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Este material é resultante da extracção periódica da parte exterior, suberosa, da planta Quercus suber L, vulgo sobreiro cuja particularidade consiste na capacidade de regeneração das células exteriores. Conhecida desde a antiguidade, como flutuante para artigos de pesca, vedante e no fabrico de sapatos. Com maior aplicação no século XX sobretudo em aglomerados. Actualmente é a Europa, sobretudo Portugal que possui a maior cota de produção de cortiça a nível mundial. É um material leve, elástico, resistente à água, isolante térmico, eléctrico, acústico e vibrátil. Tem a particularidade de poder ser comprimido sem expansão lateral devido à sua estrutura celular prismática que fica arredondada quando comprimida. Dotada de uma grande estabilidade química, biológica e resistência ao fogo [5, 23 e 60].

A cortiça tem uma arquitectura molecular polimérica complexa e sobretudo a cortiça de maior idade, a “amadia”, contem cerca de 50% de fenóis e polifenóis. Esta é constituída por vários tipos de compostos de quantidade variável pela sua natureza orgânica, conforme a idade, o período de extracção, a orientação geográfica, o solo e o clima [23].

Os compostos químicos mais conhecidos da cortiça são:

ƒ A suberina, um polímero misto constituído por ácidos gordos de cuja despolimerização resultam fenólicos e gliceróis Composto hidrófobo, insolúvel mas saponificável por bases fortes. Material utilizado no fabrico de látex, tintas e vernizes.

ƒ A lenhina, um polímero cuja função é conferir rigidez às fibras celulósicas e à parede celular. Resíduo da despolimerização da suberina, utilizado no fabrico de colas.

ƒ Os polissacáridos, polímeros derivados de celulose que tem função de suporte, tal como a lenhina.

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ƒ Os ceróides que contribuem com a suberina para a impermeabilização das membranas são obtidos do cozimento a vapor do aglomerado negro e aplicados em parafinação, látex e papel.

ƒ Os taninos são compostos fenólicos hidrosolúveis ou condensados, mas também substâncias fenólicas simples. Encontram-se nos resíduos líquidos dos aglomerados negros e na cortiça virgem ou de fraca qualidade. São inibidores de corrosão, fungicidas e são utilizados também na produção de tintas e colas.

ƒ Os esteróides e minerais ou cinzas que se encontram em menor quantidade na produção de aglomerados negros como por exemplo o sitosterol e o suberinol. Os minerais encontrados são o cálcio, o sódio, o potássio, o fósforo, o ferro e o magnésio [23].

2.2. Os granulados de cortiça

Da transformação da cortiça resultam diversos subprodutos como os refugos, aparas, resíduos de brocagem, restos de cortiça virgem e tipos de cortiça de qualidade inferior. Mediante um processo de trituração são obtidos vários granulados, de dimensões e características distintas, e pó de cortiça.

O processo de granulação começa por um destroçamento inicial em que se reduz as dimensões dos restos de cortiça e se separam as impurezas. Sucede-se a trituração que origina pequenos grânulos, a afinação da granulometria e a posterior separação da cortiça de qualidade inferior como a “barriga” ou “costa”. Deste processo resulta ainda o pó de cortiça obtido por aspiração dos grânulos de mais fina dimensão. Por último é efectuada uma secagem forçada por ar quente a fim de conferir o grau de humidade desejado ao granulado. Estes granulados são classificados segundo as suas características granulométricas e massa volúmica pela Norma Portuguesa NP-114.

Os granulados são utilizados como agregados, na produção de betões leves ou directamente em isolamento térmico e acústico em edifícios.

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2.3. Os aglomerados de cortiça

Os aglomerados são materiais compactados produzidos a partir dos granulados de cortiça. Estes poderão ser simples, produzidos com ou sem material ligante, ou compostos, quando combinados com outros materiais. Estes são utilizados na construção como tectos falsos, revestimento de paredes, pisos e tectos, linóleos e juntas isolantes e de dilatação [5, 23 e 60].

Os aglomerados simples são os designados aglomerados negros que são fabricados utilizando diversas granulometrias de granulados, distintas temperaturas e pressões, com vapor de água em autoclave. É um cozimento do qual resultam aglomerados negros térmicos, acústicos ou vibráteis conforme o tipo de granulado e cura. A aglutinação deste tipo de aglomerados deve-se à polimerização das resinas naturais existentes na própria cortiça, sendo de referir que a cortiça empregue é cortiça virgem de qualidade inferior, mas que contém um elevado teor de resinas naturais [23 e 60].

Os aglomerados compostos obtêm-se mediante a aglutinação do granulado com um ligante sob a acção conjunta de pressão e elevadas temperaturas, para além da incorporação de alguns aditivos. Entre estes compostos encontram-se placas de revestimento de pavimentos, ou de paredes, habitualmente revestidas por películas diversas como vernizes, plásticos ou folhas de madeira. Existindo ainda “rubbercork” ou “corkrubber” material produzido com borrachas sintéticas, segundo os processos de fabrico das mesmas borrachas, sendo aplicado como pavimento ou juntas e aglomerados compostos para revestimentos, de fins essencialmente decorativos.

Para produção destes aglomerados, são utilizados granulados de calibre fino ou médio com uma massa volúmica entre 200 e 350kg/m3. São usados fundamentalmente ligantes sintéticos como resinas sintéticas como o poliuretano, resinas fenólicas, cardólicas ou melamínicas, usadas sobretudo para o fabrico de parquete, sendo também usadas resinas ureia-formaldeído para calçado e artesanato. O processo de fabrico destes aglomerados incide essencialmente na compressão da mistura, efectuada por moldagem para posterior laminação ou por cilindro para obtenção de rolos, bem como o sistema de cura a temperaturas entre os 110-150ºC, tornando possível a polimerização das colas. Segue-se a

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fase de estabilização ou arrefecimento dos compostos, a laminagem se for o caso, e a lixagem das superfícies.

O produto final poderá ser ainda complementado pela colagem sobreposta de várias camadas ou pelo recobrimento superficial da cortiça através de enceramento, envernizamento ou adição de películas. O envernizamento pode ser acrílico ou poliuretano, com ou sem pigmentação. O recobrimento é obtido por colagem e prensagem a quente com cola do tipo PVA (poliacetato de vinilo), conhecida como cola branca de carpintaria, de folhas de madeira ou de polímero como o PVC (policloreto de vinilo), [5, 23 e 60].

3. Os resíduos de papel e a pasta celulósica