmas poderão ser totalmente suprimidas durante esse período.

A área da UFAM ocupa uma região cercada por vários bairros, dentre eles o Japiim, Distrito Industrial e o Coroado, bairro originado a partir de ocupação irregular de uma área pertencente a Universidade Federal do Amazonas.

Além disso, moradores das comunidades limítrofes ampliam suas residências e ocupam a área da UFAM.

Visto isso, observa-se que a pressão a área da UFAM para a ocupação é constante e caso não seja implementada uma ação efetiva, em alguns anos a área da Universidade poderá ser suprimida e ser substituída por condomínios, bairros, entre outros. Na Figura 3 pode ser visualizado um dos bairros localizados no entorno do Campus.

Figura 3 - Conjunto Industriário (Distrito Industrial), uma das áreas limítrofes da UFAM (Fonte: Pesquisa de Campo, 2010)

Outro problema visualizado durante o percurso no entorno do Campus, foi a deposição de resíduos sólidos e líquidos (Figura 4) na área da Universidade. Em alguns trechos, observou-se que o muro ou a cerca da UFAM (visto que a área da UFAM é cercada em alguns trechos por arame farpado e em outros por muro de concreto) foi retirado para facilitar a deposição de lixo.

Figura 4 – Área de deposição de lixo na área limítrofe da UFAM (Fonte: Pesquisa de Campo, 2010)

Em trechos localizados no Conjunto Nova República foi observado vários pontos de deposição de lixo, apesar de existirem placas que identificam aquela área como protegida, conforme pode ser observado na Figura 5.

Figura 5 – Deposição de lixo na área do Conj. Nova República (Fonte: Pesquisa de Campo, 2010)

A partir dos dados de GPS obtidos elaborou-se um mapa com os pontos de degradação identificados. Na Figura 6 pode-se observar os pontos de controle coletados

Figura 6 – Pontos de degradação (Fonte: Dados da Pesquisa, 2010)

4. CONCLUSÃO

Através deste trabalho pode-se constatar que o monitoramento da área verde do campus da UFAM e o planejamento de uso da mesma é essencial para a conservação dessa área que contribui em muitos aspectos para uma melhor qualidade de vida da população de Manaus. Porém, em virtude do crescimento urbano da cidade de Manaus, essa área tem sido degradada pela ação antrópica. Foram verificados problemas como ocupações irregulares, deposição de lixo e retirada do muro que

cerca a área da UFAM. Foi possível caracterizar espacialmente a área e os principais agentes de degradação da área verde do campus. Porém, para que se possa diagnosticar a intensidade da pressão sob a essa área seria necessário realizar uma análise temporal e acompanhar o processo de ocupação em vários períodos diferentes. Diante disso, os resultados obtidos neste trabalho mostraram-se satisfatórios no que diz respeito aos objetivos e metodologia adotados.

5. REFERÊNCIAS

Barros, A. R (1998). Levantamento detalhado dos solos do Campus da Universidade

do Amazonas como subsídios na implantação de Sistemas Agroflorestais – SAF’s.

75f. Dissertação (Mestrado em Ciências Agrárias) – Faculdade de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Amazonas, Manaus.

Costa, L. A. (1993). Análise da avaliação quali-quantitativa da arborização urbana

pública da cidade de Manaus. Dissertação (Mestrado em Recursos Naturais)

INPA/FUA< Manaus 218 p.

Costa, L. A.; Freitas, J. V.; Alecrim, J. D. (1994). Relatório de workshop sobre a área

verde do Campus da Universidade do Amazonas. In: WORKSHOPCAMPUS. Série:

Universidade debate, Manaus, 40p.

Costa, L. A.; Buhring, R. (2006). Estruturação de um atlas biofísico para a área verde

do campus da Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Programa de Iniciação

Científica. PIB-A-024/2005. Manaus, Am.

Duarte, A. C. O. C. (2000), Comunidade de Anuros em um fragmento de Floresta

Urbano: Unidade Ambiental - UNA da Universidade do Amazonas - UA. Dissertação

(Mestrado em Biologia Tropical e Recursos Naturais) INPA/UA< Manaus 60 p.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: www.ibge.gov.br. Acesso em: 16/04/2017.

Silva Júnior, P. R. A Importância das áreas verdes. CDA – Centro de Distribuição de

Amostras. FATEC – Piracicaba. Disponível Em:

http://www.bioagri.com.br/site/img_site/arquivos_ambiente/37_622b2937f17255d5ca 7 948ca8a3e23e7.pdf. Acesso em: 16/04/2017.

Lakatus, E. M.; Marconi, M. A. (2009). Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo. Editora Atlas. 7° Edição.

Rebouças, M. A. F. (1999). Pressões Antrópicas em Florestas Urbanas: um estudo sócioambiental da população circunvizinha á Floresta do Campus da Universidade do Amazonas – UA. 103f. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais) – Centro de Ciências do Ambiente, Universidade Federal do Amazonas, Manaus.

Sousa, C. L (2003). Avaliação da pressão antrópica sobre a cobertura vegetal nos

municípios de Cedro e Solidão (sertão pernambucano) com o uso de imagens TM Landsat e Sistemas de Informações Geográficas. São José dos Campos: INPE. 127p.

Tello, J. C. R.; Nascimento, M. I. (1996). Caracterização fisionômica-florística e

pedológica das comunidades vegetais da área verde do Campus da Universidade do Amazonas. Amazonas, Brasil. V Jornada de Iniciação Científica do Estado do

BIODIESEL DE PALMA NO ESTADO DO PARÁ: O CENÁRIO DOS

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