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19.2 RISk IN THE MONEy MARkET PORTFOLIO MAN- MAN-AGED By NORGES BANk MONETARy POLICy (NBMP)
“Esse início tem seus percalços em função da falta de ‘experiência’, mas como sempre fui de falar isso ajudou muito e
ainda tive os conselhos dos professores experientes das escolas”
(Pedro).
Na etapa em que já estão formados, há um destaque para o início da carreira docente, em que apontam sua postura como professores, dos estudantes e colegas de profissão. De acordo com Barbato (2016, p. 216) “A iniciação à docência é uma fase de adaptação à sala de aula, à cultura escolar, aos novos colegas, à gestão da escola, ao contato com os alunos e, sobretudo, é um momento de revelação do próprio eu profissional”. Portanto, nessa fase os professores são confrontados com a realidade da sala de aula e com as condições de trabalho.
Em seu trabalho, Tardif e Raymond (2000) propõem uma discussão sobre uma divisão das fases relacionadas à carreira docente. Este é um modo de compreender as determinantes da trajetória profissional docente. Para esses autores há duas fases que se entrelaçam e são flexíveis, ou seja, não advêm de um tempo cronológico, mas a partir dos acontecimentos que marcam a carreira. A primeira é a fase de exploração, ocorrida entre o 1º e 3º ano de trabalho. Nela há o contato inicial com o ambiente de trabalho, onde o professor faz a escolha de sua profissão por meio de tentativas e erros. Consiste na fase de choque e confronto com a realidade do exercício da profissão.
Esse início de carreira, como podemos perceber pelas narrativas, é uma fase cheia de tensões, dilemas, incertezas e inseguranças. Ao lidar com a realidade, o professor busca bases para superar os desafios cotidianos na sala de aula. Tardif e Raymond (2000) ressaltam que, nesse início de carreira, a tomada de consciência referente aos diversos aspectos que baseiam a profissão e sua inserção no meio de trabalho implicam na construção da identidade profissional A outra fase é a da estabilização e da consolidação entre o 3º e 7º ano de exercício da docência. Nela o professor se centra mais nos estudantes do que na matéria e em si mesmo, essa experiência se dá em meio aos acontecimentos que constituem a carreira. Nela também acontece um reconhecimento das capacidades de professor por outros membros da instituição. Nessa
fase, o profissional já tem um domínio maior da profissão levando-o a buscar outras formas de desenvolver o trabalho de modo a ter um desempenho melhor. Podemos observar alguns desses aspectos quando os professores narram sobre sua atuação profissional. Ainda que tenham conhecido esse ambiente pelo tempo de escolarização na Educação Básica ou durante o estágio, trata-se de uma experiência diferente não como estudantes ou como graduandos em fase de transição, mas estão assumindo plenamente a figura de professor.
Pedro reflete que “Esse início tem seus percalços em função da falta de ‘experiência’, mas como sempre fui de falar isso ajudou muito e ainda tive os conselhos dos professores experientes das escolas, muitos dos quais foram meus professores também”. Diante desse cenário passam a desenvolver estratégias que os ajudam a exercer sua função docente, como “desde o início me posicionei frente aos alunos como um ‘professor exigente’, mas também que procurava explicar bem os conteúdos de tal maneira a despertar o interesse deles para as aplicações da Matemática na vida cotidiana para que vissem sentido em aprender os conteúdos”.
Nesse trecho, Pedro evoca duas características que ressaltou sobre seus professores: boa didática e levar o aluno a gostar do conteúdo. Portanto, ao destacar alguns aspectos de seus mestres mostra que são elementos que internalizou, pois era o que estava próximo daquilo que acreditava ser a postura do professor. Nos resultados de sua pesquisa Soares (2012, p. 105) elucida que as colaboradoras narravam que os professores tiveram papel importante em sua formação, pois “com eles aprenderam, além dos conteúdos abordados nas disciplinas, práticas interessantes que conseguiram incorporar ao seu trabalho em sala de aula”.
Assim, os espaços que construíram os saberes da docência ocorrem em diferentes dimensões. Com isso, os professores abrigam em si mesmos “o mestre que tantos outros foram. Foi possível aperfeiçoá-lo, retocá-lo, mas impossível deixar de sê-lo: ele continua presente e falando para nós, ainda que seja em nossa memória” (MELO, 2008, p. 219).
O início de carreira de Nastácia não foi fácil, conta da divisão entre os professores. Trabalhando por contrato, as histórias sempre se repetiam, “os alunos conversavam muito e os colegas de trabalho não conversavam comigo também. Nas escolas do estado tem isso, geralmente contratado só conversa com contratado e efetivo só com efetivo. Eu acho isso uma bobagem somos todos professores e estamos no mesmo barco, e ninguém é melhor que ninguém. Nas escolas que trabalhei os contextos não eram diferentes, os alunos possuíam as mesmas características: sempre tem um falante, um mais estudioso, um enrolado. O que mudava eram os colegas de trabalho. Quando a maioria era contratado era mais fácil de lidar, conversavam sobre os alunos e outros assuntos, me tratavam melhor. Agora quando a maioria era efetivo eu sentia uma solidão, pois como já falei alguns se acham superiores e não se
relacionam com contratados. O trabalho do professor é solitário, pois se você pede ajuda em algum momento os outros profissionais comentam que você não dá conta do serviço e isso pode até acarretar uma dispensa no caso do contratado. Então na maioria das vezes o melhor é ficar na sua e lidar com a situação sozinha”. O contexto narrado por ela leva a uma reflexão não só da figura dos alunos, mas também dos próprios colegas de profissão. Essa questão relacionada aos colegas aparece apenas no relato de Nastácia, outros professores comentam que sempre conseguiram ter diálogo com os colegas de profissão, inclusive ressaltam a importância e as contribuições desses momentos de troca. Mas, sabemos que há muitas vezes a falta de apoio e reconhecimento no início da carreira – principalmente, se se trata de professor substituto ou contratado. Há uma desvalorização profissional e podemos perceber isso na amargura de Nastácia ao narrar sobre a falta de apoio como professora contratada.
Alguns pesquisadores apontam que no início de carreira é a fase que os professores ainda estão tateando o ambiente escolar e, por vezes, não há reconhecimento das capacidades desse professor iniciante por seus pares.
Sobre esse mesmo contexto Nastácia expõe que “Os colegas de trabalho também não ajudam. Todos poderiam falar a mesma língua. Tem professor que ao invés de lecionar sua disciplina leva os alunos para quadra e os deixam lá sem atividade, aí eles acham que todos os professores são obrigados a ter a mesma postura. Ainda tem uns professores que levam balas e chicletes para os alunos, então eles perguntam porque eu não levo também. Outros professores favorecem seus amigos de alguma forma e sempre falam mal e tentam prejudicar quem não faz parte de seu círculo de amizades. Todos os professores deveriam pensar que juntos somos uma equipe que precisa possuir o mesmo objetivo, assim ficaria mais fácil. Eu tento me relacionar com os colegas de trabalho da melhor forma possível, mas quando percebo que não compartilhamos as mesmas ideias eu não entro em atrito. Afasto-me e busco me relacionar com quem está aberto ao diálogo. Se o diretor vai com sua cara te ajuda na disciplina, caso contrário pode esquecer. E isso prejudica meu trabalho, pois eu preciso do auxílio da direção para conseguir disciplina na sala de aula”.
A efetivação de Nastácia melhorou um pouco a situação na escola. Os alunos realizavam as atividades e respeitavam um pouco mais, mas o respeito ainda não é o que deseja. A efetivação trouxe não apenas uma estabilidade financeira, mas também de lugar, pois estar todos os anos na mesma escola, facilitava seu trabalho pelo conhecimento que adquiria da escola a cada ano “A única coisa que mudou foi que eu ficava na mesma escola todo ano, então poderia dar sequência no trabalho. Essa efetivação me ajudou a melhorar o relacionamento com os alunos, pois nessa escola eu já sabia onde ficava tudo na escola e como agir em casos de
indisciplina. E assim sempre tinha certeza de qual conteúdo os alunos tinham visto e quais eram suas maiores dificuldades. Podia planejar uma aula pensando em sanar dúvidas anteriores”.
Todo início de viagem é demasiadamente complicado. Como professoras também tivemos dificuldades em nossa trajetória. Para Tardif e Raymond (2000), os saberes profissionais têm uma dimensão de identidade, que no caso do professor regular contribui para
um compromisso durável com a profissão e a aceitação de todas as suas consequências, inclusive as menos fáceis (turmas difíceis, relações às vezes tensas com os pais etc.). No professor contratado, essa dimensão identitária é menos forte, pois ele é arrastado de lá para cá; seu compromisso com a profissão existe certamente, mas as condições frustradoras com as quais ele se depara continuamente colocam-no numa situação mais difícil nesse aspecto: ele também quer se comprometer, mas as condições de emprego o repelem constantemente (TARDIF; RAYMOND, 2000, p. 232).
Nesse sentido, o professor em início de carreira precisa lidar com as situações que envolvem o exercício da profissão, cujas mudanças estão atreladas a um processo árduo de conhecimento das condições de trabalho, de si como professor e da própria profissão. Mas, também cabe ressaltar que entre as trocas de escolas, turmas e alunos os professores aprendem com as experiências e dificuldades desse movimento de mudanças.
Sobre esse período inicial da carreira e os períodos mais avançados, podemos destacar na perspectiva de Tardif e Raymond (2000) que, para os professores regulares, há a imagem de um domínio paulatino – acerca da vertente didática e pedagógica. E ainda, a da organização escolar ou das relações estabelecidas com os pares ou outros indivíduos envolvidos nesse processo – diante das diferentes ocorrências de trabalho. Já no caso de professores contratados, essa imagem permanece, o que muda é a aquisição do domínio de seu trabalho, sendo mais lenta devido às diversas mudanças enfrentadas por eles.
Por isso, é importante destacar a narrativa de Nastácia, ao comentar que os estudantes passam a respeitá-la quando se torna uma professora efetiva. O professor em início de carreira ainda não possui esse “status”, devido as diferentes mudanças que enfrenta.
Sobre a efetivação no estado, Monteiro ressalta que “ser professor efetivo é melhor pois você tem estabilidade, tanto financeira como profissional, além de não precisar de participar de designação, que a meu ver é muito humilhante”.
Esse processo de designação de professores pode ser traduzido em um verdadeiro leilão de vagas ociosas. Entre “ofertas”, “arremates” e dezenas de outros docentes, o professor não é aquele que escolhe, mas é o escolhido segundo a pontuação obtida a partir de sua formação e tempo de serviço para “adquirir” uma vaga na escola pública. Como bem expõe Monteiro, é um processo humilhante para o professor não apenas nesse momento de seleção tão precário,
mas também, em alguns casos, depois na própria escola sendo denominado e diferenciado por muitos colegas como “O Professor Designado”, como é o caso contado por Nastácia.