Existem diversos matérias e técnicas que podem ser empregados na construção sustentável ou ecologicamente correta de um edifício residencial. A forma, as técnicas e materiais podem e devem ser combinados da maneira que convier, respeitando e aproveitando o clima local. Não há uma maneira única de construir de forma sustentável, o que existe são apenas diretrizes a serem consideradas na hora de projetar e executar a obra.
O esquema apresentado a seguir (Figura 6), lista somente algumas das diversas possibilidades de como um edifício residencial pode ser ecologicamente correto.
O clima local é um fator que deve ser considerado na fase do planejamento do projeto de uma edificação sustentável. Por exemplo:
- Nas regiões de clima tropical úmido (onde as chuvas e altas temperaturas são constantes durante o ano todo), pode-se desenvolver ambientes com tetos bem inclinados para as águas das chuvas correrem; as paredes devem ser finas para não reterem muita umidade;as varandas devem ser abertas ao redor dos apartamentos, para protegê-los das chuvas; e as janelas devem ser grandes para aproveitar a ventilação.
Figura 6 – Materiais/técnicas utilizados em edifícios residenciais sustentáveis
- Nas regiões de clima temperado, onde o frio é mais rigoroso, deve-se utilizar materiais que isolem o interior dos ambientes do frio externo e acumulem um pouco mais de calor, as paredes devem ser grossas para isolar termicamente o interior; as lareiras são opções positivas para aquecer os ambientes de uso coletivo dos apartamentos; e as fachadas leste e oeste devem possuir janelas grandes, e a fachada sul, poucas janelas.
- Nas regiões de clima tropical seco, em que os dias são quentes e as noites frias, o ideal é que as torres dos edifícios fiquem próximas umas das outras; as paredes devem ser grossas para proteger os ambientes das variações bruscas de temperatura; deve possuir teto com solo e vegetação para proteger os ambientes das altas temperaturas; os pátios internos são indicados para ventilar os ambientes; que devem ser pintados com cores claras, pois absorvem menos calor.
Outro quesito interessante a ser considerado para uma arquitetura mais sustentável é a permeabilidade do solo. Dispor e otimizar áreas livres com solo permeável e vegetação, tanto nas áreas térreas (internas e externas), quanto nas coberturas, cria nos edifícios ambientes mais frescos e permitem o escoamento da água que se aglomera no chão e no telhado, proporcionando mais salubridades aos espaços.
Eis alguns exemplos de edificações sustentáveis existentes em diversos países:
a) Bed Zed (Londres - Inglaterra)
Localizado em Londres e projetado pela empresa Bill Dunster Architects, o BedZed é um condomínio residencial e comercial que concebe a eficiência energética e os preceitos da sustentabilidade em ambientes construídos. Seu projeto foi rigorosamente pensado com o objetivo de minimizar o consumo e renovar aquilo que é usado, do transporte aos materiais, afim de integrar o conjunto a cidade e ao meio ambiente.
Figura 7 - As construções sustentáveis do Bed Zed
São características do BedZed:
Uso de placas fotovoltáicas para geração de energia
Miniestação geradora de energia a base de lascas de madeira. 50% da água são tratadas, purificadas e reutilizadas.
Coberturas verdes.
Postos de abastecimento para carros elétricos.
Localização do projeto próxima a boa infra-estrutura de transportes. Iluminação bem aproveitada.
Ventilação bem elaborada, evitando o uso de ar-condicionado. Uso de materiais reciclados, reaproveitados e de fontes próximas. Equipamentos sanitários com baixo consumo de água.
Eletrodomésticos ecológicos. Coleta de lixo reciclável
b) Torre Strata SE1 (Londres - Inglaterra)
A Torre Strata SE1, localizada na região de Elephant & Castle, em Londres, já é destaque em diversos âmbitos da arquitetura: é o primeiro edifício do mundo a incorporar turbinas eólicas em sua estrutura, e é o edifício residencial mais alto de Londres.
Apelidada de The Razor (A Navalha), devido à sua forma, a Torre Strata tem 148 metros de altura, possui 42 andares e 408 apartamentos de até 170 metros quadrados.
Figura 8 – Torre Strata SE1 Fonte: foto de Linda Nylind (2011)
Cerca de 96% dos resíduos gerados durante a fase de construção foram reciclados.As três turbinas eólicas da Torre podem produzir juntas até 50MW/h, o que representa aproximadamente18% de toda a energia consumida nos 408 apartamentos. Além da produção de energia eólica, a Torre traz também o uso de ventilação natural, fachada térmica de alto desempenho, recuperação do calor, lâmpadas de baixa energia e controle de iluminação, fazendo com que o prédio emita até 73,5% menos CO2 que um edifício similar.
Todas as características sustentáveis da Torre Strata SE1 vem para reforçar as exigências do Reino Unido de ter apenas construção com zero carbono até 2019.
c) Condomínio Príncipe de Greenfield (Porto Alegre – Brasil)
De acordo com a Revista EXAME (mar/2011), o Brasil já é o quinto país no ranking global de prédios verdes e conta atualmente com 26 empreendimentos residenciais em processo de certificação junto as duas únicas instituições no país que concedem o título de "construção verde". Dezessete pleiteiam o LEED, concedido pelo Green Building Council, e os outros 9 buscam a certificação AQUA, da Fundação Vanzolini. Já é possível encontrá-los nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Porto Alegre.
Figura 9 – Condomínio Príncipe de Greenfied Foto: Reprodução/Joal Teielbaum
O condomínio Príncipe de Greenfield, em Mont'Serra, bairro nobre de Porto Alegre, primeiro residencial do Brasil na fila para receber a certificação LEED, que deverá sair nos próximos meses. Possui painéis solares para aquecimento d´água utilizada nas piscinas e chuveiros, iluminação e ventilação eficientes, coletores de água da chuva para irrigação dos jardins, telhado ecológico, paisagismo com árvores nativas, coleta seletiva do lixo, duto especial para coleta de óleo doméstico e envio para reciclagem, medidores de água individuais, pisos permeáveis, e uma séria de outras características que o tornam digno do título de verde.Não apenas o
condomínio, mas o obra também recorreu a fontes alternativas de energia, utilizando materiais recicláveis, sempre que possível, e de baixa manutenção, afim de emitirem a menor quantidade possível de poluentes no meio ambiente.
d) Condomínio Uptown (Oakland – EUA)
Utilizando práticas de construção verde promovido pelo Green Building Council dos EUA, o condomínio de apartamentos Uptown transformou uma área antes coberta por parques de estacionamento, edifícios subutilizados e um posto de gasolina velho, em um vibrante condomínio de apartamentos mistos (stúdios e apartamentos de um, dois e três quartos, dos mais simples aos mais luxuosos).
Figura 10 – Condomínio Uptown
O condomínio residencial Uptown foi projetado e construído como uma residência ecológica urbana, rodeado por espaço aberto para promover uma vida saudável e uma conexão com o exterior. Há uma curta distância entre suas ruas e as paradas de ônibus, para que os moradores possam viver confortavelmente sem carro. Mesmo assim, ainda oferece para uso dos condôminos, carros para uso compartilhado, os chamados “zipcar”, isentos de taxas.
Segundo o portal do Uptown na internet, os materiais de construção utilizados em sua operação foram constituídos de,no mínimo, 10% de conteúdo reciclado, exceto os pátios feitos de pneus 100% reciclados.Cerca de 90% dos resíduos de construção gerados foram reciclados em vez de levados a um aterro, o que reduziu a demanda por recursos naturais. E 33% de todos os materiais de construção foram fabricados regionalmente (dentro de 500 milhas).
O condomínio faz captação das águas das chuvas para irrigação do paisagismo; as luminárias e eletrodomésticos são de baixo fluxo energético; os banheiros de uso comuns possuem ar-secadores para as mãos (a fim de reduzir o consumo de papel); as janelas possuem isolamento térmico para controle de temperatura e economia de energia; é realizada a coleta seletiva do lixo para facilitar a reciclagem;em todas as áreas comuns o fumo é proibido; 90% dos espaços nos edifícios têm uma visão externa para receber luz natural; todos os adesivos, selantes, tintas e carpetes utilizados nas residências e áreas comuns do condomínio são classificados como de baixo VOC (compostos orgânicos voláteis), uma classe de compostos altamente tóxicos e poluentes da atmosfera; para uma melhor qualidade do ar interior, os pátios internos possuem parques de lazer ao ar livre, com paisagismo natural, para uso dos moradores.
8. POSSIBILIDADES DE REFERÊNCIAS BRASILEIRAS PARA A PRÁTICA