Del IV Funn/Empiri
5.4 Risikoforståelse knyttet til klimaendringer
Vive-se um momento histórico, tecido por dinâmicas socioeconômicas e culturais de toda natureza, interligadas por redes telemáticas e digitais de comunicação, em que a objetividade do mundo passa a ser o conjunto das imagens produzidas pelos meios de comunicação, parte integrante de uma cultura tecnológica, cuja evolução e características já descritas no capítulo 4, introduzem significativas mudanças nos valores e comportamentos das pessoas. (LÉVY, 1999).
Através das redes, indivíduos dispersos geograficamente, e mesmo sem nunca ter interagido antes, podem trabalhar em projetos comuns, de grandes dimensões e de relevante impacto social. Rifkin (2001, p. 47) destaca a passagem da ênfase na publicação (ou emissão, baseado no limitado modelo transmissionista
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de conhecimento) para a segunda geração da WEB 2.051, que valoriza a
participação, por meio de práticas cooperativas mútuas.
Os Blogs, sites como Orkut52, Wilkipedia53 e MSN54 são exemplos típicos
dessa nova geração, possibilitando que através dessas redes de comunicação e conhecimento, amigos ou grupos interessados em nichos específicos possam se conhecer, se reencontrar e aprender de forma dinâmica e diferenciada.
Por meio dessas redes, da educação on line, do avanço da banda larga na internet, a TV digital e o celular de quarta geração, caminha-se para fórmulas diferentes de organização dos processos de ensino-aprendizagem, permitindo a flexibilização progressiva e acentuada de custos, tempos, espaços, gerenciamento, interação, metodologias, tecnologias e avaliação.
Identificou-se, no discurso da monitora Fernanda, aspectos dessa tendência, em relação à participação dos jovens dos pequenos municípios rurais: “Mesmo
aqueles jovens, que vivem nas comunidades agrícolas, eles são curiosos, já conhecem MSN, Orkut por meio das Lan Houses, ou já ouviram falar pelos colegas, antes de fazer o curso básico”.
De acordo com Stropasolas (2006), os jovens habitantes dos pequenos municípios rurais apresentam características distintas notadamente percebidas, mas estão “antenados” com as mudanças tecnológicas em curso:
51 Termo que faz um trocadilho com o tipo de notação em informática que indica a versão de um software que foi popularizado
pela O´Reilly Media e pela Media Live Internacional como denominação de uma série de conferências que tiveram início em outubro de 2004 (O´REILLY, 2005).
52 Rede social de relacionamento, cujo nome remete ao engenheiro do site Google que o desenvolveu, Orkut Buyukkokten. Seu
principal objetivo é promover e manter relacionamentos e novas amizades quando se entra em contato com pessoas conhecidas, ou não, em todo o mundo.
53 Site de trabalho colaborativo na Web em constante expansão e aprimoramento, com os leitores criando páginas acerca de
seus interesses, comentando páginas antigas, propondo páginas novas. Uma característica notável desse site é a facilidade de edição e a possibilidade de criação de textos de forma coletiva e livre.
54 Programa de mensagens instantâneas criado pela Microsoft Corporation. Permite que um usuário da Internet se relacione
com outro que tenha o mesmo programa em tempo real. O sucesso do MSN Messenger pode ser explicado por ele ser integrado ao serviço de e-mail,ser incluso com o Windows XP e por ter uma intensa publicidade junto ao público jovem.
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Por um lado existem carências e privações, como baixa formação, ausência de emprego, precária definição de si e baixo engajamento social e político; por outro, a presença de todos os indicadores de uma integração social e econômica, provocada pelos mais variados estímulos dos meios de comunicação e informação (STROPASOLAS, 2006, p. 181).
Em síntese, esses jovens, apesar de estarem geograficamente distantes dos grandes centros e inseridos em contextos socialmente diferenciados, convivem em seu cotidiano, com os estímulos da TV, os jogos de videogames, e, mais recentemente, com as inúmeras possibilidades do celular, que pelo custo acessível e a mobilidade, além de servir para falar, envia torpedos, baixa músicas, acessa canais de televisão e conecta-se com o mundo. Mesmo aqueles que nunca acessaram um computador como um recurso educacional, superficialmente já tiveram informações sobre os benefícios do seu uso, seja através da escola, em centros de acesso público, frequentando Lan Houses55 ou simplesmente pela socialização entre amigos.
Nesse contexto, Coelho (2009), ao analisar as tecnointerações propiciadas pelas novas mídias, observa que o interesse e valorização dessas novas formas de interação, talvez se expliquem pela falência da estrutura educacional:
[...] o fato de a estrutura escolar ter falhado na perspectiva de ser universal e de não conseguir absorver todas as camadas da sociedade brasileira, oferecendo uma escola de qualidade para todos, talvez explique um modo ímpar pelo qual a população se interessa e valoriza as mídias. Uma valorização carregada de emoções, sensações e afetividades [...] Agora contagiados pela televisão analógica via celular (COELHO, 2009, p.6).
55 Local de acesso à internet que se popularizou em diversas partes do mundo. A partir da década de 1990, chegou ao Brasil,
denominado de cybercafé. Esse conceito se ampliou e chegou aos municípios rurais. Geralmente, é de razão social privada. Os usuários pagam para usar computadores conectados em rede. Sobre a popularização das Lan Houses, ver a pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGIBR, 2007.
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Em síntese, essa pesquisadora enfatiza que a escola, instituição que durante séculos, creditou-se a missão de promover uma educação pública de qualidade para todos, não cumpriu o seu papel como deveria. Não só no meio rural, mas também nos grandes centros, ainda prevalece o ensino baseado em métodos tradicionais de transmissão de conhecimento, totalmente distantes das novas tendências.
Portanto, conforme evidenciou a monitora Fernanda no seu discurso: “Eles
são curiosos, já conhecem MSN, Orkut”, e, de acordo com o que se discutiu no
terceiro capítulo desta pesquisa, os habitantes dos pequenos municípios rurais, especialmente os mais jovens, acompanham as mudanças tecnológicas em curso e interagem facilmente com o universo virtual, apesar das dificuldades de acesso.
Ou seja, eles não estão alheios a essa nova dinâmica social, e mesmo sem saber ler ou escrever, convivem com todos os estímulos dessa nova era. Além dos mais jovens, “são vários os grupos de agricultores que ampliam suas estratégias de inserção social através das mídias digitais e se credenciam para articular novas habilidades sócio-cognitivas para a comunidade” (COELHO, 2009, p. 2).
5.3 ELES QUERIAM ACESSAR JOGOS, MSN, ORKUT, MAS NÃO É PERMITIDO