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1.2 Background on MiFID II and the equity research market

1.2.4 The rise of commissioned research

A comunidade científica também pode ser denominada comunidade acadêmica. Segundo Kuhn (2006), uma comunidade científica possui, entre os seus integrantes, interesses científicos semelhantes, uma bibliografia similar, vocabulário próprio (ainda que divergente em alguns pontos), compartilha modelos e abordagens metodológicos, partindo, geralmente, do resultado de pesquisas já realizadas. Para esse autor, ainda, a comunidade é fortalecida na medida em que o conhecimento produzido pode ser transferido e utilizado em novas abordagens de investigação dentro dela, intensificando o uso de suas próprias teorias, métodos e técnicas.

Nesse campo de análise, há dois termos com conceitos distintos – “comunicação” e “difusão” científica – que devem ser ressaltados. Ainda que, às vezes, sejam usados como sinônimos, há diferença entre eles: a “comunicação científica” é “[...] processo específico de produção, consumo e transferência de informação no campo científico” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p.97), enquanto a “difusão” é “a disseminação da informação” (CUNHA; CAVALCANTI, 2008, p.125), sendo que essa disseminação pode ser entendida como “documentos distribuídos a pessoas ou entidades, a partir de um ponto central de armazenamento” (ibidem, p.130). Esse armazenamento, por sua vez, pode ser o acervo de uma biblioteca tradicional ou o banco de dados de uma biblioteca digital.

Nessa linha de raciocínio, tem-se que, com a implantação de bibliotecas digitais, de repositórios institucionais e de iniciativas de open archives64, a disseminação da informação científica vem sendo ampliada em níveis nacional e internacional, permitindo divulgar as publicações e resultados de pesquisas à sociedade em geral.

Resgatando a ideia de comunicação científica, Targino (2000, p.54) anuncia que é “a comunicação científica que favorece ao produto (produção científica) e aos produtores (pesquisadores) a necessária visibilidade e possível credibilidade no meio social em que

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Open Archives (arquivos abertos) são, geralmente, criados a partir de software open source, usando padrões de interoperabilidade, que possibilitam a disseminação da informação científica com acesso livre ao conteúdo que foi disponibilizado.

produto e produtores se inserem”. Em outros termos, entende-se que essa comunicação, ao indicar a credibilidade ou a refutação de um conhecimento desenvolvido em determinada comunidade discursiva, promove a consolidação dessa mesma área ou atividade e, por consequência, concede-lhe visibilidade.

Com finalidade didática, expõe-se o que pode ser encontrado no Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia, em que Cunha e Cavalcanti (2008) conceituam a comunidade científica como

grupo social formado por indivíduos que têm como profissão a pesquisa

científica e tecnológica [...] as comunidades científicas são, sobretudo,

redes de organizações e relações sociais formais e informais que

desempenham várias funções. Uma das funções dominantes é a de

comunicação. O papel da comunicação consiste em assegurar o intercâmbio de informações sobre os trabalhos em andamento,

colocando os cientistas em contato entre si (ibidem, p.98-99, grifos nossos).

Percebe-se, assim, uma ideia semelhante à discutida no subcapítulo anterior, referente à teoria da análise de domínio, pois indica a comunidade científica como um grupo social, no qual os cientistas estão ligados por redes organizacionais e sociais, o que demonstra um caráter interativo entre a instituição e a sociedade. Ademais, a citação acima estabelece que a função primordial dos pesquisadores, em sentido strictu senso, é produzir e usar informações dentro do grupo (seus pares), ou seja, comunicando e intercambiando informações concernentes a trabalhos em andamento ou já concluídos. Nesse sentido, reafirma-se o pensamento de que o produto das pesquisas tem especial importância e relevância dentro da própria comunidade acadêmica (domínio).

É necessário acrescentar que a comunidade científica é constituída e representada por cientistas, sendo que um cientista configura

pessoa que possui treinamento, habilidade e desejo de procurar novos conhecimentos, novos princípios e novos materiais em algum campo da ciência (DICTIONARY OF SCIENTIFIC AND TECNICAL TERMS, 198465). E entendo também como aqueles que fazem pesquisa para tentar entender e ampliar o conhecimento científico já conhecido. São aqueles que fazem trabalho criativo na ciência e tratam de alguma maneira de ampliar o conhecimento ou de melhorar as teorias científicas existentes (STEVENSON; BYERLY, 1995) (ALVARADO; OLIVEIRA, 2008, p.14).

Por meio disso, verifica-se a natureza investigativa do trabalho dos cientistas, que são movidos muito mais pelas formulações de questões, perguntas e interlocuções, do que pelas respostas obtidas. Para atender a esse propósito, em geral, os cientistas, “independentemente de seu campo de conhecimento, têm necessidades de diferentes espécies de informação, a cada estágio da pesquisa, no processo de gerar, disseminar e usar a informação” (FIGUEIRA NETTO, 1994, p.29). Nessa busca por informações, esse pesquisador muitas vezes se depara com o problema de filtrar, das diferentes bases de dados disponíveis, as informações que lhe são convenientes.

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Ainda tendo em vista a citação de Alvarado e Oliveira (2008), o pesquisador necessita de três informações básicas, em distintos momentos de sua pesquisa: sobre temas já pesquisados anteriormente; 2) sobre métodos e técnicas utilizados em pesquisas; 3) resultados alcançados de pesquisas já concluídas. Analisando essas necessidades básicas, pode-se concluir que elas têm relação estreita com a atividade profissional (ocupação) desses cientistas. Segundo Case (2002), pesquisas sobre o comportamento informacional “por ocupação” indicam que as buscas por informação para o exercício da profissão (pesquisador) são investigações orientadas às tarefas e as buscas por

soluções para estruturar (organizar) essas informações conforme a demanda do

profissional são investigações orientadas aos sistemas.

Na perspectiva da busca por informação para o pesquisador, a informação, insumo para toda atividade humana, pessoal, técnica e para a comunidade científica, é essencial. Não podendo ser de outra maneira, dentro da sua comunidade discursiva, os cientistas geram, comunicam e usam informação. Sendo assim, no momento de produção das teses e dissertações, é preciso saber acerca de “quem” e “por que” produziu determinado conteúdo, pois, segundo Franco (2008),

1. Toda mensagem [...] contém, potencialmente, uma grande quantidade de informações sobre o autor: suas filiações teóricas, concepções de mundo, interesses de classe, [...] representações sociais, motivações, expectativas, etc. 2. O produtor/autor é antes de tudo um selecionador e essa seleção não é arbitrária. Da multiplicidade de manifestações [...], seleciona o que considera mais importante para “dar o seu recado” e as interpreta de acordo com seu quadro de referência. Obviamente, essa seleção é preconcebida. Sendo o produtor, ele próprio, um produto social, está condicionado pelos interesses de sua época, ou da classe a que pertence. E, principalmente, ele é formado no espírito de uma teoria da qual passa a ser o expositor. 3. A „teoria‟ da qual o autor é o expositor orienta sua concepção da realidade. Tal concepção (consciente ou ideologizada) é filtrada mediante seu discurso e resulta em implicações extremamente importantes (FRANCO, 2008, p.25- 26).

Então, os resultados das pesquisas expõem as “filiações teóricas” do autor, assim como seus interesses dentro da comunidade discursiva (interesses de classe). Por essa razão, é preciso descobrir o conteúdo manifesto (explícito) do texto produzido, de forma que ele possa ser acessado, quando, então, poderá ter seu conteúdo latente (implícito) desvendado pelo uso. Entretanto, para a apreensão do conteúdo manifesto das teses e dissertações, deve-se recorrer ao método de Análise de Conteúdo (AC), usando a técnica da análise categorial temática, a qual será discutida a partir deste momento.