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O mapa de suscetibilidade retrata a predisposição do terreno em desenvolver determinados processos geodinâmicos e configura-se como uma ferramenta básica para execução do ordenamento territorial quando se visa a prevenção de catástrofes e se configura como uma importante ferramenta para atender as demandas a lei 12.608 (Brasil 2012).

A utilização da análise estatística através do método Valor Informativo se mostrou eficiente, com elevada capacidade preditiva e de baixo custo para execução. A possibilidade de revisão dos dados durante o processo de execução do estudo é outra característica notória, visto que se pode refinar o modelo a cada aquisição de novas informações. Deve-se destacar que este método demanda um banco de bases cartográfica diversificado e em escala razoável, visto que a utilização de bases com escalas menores que 1:25.000 geralmente acarretará índices equivocados, que podem, em maior ou menor grau, afetar o modelo.

O índice de Área Abaixo da Curva (AAC), ainda que se apresente efetivo e capaz de retratar, de forma geral, a robustez dos modelos produzidos, pode não conduzir a seleção da simulação mais eficiente. Isso ocorre devido às diferentes conformações que a curva pode assumir ao longo do seu traçado, uma vez que podem existir alternâncias entre curvas produzidas por modelos com diferentes AAC. Logo, uma taxa de predição mais elevada não pode garantir uma maior constrição das zonas de alta suscetibilidade, não conduzindo, necessariamente, a escolha do melhor modelo estatístico de previsão.

A inclinação das vertentes, assim como observado por Corominas (2014), teve uma grande correlação com os deslizamentos, mas deve-se atentar à importância das demais bases cartográficas. A geomorfologia utilizada no estudo apresentou um índice preditivo muito alto, e por si só possibilitaria a construção de um modelo com Área Abaixo da Curva classificado como bom, na proposta de Guzzeti (2005b).

O inventário de cicatrizes configura-se como uma peça chave para qualidade do modelo, pois todos os fatores de predisposição serão atrelados a ele. A identificação e delimitação dos eventos tem caráter subjetivo, visto que sofre influência do conhecimento e da experiência do profissional responsável, do método de aquisição, da precisão do modelo topográfico, da resolução e da representatividade das imagens, além da alteração morfológica da cicatriz devido à ação intempérica e ao desenvolvimento de vegetação. Portanto, a utilização de uma base de imagens diversificada e a execução de verificações de campo podem dar mais credibilidade ao inventário.

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A discriminação dos movimentos se revela um fator importante da construção do inventário, ou seja, não se deve agrupar múltiplos movimentos justapostos em um único polígono, visto que estes podem estar atrelados a fatores de predisposição distintos e podem gerar uma baixa representatividade durante a partição dos dados, o que acaba maximizando as disparidades entre as curvas de sucesso e de predição.

A posição geográfica da área estudada representa um fator relevante no sensoriamento remoto, visto que está ligada a direção de insolação preferencial que incide sobre o terreno. Como a bacia do ribeirão dos Macacos está posicionada próxima ao trópico de capricórnio, existe uma predominância de insolação de norte para sul. Isso faz com que as encostas voltadas para sul tenham um sombreamento mais acentuado devido a iluminação oblíqua, o que “realça” as estruturas superficiais. Pelo mesmo motivo, parece haver uma omissão de cicatrizes nas encostas voltadas para norte, que recebem a iluminação diretamente. De certa forma, essa resposta tendenciosa na representação das imagens pode ser esperada em áreas próximas aos trópicos ou que se posicionem em latitudes superiores a eles, tanto ao norte quanto ao sul. E pode gerar equívocos no modelo quando se utiliza o fator de predisposição “Orientação das vertentes”, sem que se verifique correlações com estruturas geológicas, com a vegetação ou com teor de umidade. Essa questão demonstra uma grande importância e carece de estudos mais aprofundados.

Por fim, destaca-se a importância da criação de um cadastro nacional de deslizamentos e uma implementação nas bases cartográficas de dados do meio físico, a qual além de viabilizar a execução de estudos deste tipo para qualquer região do país, possibilitará a construção de modelos mais precisos, já que o conceito das abordagens estatísticas baseia-se no uniformitarismo, ou seja, na correlação de deslizamentos passados com os fatores de predisposição para prever a ocorrência de futuros movimentos.

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