4.5 Feelings towards tourism in Copenhagen
4.5.2 The Right to the City
Nesse conjunto, a zona de cilhamento mais marcante é a de Jaguaribe (ZCJ), que já foi, por diversas vezes, objeto de cartografia de reconhe cimento, tendo sido mapeada tanto como de cinemática inversa/contracional (Santos & Brito Neves 1984) quanto transcorrente dextral (Campos et al. 1979; Cavalcante et al. 1983; Braga & Mendonça 1984).
Sua extensão, em torno de NS, a partir da região de Icó (Fig. 4.4) até proximidades NE de Castanhão, é bem marcada, tanto em imagens de sensoriamento remoto (Foto 4.1) como no campo. Dessa última região até NW de Limoeiro do Norte, a análise de sua representatividade é fortemente prejudicada pela extensiva co bertura sedimentar cenozóica (Anexo I), onde destaca -se um fotolineamento que parece traduzir uma estruturação cenozóica que alinha restos de coberturas tercio -quaternárias e controla o curso do Rio Jaguaribe, após a desembocadura do Rio Banabuiú (Foto 4.3 ). Também, os dados de campo, segundo seções entre Limoeiro do Norte, Morada Nova e Viraponga, não foram muito esclarecedores. Tendo -se, na maioria das vezes, zonas de strain mais fracos do que aqueles observados noutros segmentos dessa ZCJ.
De norte para sul, assinala-se uma dominância de litotipos da série milonito, geralmente com porfiroclastos de micloclina de tamanhos submilimétricos a centimétricos, com seções xz arredondadas, elipsóidais achatadas (diversas razões x/z), deltóides e sigmoidais. As segundas formas são mais comuns em segmentos de alto
strain, com paralelização S-C ou em sítios onde coexistem ao lado de porfiroclastos com
discreta dissimetria, apontando rotação horária e denunciando uma composição vetorial com importante componente nã o-rotacional. Por sua vez, as duas últimas geometrias sinalizam, estatisticamente, para uma rotação horária .
Na seção Limoeiro-Viraponga, os augen gnaisses miloníticos exibem lineação
subhorizontal ( 070/00Az a 80/050Az) e foliação NS a N10E/70SE a vertic al. Estes
encontram-se cortados por diques de biotita granito cinzento e microporfirítico, pouco deformado, claramente tardi -tectônicos ao cisalhamento. Também nessa região, biotita granitos cinzentos gnaissificados exibem cumulatus de feldspatos, onde os pórfiros sigmoidais deste mineral sinalizam para uma cinemática dextral (Foto 4.21).
Caracteres similares são apontados para a seção Limoeiro -Jaguaribe (via BR-116). Aqui, essa ZCJ além de se manifestar muito bem nos augen gnaisses, mostra-se também com milonitos injetados de granitos aplíticos a microporfiríticos, associando -se a níveis de xisto milonítico escuro.
Nesse local, tem-se faixas com destacada paralelização S -C, onde são tênues as evidências de sentido rotacional (Lm = 50-140 / 50Az).
Aí, os auguen gnaisses fazem contato, pelo lado oeste, com uma associação de anfibólio-biotita gnaisses e anfibólio gnaisses, com leitos boudinados de anfibólitos (sequência similar a do leste dessa ZC, na seção Jaguaribe -Pereiro). Nas superfícies xy, o anfibólio (ferroactinolita ?) mostra -se crescido em variadas direções, num arranjo condrítico. O conjunto encontra -se injetado de leucogranitóides, em parte pegmatíticos,
deformados.
Também, observa-se que sistema de fendas de tensão, en-echelon, preenchidas por quartzo esfumaçado, desenvolvidas no leucogranitóide, de jazimento segundo a direção da zona milonítica, aponta para rotação sinistral (casos similares acontecem em diversos pontos da porção oriental da SJ). Entretanto, um pouco a leste os indicadores ro tacionais são francamente dextrais, marcando -se uma forte lineação de estiramento/mineral (média de 100/ 160Az, segundo uma superfície milonítica de N100E / 520SE).
Na seção Jaguaribe-Pereiro, os milonitos dessa ZCJ afloram no Sítio Quincos (Água Bela), sendo caracterizados por gnaisses miloníticos porfiroclásticos, com forte rotação dextral dos feldspatos, desenhados por formatos dos tipos sigma e delta. Proximidades desse local, na zona de contato com o Complexo Granitóide Pereiro, ocorrem milonito xistos pretos, microscopicamente descritos como metatufos máficos, associados a outros tipos rochosos (v. Capítulo 3) que mostram -se injetados de diques leucograníticos e com dobras sintranscorrência (Fotos 3.12 e 3.13, Foto 4.20 e Fig. 4.5) de eixos com â ngulos de mergulhos altos a verticais e com vergência compatível com a cinemática da ZCJ.
Localmente, encontram-se indicadores de movimentos extensionais transcorrentes, obdecendo a cinemática dextral anterior, em níveis crustais rasos (regime frágil), ob líquos e perpendiculares a foliação milonítica.
Sobrepondo-se aos movimentos transpressivos dúcteis, tem -se zonas de cisalhamentos de crosta rasa, com formação de brechas, cataclasitos e pseudotaquilitos, além de flexuras associadas a movimentos com uma importante componente vertical.
Estruturas de cisalhamentos relacionados à cinemática tardi -F3, em flancos de
dobras, são mostradas na Fig. 4.5.
Já do lado ocidental da ZCJ, destaca -se a Zona de Cisalhamento Serra do Aimoré (ZCSA) que, para N, sofre uma inflexão para a direita fechando na ZCJ. Essa, em quase todo o seu traçado, ostenta mergulhos fortes para E ou ESE, com superfícies miloníticas
“riscada” de estiramento/mineral de mergulhos baixos (00
-200 S-SSE), no segmento S,
terminando com mergulhos ma is fortes (40-550) para S e SSE e, na parte frontal, para S e
SSW (Fig. 4.4). Em parte coloca os augen gnaisses e metassupracrustais da Seqüência Jaguaribe em contato com o embasamento (Complexo Jaguaretama), ao feitio de uma rampa lateral.
Ainda, nesse lado ocidental, aparecem diversas e estreitas zonas de cisalhamento
com traços geralmente oblíquos aos da foliação S2 e com indicadores de cinemática
sinistral (fotos 4.14 e 4.15). A mais extensa delas, atingindo preferencialmente rochas do embasamento e sendo cortada por diques graníticos e pegmatíticos tardi - a pós- cinemáticos, é a do Riacho Jungueira (ZCRJ), que prolonga -se até a região da Ilha Grande no Rio Jaguaribe. Sua característica principal é de mostrar -se, em seu traçado meridional, como uma dob ra de vergência N (ao feitio de dobra de arrasto em relação ao binário vetorial da ZCJ). Também aparece cortando estruturas planares admitidas como de F2.
Essa ZCRJ exibe uma complexidade maior do que a de uma simples transcorrência sinistral, como apresenta por Bezerra et al. (1992). Para os afloramentos visitados, inerentes ao trecho meridional, os dados sinalizam para uma composição transpressional, com ascensão do bloco leste (Foto 4.19).
Composição em macroescala, dos traços dessa ZC com aqueles delineados às proximidades S e E da cidade de Jaguaribe (Anexo I), desenham um quadro estrutural do
tipo bandas de cisalhamento conjugadas (sinistral/sintética ao N e dextral/antitét ica ao S, em relação a cinemática regional de transpressão dextral).