5.4 Regressions analysis by instrument variables
5.4.6 Robustness of the results
Para a realização do diagnóst ico socioam bient al na Moradia Est udant il e nos bairros do ent orno, as populações de est udo foram divididas em duas:
(1) os est udant es universit ários resident es da Moradia Est udant il da UNESP – Cam pus de Bot ucat u, localizada no bairro Vila Paulist a, cham ados aqui de “ est udant es-m oradores” ;
(2) as pessoas que vivem nos bairros do ent orno da Moradia Est udant il (Vila Paulist a, Jardim Eldorado, Jardim Panoram a e Jardim Cont inent al), cham ados aqui de “ m oradores dos bairros do ent orno” .
Com o o int eresse dest a pesquisa sit ua-se no diagnóst ico socioam bient al, com em basam ent o em um levant am ent o do perfil dos resident es na Moradia Est udant il e das pessoas que vivem nos bairros dos arredores, assim com o das relações est abelecidas ent re os diversos at ores e ent re eles e o m eio, houve, no início, um levant am ent o das caract eríst icas int rínsecas dos dois am bient es, com a confecção de um relat o fot ográfico. Após, isso, houve um a pesquisa explorat ória, de form a que foram aplicados quest ionários e realizadas ent revist as após um a visit a prévia às duas populações de est udo. Os quest ionários elaborados são sem i-est rut urados, com predom ínio de pergunt as abert as para levant am ent o de inform ações qualit at ivas sobre os am bient es, m as t am bém cont em plando pergunt as fechadas para levant am ent o quant it at ivo. Além disso, foi dado espaço para o discurso livre dos ent revist ados.
Foram incluídas nas ent revist as duas figuras-chave na região: o president e da Associação de Moradores dos bairros Jardim Cont inent al, Jardim Eldorado e Real Park e a coordenadora da Escola Municipal de Ensino Fundam ent al (EMEF) “ Professor José Ant onio Sart ori” . A escola de Ensino Fundam ent al I exist ent e na localidade é considerada com o um elem ent o-chave no desenvolvim ent o do projet o de pesquisa e nas possíveis ações post eriores ao t rabalho; inaugurada em 2003, ela at ende a aproxim adam ent e 500 crianças e part icipou, em 2009, do projet o “ Organização de duas com unidades escolares e ident ificação de problem as sócio-am bient ais, Bot ucat u/SP” , desenvolvido no curso “ Form ação de Educadores Est aduais” prom ovido pela UNESP, o qual levant ou problem as de ordem socioam bient al na localidade. Acredit a-se que o t rabalho em conjunt o com essa inst it uição de ensino é essencial para que boa part e da com unidade dos bairros seja at ingida pelos result ados dest e projet o.
As im agens ut ilizadas para levant am ent o das caract eríst icas int rínsecas dos am bient es foram realizadas ent re os m eses de julho e novem bro de 2011. Além disso, foram ut ilizadas im agens do acervo pessoal do aut or, obt idas a part ir de 2007.
Delineam ent o da pesquisa explorat ória na Moradia Est udant il
As ent revist as realizadas na Moradia Est udant il da UNESP se deram ent re os m eses de junho e julho de 2011.
O levant am ent o t eve com o objet ivo ser censit ário. Todos os est udant es- m oradores receberam cart as com a apresent ação da pesquisa a ser desenvolvida. Além disso, foram cont at ados os grupos que desenvolvem os projet os de ext ensão já exist ent es no local (Projet o “ Moradia Est udant il Agroecológica” e “ Ecologia Viva” ), para que eles cont ribuíssem com dados para o levant am ent o, assim com o ex- est udant es-m oradores que viveram na Moradia Est udant il ent re os anos de 2008 e 2010.
Após o recebim ent o das cart as, os est udant es-m oradores escolheram se queriam ou não part icipar das ent revist as, as quais acont eceram na própria Moradia Est udant il. Nest e m om ent o, os m esm os foram inform ados sobre o sigilo das inform ações pessoais e convidados a assinar um t erm o de consent im ent o ressent ido pelo uso das inform ações colet adas nas ent revist as e nos quest ionários.
Para levant ar um perfil sobre as at ividades de ordem socioam bient ais realizadas pelos est udant es-m oradores, foi analisada a realização das seguint es at ividades, com pesos iguais ent re as variáveis:
(1) Separação do lixo reciclável; (2) Com post agem ;
(3) Part icipação em projet os de ext ensão universit ária; (4) Ut ilização de biciclet a com o m eio de t ransport e; (5) ut ilização de sacolas ret ornáveis;
(6) Predom inância de consum o diário no com ércio local;
(7) Desenvolvim ent o de at ividades no t erreno da Moradia Est udant il;
Foi t am bém quest ionada a vont ade dos est udant es-m oradores em aum ent ar o int ercâm bio ent re a Moradia Est udant il e os bairros do ent orno. Nest e m om ent o, foi t am bém pergunt ado qual a visão que os est udant es-m oradores t em com relação aos bairros do ent orno e vice-versa, ou seja, com o que os est udant es- m oradores acredit am ser vist os pelos resident es nos bairros.
Por fim , levant aram -se quais são os problem as observados na Moradia Est udant il e nos bairros do ent orno, com ênfase em quest ões de ordem socioam bient al. Inicialm ent e, buscou-se avaliar, quant it at ivam ent e, as condições de (1) segurança, (2) m eio am bient e, (3) t ransport e e (4) espaços colet ivos nos dois am bient es, at ravés da at ribuição de not as de 0 a 10 para est es it ens. As not as foram avaliadas segundo a seguint e classificação:
- Excelent e (8,1 a 10,0); - Bom : (6,1 a 8,0); - Regular (4,1 a 6,0); - Ruim (2,1 a 4,0); - Péssim o (0,0 a 2,0).
Após isso, foi-se dado espaço para que os ent revist ados expusessem os problem as observados na Moradia Est udant il e nos bairros do ent orno, com a realização de pergunt as abert as de carát er qualit at ivo.
D
Delineam ent o da pesquisa explorat ória nos bairros do ent orno da Moradia Est udant il
As residências part icipant es foram escolhidas aleat oriam ent e, em cam inhadas realizadas nos m eses de julho e set em bro de 2011, em um raio de duas quadras ao redor da Moradia Est udant il da UNESP, conform e a figura abaixo:
Figura 5 – Área visit ada nas ent revist as (em laranja), na região da Moradia Est udant il da UNESP – Cam pus de Bot ucat u (em verde) – 22° 51'54.01" S, 48° 27'59.90" O, a 824 m de alt it ude, a 2,11km do pont o visão da fot ografia (Font e: Google Eart h – Im agem copiada em 31 de m arço de 2010).
Os resident es foram convidados a part icipar da pesquisa de duas form as: (1) resolução de quest ionário est rut urado, elaborado com pergunt as abert as e fechadas, o qual foi deixado, junt am ent e com um a cart a de apresent ação do t rabalho para o m orador, e recolhido post eriorm ent e, ou (2) ent revist a baseada em um quest ionário sem i-est rut urado previam ent e elaborado. Nest e m om ent o, os m esm os foram inform ados sobre o sigilo das inform ações pessoais e convidados a assinar um t erm o de consent im ent o ressent ido pelo uso das inform ações colet adas nas ent revist as e nos quest ionários.
Para levant ar um perfil sobre as at ividades de ordem socioam bient al realizadas pelos m oradores dos bairros do ent orno, foi analisada a realização das seguint es at ividades:
(1) Separação do lixo reciclável; (2) Com post agem ;
(3) Part icipação em projet os da UNESP;
(4) Ut ilização de biciclet a com o m eio de t ransport e; (5) Ut ilização de sacolas ret ornáveis;
(6) Predom inância de consum o diário no com ércio local.
Foi quest ionado qual o conhecim ent o dos m oradores dos bairros do ent orno sobre a UNESP, para após isso iniciar a discussão acerca da Moradia Est udant il. Assim , os ent revist ados deveriam escolher se: (1) Sabiam o que é e conheciam os cursos e serviços que ela prest a, (2) sabiam o que é, m as não conheciam os cursos e serviços que ela prest a, (3) não sabiam o que é, m as conheciam os cursos e serviços que ela prest a e (4) não sabiam o que é e não conheciam os cursos e serviços que ela prest a. Assim , pode-se pergunt ar se m oradores dos bairros conheciam a Moradia Est udant il, se sabiam quem m orava lá e se est abeleciam um a conexão ent re o alojam ent o est udant il e a carência socioeconôm ica.
Foi t am bém quest ionada a vont ade dos m oradores dos bairros do ent orno em aum ent ar o int ercâm bio ent re a Moradia Est udant il e os bairros do ent orno. Nest e m om ent o, foi t am bém pergunt ado qual a visão que os m oradores dos bairros do ent orno t em com relação aos est udant es-m oradores e à Moradia Est udant il da UNESP e vice-versa, ou seja, com o os m oradores dos bairros acredit am ser vist os pelos est udant es-m oradores.
Buscou-se descobrir se havia algum t ipo de organização social ent re os m oradores dos bairros do ent orno. Para isso, foi levant ado se est es conheciam e/ou part icipavam de algum a associação de m oradores.
Além disso, por fim , levant aram -se quais são os problem as observados nos bairros do ent orno, com ênfase em quest ões de ordem socioam bient al. Inicialm ent e, buscou-se avaliar, quant it at ivam ent e, as condições de (1) segurança, (2) m eio am bient e, (3) t ransport e e (4) espaços colet ivos, por m eio da at ribuição de not as de 0 a 10 para est es it ens. As not as foram av aliadas segundo a classificação já expost a ant eriorm ent e: Excelent e (8,1 a 10,0); Bom : (6,1 a 8,0); Regular (4,1 a 6,0); Ruim (2,1 a 4,0); e Péssim o (0,0 a 2,0). Após isso, foi dado espaço para que os ent revist ados expusessem os problem as observados nos bairros do ent orno, com a realização de pergunt as abert as de carát er qualit at ivo.
Levant am ent o fot ográfico
No levant am ent o das caract eríst icas int rínsecas do am bient e, com a confecção de um relat o fot ográfico, os principais problem as socioam bient ais observáveis na Moradia Est udant il e nos bairros do ent orno foram relat ados:
Moradia Est udant il (Figura 6):
(1) Má conservação das calçadas e cam inhos ut ilizados pelos m oradores, os quais recebem m anut enção periódica pela Adm inist ração Geral do Cam pus;
(2) Disposição inadequada de m at erial reciclável, apesar da exist ência da infraest rut ura necessária para t al;
(3) Mont agem incorret a da com post eira de uso colet ivo;
(4) Lixo espalhado, especialm ent e próxim o à ent rada, principalm ent e t razido das ruas do ent orno, m as t am bém provenient e do m at erial m as reciclável m al deposit ado pelos est udant es-m oradores;
(5) Falt a de arborização ou, quando exist ent e, em m au est ado de conservação.
Bairros do ent orno (Figura 7):
(1) Presença const ant e de m oradores de rua e usuários de drogas lícit as e ilícit as, os quais se concent ram , especialm ent e, próxim os a Moradia Est udant il;
(2) Má conservação das ruas, seja pelo alt o núm ero de buracos ou pela inexist ência de asfalt o em det erm inadas áreas;
(3) Falt a de arborização ou, quando exist ent e, m á planejada e em m au est ado de conservação;
(4) Lixo expost o nas ruas, especialm ent e m at eriais que poderiam ser reciclados;
F
Figura 6 – Problem as socioam bient ais observados na Moradia Est udant il da UNESP a part ir do relat or fot ográfico. (A - B) Má conservação das calçadas e cam inhos dos ut ilizados pelos m oradores; (C) Disposição inadequada de m at erial reciclável; (D e E) Mont agem incorret a das com post eiras de uso colet ivo; (F) Lixo espalhado, especialm ent e próxim o à ent rada; (G e H) Pouca arborização.
A B C D E F G H
F
Figura 7 – Problem as socioam bient ais observados nos bairros do ent orno Moradia Est udant il da UNESP a part ir do relat or fot ográfico. (A) Presença const ant e de m oradores de rua e usuários de drogas lícit as e ilícit as; (B e C) Falt a de arborização ou, quando exist ent e, m á planejada (D – F) Má conservação das ruas; (G e H) Presença de t errenos baldios em m á conservação e lixo expost o nas ruas.
A C B D E F G H
Na segunda et apa, as pesquisas explorat órias foram divididas em frent es de t rabalho e análise, com o objet ivo de levant ar dados sobre a Moradia Est udant il da UNESP e sobre os bairros do ent orno, na ót ica de diferent es at ores. Apresent am -se, a seguir, os result ados obt idos:
Caract erização dos est udant es-m oradores na Moradia Est udant il da UNESP
Foram ent revist adas 54 pessoas, ent re est udant es-m oradores at uais e ant igos. A Moradia Est udant il da UNESP recebeu visit as frequent es ent re os m eses de junho e julho, em t odos os períodos do dia e em t odos os dias da sem ana. No m ês de m aio, foram ainda dist ribuídas cart as de apresent ação do projet o de pesquisa a t odos os est udant es-m oradores, para convidá-los a part icipar das ent revist as (Apêndice A). Aqueles não encont rados no local dent ro do período de ent revist as ou que realizavam int ercâm bio ou est ágio em out ra localidade foram desconsiderados pela pesquisa. Para os present es, foram realizadas ent revist as baseadas em um quest ionário sem i- est rut urado (Apêndice B). Os ent revist ados t inham , em m édia, 2,5 anos de vida na região, sendo que o t em po m ínim o de residência na Moradia era de seis m eses e o m áxim o de seis anos.
Inicialm ent e, buscou-se levant ar a realização de at ividades de cunho socioam bient al na Moradia Est udant il. Pode-se dizer que 9% dos est udant es- m oradores não realizam quaisquer at ividades relacionadas nos quest ionários. 70% dos est udant es-m oradores realizam m enos da m et ade das at ividades list adas, enquant o 21% prat icam m ais que a m et ade dest as.
A separação do lixo reciclável é aquela realizada pela m aior parcela dos m oradores, com 91% de adesão. Const at ou-se, porém , que out ra at ividade relacionada à separação do lixo, a com post agem , é realizada por som ent e 50% dos est udant es-m oradores. Out ras at ividades, com o o uso de biciclet as, ut ilização de sacolas ret ornáveis e part icipação em projet os de ext ensão variam ent re 50% e 60% de adesão. A falt a de envolvim ent o dos est udant es-m oradores com o próprio local em que vivem ficou evident e com a porcent agem de 31% dest es que realizam qualquer t ipo de at ividade no t erreno da Moradia Est udant il da UNESP, ou seja, fora dos lim it es do seu bloco, assim com o na baixa part icipação às at ividades prom ovidas pelo projet o de ext ensão “ Moradia Est udant il Agroecológica” , que corresponde a 19%. Observa-se, t am bém , que o relacionam ent o com os bairros m ais próxim os é escasso: apenas 4% dos est udant es-m oradores dão preferência ao com ércio local nas suas com pras diárias,
G
Gráfico 1 – Realização de at ividades de cunho socioam bient al pelos est udant es- m oradores da Moradia Est udant il.
Foi const at ado t am bém que 83% dos est udant es-m oradores est abeleceram not as m aiores para seu relacionam ent o com out ras pessoas dent ro da Moradia Est udant il quando com paradas àquelas dadas ao seu relacionam ent o com out ros m oradores dos bairros. Tal fat o pode evidenciar o raro relacionam ent o exist ent e ent re as populações est udadas.
Porém , const at ou-se que 93% dos est udant es-m oradores acredit am que deveria haver m aior int ercâm bio ent re eles e os resident es nos bairros do ent orno, apesar de desconhecerem ou raram ent e t erem reflet ido com o ações nest a direção poderiam ser feit as. Com o possíveis ações, foram levant adas:
T
Tabela 11 –– Ações levant adas pelos est udant es-m oradores para aum ent ar o int ercâm bio com os m oradores dos bairros do ent orno
Realização de fest as e out ros event os cult urais
Abert ura da Moradia para a visit ação dos resident es nos bairros,
Desenvolvim ent o de projet os de ext ensão e palest ras dent ro da área de est udo dos est udant es-m oradores
Avaliação dos problem as em com um para a t om ada de ações Maior diálogo com os m oradores dos bairros
Part icipação dos est udant es-m oradores em associações de bairros
A im agem que os est udant es-m oradores t em com relação aos bairros do ent orno é, geralm ent e, de dist anciam ent o. Foi cit ado que há um a im agem ruim do bairro pelos est udant es-m oradores, pois a região é considerada feia, perigosa e não dispõe de cert os serviços básicos, além de carecer de at enção pública. Há t am bém visões posit ivas, que cit am o bairro com o um local t ranquilo, apesar de alguns problem as básicos de infraest rut ura por ser um a região periférica da cidade. Out ros, ainda, acredit am que não conseguem opinar, pois não se sent em part e do bairro, já que são de out ra localidade.
Com relação à im agem que os est udant es-m oradores acredit am t er perant e a com unidade do ent orno, encont rou-se, m ajorit ariam ent e, a fala de que são vist os com o est udant es de classe m édia ou alt a, além de descom prom issados, pela população do ent orno. De um a m aneira geral, os est udant es-m oradores se sent em crim inalizados pelos m oradores dos bairros, especialm ent e em virt ude do desgast ado relacionam ent o de est udant es universit ários vindos de out ras localidades com os resident es locais. Enquant o alguns acredit am que são vist os com o um condom ínio de est udant es de m aior poder aquisit ivo, out ros acredit am que a Moradia é percebida com o um local ruim , sujo e desorganizado. Um a porcent agem m enor acredit a que os resident es nos bairros os veem com bons olhos. É recorrent e a concepção de que os resident es nos bairro desconhecem o que é um alojam ent o est udant il público e quem vive nele.
Caract erização dos m oradores dos bairros do ent orno da Moradia Est udant il
Foram ent revist adas 64 pessoas, t odas resident es num raio de duas quadras em volt a da Moradia Est udant il, ent re os m eses de julho e set em bro de 2011.
isso, duas form as de abordagem foram aplicadas:
a) 10 dom icílios, escolhidos aleat oriam ent e, t iveram seus m oradores ent revist ados pessoalm ent e, com base em um quest ionário sem i-est rut urado pré- est abelecido, com pergunt as abert as e fechadas (Apêndice C).
b) 54 dom icílios, escolhidos aleat oriam ent e, receberam um quest ionário