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Rikssamlingens sagalandskap

In document av nasjonal interesse i Rogaland (sider 63-67)

A noção da violência é por princípio, ambígua, não existe uma única percepção do que seja violência, mas multiplicidades de atos violentos, cujas significações devem ser analisadas a partir de normas das condições e dos contextos sociais, variando de um período histórico a outro.

No Brasil há uma violência de caráter endêmico, relacionada a assimetrias sociais que se traduzem em autoritarismos de vários ordens, como o subdesenvolvimento territorializado observado entre as populações do nordeste e do norte em comparação as demais regiões e centros urbanos; a impunidade, corrupção, abuso das forças policiais, principalmente contra os pobres e os não brancos; as violações dos direitos das pessoas presas-pobres.

Adorno (1988) a considera como uma forma de relação social, associada ao modo de produção e reprodução das condições sociais e de existência. Para o autor ela se apresenta nas relações entre as classes sociais expressando-se também nas relações interpessoais, caracterizadas pela “coisificação” do outro, e assinala ser a violência a negação da igualdade de direitos, da liberdade e da vida.

Sousa e Jorge (2004) apresentam um conceito que indica que a violência se relaciona com o excesso e a falta das relações entre os indivíduos e assim se posicionam: “a violência é resultante de ações ou omissões de indivíduos, grupos, classes, nações que causam danos físicos, emocionais, morais e/ou espirituais, a si próprios ou a outros” (2004, p. 24).

Marcondes Filho (2001) faz uma análise sobre as sociedades marcadas por relações de violência, como a brasileira, e nos esclarece sobre o conceito de violência fundadora, caracterizada pela deterioração radical nas bases da cultura de uma sociedade. Para esse autor, a violência torna-se uma linguagem organizadora das relações de poder, de território, de autodefesa, de inclusão e exclusão e institui-se como um modelo. Em suas reflexões, destaca a tolerância diante dos excessos, arbitrariedades que são protegidas, os desvios como fonte de

70 lucro, a perseguição, isolamento ou punição para aqueles que não “fazem o jogo” como características na cultura brasileira. Assim, os tipos amplamente divulgados de violência, são apenas a face pública de uma forma de violência que permeia as relações cotidianas em todos os níveis e situações consideradas “normais”, “naturais” e que se apresentam no cotidiano por um agir indiferente (motivado pelo descrédito na defesa dos direitos do cidadão), por um agir vândalo (descuido e destruição do bem público) e por um agir cínico (inescrupuloso, arrogante, oportunista). O autor conclui que:

a violência fundadora da sociedade brasileira — a ideologia de fazer e desfazer sem se incomodar com o direito do outro — tem origem nos preconceitos, na segregação classista e cultural passadas, mas é assimilada da mesma forma pelos despossuídos como uma curiosa inversão de papeis. As violências reativas da sociedade brasileira passam a ser a única comunicação possível — porque real — entre excluídos e aqueles que os exclui e não importando em que escala social estejam. São sintomas de uma realidade que perdeu o seu norte. (MARCONDES FILHO, 2001, p. 16)

No diálogo com os autores temos a contribuição de Minayo (1994) ao classificar três tipos de violência:

1. Estrutural: Diz respeito aquela que incide sobre as condições de vida, e de certa forma influencia a violência do comportamento. É um conceito similar ao que Marcondes Filho (2001) denomina de violência fundadora, na medida em que tende a ser “naturalizada” e influi diretamente nas práticas socializadoras. Acrescenta que se “aplica tanto as estruturas organizadas e institucionalizadas da família como aos sistemas econômicos, culturais e políticos que conduzem à opressão de grupos, classes, nações e indivíduos” aos quais são negadas as conquistas da sociedade, colocando-as em situações de maior vulnerabilidade que os demais.

2. De resistência: refere-se as formas de respostas de grupos, nações e indivíduos decorrente da violência estrutural. Geralmente não é “naturalizada” e é inaceitável por aqueles que detém o poder político, econômico e/ou cultural.

71 3. Da delinquência: diz respeito aquela que se apresenta nas ações fora da lei socialmente reconhecida, que segundo a autora, só pode ser compreendida pelo viés da violência estrutural, que “não só confronta os indivíduos uns com os outros como também os corrompe e os impulsiona ao delito”.

Levisky (1997) relata que o meio psicossocial dos país está agravado pelas discrepâncias socioeconômicas e culturais facilitadoras de uma instabilidade social, e propulsora de várias violências: estrutural, familiar, ética e psicológica. Os adolescentes — por serem sujeitos com a identidade em “construção” — são mais vulneráveis e, ao buscarem seus modelos de identificação, têm encontrado valores instáveis e transitórios, normatização da violência, corrupção, hipocrisia, indiferença, negligência e descaso pelas minorias.

Conforme infere Barreira (1994, p. 14), “O fenômeno da violência não pode ser interpretado sem que levemos em conta que aquilo já definido por nós como violência na sociedade, também é uma interpretação social”.

A palavra se origina no latim violentia, que significa caráter bravio e força. Encontra-se assim, na origem do termo a ideia de uma força ou potência natural que, quando exercida contra alguma coisa ou alguém, torna o caráter violento.

Numa perspectiva mais ampla do conceito de violência, de forma a não considerar somente o ato em si, mas também a situação que a condiciona, Arblaster (1996, p. 56) considera que:

Se a violência não envolve necessariamente uma agressão física no confronto direto de algumas pessoas com outras, então a distinção entre violência e formas coercitivas de infligir danos, dor e morte fica enevoada. Uma política que deliberada ou consistente conduz a morte de pessoas pela fome ou doença pode ser qualificada de violenta. Essa é uma razão porque slogans como pobreza é violência, ou exploração é violência não constituem meras hipérboles.

Nesse sentido, entende-se por violência uma situação em que um ou vários indivíduos agem de maneira direta ou indireta, causando danos a uma ou várias pessoas em níveis variados seja em sua integridade física, moral em suas posses, ou em suas participações simbólicas e culturais.

A concepção de violência varia de sociedade para sociedade ou até mesmo de grupo para grupo, dentro de uma mesma coletividade. Assim é que, em nossa sociedade, enquanto o Estado e as classes hegemônicas tem como recurso uma série de estratégias identificadas como

72 não arrebatados de domínio, ao dominado, ao excluído, ao “invisível” o exercício da bestialidade em sua forma física, configura-se possivelmente como a única alternativa de poder destes grupos (ARENDT, 2002).

É necessário observar que existem várias formas de violência, e que nem sempre a explícita e a física são as mais perversas. Todas as sociedades, em todos os tempos, cultivaram várias formas de violência, definidas por sociólogos e antropólogos como violência simbólica. Esta distingue-se como a internalização por parte daquele que sofre a dominação, da necessidade deste predomínio e o reconhecimento de um papel necessariamente subalterno e passivo (ADORNO, 2000).

Alertando para a insuficiência de estudos sobre a violência e a banalização de seu conceito, Arendt (2002) a define como ferocidade, caracterizada por sua instrumentalidade, distinguindo-se do poder, do vigor, da força e até mesmo da autoridade. A política constituiu-se o horizonte de interpretação da violência, que não é nem natural, nem pessoal ou irracional. A brutalidade contrapõe-se ao poder, de forma que onde domina um, o outro está ausente. Essa reflexão nos fornece um referencial teórico, a partir da filosofia política, para entender o fenômeno em sua complexidade e amplitude.

Conforme Zaluar (1994), com o desenvolvimento, as distâncias se reduziram e o conhecimento científico permitiu desvendar enigmas seculares da vida humana. No entanto, são os efeitos drásticos desse processo que se constituem em um dos principais problemas a serem enfrentados nos dias de hoje. As sociedades ocidentais passam por um momento de enfraquecimento das tradições, acirramento das desigualdades sociais e da violência, associado principalmente à população jovem.

Nesse sentido, assistimos a um grande aumento da violência, especialmente nas comunidades periféricas e pobres, integradas por jovens que, na maioria dos casos inseriram-se no mundo dos delitos desde tenra idade. As gangues configuram-se como um espaço de sociabilidade, referencia e segurança aos jovens. Com seus códigos próprios, desafiam o poder do Estado ditando regras e normas de justiça local, chegando a punir com a morte a quem considera inimigo. Discriminado por sua condição socioeconômica, desvalorizado pela sociedade, que os vê como pequenos bandidos, passíveis de extermínio, muitos encontram-se no poder exercido pela arma de fogo, a praticar crimes na maioria das vezes contra o patrimônio, como alternativa

73 viável para obter prestígio, visibilidade, aceitação social e dinheiro, artigos de grande valor numa sociedade embasada em modismos e valores consumistas.

Tema prioritário desde o final da década de 1980, a violência passou a ser estudada, em todos os setores que trabalham com a população juvenil. A abordagem deve ser transdisciplinar, priorizando uma consciência contemporânea sobre o valor da vida, direitos de cidadania, cultura de paz.

Dos estudos de Chesnais (1995), são identificados alguns fatores que interferem diretamente no fenômeno da violência no País. Assim destaca-se:

 Fatores Socioeconômicas; pobreza; agravamento das desigualdades; herança da hiperinflação.

 Fatores institucionais: influencia do Estado; crise do modelo familiar; recuo do poder da igreja.

 Fatores Culturais: problemas de integração racial e desordem moral  Democracia urbana.

 A mídia, com seu poder, que colabora para a apologia da violência.

 A globalização mundial, com a contestação da noção de fronteiras e o crime organizado (narcotráfico, posse e uso de armas de fogo, guerra ente gangues).

Destaco entre tais fatores à desigualdade econômica e social que corresponde à desigualdade de forças e por consequência à violação dos direitos humanos.

Concordo com Arendt (2002) em sua assertiva de que “jamais pode ter qualquer grandeza, pois não é através da força e da violência que as pessoas devem conviver nos níveis políticos e sociais das sociedades civilizadas” (2008, p. 38).

Na atual conjuntura, entende-se a brutalidade como ação antissocial e pré -política. decorrente de vivência das necessidades de sobrevivência; de insatisfações e frustrações intransponíveis em determinadas condições humanas de vida.

Conclui-se, portanto afirmando que a representação da violência e o comportamento impetuoso dos adolescentes, são construídos e identificados tanto a partir das suas tendências psicológicas, como de suas vivências, relações com seu contexto: familiar, escolar, social político e ideológico. A esse quadro, associa-se a informação e formação propiciada pela mídia, pela internet, na qual produz-se uma avalanche de informações negativas acerca desses adolescentes,

74 aglutinando o medo, canalizando a raiva das pessoas, e o desejo de vingança, contrapondo-se a noção de justiça.

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