3 Modellering av rovviltrisiko
3.1 Risikomodellens oppbygning
A Academia implantada por João Calvino na cidade de Genebra é sem dúvida o seu maior legado àquela cidade em questões pedagógicas e educacionais. Pode-se ainda afirmar que, pelo alcance e influência dessa instituição escolar, este é o maior legado do reformador francês a toda a Europa, continental e insular, de forma direta, e, posteriormente, ao continente americano, de forma indireta, mediante as ações dos puritanos que foram muito influenciados por estudantes da Academia de Genebra e que, posteriormente, vieram a residir no continente americano por fugirem da perseguição religiosa que se levantou contra eles (CAIRNS, 1995, p. 254).
Quanto à influência e alcance da Academia nas cidades que aderiram à novel religião, Anacleto (2009, p. 65) afirma:
A influência da Academia de Genebra e do sistema educacional implantado por Calvino com o passar dos anos expandiu-se por muitos países da Europa atingindo inclusive outros continentes. Podemos citar a Escócia de John Knox, a França dos huguenotes e a Inglaterra dos puritanos como os primeiros ambientes fora de Genebra a implantarem o padrão calvinista de ensino.
A Academia de Genebra é fruto primariamente do trabalho e do esforço do reformador, mas também um resultado da nova mentalidade que Calvino buscou
inserir naquela cidade. Vê-se que, para ele, a Academia era fruto e prática das suas convicções religiosas, como afirma Costa (2009, p. 334):
Já na sua primeira permanência em Genebra (1536-1538), insistiu junto aos Conselhos para melhorar as próprias condições do ensino, bem como os recursos das escolas. Ele apresentou ao conselho municipal um projeto educacional (1536) gratuito que se destinava a todas as crianças – meninos e meninas – tendo um grande apoio público. Desta proposta, surgiu o Collège de Rive. Temos aqui o surgimento da primeira escola primária, gratuita e obrigatória de toda a Europa. O Collège de Rive encerrou suas atividades durante o período de Calvino em Estrasburgo (1538-1541), sendo reativado com a sua volta definitiva para Genebra (1541). A partir de 1541, com todas as lutas que enfrentou em Genebra, pôde, contudo, reestruturar o sistema educacional desta cidade.
A Academia iniciou seus trabalhos no segundo semestre do ano de 1559, contando com aproximadamente 600 alunos, sendo a sua maioria estrangeiros vindos de diversos países da Europa, como Itália, Alemanha, Inglaterra, Holanda, França e de algumas outras cidades da Suíça.
Além do amplo alcance da Academia, merece ser destacado o reconhecimento que ela teve ainda nesses tempos, como afirma Costa (2009, p. 338-339): “A Academia tornou-se grandemente respeitada em toda a Europa. O grau concedido aos seus alunos era amplamente aceito e considerado em universidades de países protestantes, como na Holanda.” O reconhecimento que a Academia de Genebra gozou revela a qualidade do seu ensino empreendido e a relevante filosofia educacional que estava no seu projeto, como afirma Ferreira (1985, p. 195):
Dividiu Calvino o programa da sua Academia em dois cursos. A Schola Privata, baseada essencialmente na gramática, lógica e retórica, além de história e de escritores latinos e gregos. A ênfase da Schola Privata era na leitura corrente, na fala com fluência, na escrita com elegância. Não havia preocupação com a matemática, nem com a geometria, ou estudo de música, como no antigo quadrivium. Os Salmos eram cantados como única parte da música. Depois vinha a Schola Publica, em que a ênfase era na oratória e retórica. Os discursos de Cícero, com o De Oratore, Filosofia Moral, Poesia. O Latim e o Francês deviam ser sabidos corretamente pelos alunos. Calvino prometeu no início que a sua Academia teria uma faculdade de Medicina e uma de Direito. A Medicina veio antes do seu falecimento, Direito só depois de sua morte.
Com relação à proposta educacional existente na Academia de Genebra, Campos (2000, p. 3) afirma: “Calvino possuía um propósito muito bem definido em sua filosofia educacional: Ele queria que as crianças de Genebra viessem a ser úteis à sociedade e que suas mentes fossem formadas pelos Ensinos das Santas
Escrituras.” A proposta pedagógica de João Calvino para a Academia não excluía a sua visão religiosa, mas carregava seus valores de forma a fortalecer e enriquecer a pedagogia dessa instituição escolar, como afirma Lopes (2009, p. 39, 42):
O papel da educação para Calvino se alia à etimologia da palavra educação, do latim educere. Dessa forma, educar significava tirar de dentro para fora, ou seja, desenvolver as potencialidades internas do homem. Calvino via a educação como o modo de tirar o conhecimento das coisas que dormitavam na alma do homem, conhecimento que lhe foi inferido por ser o homem imagem e semelhança de Deus, mas que foi obscurecido pelo pecado [...] Nesse sentido, para Calvino a formação de um cidadão não se limitava apenas a prepará-lo, capacitá-lo e educá-lo a dirigir a pátria. Em sua visão, o sistema educacional tinha a responsabilidade de fazer que a formação educacional tivesse sua gênese e seus fundamentos no padrão das Escrituras, a fim de habilitar o cidadão para a vida em seu todo.
A Academia de Genebra pode transmitir um ensino de qualidade, permeado pela mentalidade calvinista, como afirma Ferreira (1985, p. 129-130):
Calvino tinha como ideal preparar líderes para a igreja, para a sociedade e para o governo civil. Era uma Escola da Igreja, pela Igreja e para a Igreja. Mais tarde, a educação do tipo de Genebra se implantava na França, Holanda, Escócia e, até mesmo, na Alemanha. Parece que o jesuíta Aquaviva, ao formular o sistema educacional da ordem, utilizou idéias de Calvino no seu Ratio Studiorum.
Lopes (2009, p. 43) nota a construção de um sólido sistema educacional que aliou progresso econômico e intelectual a Genebra e crescimento para o protestantismo nessa cidade:
Não se pode dizer que Calvino foi um educador em essência, mas, sem dúvida, ele foi um visionário da educação. Como idealizador da educação em Genebra, Calvino construiu um sistema educacional que serviria de modelo para uma cidade – ou um Estado – enfrentar as investidas romanas e, mesmo assim, permanecer íntegra aos princípios da fé reformada que deveriam ser aplicados na sociedade e em suas diferentes vertentes da administração econômica, política, educacional e, obviamente, espiritual.
Nota-se dessa forma a ampla influência que a Academia de Genebra teve primeiramente naquela cidade, mas que se espalhou por toda a Europa e historicamente permaneceu por meio da solidificação de um novo sistema educacional composto de novas ideias e perspectivas pedagógicas.
Esta nova perspectiva educacional, que valoriza o ser humano e o seu desenvolvimento holístico, foi preservada ainda por outros reformadores,
educadores e pedagogos, que podem ser chamados de seguidores de João Calvino, seja no continente europeu, nas ilhas britânicas e até no continente americano (EBY, 1976, p. 145-153).
Nota-se que há uma aproximação entre religião e educação na Reforma religiosa do século XVI e seus desdobramentos, principalmente nas ações do francês João Calvino. Neste primeiro capítulo pode-se ver como ocorreu esta aproximação na Europa dos séculos XVI e XVII, dentro de um ambiente marcado pela teologia reformada calvinista.
Também em outros locais e períodos históricos ocorreu aproximação similar. Retomando o objeto de estudo desta pesquisa, pode-se citar como exemplo dessa prática a atuação dos missionários protestantes, principalmente de origem norte- americana e seguidores dos princípios doutrinários e pedagógicos de João Calvino, na história da educação brasileira, especialmente nos séculos XIX e início do XX.
A influência protestante na educação brasileira se dá tanto de forma planejada, por meio de investimentos promovidos pelas denominações, juntas missionárias ou até mesmo de cidadãos comuns em escolas, jornais, seminários e colégios, quanto de maneira natural, pela pregação protestante e a ênfase sobre a leitura e a compreensão da Bíblia.
A próxima seção apresenta a educação como o meio pelo qual o protestantismo missionário, principalmente de origem norte-americana, procura romper as barreiras para sua aceitação e assimilação pela sociedade brasileira.