4 ANALYSIS
4.6 Risks, challenges and opportunities
MODALIDADES DE OCORRÊNCIA.
Este item se inicia com a conceituação de Escala Arquiteturológica, apresentando as diversas pertinências identificadas pelo criador/autor da Arquiteturologia.
Com o intuito de revelar a complexidade que encobre a concepção arquitetural e, ao mesmo tempo, apresentar o funcionamento do modelo arquiteturológico - importante no desenvolvimento da presente pesquisa -, serão destacadas questões arquiteturológicas-chave, úteis na operação de identificação das escalas arquiteturológicas.
Procura-se seguir, neste trabalho, a linha de raciocínio utilizada por Boudon no capítulo oito de sua obra: ”Enseigner la Conception Architecturale” (2000). Trata-se da leitura arquiteturológica aplicada no projeto do edifício do Instituto do Mundo Árabe, de autoria do arquiteto francês Jean Nouvel, que fornece os elementos a serem também explorados neste trabalho, visando o alcance dos objetivos por nós pretendidos.
As questões arquiteturológicas-chave acima referidas, no entender do citado autor, são: localização de escalas, localização de funções e, relações e modalidades de escalas. Essas questões serão devidamente consideradas e desenvolvidas, fundamentando o exercício que constitui o presente trabalho.
2.3.1 IDENTIFICAÇÃO DAS PERTINÊNCIAS
Considerada como um conjunto de operações relacionadas a uma mesma pertinência, definida por uma medida e seu valor, em função de uma classe onde se situa a referência, a escala arquiteturológica apresenta um número de vinte tipos de escalas, conforme identificação feita por Philippe Boudon et al.(2000). No seu entender, trata-se de pertinências que podem ser identificadas hoje, embora muitas outras possam ser imagináveis. São elas:
escala técnica, funcional, simbólica dimensional, simbólica formal, de vizinhança, parcelar, geográfica, de visibilidade, ótica, sócio-cultural, de modelo, semântica, de extensão, econômica, geométrica, cartográfica, de representação, de níveis de concepção, global e humana. Lembrando que
a pertinência estabelece uma relação estreita entre o espaço de referência e a medida a ser atribuída; e que o espaço de referência qualifica a medida. Porém, quando a pertinência de uma escala é encontrada pelo arquiteto/”conceptor” através da negação da relação direta com o espaço de referência que a define, tem-se aí o grau zero dessa escala.
Figura 1. Vista do convento de La Tourette. Le Corbusier, França.1956/1960. Exemplo de grau zero da escala geográfica (negação da topografia, na implantação do projeto).
Fonte: http://www.galinsky.com/buildings/latourette/tourette1.jpg
A seguir, as vinte pertinências identificadas serão conceituadas, de acordo com o ponto de vista da arquiteturologia.
Por escala arquiteturológica técnica, compreende-se a escala expressa através do ato de escolha (no espaço de concepção), a partir de considerações de ordem técnica, visando incutir uma modalidade de atribuição de medidas a uma parte ou ao todo do espaço arquitetural.
Figura 2. Vista dos arcos botantes. Notre Dame de Paris.(séc. XII/XVII). Exemplo de escolha realizada por determinismo de ordem técnica.
Escala arquiteturológica funcional é aquela resultante da atribuição
de medida a uma parte ou ao todo do espaço arquitetural, como decorrente da influência de algum elemento externo responsável pelo destino, uso, ou pela promoção de adaptação a um determinado uso.
Figura 3. Vista da circulação externa do Centro George Pompidou. Renzo Piano e Richard Rogers, Paris,1977. Exemplo de escolha realizada por determinismo de ordem funcional. Fonte: http://gardkarlsen.com/Paris2006/front_of_Centre_Pompidou_Paris.jpg
No espaço de concepção, a atribuição de medida de grandeza (para aumentar ou diminuir) resultando da associação a um conteúdo espiritual visivelmente claro, define a escala arquiteturológica simbólica dimensional.
Figura 4. Vista da prefeitura de Siena, Itália (séc.XIV), com destaque para a torre. Exemplo de escolha realizada por determinismo de ordem simbólica-dimensional.
A concepção do espaço arquitetural, formando um conteúdo espiritual particular com a forma simbólica adotada, caracteriza a escala
arquiteturológica simbólica formal.
Figura 5. Vista superior da igreja de Miranda, Portugal (séc.XVI). Exemplo de escolha realizada por determinismo de ordem simbólica-formal. (planta em forma de cruz)
Fonte:http://www.bragancanet.pt/patrimonio/mirandaigreja.htm
A escala arquiteturológica de vizinhança considera a atribuição de medidas por contigüidade, induzindo uma continuidade espacial entre os elementos que participam da concepção e sua vizinhança.
Figura 6. Vista da fachada da State street townhouses. Scott Demel Architect, New York, 2004. Exemplo de solução orientada por determinismo de ordem de vizinhança.
Fonte:http://www.demel.net/statestreet.html
Definir a implantação do edifício, considerando como referências elementos previamente fornecidos ao arquiteto, são atribuições da escala
permissões de tamanho, forma e limites do terreno, para uso no processo de concepção.
Figura 7. Vista da implantação no terreno. Edifício da Seagram, Nova York. Mies van der Rohe, 1958. Exemplo de escolha realizada por determinismo de ordem parcelar. A
implantação foi determinada pela forma do terreno e sua localização de esquina. Fonte:http://www.thecityreview.com/park375.html
As medidas de uma parte ou do todo arquitetural, informadas a partir dos pontos cardeais, situação e modelo do terreno, dados climáticos, entre outros, são atribuições da escala arquiteturológica geográfica. Difere da escala anterior, ao não levar em consideração os limites formais ou dimensionais do terreno.
Figura 8. Vista da implantação no terreno. Casa da Cascata. Frank Lloyd Wright, EUA, 1935. Exemplo de escolha realizada por determinismo de ordem geográfica. A solução respeita
a topografia do terreno.
No espaço arquiteturológico, definir um objeto de tal modo que ele seja visto de um determinado lugar ou fazer com que determinado lugar seja visto a partir dele, constituindo um ponto de vista no espaço real, caracteriza a aplicação da escala arquiteturológica de visibilidade.
Figura 9. Vista da cidade de Londres a partir do alto do edifício da Swiss re. Londres, Norman Foster architect, 2004. Exemplo de escolha realizada por determinismo de ordem da
visibilidade. Visão especial da cidade.
Fonte: http://www.arcoweb.com.br/debate/debate105.asp, 2007
A escala arquiteturológica ótica é resultante da ação de prover solução a uma parte ou ao todo arquitetural, criando um ponto de vista particular. Esse ponto de vista deve ser capaz de atrair o observador, fazendo considerar as modalidades segundo as quais o objeto é visto. Difere da escala anterior, pelo fato de atrair a atenção apenas para o objeto arquitetural – a partir do exterior.
Figura 10. Vista do teatro popular de Niterói, Rj. (Oscar Niemeyer, 2007) Com destaque para a rampa de acesso. Exemplo de escolha realizada por determinismo de ordem ótica.
Fonte:
http://www.avizora.com/publicaciones/biografias/textos/textos_n/0011_niemeyer_oscar.htm,200 7
Tomar em consideração convenções, formas tradicionais ou outras heranças sócio-culturais para interferir no espaço arquitetural, definindo forma e medida, constitui atribuição da escala arquiteturológica sócio-cultural.
Figura 11. Vista da pirâmide do Louvre, Paris (Pei,1989). Exemplo de escolha realizada por determinismo de ordem sócio-cultural.
Fonte:http://www.rogerswebsite.com/Europe/17%20%20The%20Louvre%20Museum% 20in%20Paris.jpg
A escala arquiteturológica de modelo é acionada através da retomada de um modelo anterior, efetuando-se eventualmente algumas modificações de grau e natureza. É importante registrar dois tipos de modelo a serem considerados separadamente: os abstratos – expressos por palavras - e os morfológicos – expressos por formas. Também é importante não confundir com “escala do modelo” em que apenas as dimensões são modificadas, permanecendo a carga de significados.
Figura 12. Manifestação da Arquitetura do Greek Revival. New York (séc.XIX). Exemplo de escolha realizada por determinismo de modelo.
As operações resultantes da escala arquiteturológica semântica são permitidas ou sugeridas por palavras ou expressões verbais. As referências se dão a partir de palavras que designam ordem de grandeza, recortam o espaço e os objetos, ou constroem imagens dotando esses objetos de características particulares.
Figura 13. Casa de vidro, EUA. Philip Johnson, 1949. Exemplo de escolha realizada por determinismo semântico.
Fonte: http://www.thecityreview.com/arcnow.html
Toda operação de concepção interferindo no espaço arquiteturológico, que considera o tempo em uma perspectiva de futuro, integra a escala
arquiteturológica de extensão.
Figura 14. Le Corbusier. Museu do Crescimento Ilimitado (1939). Exemplo de solução de implantação no terreno, considerando a escala de extensão.
Fonte:
A referência expressa ao custo, nas decisões de concepção, caracteriza a escala arquiteturológica econômica.
Figura 15. Casa de terra dos Dogon, Mali. Exemplo de escolha realizada por determinismo econômico (e sócio-cultural).
Fonte: http://www.linternaute.com/voyager/habitats-du-monde/construction-en-terre-du- pays-dogon.shtml
As considerações geométricas nas operações de medida, interferindo no espaço arquiteturológico, expressam a aplicação da escala arquiteturológica
geométrica.
Figura 16. Casa da música, Porto, Portugal. Rem Koolhaas, 2006. Exemplo de escolha realizada por determinismo geométrico.
Fonte:http://www.vivercidades.org.br/publique222/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1223&sid= 18
A escala arquiteturológica cartográfica trabalha com a referência entre uma medida real e sua representação pertinente. Numerosas operações
nos remetem a uma pertinência cartográfica. Ela se encontra perfeitamente definida quando o espaço de concepção coincide com o espaço de representação.
Independente da pertinência, a escala arquiteturológica de
representação liga representante e representado. Não é a mesma coisa da
escala cartográfica que liga representante e referente.
Desenvolver operações de concepção, do micro ao macro, seguindo o nível de representação devido a uma escala cartográfica ou, geralmente recortar o espaço de concepção em sub-espaços de concepção, caracteriza a
escala arquiteturológica de níveis de concepção.
A pertinência considerada deve exercer uma dominância sobre as demais, por assumir seu papel principal ou estruturante na concepção. A função da escala arquiteturológica global é permitir essa ação, podendo qualquer escala ser igualmente global.
A forma, o talhe ou as dimensões do corpo humano devem ser as referências escolhidas, para estabelecer as relações nas operações de medida, a intervir no processo de concepção. Assim funciona a escala
arquiteturológica humana.
Figura 17. Pirâmide do Louvre, Paris (Pei,1989). Exemplo de escolha, mostrando a relação com a escala humana.