7. AVKASTNINGSKRAV TIL EGENKAPITALEN
7.1 C APITAL A SSET P RICING M ODEL
7.1.4 Risiko
Diversos autores têm se dedicado ao estudo da abordagem qualitativa na pesquisa científico-acadêmica. Dentre eles, podemos referenciar os trabalhos de Bogdan e Biklen (1994), Lüdke e André (2012) e Minayo (2010). É com base nas produções já realizadas por esses e outros autores, que nos concentramos na reflexão acerca da abordagem qualitativa predominante no campo educacional.
Todavia, antes de adentrar nas especificidades da pesquisa educacional e em sua elaboração de forma qualitativa, esclarecemos compreender por pesquisa uma forma de construir conhecimentos a partir de uma investigação cuidadosa e detalhada sobre determinado tema, envolvendo a necessidade de estudo e de dedicação a análises aprimoradas do objeto que se deseja melhor conhecer. Assim, a fim de entender com mais apreço como a pesquisa é realizada no campo educacional, recorremos aos trabalhos dos autores acima citados.
De acordo com o estudo “Investigação qualitativa em educação”, de Bogdan e Biklen (1994), apesar de no campo da educação a investigação qualitativa só ter sido reconhecida recentemente, ela possui uma longa e rica tradição. Sua origem retrata um momento do século XIX, no qual os estudos visavam denunciar os problemas sociais e as condições degradantes de vida da classe trabalhadora em decorrência da urbanização e da imigração em massa. Desse modo, “os levantamentos sociais têm uma importância particular para a compreensão da história da investigação em educação, dada a sua relação imediata com os problemas sociais e sua posição particular a meio caminho entre as narrativas e o estudo científico” (BOGDAN e BIKLEN, 1994, p. 23).
A esse contexto acrescentam-se as contribuições vindas da antropologia e da sociologia em busca de estratégias qualitativas favoráveis a métodos de investigação voltados para a análise da dimensão humana em seu entrelaçamento com as questões políticas e sociais (BOGDAN e BIKLEN, 1994).
Destarte, até a abordagem qualitativa se tornar um instrumento consolidado de pesquisa, um longo percurso foi percorrido. Passando pelas décadas de 1930 a 1990, foi verificado um importante crescimento na década de 1960, provocando um entusiasmo na utilização de tal abordagem (BOGDAN e BIKLEN, 1994). Isso porque, até então, apesar de os fenômenos educacionais estarem situados entre as ciências humanas e sociais, estas, por muito tempo, seguiram o modelo de construção de conhecimento científico promovido no âmbito das ciências físicas e naturais. Nessa perspectiva, a educaçãoera interpretadaa partir da decomposição e do isolamento de um fenômeno em pequenas partes, para um estudo analítico e quantitativo de suas variáveis, podendo, ao final, compreendê-lo em sua totalidade (LÜDKE e ANDRÉ, 2012).
De maneira evolutiva, um sentimento de insatisfação a esses métodos, por parte dos pesquisadores, demonstrava a falta de auxílio dos mesmos na elaboração de soluções para os problemas educacionais. Por voltarem-se ao trabalho com seres humanos, necessitavam de articulações entre os aspectos históricos, sociais, culturais e políticos, ou seja, da compreensão do todo. Tal insatisfação impulsionou as investigações qualitativas no campo educacional (LÜDKE e ANDRÉ, 2012). De acordo com André (1995, p. 16), as raízes da abordagem qualitativa ocorreram quando:
os cientistas sociais começaram a indagar se o método de investigação das ciências físicas e naturais, que por sua vez se fundamentava numa perspectiva positivista de conhecimento, deveria continuar servindo como modelo para o estudo dos fenômenos humanos e sociais.
Assim, a crescente busca pela utilização da abordagem qualitativa indicou uma conquista na percepção de que os fenômenos educacionais e sociais não poderiam ser fragmentados eequiparados a análises clínicas, pois deles se sobressaem a interpretação e compreensão dos fenômenos humanos e, com isso, dos valores construídos a partir da interação social, cultural e histórica.
Recentemente, esse entusiasmo tem contribuído para mudar a equiparação de pesquisas sociais à metodologia quantitativa e para “desmistificar a sofisticação estatística como único caminho para conseguir resultados significativos” (BAUER; GASKELL; ALLUM, 2002, p. 24). Por conseguinte, a abordagem qualitativa vem se consolidando como maneira holística de desenvolver pesquisas sociais e educacionais, para as quais a mera quantificação de dados não esgota os objetivos de estudo.
Na atualidade, vimos o interesse frequente de pesquisadores da área da educação pelo uso de metodologias qualitativas (LÜDKE e ANDRÉ, 2012). Estes levam em consideração os fatores intrínsecos à vivência humana em sua essência. Dessa forma, a abordagem qualitativa “se aplica ao estudo da história, das relações, das representações, das crenças, das percepções e das opiniões, produtos das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e pensam” (MINAYO, 2010, p. 57). Isso exige o repúdio, tanto do discurso ingênuo acerca da neutralidade como do excesso de juízo de valores, que impedem uma visão crítica do trabalho em desenvolvimento.
Assim, Bogdan e Biklen (1994) estabelecem cinco características da pesquisa qualitativa em educação, que podem estar presentes, total ou parcialmente, em uma determinada investigação. De forma resumida, essas características são:
1. Na investigação qualitativa a fonte direta de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal.
Nesse momento, os investigadores, munidos de equipamentos que permitem o registro dos dados observados, inserem-se por um tempo nos locais de estudo. Essa frequência representa uma preocupação do investigador com o contexto, o qual representa um elemento de significativa influência no comportamento humano.
2. A investigação qualitativa é descritiva.
Os dados coletados nas investigações contêm importantes descrições a serem analisadas, devendo-se respeitar, de forma minuciosa, toda a sua riqueza.
3. Investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos.
Ao investigador qualitativo interessa analisar como se dão as atividades e os processos de interação diária, buscando entender como o tema estudado nelas se manifestam.
4. Os investigadores indutivos tendem a analisar os resultados de forma indutiva. As abstrações a serem feitas pelo investigador são somente construídas após o recolhimento e agrupamento de dados, e do contato com os sujeitos investigados. Elas não se limitam apenas a confirmar ou refutar uma hipótese, anteriormente elaborada.
5. O significado é de importância vital na abordagem qualitativa.
Utilizando-se do diálogo, os investigadores questionam os sujeitos de investigação no interesse de entender como estes dão sentido as suas experiências e as suas vidas.
Diante do exposto, esclarecemos nossa escolha pela utilização da abordagem qualitativa, por identificarmos nela uma importante contribuição para a investigação, análise e interpretação de nosso tema de estudo. Apostamos nessa modalidade de pesquisa, pois, distante de quantificar dados, objetivamos nos envolver em uma reflexão que adentre na análise de aspectos humanos como um todo, considerando as questões históricas, sociais, políticas, culturais e ambientais que estão internalizadas pelos cortadores de cana, sujeitos de nossa pesquisa.