• No results found

Segundo estudo realizado pelo IDEMA em 1996, baseado em alguns indicadores de desenvolvimento sócio-econômico, o município atingiu o 17º lugar no ranking geral dos 166 municípios do Estado.

A renda per capita, com base na arrecadação de 2001, foi de cerca de R$ 640,00. Segundo o Tribunal de Contas do Estado a arrecadação de 2001 foi de R$ 5.269.556,26. As maiores contribuições são do FPM, com R$ 2.068.100,29; do ICMS, com R$ 1.278.121,75 e dos royalties, com R$ 948.573,23.

O setor primário se faz predominante na economia de Grossos, através da extração de sal, a pesca e a agropecuária. Recentemente vem se desenvolvendo a carcinicultura e a agricultura irrigada.

A produção de sal é realizada tanto mecanizada, quanto artesanalmente. Em 2001 a prefeitura de Grossos realizou um levantamento onde notou a diminuição das empresas salineiras de médio/grande porte no município de 7 para 2 que operavam no início dos anos 90. Segundo trabalho realizado pela FISHTEC, 2002, o setor salineiro emprega cerca de mil habitantes da cidade, sendo que o beneficiamento do sal é realizado por 13 empresas, que produzem entre 250 e 300 mil toneladas de sal por ano, representando 5 a 7% da produção Estadual movimentando cerca de R$ 3.500.000,00 na economia local, porém observa-se uma diminuição nas operações das salinas, principalmente as artesanais.

Em relatório a FISHTEC (2002), O presidente da Federação dos Pescadores do Rio Grande do Norte, em 2002 atuavam cerca de 500 pescadores em Grossos. A produção,

toneladas anuais (com valor bruto estimado em aproximadamente R$ 300.000,00). A captura é predominantemente de peixes como a tainha (29,8 t.) e a pescada (19,5 t.). O camarão e a lagosta, por sua vez, representam apenas 6,1 e 3,1% do total e respectivamente. A frota local é composta principalmente por canoas (40%) e bateiras à vela (18%), sendo menos de 5% o número de barcos com propulsão motorizada. As artes mais empregadas são a rede de espera, a rede tainheira e o arrasto de praia.

Na produção agrícola do município merece destaque o projeto de cultivo irrigado de melão, realizado pela empresa FRUITLAND na comunidade de Córrego que tem mostrado viabilidade, gerando em 2002, cerca de 40 empregos diretos (tabela 06).

Em Grossos vem sendo testada em uma área de 3,6 hectares, nos arredores da Sede do município, a criação de Artemia insumo estratégico para o cultivo do camarão que está sendo produzido em escala comercial, o projeto conta com o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Camarão – ABCC, gerando cerca de 40 empregos diretos.

TABELA 06

GROSSOS – RIO GRANDE DO NORTE

Principais Produtos Agrícolas Produzidos em Grossos - RN

(1) 1.000 Frutos

Produto Área Colhida (ha) Quantidade Produzida (t) Valor Total (R$) Algodão herbáceo 55 39 31.200,00 Feijão 210 126 113.400,00 Mandioca 1 7 525,00 Melância (1) 4 17 2.550,00 Milho 200 120 24.000,00 Castanha de caju 150 52 45.800,00 Coco-da-baia (1) 10 38 11.400,00

Sorgo granífero 8 10 P/ consumo aanimal

TOTAL 638 409 229.875,00

Fonte: IBGE – 2000.

Alternativa encontrada pela população que emprega várias famílias é a produção artesanal de Grossos, trabalhos com areias coloridas, confecção de barcos em miniatura, renda, bilro, labirinto e trabalhos com conchas. O município também conta com as indústrias beneficiadoras de sal, que apesar da mecanização ainda geram empregos.

Nascimento, S. R. V. 2004 28

O município de Grossos possui um evidente potencial turístico onde destacam-se como principais atrativos turísticos os 4,8 Km² de dunas, as salinas (mecanizada e artesanal), a cultura da Barra, as barracas a beira-mar, a praia de Pernambuquinho, os Sambaquis, os cajueiros, as fazendas de Artemia, entre outros, porém, não dispõe de infra- estrutura básica local para receber o turista.

1.4.1. Renda

Segundo Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil – 2003, a renda per capita média do município cresceu 39.98%, passando de R$ 74.87 em 1991 para R$ 104.80 em 2000. A pobreza (medida pela proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 75,50, equivalente à metade do salário mínimo vigente em agosto de 2000) diminuiu 24.61%, passando de 71.9% em 1991 para 54.2% em 2000. A desigualdade cresceu: o Índice de Gini (tabela 07) passou de 0.47 em 1991 para 0.52 em 2000.

TABELA 07

GROSSOS – RIO GRANDE DO NORTE

Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade de Grossos - RN

1991 2000

Renda per capita Média (R$ de 2000 74.9 104.8

Proporção de Pobres (%) 71.9 54.2

Índice de Gini 0.47 0.52

Fonte: PNUD – 2003.

Observa-se que na distribuição de renda por extratos da população de Grossos (tabela 08), 20% da população mais pobre contava no ano de 1991, com 4,7% da renda total, hoje esta camada da população conta apenas com 1,3% da renda total produzida no Município, em contra partida observou-se que os 20 % mais ricos aumentaram a sua fatia na renda total, passando de 50,9%, em 1991, para 51,4% em 2000, evidenciando o aumento da concentração da renda no Município.

TABELA 08

GROSSOS – RIO GRANDE DO NORTE

Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População de Grossos - RN

1991 2000 20% mais pobres 4.7 1.3 40% mais pobres 14.5 9.9 60% mais pobres 28.8 24.8 80% mais pobres 49.1 48.6 20% mais ricos 50.9 51.4 Fonte: PNUD – 2003. 1.4.2. Habitação

A população do Município de Grossos passou a ter maior acesso a serviços básicos como água encanada e energia elétrica, porem somente os domicílios urbanos tem maior acesso à coleta de lixo (tabela 09). Também foi verificado um aumento no consumo de bens duráveis pela população (tabela 10), característica esta própria do sistema capitalista.

TABELA 09

GROSSOS – RIO GRANDE DO NORTE

Acesso a Serviços Básicos pela População de Grossos - RN

1991 2000

Água Encanada 29.9 41.1

Energia Elétrica 86.9 96.0

Coleta de Lixo¹ 50.2 91.2

Fonte: PNUD – 2003.

¹ Somente domicílios urbanos

Nascimento, S. R. V. 2004 30

TABELA 10

GROSSOS – RIO GRANDE DO NORTE

Acesso a Bens de Consumo pela População de Grossos - RN

1991 2000 Geladeira 38.9 69.4 Televisão 44.4 84.8 Telefone 2.6 10.0 Computador ND 1.5 Fonte: PNUD – 2003. ND = não disponível 1.4.3. Vulnerabilidade

Os indicadores de vulnerabilidade evidenciam a qualidade de vida da população, por meio do ambiente familiar em que se encontra o indivíduo e o que este ambiente tem a oferecer para contribuir com a formação deste indivíduo. São levados em consideração a renda salarial da família, a porcentagem de mães jovens e mães solteiras como chefes de família, o Município de Grossos apresentou uma melhoria, embora pequena, nesses indicadores (tabela 11).

TABELA 11

GROSSOS – RIO GRANDE DO NORTE

Indicadores de Vulnerabilidade Familiar da População de Grossos - RN

1991 2000

% de mulheres de 10 a 14 anos com filhos ND 0.9

% de mulheres de 15 a 17 anos com filhos 30.6 9.3

% de crianças em famílias com renda inferior à 1/2 salário mínimo 81.1 64.1

% de mães chefes de família, sem cônjuge, com filhos menores 6.1 6.1

Fonte: PNUD – 2003. ND = não disponível

Observa-se (tabela 12) que o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de Grossos é considerado mediano, e que o dado que menos contribuiu para a elevação do IDHM foi a renda.

TABELA 12

GROSSOS – RIO GRANDE DO NORTE

Índice de Desenvolvimento Humano de Grossos - RN

1991 2000

Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 0.550 0.683

Educação 0.557 0.743

Longevidade 0.601 0.757

Renda 0.493 0.549

Fonte: PNUD – 2003.

1.4.5. Evolução 1991-2000

Segundo a PNUD 2003, no período 1991-2000, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Grossos cresceu 24.18%, passando de 0.550 em 1991 para 0.683 em 2000 (figura 11).

A dimensão que mais contribuiu para este crescimento foi a Educação, com 46.7%, seguida pela Longevidade, com 39.2% e pela Renda, com 14.1%.

Neste período, o hiato de desenvolvimento humano (distância entre o IDH do município e o limite máximo do IDH, ou seja, 1 - IDH) foi reduzido em 29.6%.

Se mantivesse esta taxa de crescimento do IDH-M, o município levaria 11.9 anos para alcançar São Caetano do Sul (SP), o município com o melhor IDH-M do Brasil (0.919), e 5.7 anos para alcançar Natal (RN), o município com o melhor IDH-M do Estado (0.788).

Nascimento, S. R. V. 2004 32

1.4.6. Situação em 2000

O perfil Municipal divulgou que em 2000, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de Grossos é 0.683. Segundo a classificação do PNUD, o município está entre as regiões consideradas de médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,5 e 0,8)

Em relação aos outros municípios do Brasil, Grossos apresenta uma situação intermediária: ocupa a 3254ª posição, sendo que 3253 municípios (59.1%) estão em situação melhor e 2253 municípios (40.9%) estão em situação pior ou igual.

Em relação aos outros municípios do Estado, Grossos apresenta uma situação boa: ocupa a 25ª posição, sendo que 24 municípios (14.5%) estão em situação melhor e 141 municípios (85.5%) estão em situação pior ou igual.

Figura 11: Contribuição dos indicadores para o crescimento do IDH no município de Grossos. Fonte: Atlas

1.5.1. Clima

Segundo classificação realizada por Köppen, o clima de Grossos é do tipo BSw´h´, que se caracteriza como um clima muito quente e semi-árido, com estação chuvosa atrasando-se para o outono. Com pluviosidade média anual 879,2 mm, Grossos possui umidade relativa anual média do ar de 69%, sendo o período chuvoso de fevereiro a março. A temperatura oscila entre 22,6°C e 33,3°C, com media de 27,3°C. A insolação chega a 2.800 horas/ano, os ventos predominantes vem do quadrante SE com velocidade de 7 a 8 m/s.

1.5.2. Hidrografia

O município de Grossos está inserido na bacia hidrográfica do Rio Mossoró. A hidrogeologia da região é formada pelo Aquífero Barreiras, composto por arenitos finos e grosseiros, conglomerados, arenitos argilosos, caulínicos e ferruginosos níveis de cascalhos, lateritas e argilas variadas de coloração amarela a avermelhada. Quanto a hidrogeologia este aquífero apresenta-se confinado, semi-confinado e livre em algumas áreas. Os poços construídos mostram capacidade máxima de vazão, variando entre 5 a 100 m /h, com água de excelente qualidade química, com baixos teores de sódio e podendo ser utilizada praticamente para todos os fins.

1.5.3. Vegetação

As principais formações vegetais encontradas no Município de Grossos (figura 12) são:

Caatinga Hiperxerófila - vegetação de caráter mais seco, com abundância de cactáceas e plantas de porte mais baixo e espalhadas. Entre outras espécies destacam-se a jurema-preta, mufumbo, faveleiro, marmeleiro, xique-xique e facheiro

Manguesal: sistema ecológico costeiro tropical dominado por espécies vegetais, mangues e animais típicos, as quais se associam outras plantas e animais, adaptadas a um solo periodicamente inundado pelos mares, com grande variação de salinidade.

Nascimento, S. R. V. 2004 34

Vegetação Halófila: constituída por plantas que toleram viver em solo com alta concentração de sais, geralmente são espécies herbáceas e rasteiras.

Figura 12: Mapa de vegetação em escala de 1:250.000. elaborado pelo Projeto RADAMBRASIL (1981),

As formações encontradas possuem menos de 100 metros de altitude. A sede municipal está a 5m de altitude em relação ao nível do mar.

1.5.5. Solos

Os solos predominantes e características principais (figura 13) são:

Latossolo Vermelho Amarelo Eutrófico: fertilidade média a alta, textura média, fortemente drenado, relevo plano.

Areias quartzosas marinha distróficas: basicamente de quartzo, de textura arenosa, excessivamente drenados, mostrando-se rasos a profundos e com baixa fertilidade natural. Originários dos sedimentos areno-quartzosos, não consolidados de origem marinha e pontualmente estuarina, depositados pela ação dos ventos.

Solonchak solométzico: constitui uma associação de solos pouco desenvolvidos, muito mal drenados, com alto conteúdo em sais provenientes da água do mar (NATRONTEC, 1998).

Nascimento, S. R. V. 2004 36

Figura 13: Mapa de solos em escala de 1:250.000. elaborado pelo Projeto RADAMBRASIL (1981),

utilizado como referência na elaboração do mapa de associação de solos de Grossos – RN.

1.5.6. Aspectos Geológicos e Geomorfológicos

A área do município abrange principalmente terrenos do Grupo Barreiras de Idade Terciária, 30 milhões de anos, caracterizado por arenitos inconsolidados e siltitos com intercalações de argilas variadas, arenitos, caulínicos e lateritas, que formam espessos solos arenosos de coloração avermelhada (figura 14). Na zona costeira, recobrindo o grupo Barreiras, estão as dunas móveis, figura 33, enquanto na região estuarina estão presentes os aluviões do rio Apodi.

morros e lagoas naturais, que no período de inverno servem à agricultura de subsistência; são elas: Lagoa do Marreco, Lagoa do Carão, Lagoa Salgada, Lagoa João Lourenço, Lagoa da Onça e Lagoa de Tibau. Na região estuarina estão presentes os aluviões do Rio Apodi.

Figura 14: Mapa Geológico do RN realizado pelo DNPM (1998), utilizado como referencia para na

elaboração do mapa geológico simplificado de Grossos – RN.