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Risikokarakterisering - samlet vurdering av risiko

Como mencionado, sumariza-se o conceito de opinião, por ser uma categoria inserida no cotidiano dos sujeitos, discutindo-a a partir de trêspontos de vista, ou seja, do ponto de vista didático, representacional e filosófico. Assim, acredita-se deixar claro o que se concebe como opinião.

Do ponto de vista didático, a opinião engloba um posicionamento, uma resposta a ser dada, a qual é sustentada por argumentos como evidências, provas, dados e outros elementos que fornecem suporte à ideia defendida. Segundo Uber (2008), toda

argumentação envolve uma questão controversa ou polêmica de um tema de interesse que afeta uma coletividade.

Do ponto de vista psicossocial, segundo Moscovici (1978), o universo da opinião refere-se ao conjunto de proposições, avaliações e reações organizadas de maneira muito diversa segundo as classes, as culturas ou os grupos, existindo tantos universos de opinião quantas classes, culturas e grupos existem. Cada universo tem três dimensões: a informação, uma imagem e uma atitude.

A informação refere-se à “organização dos conhecimentos que um grupo possui a

respeito de um objeto social”, em resumo, ao “conceito” ou saber que é atribuído pelos

sujeitos a este objeto enfocando a quantidade de informação ou os níveis de conhecimento.

A “imagem” ou “campo de representação” se refere ao modelo social empregado por um

grupo a um objeto, formulando juízos quanto à imagem do profissional, imagem do paciente portador de transtorno, a ação da Reforma Psiquiátrica e a que prática ela mais se

aproxima. A atitude denota quanto à “orientação global em relação ao objeto da representação social”, podendo os sujeitos definir atitudes favoráveis, desfavoráveis ou

intermediárias ao objeto. (MOSCOVICI, 1978, p. 69-71)

A opinião é um dos elementos componentes da Representação Social, a qual é um processo que torna conceito e percepção intercambiáveis por transformar tanto o sujeito quanto o objeto, à medida que ambos modificam-se no processo de elaboração do objeto, tonando-se este um prolongamento do seu comportamento e incluído num contexto ativo e dinâmico. (MOSCOVICI, 2003; ARRUDA, 2005).

Em outras palavras, por exemplo, a opinião formulada pelo profissional sobre a assistência e a saúde mental pode influir sobre a atitude e postura do profissional refletindo, consequentemente, no direcionamento que o profissional dá à família e ao portador ao lidar com o transtorno. Assim como a inserção de novos conhecimentos na sociedade pela Reforma Psiquiátrica possibilita a modificação de comportamentos, competências, habilidades e atitudes do profissional que modificam seu conceito e percepção sobre a saúde mental e a assistência.

Do ponto de vista mais filosófico, segundo Kant o termo “opinião” remete ao uso público da razão, advogando o direito e necessidade de se estabelecer o princípio do uso público da razão para que se possa viver numa sociedade esclarecida. Dessa forma, o ser humano tem a possibilidade de emancipar-se, saindo da condição de tutelado e encontrando esclarecimento (KANT, 1985 apud SIQUEIRA, 2006).

Nesse sentido, pode-se vislumbrar a educação como um instrumento de emancipação dos sujeitos, reconhecendo-se que a articulação dos saberes técnico e popular possibilita que a comunidade e o próprio indivíduo tenham a oportunidade de conhecer e controlar os fatores que determinam sua saúde, visando à promoção da saúde (RUIZ; LIMA; MACHADO, 2004).

Para isso, “apenas o homem com liberdade de pensar, com liberdade de acesso ao

conhecimento pode libertar-se da menoridade e encontrar o esclarecimento”, sendo o esclarecimento um processo que se desenvolve no seio das relações humanas. (SIQUEIRA, 2006, p 109). Assim, Kant reflete sobre os tutores das grandes massas, citando os profissionais da saúde como exemplo, que pertencem a instituições da esfera cultural e, como formadores da opinião pública, estão contribuindo tanto para a que menoridade ocorra, quanto para a sua manutenção entre os homens (KANT, 1922 apud DURÃO, 2011). No papel de formadores de opinião pública, os profissionais sujeitos deste estudo podem, a partir da conscientização, contribuir para o desenvolvimento social, contribuindo para a implantação de políticas que contemplem a qualidade de vida, os direitos humanos e a cidadania.

Assim, as mudanças de comportamentos, competências, habilidades e atitudes almejadas pela Reforma Psiquiátrica decorrem da possibilidade de inserção de novos conhecimentos na sociedade a partir de um processo educativo que permita o diálogo e liberdade entre os atores, acolhendo a diversidade. Um processo preferencialmente mediado pelos sujeitos formadores de opinião, como profissionais da saúde, educadores, entre outros.

Fonsi, Humerez e Cavalcante (2000) refletem sobre a necessidade da equipe de enfermagem aceitar a participação dos pacientes no processo de cuidado, reinventando-o visando à superação da passividade tão característica do adoecer mental, por serem excluídos da participação social e, inclusive, do próprio tratamento.

As autoras observam que a partir do estímulo de participação dos pacientes em seu próprio tratamento medicamentoso resgata-se a sua autoconfiança, autoestima e a assunção de atitudes de autocuidado. Estimulando-os a verbalizar e dialogar sobre o que pensavam do uso das medicações, ou seja, eles expressavam a significação dos medicamentos e tratamento.

Logo, um processo educativo, através da mediação do processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento, influi na qualidade da assistência prestada ao cliente, contribuindo na percepção de problemas e na autoavaliação profissional.

Dessa forma, busca-se nesta pesquisa a apreensão dos fenômenos sociais como facilitadora na compreensão das diversos pontos de vista gerados pelos diversos sujeitos envolvidos no processo de cuidado do doente mental na Estratégia de Saúde da Família; o profissional, portador de transtorno e acompanhante terminam por prolongar-se no seu comportamento, atitude e postura. (MOSCOVICI, 2003; BUCHELE, 2005; MARQUES; TYRREL; OLIVEIRA, 2006).

4 PERSPECTIVA METODOLÓGICA